Macroeconomia e mercado

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Acionista do Itaú da R$ 2 mi a Marina e aliados

Além de coordenar o programa de governo de Marina Silva (PSB), a acionista do banco Itaú e educadora Maria Alice Setubal é a terceira maior doadora individual nestas eleições. Até o começo de setembro, Neca, como é conhecida, havia dado R$ 2.010.200 a candidatos do PSB (16), PV (3), PDT (2) e PPS (1). As doações têm como destinatários concorrentes em 13 Estados e no Distrito Federal. Os valores também variam. Os beneficiados são políticos ligados à Rede Sustentabilidade, partido que Marina tentou criar sem sucesso no ano passado.

As maiores doações foram de R$ 200 mil. Além de Marina - por meio do comitê financeiro da candidatura presidencial do PSB -, receberam essa quantia candidatos a deputado federal em São Paulo (José Gustavo Fávaro) e Tocantins (Rafael Boff), e o candidato a governador do PSB no Amazonas, Marcelo Ramos Rodrigues.

Neca fez ainda seis doações de R$ 130 mil para candidatos à Câmara e ao Senado - como Eliana Calmon (PSB-BA) e Reguffe (PDT-DF). As demais doações são de R$ 70 mil e R$ 10 mil, para candidatos a deputado estadual e federal da Bahia a Santa Catarina. Em comum, a maioria tenta se colocar no perfil de “novo”: jovens, estreantes nas urnas ou defensores da bandeira da renovação.

A acionista do Itaú virou alvo da presidente Dilma Rousseff (PT) por ter doado R$ 1 milhão para um instituto fundado por Marina em 2013. Em entrevista ao Estado publicada nesta quinta-feira, Neca afirmou que o banco “nunca bancou” a ex-ministra.

Líderes. Neca só ficou atrás de outros dois grandes empresários no ranking de maiores doares como pessoa física: Alexandre Grendene Bartelle (R$ 2,4 milhões) e Marcelo Beltrão de Almeida (R$ 2,3 milhões).

O primeiro é um dos fundadores da Grendene, que, segundo a Forbes, é a maior fabricante de sandálias do mundo. Seu patrimônio é estimado pela revista em US$ 1,6 bilhão. Suas doações se concentram nos dois Estados onde a Grendene tem mais interesses: o Ceará (onde fica a maior fábrica) e o Rio Grande do Sul (local da sede administrativa da empresa).

Alexandre foi acompanhado nas doações por três parentes: Pedro Grendene Bartelle (R$ 1,5 milhão), Maria Cristina (R$ 1 milhão), Pedro Bartelle (R$ 625 mil) e Giovana Bartelle Velloso (R$ 375 mil). Juntos, os quatro doaram R$ 5,9 milhões. Como pessoa jurídica, a Grendene doou R$ 1,7 milhão.

Segundo maior doador, Marcelo Beltrão de Almeida (PMDB-PR) é suplente de deputado federal e concorre a uma cadeira no Senado. Marcelo é herdeiro da CR Almeida, uma das maiores empreiteiras do País - e doadora de R$ 9,4 milhões nestas eleições. A maior doação do candidato a senador foi para si próprio: R$ 2,2 milhões. O resto foi para candidatos a deputado estadual do PMDB no Paraná.

Fortalecimento. Procurada pela reportagem, Neca afirmou que não pretende fazer mais doações até o fim da campanha. Ela disse que fez as doações para “fortalecer” os candidatos da Rede. Como a sigla não obteve o registro do Tribunal Superior Eleitoral, o grupo dispersou e acabou se filiando a diferentes partidos. A maioria, porém, seguiu o mesmo caminho de Marina e entrou no PSB.

A assessoria de Marcelo Beltrão de Almeida disse que os valores doados foram altos porque ele optou por financiar a própria campanha, sem depender de recursos de terceiros. Alexandre Grendene Bartelle não foi localizado para comentar o assunto. (Estado de São Paulo 12/09/2014)

 

Seca em SP cria rombo de R$ 6 bilhões no setor de açúcar e álcool e agrava crise

Nos últimos quatro anos, cerca de 400 mil trabalhadores do setor foram desligados – falta de água no Estado deve intensificar as dispensas e esticar a entressafra.

Jurandir Pedro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Itapetininga, cidade do interior paulista, teve uma quarta-feira (10) cheia. Passou o dia em uma longa negociação com a Usina Vistalegre Bioenergia, produtora de açúcar e álcool. Lá, cercas de 500 funcionários – desde rurais até motoristas – serão desligados da companhia.

O sindicalista tenta evitar o pior, mas a empresa ainda não trouxe nenhuma proposta para a mesa. “Os temporários já foram demitidos e agora eles vão dispensar quase 50% dos fixos”, lamenta. “Na quinta-feira (11) devemos voltar para a mesa à tarde e ver o que dá para fazer.”

No entanto, Jurandir sabe que não há muita saída para a grande crise vivida pelo setor sucroalcooleiro no Brasil – agora agravada pela seca no Estado de São Paulo, que concentra a maior parte da produção do País.

Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), espera uma queda de R$ 6 bilhões no faturamento do setor com essa antecipação e alongamento da entressafra. Serão produzidas 50 milhões de toneladas de cana a menos, o equivalente a uma queda de 8,7% frente ao ano passado. 

A menor produção de açúcar e de etanol não deve afetar a oferta interna, tampouco o preço, no prognóstico de Pádua. “Vamos reduzir as exportações para não mexer no mercado interno”, explica. “Agora como vão manter a produção, como vão manter os funcionários, como vão se capitalizar a gente ainda não sabe. Possivelmente teremos baixas no meio do caminho até a próxima safra.”

De fato, é quase uma guerra. Nos últimos quatro anos, o setor encolheu para metade do seu tamanho em número de funcionários. Em toda a cadeia, segundo a Força Sindical, já foram 400 mil desligados, que, em sua maioria, acabou mudando de ramo. As perdas, segundo a Unica, já beiram os US$ 80 bilhões.

Setor enfrenta crise há cerca de quatro anos

Uma série de mudanças estruturais ancorou o setor, a começar pela retirada da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide). O tributo incidia sobre a comercialização e importação de combustíveis em alíquotas diferenciadas, tornando o etanol mais competitivo. O controle dos preços da gasolina também pesa neste mesmo sentido.

Nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a participação do açúcar e do etanol no Programa Reintegra, por meio do qual as empresas serão ressarcidas em 0,3% sobre as receitas decorrentes de exportação – em 2015, essa parcela deve subir para 3%.

Embora a medida já ofereça certo alívio, Pádua ainda defende a criação de políticas de longo prazo. “É preciso adicionar algum benefício para estimular o consumo de um combustível mais alinhado com a realidade ambiental e econômica”, defende o representante das usinas paulistas. “Em momentos de eleições, nenhuma medida estrutural sai do papel e todos querem conversar e se aprofundar nas demandas do setor.”

“Estamos em um processo difícil nos últimos quatro anos”, lamenta Sérgio Luiz Leite, presidente Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimifar, ligada à Força Sindical). Para o sindicalista, nem tudo é culpa da política econômica ligada ao mercado de combustíveis. “É preciso levar em conta que o setor está se rearranjando. Houve uma consolidação importante, com aquisição de empresas com grandes companhias estrangeiras, o que naturalmente enxuga a estrutura.”

A ponderação vem acompanhada de outra lembrança: a de que cabe também à indústria automotiva o desenvolvimento de melhores tecnologias para a usabilidade do combustível da cana. Apesar da crise, os trabalhadores que permaneceram no setor sucroalcooleiro conseguiram um aumento real que variou entre 1% e 1,5% na última campanha salarial – vantagem que, até o momento, os funcionários da indústria automotiva ainda não conquistaram.

Leite lembra que há um agravante na demissão dos trabalhadores do setor: são pouco qualificados. “Uma parte desse pessoal é do campo e não temos conseguido grandes negociações em termos de qualificação”, diz. O termo de compromisso no corte de cana acabou no ano passado e pouco foi o avanço em termos de qualificação profissional.

Mesmo com paliativos, recuperação ainda é uma realidade distante para Melquíades Araújo, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (Fetiasp). “Não há recuperação. Há uma tímida melhora com ações como a adoção do Reintegra e a melhora na mistura de etanol na gasolina”, diz. “Mas o preço da gasolina continua a sufocar o etanol.”

No setor de alimentos, por exemplo, o aumento real para os trabalhadores ligados ao açúcar não chegou a 1% e as empresas continuam a fechar. “Os sindicatos locais procuram fazer acordo, mas são 60 empresas no País em recuperação judicial. Não sobra muita escapatória.” (Economia IG 12/09/2014)

 

Renovação de canaviais no Brasil é pequena, diz Sucres & Denrees

 A taxa de renovação de canaviais brasileiros foi de cerca de 14% neste ano, abaixo dos 18% que deveriam ser replantados a cada temporada, afirmou o diretor da unidade brasileira do Grupo Sucres & Denrees, Jeremy Austin.

Com os preços de açúcar no menor patamar desde 2010, os produtores do País enfrentam custos mais elevados e altas dívidas, e têm menor capacidade de investimento. "É muito difícil encontrar pessoas ganhando dinheiro na indústria brasileira de cana", afirmou Austin.

O contrato de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fechou em 14,36 cents por libra-peso, menor preço desde junho de 2010.( Dow Jones Newswires 12/09/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Zona do Euro: A produção industrial da Zona do Euro subiu 1% em julho ante junho, acima da previsão de alta de 0,7%. Na comparação anual, o indicador apresentou alta de 2,2%, superando as expectativas de crescimento de 1,4%.

2) Itália: A produção industrial da Itália caiu 1,0% em julho ante junho, abaixo da previsão de queda de 0,2%. Na comparação anual, o indicador apresentou queda de 1,8%, abaixo das expectativas de alta de 0,1%.

3) França: O déficit em conta corrente da França caiu para 2,2 bilhões de euros em julho, ante 7,2 bilhões de euros em junho. O número leva em conta parte da multa de US$ 8,97 bilhões que o banco BNP Paribas deve à Justiça dos Estados Unidos por violação da lei de sanções econômicas e internacionais.

4) Rússia: O Banco Central (BC) da Rússia manteve a taxa de juros inalterada em 8%, mas alertou sobre a possibilidade de aperto monetário caso a inflação permaneça alta, de acordo com o Broadcast. O BC russo atribuiu a alta de inflação às sanções impostas ao pais pela União Europeia e pelos EUA.

5) China: Os empréstimos concedidos por bancos chineses subiram de 385 bilhões de yuan em julho para 702,5 bilhões de yuan em agosto, superando a expectativas do analistas de 700 bilhões. A base monetária do pais subiu 12,8% em agosto, ante 13,5% em julho, abaixo das expectativas de crescimento de 13,5%.

Brasil

1) Subsídios: O governo calculou em cerca de R$ 23 bilhões o custo do subsídio concedido pelo Tesouro Nacional nos empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2014, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo. O valor é mais que o dobro do subsidio de R$ 10,6 bilhões verificado no ano passado.

2) Ata do COPOM: O Banco Central (BC) avaliou que apesar da inflação continuar elevada, não mostra mais resistência. Desta forma, o BC avalia que a inflação deve atingir a meta em 2016. Além disso, o BC sinalizou que deve manter os juros nos patamares atuais porque, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, a inflação esta alta, mas deve ser mais favorável no futuro.

3) Vendas no varejo: As vendas recuaram 1,1% em julho, ante o mês anterior, devido ao menor número de dias úteis em virtude da Copa do Mundo e ao arrefecimento do consumo das famílias, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados surpreenderam os analistas que esperavam alta de 0,5% e o valor mais pessimista apontava redução de 0,6%. Este dado é o pior mês de julho desde 2000 e o recuo mais intenso desde outubro de 2008.

4) Criação de vagas: Foram criadas 101,4 mil vagas com carteira assinada em agosto. O saldo acumulado no ano chegou a 751,4 mil vagas. O resultado de agosto surpreendeu porque julho havia registrado o pior resultado para o mês de 1999, apesar de ter ficado 20,5% abaixo das 127,6 mil vagas no mesmo mês do ano passado.

5) IBC-Br: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado hoje, registrou alta de 1,50% em julho em relação ao mês anterior, já com ajuste sazonal. O resultado sugere alguma aceleração do PIB, porém, ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas (-0,60% a 1,70%). Em 2014, o acumulado é de 0,07%, também com dados dessazonalizados.