Macroeconomia e mercado

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Raízen: Marina faz bom discurso, mas todos precisam olhar pelo setor

O vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani, afirmou nesta sexta que a candidata a presidente Marina Silva (PSB) 'tem feito um bom discurso' ao defender o incentivo ao uso do etanol como combustível. 'Mas todos os candidatos precisam olhar e ter uma aproximação maior com o setor, porque o atual governo priorizou inflação e a gasolina. Isso não é sustentável no longo prazo', disse Mizutani, durante seminário na Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho (SP).

Mizutani considerou que o uso da gasolina como forma de controle da inflação impede que o mercado de combustíveis tenha uma livre concorrência e afasta investimentos do setor. 'É necessário o mercado e a economia cada vez mais livres para incentivar o empresário investir', defendeu o vice-presidente da maior companhia produtora de açúcar e etanol do País.

Apesar de não defender nomes de candidatos, Mizutani criticou, durante palestra, o tratamento dado pelo governo federal para o setor produtivo de etanol e açúcar. Ele citou como exemplo a indicação feita pela presidente Dilma Rousseff da ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, atual candidata ao governo do Paraná, como interlocutora com o setor.

'Há três anos a ministra Gleisi Hoffmann foi colocada como interlocutora e ela nem sabia diferença de açúcar e álcool. Com um interlocutor desse não precisa nada. Esse governo para nós não foi legal', afirmou o executivo. 'Espero uma maior abertura para nós', concluiu. (Agência Estado 29/08/2014)

 

Raízen: Custo elevado tira competitivadade do setor sucroenergético

O vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani, avaliou nesta sexta-feira, 29, que a alta nos custos e falta de investimentos tiraram a competitividade no setor sucroenergético do Brasil. Segundo Mizutani, os entraves logísticos, comerciais e econômicos fizeram com que o País perdesse o posto para competidores no mercado mundial de açúcar.

Dados apresentados pelo executivo mostram que o custo para a produção e exportação de açúcar da Tailândia está em 17,9 centavos de dólar por libra-peso e o do Brasil em 18,7 centavos por libra-peso. 'Apesar de ter um custo produtivo bem menor, perdemos para a Tailândia por conta do custo logístico', disse.

Mizutani classificou a baixa capacidade de armazenagem de açúcar no País, apenas em 40%, como o maior obstáculo para que o setor consiga melhores preços no mercado mundial. 'Usinas estocaram mais este ano, não tem destino, por isso cai preço', explicou.

O executivo citou a falta de investimentos do setor em tecnologia como o diferencial competitivo. 'Nós investimos R$ 60 milhões por ano no CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). Só a Shell investe US$ 60 milhões por ano para o desenvolvimento de uma enzima para etanol de segunda geração', comparou.

“TODO ANO TEMOS DE 6% A 7% DE AUMENTO SALÁRIO MÍNIMO. OS CUSTOS DE ARRENDAMENTO DE TERRA, QUE ERAM R$ 8 POR TONELADA DE CANA PRODUZIDA, ESTÁ EM R$ 15 A R$ 17 POR TONELADA"

Outro fator, de acordo com Mizutani, é a variação do que ele chama de 'custo estrutural' do setor, com altas anuais em um cenário de preços estáveis de etanol e açúcar. 'Todo ano temos de 6% a 7% de aumento salário mínimo. Os custos de arrendamento de terra, que eram R$ 8 por tonelada de cana produzida, está em R$ 15 a R$ 17 por tonelada', disse.

Ainda segundo o vice-presidente da Raízen, a melhora do desempenho e da produção de países que no passado foram grandes importadores de açúcar do Brasil, como a Rússia, bem como os concorrentes europeus, que melhoraram a produtividade e a produção, contribuíram para a perda da competitividade brasileira. 'A Rússia já importou 5 milhões de toneladas de açúcar do Brasil e agora está quase autossuficiente', afirmou. 'A Europa, que tinha um custo maior, eliminou Portugal e Espanha, concentrou a produção em outras áreas e investiu em tecnologia', concluiu. (Agência Estyado 29/08/2014)

 

Cosan descarta aquisições e foca em etanol de 2ª geração e eficiência

"Crescemos muito por aquisições e no decorrer deste processo construímos um portfólio com certo desnível quanto à qualidade operacional dos ativos (das usinas)."

A Cosan, empresa de infraestrutura e energia; descarta fazer aquisições neste momento de fragilidade da indústria sucroalcooleira, enquanto busca melhorar o desempenho operacional e aposta em etanol de segunda geração para o futuro desse negócio, disse um alto executivo nesta quinta-feira.

O setor de açúcar e etanol, que já foi o carro chefe da Cosan e hoje é apenas um dos negócios do conglomerado, vive uma crise financeira no Brasil desde 2008, o que traz desafios adicionais para a Cosan, que tem uma joint venture com a Shell nesse setor.

"Nosso objetivo é, sem dúvida nenhuma, melhorar o retorno médio sobre o capital empregado nesse 'business'. E, fazendo aquisições, não vamos conseguir chegar nisso", disse o diretor vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Marcelo Martins, em entrevista à Reuters.

A divisão de etanol, açúcar e cogeração é a que apresenta o menor retorno sobre o capital investido, observou Martins, ficando abaixo de dois dígitos nos últimos anos, enquanto em outras unidades --incluindo gás natural, distribuição e logística-- o percentual varia entre 13 a 14 por cento.

Essa situação se dá em meio a dificuldades decorrentes de problemas estruturais do setor, que nos últimos anos levaram ao fechamento de dezenas de indústrias de cana, sob o impacto da crise de crédito de 2009 agravada pela pressão de custos e baixos preços dos produtos, especialmente em função do controle governamental de preços da gasolina, que limita altas do etanol.

"Crescemos muito por aquisições e no decorrer deste processo construímos um portfólio com certo desnível quanto à qualidade operacional dos ativos (das usinas). O foco hoje é trazer equalização do nível operacional, de forma que esta eficiência seja aproveitada no sistema inteiro", acrescentou o executivo.

Com aquele baixo retorno, a Cosan busca um foco na melhoria operacional, especialmente em um segmento no qual 70 por cento do custo total é agrícola.

“A SEGUNDA GERAÇÃO É O NOSSO GRANDE FOCO HOJE, PORQUE AÍ TEREMOS ESCALA E UMA MELHORIA OPERACIONAL QUE VAI MUDAR A DINÂMICA DO 'BUSINESS'"

CAMINHO POSSÍVEL

Para o futuro, a empresa acredita que pode se beneficiar do advento do etanol de segunda geração, que permitiria um maior aproveitamento da biomassa da cana e redução de custos.

"A segunda geração é nossa grande esperança, mas não vamos esperar só isso, mas estamos focando na melhoria operacional, principalmente na parte agrícola", disse. "É aí que vamos conseguir resultados substanciais."

Isso porque o etanol de segunda geração ainda precisa superar algumas etapas para ser viável em escala comercial, a ponto de implementar completamente o plano que prevê investimentos de até 2 bilhões de reais, até meados da próxima década.

O etanol de segunda geração é produzido a partir do aproveitamento da biomassa da cana (bagaço e palha).

"A segunda geração é o nosso grande foco hoje, porque aí teremos escala e uma melhoria operacional que vai mudar a dinâmica do 'business'", disse o executivo.

Ele explicou que este etanol de segunda geração, além de melhorar a eficiência de custos da cadeia, melhora a utilização do potencial energético da cana.

"Ainda não está num nível que pode se viabilizar a produção comercial. Mas o que temos visto é que deve caminhar para isso. Talvez se tenha agora uma perspectiva que a gente nunca teve até hoje", explicou, ponderando que os custos ainda não são competitivos.

A Cosan opera, por meio de joint venture com a Shell, as unidades Raízen Energia, que inclui açúcar, etanol e cogeração, e a Raízen Combustíveis, para área de distribuição.

No último trimestre, a Cosan teve uma receita de 9,6 bilhões de reais, dos quais 1,7 bilhão de reais são oriundos da Raízen Energia, a maior companhia de açúcar e etanol do Brasil. (Reuters 29/08/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) A agência de classificação de rating Moody’s divulgou um relatório sobre o mercado imobiliário chinês, avaliando que os preços dos imóveis devem continuar em trajetória de desaceleração, apesar da perspectiva de melhora nas vendas. A agência espera uma alta moderada nas vendas, apoiada pela maior disponibilidade de hipotecas e pelo afrouxamento das restrições por parte do governo para a compra de imóveis.

2) Dados econômicos da Alemanha voltaram a decepcionar os analistas. As vendas no varejo do país recuaram 1,4% em julho ante junho, abaixo da expectativa dos economistas de estabilidade do indicador, e o pior resultado desde janeiro de 2012. O dado de junho foi revisado para alta mensal de 1%, frente 1,3% na divulgação original.

3) O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da zona do euro subiu 0,3% em agosto em comparação com igual período do ano passado, ante alta de 0,4% em julho, de acordo com dados preliminares da Eurostat. O resultado veio em linha com o esperado pelos analistas.

4) Os números finais do PIB da Itália confirmaram que o país entrou em recessão pela terceira vez desde 2008. No segundo trimestre, o PIB do país recuou 0,2% ante os três meses primeiros meses do ano.

5) Segundo a primeira revisão do Departamento do Comércio americano, o PIB do país cresceu 4,2% entre abril e junho, acima da estimativa preliminar (4,0%) e da expectativa dos analistas (3,9%). Destaque positivo para a alta dos investimentos não residenciais, apenas parcialmente compensadas pela queda nos estoques.

6) A taxa de desemprego da zona do euro ficou estável em 11,5% em julho, em linha com as expectativas dos analistas. Segundo a Eurostat, o dado se manteve no menor nível desde setembro de 2012. Os países com as menores taxas continuam sendo Alemanha (4,9%) e Áustria (4,9%), e os mais afetados pelo desemprego, Espanha (24,5%) e Grécia (27,2%).

Brasil

1) O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, não se comprometeu em atingir a meta de superávit primário para esse ano. Pelo contrário, o ministro ainda afirmou que a arrecadação do Refis prevista para este mês não deve ocorrer, fazendo com que a meta para o segundo quadrimestre não seja cumprida.

2) Segundo o Estado, em agosto, o Tesouro Nacional praticamente dobrou o volume de desembolsos para pagamento do abono PIS-Pasep e do seguro desemprego na comparação com junho, indicando que o governo pode ter represado esses gastos nos meses passados.

3) A Petrobras admitiu que não cumpriu a meta de produção definida para o primeiro semestre. Em documento encaminhado para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a companhia afirmou que de janeiro a junho produziu 1,947 milhões de barris de óleo por dia, 7% a menos do que o previsto.

4) O governo apresentou, ontem, o Projeto de Lei Orçamentária de 2015 (PLOA 2015). As hipóteses macroeconômicas adotadas foram de crescimento real do PIB de 3%, inflação de 5%, e aumento nominal de 8,8% para o salário mínimo. Neste cenário, a meta de superávit primário foi estipulada de 2% a 2,5%.

5) Segundo o IBGE, o PIB no segundo trimestre recuou 0,6% em relação aos primeiros três meses do ano, resultado abaixo da expectativa dos analistas, de recuo de 0,4%. O dado de janeiro a março também foi revisado, de alta de 0,2% para queda de 0,2%.