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Itaú BBA: “O setor tem dívidas muito maiores do que em qualquer outro período da história”

Este momento de crise "não é bom quando você está passando por uma fase de crise como agora". Executivo prevê assim 'onda de fusões' entre as usinas.

Um importante executivo do setor sucroenergético alertou não apenas os efeitos que a seca na região Centro-Sul traria à próxima safra de cana (2015/16), mas também previu uma onda de fusões que poderá ocorrer entre as usinas com a deterioração das suas perspectivas financeiras.

O diretor do banco Itaú BBA, Alexandre Figliolino, disse que a atual safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, poderá chegar a até 550 milhões de toneladas, como resultado da seca que atingiu a região no começo do ano.

A projeção, que antes era de 596 milhões de toneladas em 2013-14, pode ser comparada à estimativa de 560 milhões de toneladas da Datagro e à de 575 milhões da Kingsman, embora a Canaplan tenha estimado uma colheita de 540 milhões de toneladas.

O executivo advertiu que o próximo ciclo seria provavelmente "inferior" em relação às projeções atuais, graças aos contratempos que têm atingido as plantações de cana, que mesmo replantadas, normalmente levam cerca de 18 meses até serem colhidas.

"O que estamos percebendo é que a cana-de-açúcar está desaparecendo, ela está morrendo", disse o executivo durante o Sugar and Ethanol Summit em Londres.

Performance deteriorante

A indústria enfrenta novas dificuldades por causa da safra ruim deste ano, que parece estar dificultando a vida das usinas. A julgar pela análise do portfolio de suas empresas, que respondem por mais de 70% da produção de cana do Centro-Sul, o setor sucroalcooleiro viu suas dívidas dispararem dez vezes mais desde 2002/03.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das usinas parece ter caído para cerca de R$ 13 bilhões no último ano para R$ 11,3 bilhões em 2014/15.

A Ebita por tonelada de cana deverá subir para aproximadamente R$ 28, ante os R$ 30 registrados ano passado.

Até agora, as dívidas da indústria foram elevadas de R$ 39,2 bilhões no final de 2012/13 para R$ 44 bilhões.

'Quadrante da morte'

"O setor tem [agora] dívidas muito maiores do que em qualquer outro período da história", disse Figliolino.

"Isso não é bom quando você está passando por uma fase de crise como agora".

De fato, o setor ficou dividido entre as usinas que têm um balanço financeiro e uma lucratividade relativamente fortes, e aquelas com os piores resultados, das quais 18, que são responsáveis por cerca de 140 milhões de toneladas de produção, caíram numa espécie de "quadrante da morte".

A "assimetria do desempenho" dos grupos de açúcar e etanol do Centro-Sul "aumentou", levando estas empresas a um "cenário de maior consolidação" entre as usinas. Por outro lado, 66 fecharam desde 2008.

Negociações recentes no Centro-Sul incluem a compra do controle das operações da Usina Santa Cruz pela São Martinho, e os planos da gigante do trading Bunge, que quer vender seus ativos de cana na região. (Nova Cana 22/07/2014)

 

Bancos preveem ganhos moderados para o açúcar

Os preços do açúcar devem se manter dentro do intervalo que vai de 16,50 centavos a 19 centavos de dólar por libra-peso.

A tendência para os preços do açúcar é de alta, mas os ganhos devem ser ´moderados´, avalia o Commerzbank, em nota. De acordo com a instituição, as cotações da commodity estão sustentadas pela perspectiva de um déficit na safra global 2014/15, que se inicia em outubro. Só que ´as reservas (internacionais) estão bem cheias´, ressalta o banco.

Na semana passada, o presidente do conselho da Copersucar, maior trading de açúcare etanol do mundo, Luis Roberto Pogetti, reduziu a previsão da companhia para a moagem no Centro-Sul do Brasil de 570 milhões para 565 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, ele projetou um déficit de 3 milhões de toneladas no próximo ciclo.

Na mesma linha do Commerzbank, o Macquarie avalia que os preços do açúcar devem se manter dentro do intervalo que vai de 16,50 centavos a 19 centavos de dólar por libra-peso, mas com potencial para trabalhar perto do teto desse range. Atualmente, o contrato com vencimento em outubro na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) oscilam em torno dos 17 centavos de dólar por libra-peso. A instituição prevê que a produção de açúcarmundo afora deve começar a diminuir, enquanto que uma recuperação da demanda deve esvaziar um pouco os estoques. (Dow Jones 22/07/2014)

 

Energia da biomassa tem forte crescimento em maio e duas térmicas de cana entram em operação

Setor apresenta forte crescimento na geração a partir da biomassa e duas térmicas começaram a funcionar com bagaço de cana.

O crescimento da geração de energia pelas térmicas de biomassa, que tem como principal fonte o bagaço de cana-de-açúcar, continuou a registrar forte crescimento em maio, ainda sob efeito do início da safra canavieira. Conforme a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), no mês foram exportados 3.038 MW médios para o no Sistema Interligado Nacional (SIN), ante 2.049 MW médio registrados em maio de 2013, uma expansão 21,6%.

Em relação a abril, mês que marca o início da safra, o crescimento foi de 82,7%, reflexo do início de moagem tardio em muitas usinas devido às adversidades climáticas e dificuldades financeiras, que retardaram a manutenção da indústria.

A energia foi gerada por 206 usinas à biomassa (das 483 cadastradas na ANEEL), com capacidade instalada de 9.180 MW (da potência total de 11.860 MW).

As usinas de biomassa participaram com 5% da geração total de energia elétrica. Incluindo todas as fontes, a geração total teve queda de 2,8% na comparação com abril, passando de 62.716 MW médios para 60.978 MW médios. A causa dessa variação está na menor produção das hidrelétricas.

Novas unidades entram em operação

Em maio houve aumento de 3,5% na garantia física das térmicas a biomassa, em relação a dezembro de 2013, devido à entrada de três unidades geradoras em operação comercial, conforme a CCEE, a maioria destinadas ao ambiente de contratação livre (ACL).

Das novas unidades em operação comercial duas são alimentadas com bagaço de cana-de-açúcar de usinas do interior paulista. A Usina Açucareira Furlan recebeu liberação para a UTE Furlan Avaré, com 30 MW de potência, iniciasse a exportação de excedente em 22 de maio.

Já a Guarani teve liberada a operação comercial da UTE Guarani-Tanabi, com 38 MW instalados, na metade de maio.