Macroeconomia e mercado

Notícias

Safra da cana deve encolher 20% na região de Araçatuba

Sem matéria-prima, pelo menos cinco usinas projetam parar suas indústrias até o final deste mês.Conforme dados parciais divulgados pelo Centro de Tecnologia, a evolução histórica de produtividade para a região medida em TCH (Toneladas de Cana-de-açúcar por Hectare) mostra que a expectativa deste ano, avaliada até o momento em 70,8, não deve alcançar o índice averiguado na safra anterior, de 78,4.Araçatuba é a região do centro-sul do País onde se espera a menor produtividade da cana-de-açúcar na safra 2014-2015. A quebra nos 43 municípios da região administrativa pode chegar a 20%, avalia o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). De acordo com a entidade, o fator que mais afetou o bom desempenho foi a seca.

Comparativo

Quando o desempenho de Araçatuba é comparado com as demais regiões do centro-sul, o indicador fica ainda mais distante, tendo em vista que na parcial 2014-2015 o índice alcançado até o momento foi de 78. Na safra passada, o índice apurado foi de 79,6 para o centro-sul, onde se concentra, segundo a entidade, cerca de 90% dos canaviais existentes no Brasil.

“A estiagem foi o principal fator da baixa produtividade, o que está ocasionando o término da safra mais cedo. O clima restritivo – com temperatura alta e seca -, aliado ao solo fraco e arenoso, quando comparado ao de outras regiões produtoras, intensificou a crise no campo”, avaliou o gerente de marketing do CTC, Virgílio Vicino. “Tivemos ainda a falta de chuva no verão passado. O índice de precipitação pluviométrico ficou 57% abaixo do esperado para os meses de outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro”.
Índice

Para Vicino, o fato de Araçatuba ter atualmente 97,9% de área plantada de cana-de-açúcar sendo colhida com o uso de máquinas também interferiu na produtividade durante a safra atual.

A região é a que tem maior índice de mecanização. No centrosul, o percentual de área onde se utiliza máquina é 93,8%. “Os fatores que seriam positivos acabaram agravando a crise, por falta de chuva”, arrematou. Segundo o gerente de marketing, apesar de a região abrigar canaviais “jovens”, cuja idade média para corte varia entre 2,9 anos, enquanto nas demais é de 3,12 anos, o processo de renovação das áreas, com variedades mais adaptadas para corte mecânico, ficou aquém do esperado. “Como a cana ainda não
está totalmente adaptada para a colheita mecânica, ainda ocorrem perdas”, disse.

“Com pouca cana e nenhum tipo de intercorrência, as usinas já falam em parar a moenda agora em setembro”, disse o presidente do Sindalco (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Farmacêuticas e da Fabricação do Álcool), José Roberto da Cunha. De acordo com ele, uma das unidades pertencentes a um grupo em recuperação judicial deve ser a primeira a encerrar a safra 2014-2015 na região. Outras quatro usinas param até o dia 30.
Dispensados

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçatuba, Aparecido Guilherme de Moura, a falta de chuva prejudicou o plantio, cujos trabalhadores foram contratados para executar o serviço, mas acabaram dispensados em plena safra. “As funções mais afetadas foram as de serviços gerais, o que abrange tanto mão de obra empregada em corte, operação de tratores e plantio”, elencou.

Moura também confirmou a informação de que há indústria se preparando para pôr fim precoce à safra 2014-2015 na região de Araçatuba. “Desde 2009, o setor passa por dificuldades devido à evolução da seca”.
Usinas foram obrigadas a antecipar moagem

A colheita da cana-de-açúcar pelas usinas sucroenergéticas, que oficialmente começa a partir de 1º de abril, este ano foi antecipada por seis indústrias na região de Araçatuba. A
moagem teve início na segunda quinzena de março, justamente porque não houve chuva suficiente entre os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, prejudicando o desenvolvimento dos canaviais.

O Grupo Clealco foi o primeiro a começar a colheita para abastecer a produção na unidade de Penápolis, onde a safra começou em 17 de fevereiro. A UPI (Unidade de Produção Independente) adquirida pela companhia por R$ 187 milhões, em leilão judicial em novembro de 2013, foi uma das primeiras do Brasil a entrar em operação.

Nas demais unidades da companhia, instaladas nos municípios de Clementina e Queiroz (a 99 km de Araçatuba), a moagem começou em março. Apesar da antecipação, o grupo informou que apenas iniciou contagem da produção em 1ºde abril. A Clealco, que continua moendo em todas as suas unidades, mantém a meta de fechar a safra 2014/2015 com 8,2 milhões de toneladas de cana processada.

As outras que também anteciparam o início da moagem nesta safra foram Unialco, com unidades em Guararapes e Aparecida do Taboado-MS (Alcoolvale), o grupo Batatais, com fábrica em Lins, e a Renuka, com usina em Brejo Alegre (Revati) e Promissão (Madhu).

A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), em conjunto com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), demais sindicatos e associações do setor sucroenergético, revisou a estimativa de moagem de cana-deaçúcar para a safra 2014/2015 na região centro-sul do País. A nova projeção indica uma moagem de 545,89 milhões de toneladas, queda de 5,88% em relação à estimativa inicial(580 milhões de toneladas) e redução de 8,57% sobre o valor final da safra 2013/2014 (597,06 milhões de toneladas).

Na explicação do diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, as condições climáticas observadas desde o início da atual safra foram piores do que aquelas utilizadas na elaboração da primeira estimativa, divulgada em 23 de abril.
Segmento teve 4.673 demissões no 1º semestre

A crise que começou no campo devido à baixa rentabilidade da cana-de-açúcar e afetou a produtividade da indústria também atingiu o trabalhador. No primeiro semestre deste ano, enquanto as usinas sucroenergéticas deveriam operar em pleno vapor, muitas davam início ao processo de demissão de seus funcionários. Foram 4.673 desligamentos entre janeiro a junho deste ano no segmento industrial, que começou a safra com bem menos trabalhadores.

Dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mostram que nos seis primeiros meses de 2014 foram admitidos 9.366 trabalhadores ante os 14.494 contratados formalmente no primeiro semestre do ano passado. A redução foi de 35,38%.

O órgão aponta ainda que os cortes ocorreram tanto no campo, que foi impactado pela mecanização da colheita, quanto nos setores industriais e administrativo. O estudo, divulgado em agosto, teve como base informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Entre as 15 regiões administrativas nas quais se divide o Estado de São Paulo, Araçatuba foi a quarta em número de dispensa de funcionários, tendo à sua frente apenas as regiões de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Campinas.

Para o pesquisador do IEA, Carlos Eduardo Fredo, o mercado de trabalho no setor sucroalcooleiro foi afetado nos últimos anos por problemas de caráter conjuntural, que é a crise econômica do setor, e estrutural, referente às mudanças na etapa da colheita, substituindo o emprego manual pelo uso de máquinas. Ele lembrou que tradicionalmente, o mês de abril apresenta pico de contratações para a safra da cana-de-açúcar.

(Fonte: Folha da Região – Araçatuba/SP)

 

50 Bilhões de dólares pelo ralo e um encolhimento de 20%

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana novamente em baixa no vencimento outubro/2014 que encerrou a sexta-feira cotado a 15 centavos de dólar por libra-peso, um nível que nem o mais pessimista dos traders poderia apostar há seis meses, por exemplo. Os fundos continuam deitando e rolando com suas posições vendidas e não se acanharam a adicionar mais vendas a elas durante a semana. No acumulado do ano, o açúcar – que encerrou 2013 negociado a 16.41 centavos de dólar por libra-peso – já perdeu 8.6%

O derretimento do spread outubro/março mostra o quanto o mercado não quer o açúcar tailandês que deve ser o grande entregador do produto contra a expiração do outubro/2014 no final deste mês. Por outro lado, a situação da safra brasileira de cana que deve se encerrar com um volume em torno de 555 milhões de toneladas, acende a luz amarela para a disponibilidade de cana para o próximo ano tendo em vista que os investimentos e a expansão deverão ser desprezíveis.

No início de junho, a posição em aberto do vencimento julho representava àquela altura 37% da posição total. Por esse parâmetro, a posição hoje do outubro/2014 deveria ser de 330.000 lotes e está em 400.000, um excesso de 70.000 lotes. Uma boa parte desse excedente é de usinas que ainda estão para fixar suas posições contra o vencimento outubro/2014. Por outro raciocínio, levando-se em consideração o que já está fixado (veja abaixo) acreditamos que ainda existe um volume de um milhão de toneladas a serem fixadas ou na iminência de serem roladas para o vencimento março 2015. Que fase!!

A Agência Nacional do Petróleo divulgou o consumo de combustíveis do mês de julho. Foram 3.65 bilhões de litros de gasolina C (que contém o anidro misturado) e 1.01 bilhão de litros de hidratado. No acumulado de doze meses, compreendido pelo período de agosto de 2013 até julho de 2014, o consumo total alcançou 54.98 bilhões de litros, dos quais 11.84 bilhões de litros de hidratado, 10.78 bilhões de litros de anidro e 32.36 bilhões de litros de gasolina A (antes da mistura).

Em um ano, o consumo nacional cresceu 8.70% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, 4.4 bilhões de litros, 90.6% de etanol. Nesse ritmo de crescimento acelerado, que coloca o consumo nacional crescendo à taxa média de 6.19% ao ano nos últimos cinco anos, se mantida essa tendência, para o ano safra de 2015/2016, o Brasil vai precisar de pelo menos mais 24 milhões de toneladas de cana apenas para atender esse consumo. O mix de combustíveis consumidos mantém o percentual de 41.1% para o etanol e 58.9% para a gasolina.

Tivéssemos mantido as condições favoráveis de 2009 quando o etanol era responsável por 54.5% de todo o combustível consumido pela frota nacional (Ciclo Otto), o Centro-Sul estaria moendo nessa safra corrente, de acordo com estudo feito pela Archer Consulting na época, 720 milhões de toneladas de cana. Para tal, teríamos mais de 30 novas usinas e investimentos próximos a 30 bilhões de dólares e a geração de mais de 100.000 novos postos de trabalho diretos e indiretos. Somem-se os investimentos que não vieram mais o etanol que deixamos de vender no mercado interno e chegamos à cifra de 50 bilhões de dólares.

Não chegamos nem perto disso. O setor encolheu pelo menos 20% nesses últimos anos, seja pelo fechamento de várias unidades industriais, seja pela falta de investimento coibida pela falta de política energética, pela falta de planejamento de longo prazo e pela falta de vergonha na cara do governo petista, formado em sua maioria por gente tecnicamente desqualificada e sem comprometimento com o futuro do país. O Brasil está pagando caro demais por doze anos de arrogância e vigarice petista.

O plano de governo de Marina, caso seja eleita, entusiasmou boa parte dos líderes do setor. Tanto é que as duas grandes do açúcar doaram para sua campanha, segundo o site Transparência Brasil, R$ 2.75 milhões. Afinal, soa como música ouvir que a candidata prega pela intervenção mínima do governo no setor e pela transparência nas regras para o desenvolvimento de energia de biomassa. Este escriba tem falado sobre essas questões há anos apontando que falta de transparência na formação de preços dos combustíveis tem afastado novos investimentos no setor.

É bom lembra também que o setor sempre construiu uma linha de diálogo com Marina desde 2010, quando Marcos Jank trouxe a então candidata para o Ethanol Summit. Não fazia sentido para um setor cujo DNA é energia renovável e meio ambiente não se aproximar de uma personalidade global nessa área como é o caso dela.

Na semana passada, o deputado Roberto Freire, presidente do PPS e um dos articuladores da Coligação em torno de Campos/Marina, impressionou um grupo de gestores de fundos presentes a um evento fechado promovido por uma instituição financeira. Existe uma enorme consciência entre os que apoiam Marina sobre o esgotamento do modelo aplicado pelo PT, qual seja, o do consumismo desenfreado com baixo investimento, além de uma clara percepção que existe a necessidade premente por reformas estruturais.

Num eventual apoio de Marina, assumindo que Aécio não decola; mesmo que para afastar de vez um governo medíocre, populista, dissimulado, farsante, prepotente, retrógrado, além de sobejamente incompetente, que só fez destruir os valores éticos e morais da sociedade brasileira é a confirmação da máxima de James Russell Lowell, poeta, escritor e embaixador norte-americano do século XIX, na qual dizia que “só os idiotas e os mortos não mudam de opinião”. Se vivo fosse e conhecesse a política brasileira, Lowell certamente incluiria um corolário adicionando a palavra “petista” à sua célebre frase.

O modelo desenvolvido pela Archer Consulting aponta que 82% da safra 2014/2015 já está fixada ao preço médio de 17.58 centavos de dólar por libra-peso, o que corresponde a aproximadamente 40,19 centavos de reais por libra-peso. O dólar médio obtido pelas usinas ao longo desta safra foi de 2.2864.

Já estão abertas as inscrições para o 22º Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos, promovido pela Archer Consulting, que vai ocorrer em São Paulo, Capital, nos dias 23, 24 e 25 de setembro. Mais informações acesse nosso sitewww.archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda). ( O Estado de São Paulo 08/09/2014)

 

Dilma rejeita equiparar preço da gasolina ao mercado internacional

A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), rejeitou a ideia de equiparar o reajuste da gasolina aos preços praticados no mercado internacional. Em entrevista nesta sexta-feira, 5, em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, ela afirmou que não é possível querer que o Brasil pegue um preço composto com base nos custos nacionais, e o associe a um mercado internacional. "Isso não quer dizer que não temos que buscar da nossa forma métodos de avaliar e valorizar o combustível, de reajustá-lo ou não", ponderou após visitar a Expointer.

Dilma disse que é acusada de represar o preço da gasolina, mas que, em termos nominais, o combustível teve no seu governo um aumento em torno de 31%. "A gasolina se comportou um pouco acima da taxa de inflação do IPCA (nesse período)", avaliou. A questão, segundo ela, é que os críticos querem que esse reajuste seja atrelado não à inflação, mas ao preço internacional da commodity.

Um possível reajuste da gasolina ocorrerá apenas com a aprovação do conselho de administração da Petrobrás, e, como o presidente do conselho é o ministro da Fazenda, Guido Mantega, qualquer aprovação depende do aval do governo federal. A estatal depende desse reajuste para compor o seu orçamento e fechar os investimentos previstos para o período de 2014 a 2030.

"É verdade que cada país, no caso de combustível, não renuncia a sua própria política de preços para beneficiar os seus consumidores e seus empresários. Se eu atrelo a política de preços da Petrobrás ou de qualquer lugar a qualquer fator ou dado internacional eu tenho que me perguntar primeiro como esse mercado funciona", explicou, mencionando que um conflito geopolítico entre Estados Unidos e qualquer País do Oriente Médio, por exemplo, faz o preço do petróleo, no mercado internacional, disparar.

Ela também citou o caso do shale gas nos Estados Unidos. Conforme a presidente, os EUA descobriram uma grande riqueza do chamado gás de xisto e está baseando nisso sua política energética, proibido a exportação desse produto. "Os EUA estão garantindo para sua própria indústria e para sua própria competitividade o ganho de ter shale gas e os outros não", comentou.

A presidente ainda comentou outras críticas que seu governo vem sofrendo no que se refere à política econômica. "Dizem que haverá um tarifaço na energia elétrica. Incorreto. Não é assim que funciona. Outra coisa que dizem, que os preços administrados estão contidos. Outro absurdo. Depende da métrica, depende dos métodos e depende dos interesses."

Inflação

Dilma comentou também o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,25% em agosto com relação ao mês anterior. Segundo ela, o movimento é natural para este período do ano. "Todo mundo espera uma variação pequena para setembro, uma inflação comportada", afirmou em entrevista coletiva na Expointer, na região metropolitana de Porto Alegre.

Perguntada sobre o compromisso do governo em controlar a inflação, a presidente voltou a dizer que sua preocupação é sempre mirar o centro da meta de 4,5% e "caminhar cada vez mais" para colocar a variação de preços no patamar mais baixo possível.

Citando o conto "O Alienista", de Machado de Assis, Dilma disse que é criticada tanto por ter cachorro como por não ter cachorro. "Aqueles que dizem que eu não tenho cachorro falam: ''Está deixando a inflação fugir do centro da meta''. A verdade é que no período de 12 ou 15 anos que temos meta de inflação, em 9 anos sempre tivemos um pouco acima da meta", afirmou, lembrando que o teto é de 6,5%.

Segundo ela, aqueles que a criticam por ter cachorro (em referência à obra literária) defendem que ela deveria reajustar mais os preços da gasolina brasileira, equiparando-os ao preço internacional, e não à taxa da inflação. "A parte de não ter cachorro não dialoga com a de ter cachorro. Tem que resolver, ou tem uma coisa ou outra."

A candidata à reeleição pelo PT reforçou que seu governo procura garantir a inflação sob controle, porque, segundo ela, a inflação é algo que prejudica fundamentalmente os trabalhadores, os empresários e os produtores. "Ganha com a inflação quem controla mais as condições de aplicação, geralmente o sistema financeiro. O resto inteirinho da sociedade perde. Então tem que garantir cada vez mais inflação cada vez mais baixa", avaliou.

Ela salientou, no entanto, que não está disposta a prejudicar o emprego, como "alguns" sugerem. "Meu compromisso é com a meta da inflação, eu procurarei sistematicamente buscar o centro da meta. Mas para isso não vou, porque não acho correto, desempregar o povo brasileiro."

 

Dilma reduziu a pó setor do etanol, que fez seu papel de casa

A candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, afirmou nesta sexta-feira que faltaram planejamento estratégico e investimentos em novas fontes de geração de energia na gestão do setor elétrico do país, que tem sido conduzido há mais de uma década pela presidente Dilma Rousseff.

Questionada durante entrevista à rádio CBN sobre acusações de que a atual baixa oferta de energia hídrica deve-se em parte à sua atuação como ministra do Meio Ambiente durante governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; quando teria privilegiado as chamadas usinas de fio d'água em detrimento das hidrelétricas a partir de grandes reservatórios, Marina lembrou que estava à frente da pasta quando foram concedidas as licenças prévias para as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.

“O setor elétrico é responsabilidade dela (Dilma) há 12 anos, como ministra (de Minas e Energia), como chefe da Casa Civil, como presidente da República. Ela esteve nos espaços de poder mais importantes para a agenda de energia. Como podem dizer que a responsável pelos problemas que tem no setor elétrico é uma pessoa que saiu do governo desde 2008?”, argumentou a candidata em entrevista nesta manhã. Marina foi ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008.

"O problema é que nós temos uma situação em que a falta de visão estratégica está nos levando a poucas fontes de geração, e quando não tem as chuvas, que não é culpa de ninguém, aí a gente fica na dependência apenas das termelétricas tradicionais", acrescentou.

A presidenciável aproveitou a entrevista para criticar o que considera ser uma “frente” contra sua candidatura formada por seus dois principais adversários na corrida presidencial: Dilma, que tenta a reeleição pelo PT, e Aécio Neves, candidato do PSDB.

“O que está acontecendo é que há uma situação quase que de desespero por parte dos meus adversários”, disse Marina. “Querem manter tudo no controle entre a polarização PT-PSDB, porque eles se sentem muito confortáveis. É interessante que agora o governador Aécio, a presidente Dilma, eles dois fazem uma frente contra mim”, afirmou.

Aécio, ex-governador de Minas Gerais, utilizou seu programa eleitoral na quinta-feira para reforçar o discurso sobre o que chama de contradições de Marina, afirmando que a ex-senadora muda de posições “ao sabor das circunstâncias”, citando, inclusive, sua passagem pelo PT e eventual "omissão" em relação ao escândalo do mensalão.

Dilma também tem utilizado o espaço obrigatório na TV aberta para criticar a adversária. Seu programa insinuou semelhanças entre Marina e os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello —que não concluíram seus mandatos— para questionar a governabilidade da ambientalista caso seja eleita.

AGRONEGÓCIO E ETANOL

Marina disse ainda que seu governo não vai nem “facilitar nem dificultar” o processo burocrático para licenciamento de defensivos, fertilizantes, vacinas ou novas variedades genéticas, trâmite que recebe críticas do agronegócio, ressaltando a importância de regras claras para o setor.

“O governo não facilita nem dificulta. Essa linguagem de facilitar é a linguagem que não observa o princípio da Constituição de que o serviço público deve fazer as coisas de acordo com a constitucionalidade, a legalidade”, afirmou a candidata.

“O Estado tem que criar os meios para que as coisas possam fluir de acordo com as regras, que essas regras sejam transparentes, que se tenha agilidade sem perda de qualidade”, disse.

“Os regramentos para que se tenha uma agricultura sustentável em todos os aspectos devem ser observados.”

Ao reconhecer a importância da agropecuária para a economia brasileira, a ex-senadora defendeu incentivos tanto à agroindústria quanto à agricultura familiar com crédito, com apoio à ciência, tecnologia e inovação.

Marina afirmou que o setor produtivo do etanol está no “pó” na gestão de Dilma. As políticas de controle de preços da gasolina atuais, sendo a gasolina um concorrente do etanol, impedem o repasse de custos para o preço do biocombustível, num contexto de aumento dos gastos do setor.

“É engraçado que as usinas de cana-de-açúcar fizeram o seu dever de casa, se moldaram às exigências sociais, ambientais, tecnológicas, e hoje eles estão sendo destruídos, o setor de etanol, por políticas erráticas do atual governo”, criticou. (Reuters 05/09/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa – a União Europeia adotou novas sanções econômicas contra Rússia, que devem ser implementadas essa semana, expandindo o número de empresas russas sem acesso a financiamento nos mercados de capitais do bloco e devem atingir três grandes estatais da área de petróleo, de acordo com informações do Wall Street Journal. Apesar do acordo de cessar-fogo assinado pela Ucrânia e por separatistas pró-Rússia, todos os membros aprovaram a medida.

2) Reino Unido – pela primeira vez uma pesquisa indicou que a maioria dos eleitores da Escócia desejam a independência em relação a Grã-Bretanha. A pesquisa apontou 51% das intenções favoráveis, apresentando uma vantagem técnica contra os 49% que optaram pelo “não”. O referendo acontecera no dia 18 de setembro.

3) China – o superávit comercial da China registrou superávit recorde de US$ 49,84 bilhões em agosto, acima do esperado pelo mercado de US$ 40,00, de acordo com a Bloomberg. As exportações subiram em relação ao mês anterior que apresentou superávit de US$ 47,30 bilhões. Na comparação anual, as exportações cresceram 9,4% em agosto desse ano, desacelerando da alta de 14,5% apresentada em julho. Por outro lado, as importações caíram 2,4% em agosto na comparação anual, acentuando a queda registrada em julho quando recuou 1,6%.

4) Alemanha – o saldo ajustado da balança comercial alemã ficou acima do esperado em julho, quando subiram 23,4 bilhões de euros, acima das expectativas  16,8 bilhões de euros, de acordo com a Bloomberg. As exportações cresceram 4,7% em julho ante o mês anterior, ficando acima das expectativas e acelerando em relação ao mês anterior que teve alta de 0,9% . Por outro lado, as importações recuaram 1,8% ante o mês anterior, abaixo das expectativas dos analistas que esperavam alta de 0,2%, desacelerando em relação ao mês anterior que apresentou  alta de 4,5%.

Brasil

1) Hidrelétricas – de acordo com o jornal O estado de São Paulo, consórcios e empresas, que controlam as principais hidrelétricas que estão em operação no pais, terão que bancar uma conta extra de R$ 16,1 bilhões, referente ao período entre janeiro e setembro, para comprar energia de usinas térmicas para garantir o volume de abastecimento que tinham acordado em entregar. No primeiro semestre do ano, as empresas já haviam  desembolsado R$ 6,5 bilhões.

2) Petrobras – de acordo com o Broadcast, ex-diretor  de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa citou 32 deputados e senadores, um governador e um ministro  como supostos beneficiários de um esquema de propina  na estatal. Os políticos seriam de 5 partidos e recebiam o equivalente a 3% de comissão sobre o valor de cada contrato firmado  durante sua passagem pela estatal (entre 2004 e 2012). De acordo com o jornal Valor Econômico, o total das comissões podem ter atingido R$ 3,37 bilhões.

3) Inflação – o IPC-S avançou 0,21% na primeira quadrissemana de setembro, ante 0,12% no encerramento de agosto. O resultado ficou levemente acima da expectativa do mercado de 0,20%. Os principais destaques do indicador foram Alimentação (+0,29%), impactados por frutas (2,3% ante 0,99%) e carnes bovinas (+1,08% ante 0,35%).

4) Focus – os principais destaques da pesquisa Focus, organizada pelo Banco Central com diversos analistas de mercado, mostraram que os analistas reduziram a expectativa do produto interno bruto (PIB) para 2014 de 0,52% para 0,48% e aumentaram as estimativas no índice geral de preços amplos (IPCA) de 6,27% para 6,29%.

5) Pesquisa Eleitoral – foi divulgada a pesquisa Sensus, na qual Dilma e Marina aparecem empatadas, considerando a margem de erro, no primeiro turno. Dilma tem 29,8% das intenções de voto, enquanto Marina tem 29,5% e Aécio aparece com 15,2%. Em um segundo turno entre Marina e Dilma, a primeira tem 47,6% das intenções de voto contra 32,8% da atual presidente.