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Gigante petrolífera dos EUA diz que foi à falência por causa de metas do etanol

Maior refinaria da costa leste americana, PES diz que já perdeu mais de US$ 800 milhões nos últimos cinco anos por causa da exigência de misturar biocombustível à gasolina.

A Philadelphia Energy Solutions (PES) atribui seus problemas financeiros ao alto custo para cumprir as metas do Programa de Combustíveis Renováveis do governo americano

Os ânimos estão exaltados entre dois setores pesos-pesados da economia americana, após a maior refinaria de petróleo da Costa Leste dizer que o etanol foi o culpado pela sua falência.

A Philadelphia Energy Solutions (PES) atribui seus problemas financeiros ao alto custo para cumprir as metas do Programa de Combustíveis Renováveis do governo americano. A refinaria diz que o uso obrigatório de biocombustível já custou à empresa mais de US$ 800 milhões de dólares desde 2012. O setor do petróleo aponta que a bancarrota da companhia é a evidência mais recente, e dramática, da necessidade de fazer mudanças no sistema regulatório dos combustíveis.

Os problemas financeiros da petrolífera apontam para um conflito ainda mais profundo sobre o futuro do Programa de Combustíveis Renováveis, com ambos os lados tentando persuadir congressistas em Washington – e o presidente Donald Trump – a modificar o programa à sua maneira.

Os nervos nunca estiveram tão à flor da pele. O debate chegou à tribuna do Senado recentemente, quando o senador Chuck Grassley, republicano de Iowa defensor ferrenho do etanol, criticou a decisão do senador Ted Cruz de barrar o nome indicado pelo Departamento de Agriculturas do Estados Unidos para uma comissão sobre o assunto.

Em uma entrevista à Fox News, o diretor da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, irritou a indústria do etanol ao citar o caso da Philadelphia Energy para justificar a necessidade de uma reforma. O assunto poderá, inclusive, incomodar Trump durante uma visita de campanha eleitoral, nesta semana (21), à Filadélfia.

“O anúncio da falência da Philadelphia Energy Solutions, no final de janeiro, fez subir o tom da conversa sobre as propostas de reforma no Programa de Combustíveis Renováveis”, diz relatório do início do mês elaborado por Katie Bays, analista da área de energia da seguradora Height Securities, em Washington. “Espera-se que o programa sofra mudanças significativas ao longo deste ano, seja por meio de nova legislação ou medidas regulatórias, ou das duas formas”.

A lei obriga as refinarias a usar biocombustíveis, e comprovar que cumpriram as cotas anuais de créditos negociáveis conhecidos como Números de Identificação Renováveis (RINs). Mas a obrigatoriedade afeta de maneira desigual as refinarias. Empresas independentes sem estrutura para misturar o biocombustível, como a PES, precisam comprar os créditos de outras. Carl Icahn, ex-conselheiro de Trump que detém uma participação na CVR Energy, tem pedido modificações no que ele chama de “programa manipulado”.

A indústria do etanol, por seu lado, diz que o programa vem cumprindo seus objetivos, ao forçar as refinarias a fazer investimentos em infraestrutura para cumprir a lei – uma regulamentação que beneficia o setor como um todo, tornando os biocombustíveis mais acessíveis à população.

Enquanto as petrolíferas jogam a culpa no programa de biocombustíveis, os defensores do combustível renovável dizem que a PES foi mais prejudicada por perder acesso ao óleo bruto de Dakota do Norte do que pela mistura compulsória de biocombustível, aplicável às refinarias de todo o país.

A agência ambiental informou que dará à refinaria PES mais 31 dias extras para demonstrar o cumprimento das exigências regulatórias relativas a 2017. Mas a empresa solicitou que a agência vá além, e perdoe completamente o débito.

Se a refinaria alcançar sucesso em cancelar seus débitos, isso poderá enfraquecer todo o mercado de créditos ambientais, alerta um memorando do senador Grassley divulgado no início deste mês.

Os apoiadores dos biocombustíveis “já fizeram tudo o que era possível”, diz Wallace Tyner, economista da Universidade de Purdue em Lafayette, Indiana, que testemunhou perante o Congresso sobre o Programa de Combustíveis Renováveis. “Nesse momento, é uma questão de sobrevivência. Eles estão realmente assustados e não confiam que a atual administração irá agir para proteger a obrigatoriedade da mistura do biocombustível”.(The Washington Post / Gazeta do Povo 20/02/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta técnica: As cotações do açúcar branco na bolsa de Londres encerraram o pregão de ontem no campo positivo em meio à alta do dólar e à cobertura de posições vendidas por parte de fundos. Os contratos mais negociados, para entrega em agosto, fecharam a US$ 360,90 a tonelada, elevação de US$ 4,10. Para analistas, os fundamentos do mercado seguem baixistas, já que as previsões de superávit de açúcar persistem. A falta de novidades, porém, abre espaço para tentativas técnicas de recuperação. Alguns fundos tentam recomprar posições após uma forte redução nas apostas de alta dos preços do açúcar observada na semana passada. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal registrou queda de 0,53%, para R$ 53,01 a saca de 50 quilos.

Cacau: Poucos negócios: O mercado futuro de cacau encerrou o dia em queda ontem na bolsa de Londres, num dia sem negócios em Nova York em função do feriado do Dia do Presidente. Os contratos com vencimento em maio registraram recuo de 3 libras esterlinas, a 1.504 libras esterlinas por tonelada. Embora os fundos estejam lentamente mudando suas apostas baixistas, ainda há oscilações. Além disso, a queda da libra esterlina ante o dólar e um possível corte no preço aos produtores de Gana, segundo maior fornecedor de cacau do mundo, também ajudaram a pressionar as cotações, segundo analistas. No mercado doméstico, a cotação em Ilhéus (BA) ficou estável em R$ 117 a arroba, segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) do Estado.

Café: Queda em Londres: Os contratos futuros do café robusta fecharam em queda ontem na bolsa de Londres, num dia em que o mercado ficou sem a referência das negociações na bolsa de Nova York, fechada por causa do feriado do Dia do Presidente nos EUA. Os papéis com vencimento em maio encerraram a US$ 1.741 a tonelada, com recuo de US$ 13. Nos últimos dias, robusta e arábica foram negociados em níveis historicamente baixos. "Embora o preço do robusta tenha alcançado alguns ganhos desde o início do ano, isso é uma gota no oceano dada a extensão da queda em 2017... em contraste com o café arábica, porém o robusta está ao menos no meio da faixa de preços vistos desde 2010", observou o Commerzbank, em nota. O indicador Cepea/Esalq para o produto ficou em R$ 317,53 a sacas, com queda de 0,36%.

Laranja: Baixa oferta: Os preços da laranja destinada à indústria acumulam alta modesta desde o início do mês e subiram mesmo na semana de Carnaval, quando a demanda costuma ser mais fraca, devido à oferta limitada de frutas de boa qualidade, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para a laranja destinada à indústria ficou em R$ 16,63 a caixa de 40,8 quilos, com valorização de 1,09% desde o início de fevereiro. A laranja pera in natura ficou estável em R$ 22,03 a caixa - a alta no mês de fevereiro é de 12,51%. Segundo o Cepea, a ocorrência de chuvas no Estado de São Paulo nos últimos dias provocou interrupções na colheita da fruta, o que reduziu o volume de laranja disponível para o mercado de mesa. (Valor Econômico 20/02/2018)