Macroeconomia e mercado

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Com a Andrade, sobe para 70 o número de usinas em recuperação judicial

A crise do setor de açúcar e álcool acaba de fazer mais uma vítima – o grupo Andrade, de Ribeirão Preto, recorreu à recuperação judicial para evitar que suas quatro empresas vão à lona.

Com a queda no preço do açúcar e a menor competitividade do etanol em comparação com a gasolina, a dívida de 500 milhões de reais do grupo ficou impagável.

Na década de 90, a Andrade era uma das maiores destilarias do mundo. Um levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) mostra que, até julho, eram 66 empresas do setor em recuperação judicial. Agora são 70. (Exame, edição nº 1071)

 

Biosev vê melhora do teor de açúcar no trimestre

No último trimestre, a Biosev registrou 118,4 kg de ATR por tonelada de cana, 0,2 por cento maior que no mesmo período do ano passado.

segundo trimestre, estaremos em plena safra, em todas as unidades do centro-sul, e aí já deve ter tido a arrancada das duas unidades do Nordeste", disse Rui Chammas

A Biosev, segunda maior processadora de cana do mundo, prevê uma melhora nos níveis de açúcar total recuperável (ATR) no trimestre encerrado em setembro, com os resultados da safra no centro-sul e a entrada das unidades do Nordeste, disse o presidente da companhia.

"No segundo trimestre (da safra, julho a setembro), estaremos em plena safra, em todas as unidades do centro-sul, e aí já deve ter tido a arrancada das duas unidades do Nordeste, e neste segundo trimestre é quando normalmente temos os ATRs mais elevados", disse o presidente da Biosev, Rui Chammas, em entrevista à Reuters.

No último trimestre, a Biosev registrou 118,4 kg de ATR por tonelada de cana, 0,2 por cento maior que no mesmo período do ano passado.

A Biosev deve sentir menos os efeitos da seca atípica do começo deste ano no centro-sul, uma vez que parte de suas unidades está localizada fora das áreas mais afetadas.

Diante deste cenário, a expectativa de moagem foi mantida entre 29 milhões a 31,5 milhões de toneladas na temporada, contra 30 milhões de toneladas do ciclo anterior.

"Nossa estimativa é preservar a moagem...Nós não temos uma perda importante de seca nem no Nordeste e nem no Mato Grosso do Sul, e em São Paulo estamos numa região que sofreu um pouco menos", disse, acrescentando que esta posição geográfica acabou permitindo que a empresa sofresse impactos menores pela estiagem.

A empresa conta com unidades em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, na principal área produtora do país do centro-sul, além de duas unidades no Nordeste, uma no Rio Grande do Norte e a outra na Paraíba.

A safra de cana do centro-sul é estimada em queda de 40 milhões a 50 milhões de toneladas, ante as 597 milhões de toneladas do ciclo anterior, com perdas principalmente em São Paulo, com a seca severa entre janeiro e fevereiro, segundo projeção preliminar da associação das usinas (Unica).

A Biosev, divisão de energia da trading francesa de commodities Louis Dreyfus [LOUDR.UL], anunciou uma redução do prejuízo no trimestre encerrado em junho de 54,5 por cento, para 148,3 milhões de reais negativos, reflexo de melhorias operacionais. (Reuters 15/08/2014)

 

Sindicalistas, fornecedores de cana e indústria de base retomam diálogo

A primeira iniciativa para juntar os elos da cadeia produtiva sucrodenergética, rompidos desde que a Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar boicotou iniciativas semelhantes em 2012, ocorreu no início da tarde deste último sábado em Sertãozinho (SP).

O encontro ocorreu no auditório da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) e contou com a participação do deputado federal Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), do presidente da Orplana – Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro Sul e também da Canaoeste, Manoel Ortolan e do empresário Adézio José Marques, diretor regional do Ciesp – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

Dezenas de dirigentes de sindicatos que atuam na cadeia produtiva sucroenergética também participaram do evento. Paulinho Pereira recordou que na crise de 1999 os trabalhadores e os fornecedores de cana criaram uma aliança estratégica que, além de assegurar melhor interlocução do setor com o governo federal, também alavancou o ciclo virtuoso de crescimento que acabou em 2007, durante o segundo mandato do presidente Lula.

Já Adézio Marques, que coordena a criação de um sindicato patronal das indústrias da região de Sertãozinhho (Simesam), a exemplo do que já existe na região de Piracicaba, lembrou que em 2012, junto com Danilo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical São Paulo e Antonio Vitor, vice-presidente da estadual e diretor de Assuntos Internacionais da Força Sindical Nacional, lançou um movimento pela “Retomada dos Investimentos na Cadeia Produtiva Sucroenergética”.

O movimento, segundo o empresário, foi boicotado pelos usineiros da Única que preferiram assistir ao agravamento da crise na esperança de ver mudanças na condução da política dos combustíveis e da energia por parte da presidente Dilma Rousseff.

Com a criação das “Frentes Parlamentares do Etanol”, tudo indicava que trabalhadores, fornecedores de cana e usineiros voltariam a se entender. Mas não foi o que ocorreu. Em entrevista ao TV BrasilAgro, veiculada no final do último mês de dezembro, o sindicalista Sérgio Luiz Leite, presidente da Federação dos Químicos (Etanol) do Estado de São Paulo e Secretário Geral da Força Sindical, acusou os dirigentes da Única de “descumprirem compromissos assumidos”.

Outro sindicalista, Antonio Vitor, que se destacou por liderar movimentos que aproximassem os interesses dos trabalhadores e dos empresários, a exemplo do que ocorre nas pautas e agendas defendidas em conjunto pelas montadoras (Anfavea) e metalúrgicos, deixou de apoiar as “Frentes Parlamentares” que acabaram se esvaziando.

Ações coordenadas e conjuntas entre os quatro elos da cadeia produtiva sucroenergética se constituem no única caminho viável para criar novamente um clima favorável para a volta dos investimentos no setor canavieiro. Tudo vai depender agora da disposição dos usineiros em retomar o diálogo com os trabalhadores, com os fornecedores de cana e com a indústria de base. (Brasil Agro 18/08/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Os preços dos imóveis da China caíram pelo terceiro mês consecutivo em julho, sinalizando que as recentes medidas de afrouxamento anunciadas pelo governo ainda não surtiram o efeito desejado. Segundo o WSJ, o preço médio dos imóveis novos nas 70 maiores cidades chinesas caiu 0,89% em julho ante junho. Em junho, a queda mensal foi de 0,47%, e em maio, de 0,15%.

2) O Ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou que as questões envolvendo o comboio russo foram resolvidas. Com esse acordo entre a Cruz Vermelha e a Ucrânia, os caminhões com ajuda humanitária aguardam na fronteira com a Ucrânia para entrar no país.

3) A balança comercial da zona do euro teve superávit de 16,8 bilhões em junho, resultado acima do registrado no mesmo período do ano passado, de 15,7 bilhões de euros. Na comparação anual, as exportações cresceram 3,0%, enquanto as importações tiveram alta de 2,0%.

4) Segundo Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra (BoE), a autoridade monetária não precisa esperar que se acelere o crescimento da renda para aumentar a taxa de juros. Na avaliação de Carney, o BoE está atento a sinas de que pode haver alta nos salários.

Brasil

1) Na primeira pesquisa após a morte de Eduardo Campos, Marina Silva obteve 21% das intenções de voto, ficando tecnicamente empatada com Aécio Neves, que teve 20%. Dilma Rousseff manteve a liderança com 36% das preferências. Sem a presença de Marina, Dilma ganharia no primeiro turno com 41% das intenções de voto, contra 25% de Aécio. Em um eventual segundo tuno, teríamos empate técnico entre Marina (47%) e Dilma (43%). Na disputa com Aécio, a petista venceria por 47% a 39%.  

2) As grandes redes varejistas reduziram seus investimentos este ano. Segundo o Valor, analisando 17 empresas, os investimentos totais foram de R$ 2,54 bilhões nos primeiros seis meses do ano, queda de 20,1% na comparação com igual período do ano passado.

3) Um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que a renda do consumidor continua muito comprometida pelo pagamento das dívidas. Com os salários crescendo no mesmo ritmo do encarecimento do crédito, a previsão da CNC é que a taxa e inadimplência suba dos atuais 6,5%, para 6,9% até o final do ano.

4) O Tesouro Nacional antecipou o repasse de R$ 5 bilhões ao BNDES, provenientes de uma arrecadação do PIS/PASEP que ainda não se realizou. Esta medida reforça o caixa do banco, que é um dos principais responsáveis por estimular os investimentos no país, sem causar impacto fiscal.  

5) Depois da divulgação dos dados de atividade do mês de junho, o mercado revisou mais uma vez para baixo a projeção de crescimento da economia para este ano. Segundo o Boletim Focus, a previsão para a taxa de crescimento do PIB 2014 recuou 0,81% para 0,79%. Destaque negativo para a produção industrial, que passou de -1,53% para -1,76%.

6) O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou para 0,08% na segunda quadrissemana de agosto, ante alta de 0,16% na primeira leitura o mês.