Macroeconomia e mercado

Notícias

Agronegócio é terreno fértil para expansão do setor

As principais cooperativas de crédito do país encontraram no agronegócio um terreno fértil para a expansão de seus negócios, ao mesmo tempo em que produtores e agroindústrias, sobretudo de polos precariamente atendidos por bancos tradicionais, têm recorrido cada vez mais a elas para financiarem suas atividades.

Para Sicoob e Sicredi, sistemas que juntos reúnem 7,5 milhões de cooperados e quase R$ 170 bilhões em ativos, o sucesso dessa parceria está sendo construído não só por taxas mais vantajosas oferecidas em algumas operações ou pelo fato de seus lucros serem distribuídos aos associados, mas também pela "cumplicidade" entre as partes.

Para os dois sistemas, o agronegócio já representa pelo menos 20% de carteiras de crédito que somam mais de R$ 80 bilhões, e é o setor que mais vem crescendo. "Os dois segmentos mais fortes são agronegócio e crédito consignado. E, com a tendência de aumento da produção agrícola brasileira, estamos ampliando nossas operações no campo de forma acelerada", afirma Emerson Ferrari, diretor-executivo da Sicoob do Paraná.

Principal braço do Sicoob, a "singular" Norte do Paraná atua em uma área formada por 46 municípios e tem mais de 30 mil associados. Sua carteira de empréstimos alcança R$ 480 milhões e os ativos chegam a R$ 850 milhões. No agronegócio, atende agroindústrias e produtores (vinculados ou não a cooperativas agropecuárias), entre os produtores, a participação de agricultores e pecuaristas é dividida em parte iguais, com valores médios de operações entre R$ 350 mil a R$ 400 mil.

Rafael de Giovani Netto, presidente da Sicoob Norte do Paraná, realça que o braço começou a atuar no agronegócio há cerca de três anos e quer aproveitar a retomada da economia brasileira para fincar de vez suas bases no setor. "Observamos nos últimos três anos uma importante queda da inadimplência no setor, motivada por boas safras e também pela queda da taxa básica de juros".

Para ele, a queda da Selic, apesar de reduzir a rentabilidade das operações financeiras do Sicoob, melhora a liquidez do mercado como um todo e abre novas possibilidades de negócios. No campo, lembra, não é possível melhorar as condições para empréstimos de crédito rural com juros controlados, mas em operações com juros livres, que estão em expansão, é possível reduzir taxas e atrair novos associados.

Nesse processo, a abertura de agências em polos de produção agropecuária onde os bancos tradicionais não estão presentes começa a fazer diferença. Hoje, a Sicoob Norte do Paraná conta com 25 agências físicas, e o objetivo é chegar a 40 até o fim de 2019. E agências totalmente digitais estão sendo implantadas para facilitar o acesso aos "rincões".

A capilaridade também é um dos trunfos da Sicredi União PR/SP, uma das 117 cooperativas singulares do sistema Sicredi. O braço conta com 76 agências em uma área de atuação que envolve 165 mil associados espalhados por 110 municípios, e quer abrir mais 12 em 2018. Com a ajuda do agronegócio, afirma Gilberto Paulo Rauber, assessor de negócios da Sicredi União PR/SP, o objetivo é encerrar 2020 com 300 mil associados e 110 agências, inclusive digitais como a recém-inaugurada em Cafeara (PR), onde não há nenhuma agência física.

Segundo Rauber, a carteira de crédito rural da singular vem crescendo 25% ao ano e chega a R$ 760 milhões - R$ 600 milhões em operações de custeio e comercialização e R$ 160 milhões em linhas de longo prazo (sete a 12 anos) com recursos do BNDES. O forte no agronegócio, para a Sicredi União PR/SP, são as operações com produtores de grãos, cana e hortifrútis, além dos pecuaristas. "A carteira é bastante pulverizada, o que dilui riscos. Aqui não tem entressafra", diz. (Valor Econômico 18/04/2018)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mínima renovada: Os contratos futuros de açúcar renovaram sua cotação mínima do ano na bolsa de Nova York ontem, pressionados pelas previsões de ampla oferta mundial da commodity. Os papéis com vencimento em julho fecharam a 11,82 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 35 pontos. Segundo análise da Archer Consulting, em apenas 7,5% dos pregões dos últimos dez anos a commodity ficou cotada abaixo dos 12 centavos de dólar a libra-peso como ontem. Diante disso, alguns analistas, como a Zaner Group, alertam para uma possível cobertura de posições vendidas dos fundos diante de uma safra mais alcooleira no Brasil. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 55,27 a saca de 50 quilos, alta de 0,36%.

Algodão: Clima nos EUA: As previsões climáticas para o Sul dos EUA continuam pressionando as cotações do algodão na bolsa de Nova York. Ontem, os papéis com vencimento em julho fecharam a 82,95 centavos de dólar a libra-peso, queda de 27 pontos. As perspectivas para até cinco dias apontam precipitações entre 19 e 50 milímetros no oeste do Texas, principal Estado produtor da pluma dos EUA, que é o maior exportador mundial e segundo maior produtor. Já as previsões para até 10 dias indicam chuvas dentro da média. No cenário mundial, o regime de monções dentro do normal na Índia, maior produtor mundial de algodão, confere pressão adicional às cotações. No mercado interno, o preço médio ao produtor baiano ficou em R$ 99,93 a arroba, segundo a associação e agricultores local, a Aiba.

Soja: Efeito Argentina: Os sinais de demanda firme pela soja americana mesmo diante da guerra comercial entre EUA e China deram fôlego às cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 10,5725 o bushel, avanço de 4 centavos. Segundo a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas, foram processadas 4,68 milhões de toneladas de soja nos EUA em março, um volume recorde. De acordo com analistas, a quebra da safra 2017/18 na Argentina, maior exportador mundial de farelo de soja, tem gerado um aumento da demanda pelo produto oriundo dos EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 85,34 a saca de 60 quilos, queda de 1,72%.

Trigo: Plantio atrasado: Os danos causados pelas más condições climáticas observadas nos EUA desde o início do ano já mostram suas consequências no país, o que impulsionou as cotações do trigo nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 4,815 o bushel ontem, alta de 2,5 centavos. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,995 o bushel, valorização de 2,5 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), apenas 3% da área esperada para o trigo de primavera no país havia sido semeada até o dia 15 ante 12% registrados no ano passado. A média histórica para o período é de 23%. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou em R$ 792,78 a tonelada, alta de 0,25%, segundo acompanhamento do Cepea. (Valor Econômico 18/04/2018)