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Atvos conversa com interessados em investimentos na companhia

Luiz Mendonça, presidente da Atvos, tem conversado com vários interessados em investimentos na companhia, uma das maiores do setor sucroenergético do País. Segundo ele, são estrangeiros que esperam a formação do novo governo e as primeiras diretrizes para prosseguirem nas negociações.

O executivo diz que a companhia ainda tem 15% de capacidade produtiva ociosa na indústria, um atrativo para interessados. Otimista em relação ao governo Jair Bolsonaro e à economia, avalia que, se houver uma melhora considerável no setor de açúcar e etanol, a empresa poderá captar recursos via abertura de capital, com negociação de ações na Bolsa. Mas isso é pauta para daqui dois ou três anos, se tudo der muito certo. (Broadcast 19/11/2018)

 

Mecanização muda perfil tecnológico do campo paulista

Impulsionada na década passada pelo protocolo que proibiu a queima de cana-de-açúcar, a mecanização da colheita da matéria-prima mudou de vez o perfil tecnológico do campo paulista, confirma o Levantamento das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (Lupa), em fase de finalização pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculados à Secretaria da Agricultura.

O trabalho mostra que, dentro de um universo de 334.741 de Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) espalhadas pelo Estado na temporada 2016/17 (3,1% mais que em 2007/08), 117.723 recorriam à colheita mecânica, duas vez mais na mesma comparação (57.473). O total não inclui apenas propriedades canavieiras, mas é composto sobretudo por elas, os motores do agronegócio paulista.

Em contrapartida, o número de UPAs com colheita manual, dedicadas principalmente a frutas cítricas e café, encolheu de 209.003 para 156.656 na comparação. "Certamente, há UPAs dedicadas a cultivos que manterão o procedimento manual para colheita, a exemplo de olerícolas e frutas", pondera o Lupa 2016/17, espécie de censo agropecuário de São Paulo.

Em termos de área, a colheita mecânica passou a ocupar 8,980 milhões de hectares em 2016/17, ante 4,464 milhões em 2007/08, ao passo que a manual recuou de 209 mil hectares em 2007/08 para 156,6 mil em 2016/17. O levantamento mostra que a área rural ocupada total diminuiu de 20,5 milhões de hectares para 20,3 milhões na mesma comparação. E que houve flagrante redução das áreas de pastagens e mesmo de culturas perenes - em parte graças à maior eficiência proporcionada pela mecanização -, que permitiu o avanço de áreas ocupadas por culturas temporárias como grãos, reflorestamento e vegetação natural.

Ainda em relação ao perfil tecnológico, o Lupa 2016/17 aponta que, na comparação com 2007/08, houve aumentos das áreas de produção de grãos que recorrem ao plantio direto (de 759 mil para 1,819 milhão de hectares) e à irrigação (de 15,8 mil para 20,5 mil hectares). "Também foi notável [40,8%, para 12.395] a expansão do número de UPAs que passou a adotar o manejo integrado de pragas no período. O emprego dessa tecnologia comporta maior grau de sustentabilidade ambiental, uma vez que permite ajuste preciso do tratamento fitossanitário, trazendo, adicionalmente, vantagens econômicas devido ao menor uso de insumos", realça o trabalho.

Entre outras tantas informações, o Lupa mostra que paralelamente ao avanço do uso de tecnologias nas lavouras, cresceu também a lista de agropecuaristas de São Paulo que acessam ferramentas de financiamento e proteção. O número de Unidades de Produção Agropecuária que recorreu a crédito rural saiu de 49.916 em 2007/08, para 79.518 em 2016/17, e no caso das contratações de seguro rural o rol passou de 10.926 para 28.267.

Nesse avanço do uso de tecnologias e de ferramentas de financiamento e proteção, pesou a evolução do grau de instrução dos produtores. Se em 2007/08 50.622 proprietários de UPAs tinham ensino médio completo, o número aumentou para 67.727. No caso de agropecuaristas com curso superior completo, o número registrou alta de 62.561 para 74.777. "Empregar novas soluções tecnológicas nos sistemas produtivos requer conhecimentos, por vezes, complexos. Houve acentuada queda nos níveis mais baixos de formação entre os agricultores paulistas. somados os sem instrução com aqueles apenas alfabetizados, a diminuição constatada foi de 71%", afirma o trabalho. (Valor Econômico 19/11/2018)

 

Castlelake e Grupo Teston negociam compra de usinas da Renuka em leilão, dizem fontes

O Castlelake, fundo de investimento sediado nos Estados Unidos, e o Grupo Teston, fabricante de equipamentos agrícolas com operações no Paraná, já estão em conversas e são os mais bem posicionados para adquirir as usinas de cana-de-açúcar que a Renuka leiloará em 18 de dezembro, disseram duas fontes à Reuters.

Os editais dos certames foram publicados na véspera e versam sobre a alienação das unidades Revati, em Brejo Alegre (SP), e Vale do Ivaí, em São Pedro do Ivaí (PR), sem lances mínimos. Enquanto a primeira é operada pela Renuka do Brasil, a segunda está nas mãos da Renuka Vale do Ivaí.

Ambas pertencem à indiana Shree Renuka Sugars, que iniciou investimentos no Brasil em 2010 e foi atingida por baixas cotações do açúcar e controle de preços dos combustíveis em governo anteriores, algo que prejudicou o setor sucroenergético como um todo. O endividamento somado das duas beira os 4 bilhões de reais.

Conforme uma das fontes, que pediu para não ser identificada, o insucesso de um dos certames pode levar tudo a perder, já que as companhias em recuperação judicial pertencem a um mesmo grupo estrangeiro.

"Se um (leilão) der certo e o outro, não, uma empresa arrasta a outra para a falência", afirmou a fonte, que acompanha o processo.

O Castlelake, segundo já noticiado pela Reuters, está interessado na Revati, que tem capacidade para processar 4 milhões de toneladas de cana por safra. O fundo tem até planos de comprar mais usinas no Brasil.

De acordo com uma segunda fonte, o interesse do Castlelake, que se define como uma empresa "focada em ativos alternativos, empréstimos problemáticos, indústrias deslocadas e situações especiais", segue firme desde que deu início a conversas e até visitas junto a representantes da Revati neste ano.

Há outros dois fundos também sondando a usina, mas sem o mesmo apetite, segundo a fonte, que não revelou nomes.

Já no Paraná, desponta o Grupo Teston, que fabrica, dentre outros equipamentos, transbordos para a cana colhida. A empresa tem sede em Cianorte, no oeste paranaense, bem perto de São Pedro do Ivaí – proximidade esta que teria elevado seu interesse pela unidade da Renuka, disse a primeira fonte.

Procurados pela Reuters, a Shree Renuka Sugars, o Castlelake e o Grupo Teston não responderam de imediato.

Caso as vendas se concretizem, a Renuka ainda continuaria com duas usinas no país. A Madhu, da Renuka do Brasil, em Promissão (SP), tende a ser vendida em até três anos, de acordo com o já estipulado no plano de recuperação judicial. A outra unidade seria a de Cambuí, em Marialva (PR), que a Shree Renuka Sugars também tende a se desfazer no futuro.

A tendência é de que ambas sigam operando com moagem reduzida, dada a menor disponibilidade de cana após perda de contratos com fornecedores. A Madhu, por exemplo, deve moer de 3 a 3,5 milhões de toneladas na safra vigente, abaixo do potencial instalado de cerca de 6 milhões. (Reuters 19/11/2018)

 

Chuvas favorecem a recuperação da próxima safra de cana no Centro-Sul

As chuvas que sucedem, desde o início da primavera, a severa seca do último inverno podem indicar um cenário menos pessimista para os produtores de cana do Centro-Sul na próxima safra (2019/20), que começa em abril. Embora ainda haja divergências quanto às perspectivas para a produtividade dos canaviais, o clima mais úmido em outubro já alimenta expectativas de alguma recuperação em relação à atual safra, a 2018/19, segundo representantes da indústria.

"Se o clima [do verão] for favorável, tudo indica que [a próxima safra] pode ser um pouco superior a esta. Mas continua inferior à safra 2017/18", afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). O dirigente pondera, contudo, que 80% do volume da próxima safra é definido pelas chuvas de novembro a março.

Para a safra atual, cuja moagem está terminando mais cedo, o volume de cana processado deve ficar entre 30 milhões e 40 milhões de toneladas abaixo do ciclo passado, que foi de 596 milhões de toneladas, disse. Até o fim de outubro, a moagem alcançou 508 milhões de toneladas, cerca de 90% do que deve ser moído nesta temporada.

Nesta temporada, a falta de investimentos nos canaviais e o clima adverso devem levar à menor produção desde o ciclo 2012/13, quando foram moídas 532 milhões de toneladas. A quebra está concentrada em São Paulo e no Paraná, onde a seca foi mais severa.

Após a forte seca do inverno, as precipitações da primavera já chegaram a superar a média histórica em várias regiões. Nas lavouras das usinas da Adeacoagro em Mato Grosso do Sul, as chuvas estão superando a média desde agosto, afirmou Renato Junqueira, diretor de Açúcar, Etanol e Energia, em teleconferência com analistas. Como efeito, a moagem deste ano deve ficar 5% abaixo do previsto, mas 90% do processamento desta parcela deve ficar para 2019, acrescentou.

Na última entressafra do Centro-Sul, as empresas aumentaram, em relação à entressafra anterior, a área de renovação de canaviais que devem ser colhidos em meados na safra 2019/20 - o que pode evitar mais reduções de produtividade. Mas, na safra atual, a área destinada à reforma deve ser menor que na temporada passada. Nas regiões mais afetadas pela seca, o desenvolvimento das plantas atrasou, e em algumas áreas o trabalho teve que ser refeito.

"Se chover regularmente no verão, algumas áreas se recuperam. Mas é cedo para dizer", afirmou Carlos Dinucci, presidente da Usina São Manoel, no município paulista de mesmo nome. Em sua região, as chuvas voltaram à normalidade em agosto, e em setembro atingiram o dobro da média, em 280 mil milímetros, disse.

Houve casos ainda de atraso nos trabalhos de plantio para renovação de áreas no inverno. Foi o que aconteceu com a Zilor, dona de três usinas em São Paulo. Na usina de Lençóis Paulista, a companhia interrompeu o plantio de inverno por causa da estiagem prolongada e só retomou os trabalhos em agosto, afirmou Fabiano Zillo, presidente da companhia. Por isso, a empresa estima que a produtividade da safra 2019/20 deve ficar ao menos 2% abaixo do esperado, em torno de 68 toneladas por hectare.

Mesmo com uma renovação em andamento, a extensão não foi suficiente para evitar o aumento da idade dos canaviais - o que torna as plantas mais suscetíveis a intempéries. Segundo Padua, as lavouras do Centro-Sul desta safra estão com uma idade média de 3,6 anos, 0,1 ano a mais do que no ciclo passado, o que já faz diferença no rendimento, ressaltou.

A idade média ideal para que as plantas sejam mais resistentes às variações climáticas é de 3,2 anos. Com essa idade, a expectativa de produtividade seria de 85 toneladas de cana colhidas por hectare. Até o fim de outubro, o rendimento desta safra está bem abaixo desse patamar, em 74,45 toneladas por hectare, segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). (Valor Econômico 19/11/2018)

 

Adecoagro investe para ampliar capacidade de armazenagem de etanol

A companhia argentina Adeacoagro, listada na bolsa de Nova York, está investindo R$ 21,2 milhões na construção de quatro tanques de estocagem de etanol em suas usinas brasileiras, em linha com recentes investimentos para aumentar a moagem de cana-de-açúcar e ante os esforços para maximizar a produção do biocombustível.

Em teleconferência com analistas nesta sexta-feira, Renato Junqueira, diretor de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro, afirmou que a capacidade de estocagem de etanol deve aumentar 43% com esses aportes. Atualmente, as três usinas que a companhia tem no Brasil têm capacidade para estocar 177 mil litros do produto, e passará a 257 mil litros quando o investimento estiver concluído.

Segundo Junqueira, a maior capacidade de estocagem serve “para evitar vender etanol no pico da safra”, quando os preços estão mais baixos com a oferta abundante. Em relatório de resultados, divulgado ontem, a Adeacoago ressaltou que as vendas poderão ser postergadas por três a seis meses, ocorrendo no período de entressafra do Centro-Sul.

No último trimestre (encerrado em 30 de setembro), a Adecoagro registrou lucro líquido de US$ 3,5 milhões, ante prejuízo no mesmo período do ano passado, e receita líquida de US$ 202,2 mil, queda de 21%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do negócio de cana caiu 13,9%, para US$ 64 milhões.

Atualmente, as usinas da companhia já têm uma capacidade elevada de produção de etanol, com um mix que chega a 75% do volume de cana processada. Com recentes ajustes na Usina Ivinhema, localizada no município de mesmo nome, em Mato Grosso do Sul, o mix deve ir para 80%.

Neste ano-safra (a Adecoagro considera como safra o período de janeiro a dezembro) , a companhia processou 8,6 milhões de toneladas de cana, 7,1% a mais do que no mesmo período do ano passado. Para Junqueira, a moagem de cana deste ano deve ser 5% menor do que a estimada inicialmente por causa das chuvas recentes, que superaram a média histórica.

“Mas o clima melhorou a perspectiva para a próxima safra, especialmente para o primeiro trimestre de 2019 [de janeiro a março]”, afirmou o executivo. A Adeacoagro praticamente não realiza parada para manutenção, processando cana também nesse período. Em sua estimativa, 90% da cana que deixará de ser processada neste ano deve ser moída no ano que vem. (Valor Econômico 16/11/2018 às 18h: 46m)

 

Açúcar bruto avança na ICE com fraqueza do dólar; março é negociado a 12,69 cents/libra

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE fecharam em alta nesta sexta-feira, recebendo suporte da fraqueza do dólar norte-americano e do avanço dos mercados de commodities energéticas.

A valorização da moeda do Brasil, um dos maiores produtores mundiais de açúcar, impulsionou os ganhos das duas commodities no começo da sessão.

O real inicialmente subiu, repercutindo a escolha de Roberto Campos Neto, economista e executivo sênior do Banco Santander Brasil, como chefe do Banco Central no próximo governo.

O contrato março do açúcar bruto subiu 0,04 centavo de dólar, ou 0,3 por cento, a 12,69 centavos de dólar por libra-peso, porém terminado a semana com queda de 0,3 por cento.

Operadores disseram que o mercado recebeu suporte também das previsões de um possível déficit em 2018/19 e, se não, provavelmente em 2019/20.

O açúcar branco para março perdeu 2,10 dólares, ou 0,6 por cento, a 341,10 dólares por tonelada, caindo 0,9 por cento na semana.

Os subsídios anuais da Índia a produtores de cana-de-açúcar romperam os limites permitidos em até dez vezes nos últimos seis anos, disse a Austrália à Organização Mundial do Comércio. (Reuters 19/11/2018)

 

Etanol hidratado recua 1,81% e anidro cai 2,20% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 1,81% esta semana, de R$ 1,6738 o litro para R$ 1,6434 o litro, em média, de acordo com o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) divulgado nesta sexta-feira, 16.

O valor anidro caiu 2,20%, de R$ 1,8982 o litro para R$ 1,8564 o litro, em média. (Reuters 19/11/2018)

 

Retomada econômica poderá afetar o campo em 2019, diz analista

Relação de troca piora para vários produtos, entre eles café e cana; milho tem melhora.

O agronegócio poderá viver um paradoxo no próximo ano. Se a economia for bem, o mesmo pode não valer para a agricultura. A avaliação é de Fábio Silveira, diretor da MacroSector Consultores.

"Por ora, a situação é muito incerta, e o cenário de uma economia cor-de-rosa não está garantido", afirma ele.

Previdência, contas públicas e situação fiscal do país ainda são assuntos pendentes, e o bate-cabeça das autoridades não sinaliza caminhos claros para esses problemas.

Se houver uma superação dos desafios macroeconômicos, o dólar recua e fica em patamar inferior ao deste ano. Sem o incentivo do câmbio, os produtos brasileiros perdem competitividade.

Se os preços internos e externos das commodities caírem, os agricultores terão uma situação bastante adversa porque compraram fertilizantes em período de alta do produto e do dólar.

Esse cenário de alta dos custos dos insumos e de queda nos preços vai retirar competitividade dos produtores.

A alta externa dos fertilizantes, somada ao custo maior do dólar internamente, trouxe um novo patamar de custos para o setor. Alguns produtos foram bastante afetados.

Entre eles, Silveira destaca o café em Minas Gerais. Em setembro do ano passado, os cafeicultores necessitavam de 1,9 saca de café para comprar uma tonelada de fertilizante. Neste ano, a paridade subiu para 3,3 sacas.

É um setor com a remuneração complicada, segundo o diretor da MacroSector.

"A próxima safra será um período de escassez de tecnologia nas lavouras."

A relação de troca na cana-de-açúcar em São Paulo também não é boa. Conforme os dados da consultoria, os produtores necessitavam em setembro, pelos mais recentes dados disponíveis, 30,1 toneladas para a compra de uma tonelada de fertilizante. No mesmo período do ano passado, eram necessárias 27.

A soja em Mato Grosso está com uma relação de troca neutra, mas a tendência é de maior pressão. No ano passado, os sojicultores despendiam 23 sacas de soja por tonelada de fertilizante. Neste ano, são 24.

O melhor cenário é para os produtores de milho no Paraná, segundo Silveira. Enquanto no ano passado eles trocavam 64 sacas do cereal por uma tonelada de fertilizante, neste ano a troca é feita por apenas 45,8 sacas.

A relação de troca teve leve melhora também para os produtores de algodão em Mato Grosso do Sul, que, em setembro, precisavam de 46,2 arrobas para a compra de uma tonelada de fertilizante, abaixo das 48,3 de igual período de 2017. (Folha de São Paulo 15/11/2018)

 

Austrália diz à OMC que Índia superou em muito limite de subsídios ao açúcar

Os subsídios anuais da Índia a produtores de cana-de-açúcar romperam os limites permitidos em até dez vezes nos últimos seis anos, disse a Austrália à Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo documento divulgado nesta sexta-feira pelo órgão internacional.

O apoio da Índia aos produtores deveria ser limitado a 10 por cento do valor da produção, mas o país pagou entre 77,1 e 99,8 por cento desde 2011, com pagamentos entre 9,3 bilhões e 11,8 bilhões de dólares, segundo a Austrália. (Reuters 16/11/2018)

 

PE: Governo renova projeto onde incentiva pequeno produtor de etanol

Medida visa dar estabilidade a pequenos agricultores para continuarem competitivos na produção de etanol e na geração de emprego e renda

Na próxima semana, o plenário da Assembleia Legislativa do Estado já poderá votar um Projeto de Lei (PL 2097/18) do governo Paulo Camara enviado em regime de urgência há poucos dias. O PL, dentre os temas diversos, renova por mais três anos o crédito presumido do ICMS sobre o etanol produzido por cooperativas de agricultores pernambucanos. A proposta visa dar estabilidade aos cooperativados para que continuem competitivos no mercado de etanol depois de seus investimentos privados aplicados para a reativação e na reestruturação de usinas já fechadas por algum tempo, retomando o ciclo de emprego e renda na Zona da Mata.

Uma das cooperativas de agricultores que pode continuar sendo beneficiada com o projeto é a Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana (Coaf) na cidade de Timbaúba. Ela é responsável por arrendar e reativar a antiga usina Cruangi desde o ano de 2015, hoje rebatizada de Coaf. A ação tem garantido 3,7 mil postos de trabalho no campo e no parque fabril. Outra cooperativa beneficiada é a do Agronegócio da Cana (Agrocan), na cidade de Joaquim Nabuco, na Zona da Mata Sul. Juntas, as duas cooperativas empregam mais de oito mil trabalhadores entre campo e a fábrica.

Desde a primeira safra, a produção de cana e de etanol só fazem crescer na Coaf, graças ao então projeto do governador Paulo Câmara onde tem garantido um crédito presumido de 18,5% do ICMS sobre o combustível fabricado no local. Já nas usinas não cooperativadas, o crédito é de 12%. Para esta safra, último ano de validade do referido incentivo fiscal, a Coaf prevê uma moagem de 650 mil toneladas de cana de açúcar dos 700 pequenos e médios agricultores cooperativas na Zona da Mata Norte.

Na safra atual, iniciada há alguns meses, a Coaf já produziu 32 milhões de litros de etanol. Além de garantir emprego e distribuição de renda com os trabalhadores e fornecedores nas cidades com vocação canavieira, a produção da usina cooperativada já gerou R$ 3 milhões só nesta safra, e mais R$ 9 milhões de ICMS nas anteriores. “Nada disso seria possível se não fosse esse projeto que o governador fez em 2015 e busca renovar até 2022”, diz Alexandre Lima, presidente da Coaf, agradecido à medida do governante que tem beneficiado toda cadeia produtiva da cana, em especial os fornecedores e trabalhadores. (COAF 16/11/2018)

 

Coaf e Sindaçúcar não fazem objeção ao aumento do ICMS sobre o etanol em Pernambuco

Os presidentes do Sindaçúcar, Renato Cunha, e da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana-de-Acúcar (Coaf), Alexandre Menezes, que também preside a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) foram à mesa, ontem, com o secretário executivo da Fazenda, Bernardo D'Álmeida. Em pauta, estava o reajuste de 2% do ICMS sobre o etanol, proposta listada entre os 28 projetos encaminhados pelo governador Paulo Câmara à Assembleia Legislativa na última sexta-feira.

"A reunião foi pedida por nós para entendermos o pacote (de projetos enviados pelo Executivo) para que se situe se a competitividade ficaria abalada ou não", explica Renato Cunha. E completa: "Pela exposição de Bernardo e dos técnicos, a competitividade do etanol versus gasolina não está tão afetada, porque a gasolina já contém esse fundo de 2%. Eles estão tentando, na ótica deles, fazer com que haja mais arrecadação".

Ainda na avaliação de Cunha, Bernardo D'Álmeida e os técnicos da secretaria "tiveram a cortesia de nos mostrar a memória de cálculo", que será avaliada em reunião do Sindaçúcar na próxima segunda-feira. Em nome da Coaf e da AFCP, Alexandre Menezes, informa que está "apoiando o projeto". E adianta: "Vamos arregimentar nossas bases na Assembleia Legislativa. Os 10 mil produtores de cana do Estado estão apoiando também".

Leia-se: Menezes ficou de entrar em contato com os deputados e argumentar em favor do projeto, que, na análise dele, "é importante por conta da renovação do crédito presumido". Ele admite que "esse aumento do etanol tira um pouco a concorrência com relação à gasolina", mas pondera: "Em compensação, o governador está cumprindo promessa que sempre fez com o setor de renovar crédito presumido que ia encerrar em dezembro. Em primeiro de janeiro, não renovaria mais".

Nesta segunda-feira, Renato Cunha fará uma avaliação com os associados a respeito da alíquota sobre o etanol. "São 13 usinas, cada uma tem situação específica. Tem uma usina que não faz etanol, mas faz melaço, que é matéria-prima para o álcool. A competitividade tem que ser avaliada como um todo"; considera. (Folha de Pernambuco 19/11/2018)