Macroeconomia e mercado

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Marina combina social de Lula com economia de FHC, diz jornal britânico

Reportagem do Financial Times fala sobre perfil de propostas da candidata do PSB à Presidência.

Londres - A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, é tema de mais uma reportagem na edição impressa desta segunda-feira, 15, do jornal britânico Financial Times. Com o título "Marina Silva sacia a sede de mudança do Brasil", a publicação destaca que o comportamento "não partidário" da candidata tem "impressionado os eleitores e os investidores".

O jornal britânico destaca o fato de que Marina Silva defende políticas sociais caras ao PT e usa argumentos econômicos da órbita do PSDB. "Ela combina a consciência social de Luiz Inácio Lula da Silva com a ortodoxia econômica de Fernando Henrique Cardoso", resume o jornal. A publicação ainda chama atenção para o fato de que a educadora Maria Alice Setúbal, mais conhecida como Neca, faz parte da família controladora do maior banco brasileiro e é uma das principais assessoras da candidata.

Ao lado da reportagem, um pequeno quadro com o título "Uma candidata radical com uma visão econômica ortodoxa" lista as principais diretrizes do discurso de Marina no tema. O FT cita a defesa da inflação no centro da meta de 4,5%, autonomia do Banco Central, criação de um conselho de responsabilidade fiscal para combater a contabilidade criativa e a proposta, ainda que sem detalhes, de uma reforma do sistema tributário.

A reportagem do FT explica que a ex-ministra tem adotado discurso menos partidário e, por isso, estaria conseguido atrair eleitores - inclusive dos manifestantes que foram às ruas no ano passado. Para produzir a reportagem, o FT acompanhou a candidata durante compromissos políticos no interior do Rio Grande do Sul. Além da agenda econômica e da pauta política, o texto destaca a origem humilde e o fato de que Marina era analfabeta até a adolescência. (Financial Times 15/09/2014)

 

Doações de campanha somam R$ 1 bi

Os 19 maiores financiadores de campanha respondem por metade do valor doado até agora por empresas e indivíduos na eleição deste ano. As contas de partidos, comitês e candidaturas em todo o País receberam desses 19 grupos privados R$ 522 milhões do total de R$ 1,040 bilhão vindo de contribuições de pessoas físicas e jurídicas até agora.

Esses valores são todos de origem privada e calculados após levantamento que elimina distorções ou eventuais erros cometidos pelas candidaturas. Somando-se o que vem do Fundo Partidário, cuja origem são recursos públicos, o dinheiro que circulou até agora nas campanhas supera R$ 1,138 bilhão. E isso é só o começo. O montante de R$ 1,040 bilhão refere-se ao que foi declarado por candidatos a presidente, governador, senador e deputado federal e estadual ou distrital até 6 de setembro. Como se trata de uma prestação de contas parcial, não é possível comparar com o que foi arrecadado na eleição de quatro anos atrás.

A concentração das doações é significativa. São quase 29 mil doadores até agora, mas 2 de cada 3 reais arrecadados pelas campanhas vieram dos 100 maiores doadores. Sozinho, o maior deles, o Grupo JBS, doou até agora R$ 113 milhões, ou 11% do total doado. Dona de marcas como Friboi, Swift e Bertin, o grupo tem outras empresas que também doaram, como Seara e Flora Higiene-Limpeza.

O PT foi o partido que mais recebeu da JBS: R$ 28,8 milhões - ou 1 de cada 4 reais doado pela empresa. O PSD ficou em segundo lugar, com R$ 16 milhões, e o PMDB, em terceiro, com R$ 14 milhões. Entre todos os candidatos, a maior beneficiada pelas doações da JBS foi a presidente Dilma Rousseff.

O setor de alimentação tem uma outra grande doadora. O grupo Ambev - dono de marcas como Brahma, Antarctica e Skol - aparece em quarto lugar no ranking, com R$ 41,5 milhões doados. O dinheiro foi recebido principalmente por candidatos e comitês do PMDB (R$ 12 milhões), PT (R$ 11 milhões) e PSDB (R$ 8 milhões). O setor financeiro tem duas das 10 maiores doadoras. O grupo Bradesco está em sexto, somando R$ 30 milhões em contribuições vindas de empresas como Bradesco Vida e Previdência, Bradesco Saúde e Bradesco Capitalização, entre outras. O conglomerado deu, até agora, R$ 9,4 milhões para o PSD, R$ 8,7 milhões para o PT, R$ 6,7 milhões para o PMDB e R$ 5,2 milhões para o PSDB.

O banco BTG Pactual e sua administradora de recursos doaram R$ 17 milhões e estão em décimo lugar na classificação geral. PT e PMDB foram os beneficiários de quase 80% desse dinheiro.

O protagonismo desses dois bancos e a atuação de outras empresas do setor que costumam colaborar financeiramente com as campanhas políticas não chega a superar o destaque das empreiteiras na lista de doações para partidos, comitês e candidaturas. Juntas, as construtoras contribuíram com quase R$ 300 milhões, ou 30% do total arrecadado até agora.

Dos dez maiores doadores da atual campanha, cinco são grupos empresariais que tiveram origem no ramo da construção. São os casos da OAS (2.º maior), Andrade Gutierrez (5.º lugar), UTC Engenharia (7.º), Queiroz Galvão (8.º) e Odebrecht (9.º). Os valores foram agregados por grupo econômico e incluem subsidiárias de outros setores, como energia.

Segunda colocada no ranking dos maiores contribuintes com os políticos, a Construtora OAS acumula R$ 66,8 milhões em doações. O PT ficou com quase metade desse dinheiro, ou R$ 32 milhões. O restante foi dividido entre PMDB, PSDB e PSB, entre outras legendas.

A Andrade Gutierrez doou R$ 33 milhões, divididos quase que exclusivamente entre PT (R$ 16 milhões) e PSDB (R$ 13 milhões). A UTC deu R$ 29 milhões (R$ 13 milhões para petistas), a Queiroz Galvão doou R$ 25 milhões (PMDB recebeu R$ 7 milhões), e o grupo Odebrecht, R$ 23 milhões, principalmente para PT, PSDB e DEM. O terceiro maior doador é do setor de mineração. O grupo Vale doou cerca de R$ 53 milhões até agora, por meio de uma série de empresas. Dois partidos se destacam entre os beneficiários de suas doações: PMDB (R$ 20,6 milhões) e PT (R$ 14,5 milhões). (O Estado de São Paulo 15/09/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Estados Unidos: As vendas no varejos dos Estados Unidos subiram 0,6% em agosto, em linha com a expectativa do mercado e acima da alta de 0,3% em julho. O dado de julho sofreu revisão para alta de 0,3% de 0,0% na última divulgação. O índice de confiança de Michigan superou as expectativas de 83,3 para atingir a 84,6 no dado preliminar de setembro, acelerando em relação ao mês anterior de 82,5.

2) China: A produção industrial da China cresceu 6,9% em agosto ante o mesmo mês de 2013, desacelerando ante o 9% apresentado no mesmo mês de 2013, ficando abaixo da expectativa dos analistas que esperavam alta de 8,8%. Esta foi a menor expansão da indústria chinesa desde a crise financeira de 2008. Na comparação mensal, a indústria chinesa avançou 0,2% em agosto, ante alta de 0,7% em julho. Além disso, as vendas no varejo chinês subiram 11,9% em agosto na comparação anual, ante 12,2% em agosto de 2013, na mesma base de comparação, ficando abaixo das expectativas de alta de 12,1%.

3) Zona do Euro: O superávit comercial da zona do euro subiu de 16,8 bilhões de euros em junho para 21,2 bilhões em julho, maior resultado desde marco de 2014. Em base mensal, as exportações de julho caíram 0,2% ante junho, enquanto as importações cresceram 0,9% no mês. De janeiro a junho, as exportações para a Rússia cederam 14% em relação ao seis primeiros meses de 2013, enquanto as importações para os países caíram 6%.

4) Reino Unido: De acordo com uma nova pesquisa, 54% das intenções de votos são contra a separação da Escócia do Reino. A votação ocorrera na próxima quinta feira, dia 18 de setembro.

5) Oferta Inicial de Ações: A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do grupo chinês Alibaba apresentou demanda para toda a emissão em apenas dois dias. Por isso, o, grupo Alibaba já pensa em aumentar o tamanho da oferta. O grupo pode registrar o maior IPO da história se vender um lote adicional de ações para atender a demanda, que levaria o tamanho da operação para US$ 24,3 bilhões, superando a Banco de Agricultura da China que abriu capital em 2010 e arrecadou US$ 22,1 bilhões.

Brasil

1) Crédito a empresas: Segundo o jornal Folha de São Paulo o país tem 3,5 milhões de empresas inadimplentes, tal número corresponde à metade das 7 milhões de empresas operacionais no país. O recorde na inadimplência seria resultado de uma queda nas vendas e do aumento de custos de fornecedores, bancos e funcionários. Os números divulgados pelo jornal foram obtidos junto ao Serasa. Ainda segundo a instituição, 91% das empresas devedoras seriam pequenas e médias empresas.

2) OGX: O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma denúncia contra o empresário brasileiro Eike Batista alegando que este teria cometido crimes contra o mercado de capitais. Foi solicitado pelo MPF o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em bens. Caso Eike seja considerado responsável por tais acusações de uso de informação privilegiada, a pena pode chegar até 13 anos de prisão.

3) Boletim Focus: Na pesquisa semanal do Boletim Focus os analistas de mercado reduziram a projeção de crescimento do PIB para 2014 pela décima quinta semana seguida, a projeção passou a ser de 0,48% no ano, de 0,52% na semana passada. As projeções para o crescimento em 2015 permaneceram estáveis ante a semana anterior em 1,10%, enquanto as projeções para a inflação ao consumidor de 2014 subiram 0,02% ante a semana anterior para 6,29% e permaneceram estáveis em 6,29% para o ano de 2015.

4) PIB: Segundo projeção divulgada hoje da OCDE, o Brasil deve ter uma taxa de crescimento de apenas 0,3% em 2014. O dado corresponde ao segundo menor entre as principais economias do mundo, à frente apenas da Itália (-0,4%). No primeiro semestre, a previsão era de que o Brasil cresceria 1,8% no ano. Para 2015, a previsão da entidade é de que o país cresça 1,4%, também uma das mais baixas da publicação.

5) Fiscal I: De acordo com levantamentos da ONG Contas Abertas e publicação do jornal O Estado de São Paulo, no mês de agosto os investimentos do governo federal chegaram a R$ 6,8 bilhões, atingindo o valor mais elevado do ano e muito acima da média mensal de R$ 4,7 bilhões, apesar da arrecadação fraca. Segundo o secretário-geral  da ONG, Gil Castello Branco, o movimento é explicado pelas eleições. O conjunto de dados indica um desempenho ruim das contas públicas no mês de agosto  e aumenta o risco para a meta fiscal de 2014.

6) Fiscal II: Segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo, é possível que o governo altere o orçamento para a meta fiscal de 2015 para algo entre 1% e 1,4% do PIB, de forma a perseguir um objetivo mais realista. De acordo com fontes do jornal, os técnicos do Ministério da Fazenda já estão cientes de que a meta deste ano (1,9% do PIB) não será atingida. Caso isso aconteça, será a terceira vez consecutiva que a meta fiscal defendida pelo governo não será cumprida.