Macroeconomia e mercado

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Produtor sofre com remuneração do ATR

Com uma produção de aproximadamente 400 mil toneladas de cana-de-açúcar, o produtor Sérgio Donizetti Pavani tem feito da fé e esperança seus grandes aliados durante a safra. Mês a mês, o trabalhador sofre ao ver a evolução do preço médio do ATR – Açúcares Totais Recuperáveis.

De acordo com dados do Consecana – Conselho de Produtores de cana-de-açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo, o valor registrado em junho foi de R$ 0,4666 por quilo. “O que é pago não é compatível com os gastos. Para manter os investimentos em cana, é necessário ajustar em 40% o valor do quilo de ATR”, diz ele, que também produz soja e amendoim.

Ao analisar os valores registrados nos últimos anos, é possível perceber uma queda considerável. Em abril de 2011, por exemplo, o valor era R$ 0,5704 por quilo. Nesta safra, não passou de R$ 0,4802. “As contas não fecham e o endividamento só aumenta. É preciso melhorar o Consecana ou encontrar novas formas de remuneração”, sugere Pavani.

E a preocupação faz sentido. Paralelo a queda da remuneração, segue o continuo aumento nos custos para se produzir, fato que tem esvaziado ainda mais o caixa do produtor. Os reflexos, estes, virão no fim da safra.  “Todos os investimentos estão ficando de lado, inclusive os tratos culturais. Assistiremos a mais uma queda de produtividade. É só esperar pra ver”. (Jornal Cana 31/07/2014)

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) O governo da Argentina e os fundos holdouts não chegaram em um acerto e o país entrou em default, pela segunda vez em 13 anos. Apesar do acordo não ter sido alcançado, ainda há uma saída. Bancos privados argentinos estão negociando diretamente com os credores a compra dos títulos da dívida. Nesse cenário, a agência de classificação de risco, Standard & Poor’s rebaixou o rating da Argentina de CCC- para default seletivo.

2) As vendas do varejo da Alemanha subiram 1,3% em junho ante maio, acima da expectativa dos analistas, que esperavam uma alta de 1%. Os dados de maio também foram revisados, passando para uma queda de 0,2% ante abril, de  recuo de 0,6% na primeira leitura.

3) O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anual de 4% no segundo trimestre, após recuar 2,1% nos primeiros três meses do ano, segundo dado revisado do Departamento do Comércio americano. O resultado veio bem acima da expectativa dos economistas, que esperavam alta de 3%, e corrobora a expectativa de crescimento mais forte no país nos próximos meses.

4) A taxa de desemprego da zona do euro recuou para 11,5% em junho, ante 11,6% em maio, abaixo da expectativa dos economistas, que esperavam estabilidade do indicador. Este é o menor nível desde setembro de 2012. A taxa de desocupação entre os jovens também caiu, de 23,2% em maio, para 23,1%. Os países com os maiores níveis de jovens sem emprego continuam sendo a Grécia (56,3%) e a Espanha (53,5%).

5) O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da zona do euro desacelerou para 0,4% em julho, ante 0,5% em junho, em comparação com o mesmo período do ano passado, registrando o resultado mais baixo desde outubro de 2009, mas em linha com as expectativas dos economistas.

6) No início da sessão desta quinta-feira, o regulador do mercado de ações de Portugal suspendeu por duas horas a comercialização das ações do Banco Espírito Santo, depois que a instituição financeira registrou prejuízo financeiro recorde de 3,49 bilhões de euros no segundo trimestre. As ações já voltaram a ser negociadas, e registravam queda próxima a 50%.

7) O Federal Reserve decidiu ontem reduzir as aquisições mensais de ativos em mais US$ 10 bilhões, para US$ 25 bilhões, mantendo a expectativa de encerrar com o programa de compras em outubro. O BC americano ainda citou a melhora nas condições do mercado de trabalho e na trajetória de inflação. Ainda assim, a autoridade reiterou que vai manter as taxas de juros perto de zero por um horizonte relevante após o fim das compras de títulos.

Brasil

1) Um grupo de 21 Estados se comprometeu com a retirada, ao longo dos próximos anos, dos benefícios fiscais não aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Segundo o Valor, um convênio publicado ontem ainda propõe anistia a tosos os contribuintes que aproveitaram os incentivos ou que fora notificados por Estados que discordavam de determinados benefícios. Entretanto, como seis Estados não assinaram o acordo, a norma não tem efeito prático, apenas explicita a posição de cada unidade federativa.

2) O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 6,3% no trimestre encerrado em julho, na comparação com o mesmo período de 2013. Segundo a FGV, passado o período de intensificação da desaceleração do setor em função dos feriados nos últimos meses, as empresas esperam alguma recuperação no volume de vendas, embora isso não altere o quadro de crescimento baixo para o comércio em 2014.

3) Os bancos que participarão do consórcio para um novo empréstimo de R$ 6,5 bilhões às distribuidoras terão fatia proporcional à concedida aos R$ 11,2 bilhões, assinados em abril. Segundo o Estado, os bancos que participarão proporcionalmente são Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e BTG.

4) O superávit primário fechou o primeiro semestre em apenas R$ 17,2 bilhões, pior resultado no período para as contas públicas em 14 anos. Com esse resultado, a meta fiscal do governo central para este ano, de R$ 80,7 bilhões, ficou mais distante e dependente das receitas extraordinárias.  

5) Com a desaceleração da economia e a queda do consumo das famílias, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) deve reduzir a sua projeção para o crescimento das vendas no setor este ano. Até o momento, a expectativa é de expansão real de 3% em 2014, resultado que já esta abaixo do registrado em 2013. No acumulado do ano até junho, as vendas registraram alta de 1,57%, desacelerando ante crescimento acumulado de 1,62% em maio.