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“Efeito Marina” afeta ações da Cosan, Biosev, São Martinho e Tereos

As ações da Cosan, dona da Raízen, a maior produtora de etanol do mundo, subiram diante da perspectiva de vitória da candidata à presidência da República, Marina Silva. Biosev, São Martinho e Tereos Internacional também sentiram os efeitos de uma possível virada no jogo eleitoral.

Controlada pelo bilionário Rubens Ometto, a Cosan subiu mais de 26% desde que Marina surgiu inesperadamente no meio da disputa, logo após substituir Eduardo Campos, que morreu em um acidente de avião no dia 13 de agosto. Trata-se da maior alta entre 157 empresas do setor em todo o mundo.

As ações de outros três grupos sucroalcooleiros listados na bolsa tiveram comportamento semelhante com o chamado “efeito Marina”. Em termos de valorização, a Cosan ficou atrás apenas da Biosev, que chegou a subir 34% graças à situação política e a seus esforços de restruturação das dívidas. Os papéis da São Martinho alcançaram 17% de alta e os da Tereos 14%, superando a valorização de 10% do índice Bovespa. Com a reestruturação dos negócios da Cosan, previsto para 1o de outubro, a empresa pode ainda se valorizar um pouco mais.

Após esta forte alta, os ataques do PT à Marina Silva e a perspectiva de perda de votos da candidata diminuíram a euforia. As ações das empresas sentiram o impacto e registraram recuo.

“Efeito Marina”

Em seu plano de governo, divulgado em 29 de agosto, a ex-ministra do meio ambiente promete estimular o consumo de etanol. As pesquisas indicam a liderança da candidata sobre Dilma Rousseff, cuja tentativa de conter a inflação impede um aumento nos preços da gasolina pela estatal Petrobras e enfraquece a demanda pelo combustível de cana.

“Há um efeito Marina”, disse Sandra Peres, analista chefe da corretora Coinvalores, em São Paulo. “Ela carrega a bandeira dos renováveis e o mercado espera incentivos para o setor”.

Marina disse que consideraria incentivos fiscais a fim de ajudar os fornecedores de etanol. Esse reavivamento que ela provocou na indústria é agora uma peça chave de sua campanha. A produção de etanol “não pode ser sacrificada em sua habilidade de competir no mercado de combustíveis por causa de uma política de controle de preços da gasolina que subestima” o renovável, de acordo com seu plano de governo. A assessoria de imprensa da candidata não respondeu a uma solicitação de entrevista.

Preços da gasolina e previsibilidade

No Brasil, o preço do etanol nas bombas está ligado ao preço da gasolina. Marina disse que poderia responder aos preços atuais da gasolina, medida que tornaria o etanol mais atrativo para os motoristas de carros flex que usam ambos os combustíveis.

“Com uma política diferente, os preços do etanol poderiam subir no Brasil”, Artur Losnak, analista de equity da corretora Fator, disse por telefone. Isso faria com que o lucro dos produtores aumentasse, o que é pouco provável que aconteça no governo atual. “Ninguém acredita que a Dilma irá mudar a política atual em relação à gasolina”.

Previsibilidade nos preços do etanol é essencial para a recuperação da indústria, de acordo com Rodrigo Aguiar, chefe executivo da Tonon Bioenergia, um produtor de etanol de capital fechado.

“Se os preços não estão no lugar certo, você está estimulando o uso da gasolina ao invés do de etanol”, disse Aguiar numa entrevista. Isso é “contrário à políticas de combate à poluição e ao que a gente espera de Marina como ambientalista”. (Bloomberg 16/09/2014)

 

Ceres lançará novas variedades de sorgo na safra 2014/15

A inevitável redução da oferta de cana-de-açúcar na safra 2015/16, consequência da queda na produtividade já esperada na safra que está em andamento, decorrente da seca na região Centro-Sul, abre oportunidade para um novo avanço na adoção das cultivares de sorgo, acredita a Ceres Sementes do Brasil.

Sorgo sacarino é utilizado para a produção de etanol e geração de energia a partir do bagaço, enquanto o sorgo de alta biomassa destina-se a combustão, geração de calor e de energia elétrica.

A expectativa positiva em relação ao potencial da cultura de sorgo é manifestada pelo gerente geral da Ceres Sementes do Brasil, André Franco, e está respaldada ainda na provável antecipação do encerramento do ciclo 2014/15 da cana-de-açúcar, previsto por especialistas e entidades do setor para ocorrer em outubro.

Normalmente, as usinas encerram a colheita entre os meses de novembro e dezembro. Para o executivo, há ainda perspectivas de avanço para a cultura do sorgo junto ao setor de geração de energia elétrica, também afetado pela seca.

“O sorgo é capaz de suprir as empresas com matéria-prima até a retomada do ciclo da cana-de-açúcar, bem como gerar bagaço para geração e exportação de energia elétrica para a rede. O emprego do sorgo será um meio de as empresas compensarem em parte a perda de produtividade da cana, com mais produção de etanol e mais biomassa”, explica Franco.

Franco anuncia que a Ceres Sementes lançará este mês 3 novas cultivares, sendo duas de sorgo de alta biomassa e uma de sorgo sacarino. Todas resultam de programas de melhoramento genético realizados no Brasil e vislumbram saltos no desempenho agronômico da cultura.

O sorgo de alta biomassa, complementa Franco, pode ser empregado tanto na geração de energia elétrica como geração de calor ou, ainda, na fabricação de etanol celulósico. Tem sido aproveitado com bons resultados, também, em diferentes setores produtivos que se valem de biomassas como fonte de energia, incluindo as indústrias alimentícia e citrícola, os frigoríficos e processadores de grãos.

O terceiro lançamento da Ceres com vistas à safra de sorgo 14/15, que começa em novembro próximo, é o híbrido de sorgo sacarino.

Trata-se de uma nova opção às empresas que vinham cultivando a variedade BRS 511, licenciada pela Embrapa com exclusividade para a Ceres, com a finalidade de ampliar a produção do etanol na entressafra da cana. Versáteis, os produtos podem ser utilizados ainda como fonte de biomassa, uma vez que seu bagaço conta com capacidade energética compatível às necessidades das usinas e indústrias.

André Franco reforça que o ciclo produtivo do sorgo alta biomassa e do sorgo sacarino ocorre entre os meses de novembro e maio e enfatiza: “os mesmos equipamentos empregados na colheita, moagem e no processamento da cana-de-açúcar servem ao do sorgo sacarino, sem necessidade de adaptações e foram testados industrialmente. Para o sorgo alta biomassa a colheita é feita com forrageira, aumentando a produtividade e trazendo benefícios quanto ao poder calorífico do sorgo, com 1.800 kcal/kg e baixos níveis de impurezas minerais” conclui.

Safra 2013/14: indicadores e resultados do sorgo

A Ceres concluiu nos últimos dias o levantamento do período 13/14 realizado em lavouras cultivadas com seus híbridos de sorgo de alta biomassa e sorgo sacarino.

Os números divulgados hoje atestam que o híbrido de sorgo de alta biomassa CB7520 apresentou resultados e desempenho que reforçam sua atratividade junto ao mercado consumidor de bagaço de cana e outros tipos de biomassa.

O poder calorífico do híbrido, informa a empresa, superou o da cana-de-açúcar em testes comparativos. Já a produtividade média desse híbrido apurada variou de 26 a 32 toneladas/ha com 50% de umidade, dependendo da regional, chegando a até 44 toneladas por hectare com 50% de umidade.

O estudo mostra ainda que o custo total de produção do CB7520 está situado entre R$65 e R$85 por tonelada a 50% de umidade entregue na Usina (CIF), considerando distância de 20km. O poder calorífico útil (PUI) medido, a 50% de umidade, atingiu o significativo patamar de 1829 Kcal/Kg.

“A vantagem competitiva do sorgo de alta biomassa é confirmada a cada safra”, reforça André Franco. “A linha de produtos de sorgo alta biomassa Blade® é uma realidade e apresenta ganho genético a cada ano. Seu uso pode ser feito em todos os tipos de caldeiras, respeitando as características técnicas do produto e pequenos ajustes básicos, podendo também ser misturado à demais tipos de biomassa”, exemplifica o executivo.

Resultados Sacarino

No tocante aos híbridos de sorgo sacarino avaliados pela Ceres, a empresa frisa que todos registraram saltos de produtividade, em litros por hectare, a exemplo do que vinha ocorrendo nos anos anteriores.

A produção de etanol por hectare plantado atingiu até 3,9 mil litros/ha, e apresentou entrega média de 2,9 aos 3,3 mil litros/há, dependendo da regional.

André Franco afirma que a produção mínima de sorgo deve ser estimada em mínimo de 5 dias de moagem e ser processado em no máximo 24 horas após a colheita.

“Temos aumentado a produtividade média em torno de 30% a cada safra. A curva de aprendizado reduz-se ano após ano e o potencial de crescimento e melhoramento da cultura nos próximos anos é real e mensurável, uma grande oportunidade para as empresas que querem sair na frente do desenvolvimento e também equilibrar a produção de etanol em meio à crise do setor”, complementa Franco.

No ano passado, mais de 50 unidades aderiram à tecnologia da Ceres. A expectativa da empresa é obter um salto significativo no número de clientes ativos durante a safra de sorgo 2014/15

 

Mundo

1) Estados Unidos: O índice de preços ao produtos (PPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% em agosto, em linha com a expectativa dos analistas, ante o mês anterior que havia apresentado alta de 0,2%. Na comparação anual, o PPI subiu 1,8%, em linha com a expectativa dos analistas, ante 1,7% na mesma comparação em julho.

2) Alemanha: O índice ZEW de expectativas da Alemanha caiu para 6,9 em setembro, de 8,6 em agosto, ficando acima da previsão de 5,0. O resultado foi afetado pelas incertezas geopolíticas e pelas sanções contra a Russia, que podem afetar as exportações alemãs.

3) China: O investimento estrangeiro direto (IED) na China caiu pelo terceiro mês consecutivo em agosto e apresentou queda de 14%, em base anual, atingindo o menor nível desde julho de 2010. Em agosto o IED foi US$ 7,2 bilhões desacelerando em relação ao dado de julho que foi US$ 7,81 bilhões. No acumulado de janeiro a agosto deste ano, o IED está 1,8% abaixo do resultado do ano anterior.

4) Austrália: A ata da reunião do Banco Central da Austrália (RBA) reafirmou que a estabilidade da taxa básica de juros, atualmente em 2,5%, é o caminho mais prudente para a condução da política econômica. O RBA alertou ainda que a valorização do dólar australiano pode estar segurando a economia do país.

5) Reino Unido: O índice de preços ao consumidor de agosto avançou 1,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, a expectativa dos analistas era de alta de 1,6%. Na comparação mensal, o índice de preços aos consumidor subiu 0,4%, em linha com as expectativas dos analistas.

Brasil

1) Vox Populi: A pesquisa confirmou o cenário de empate técnico entre as candidatas Dilma e Marina. No primeiro turno, Dilma tem 36% das intenções de voto, enquanto Marina tem 27% e Aécio tem 15%. No segundo turno, as candidatas aparecem em empate técnico. A pesquisa mostra Dilma com 41% das intenções de voto enquanto Marina tem 42%.

2) Imposto de Renda no Exterior: A alíquota de Imposto de Renda (IR) no exterior foi reduzida de 34% para 25% e passará a valer para toda a indústria. De acordo com o jornal Valor Econômico, a intenção da equipe econômica é equiparar a carga de IR sobre lucros no exterior entre empresas brasileiras e as companhias de outros países e diminuir a incerteza jurídica das empresas brasileiras que apuram ganhos no exterior e que questionavam a tributação do IR sobre esses lucros.

3) Reintegra: A alíquota do programa Reintegra, que devolve aos exportadores de manufaturados um percentual da receita com exportações,  será fixada em 0,3% em 2014 e poderá ser de 3% em 2015. Futuramente, poderão ser instituídas alíquotas diferenciadas por tipo de bem industrializado. Os setores de celulose, açúcar e etanol foram incluídos no programa.

4) Comércio: A Confederação Nacional do Comercio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) espera o pior natal em dez anos. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, as incertezas dos varejistas em relação a demanda dos consumidores tem adiado as encomendas para o natal. Em setembro, os pedidos já estariam a pleno vapor, mas os relatos de diferentes segmentos da indústria são de que pouco evoluiu até o momento.

5) Energia: segundo reportagem do jornal Valor Econômico, com a queda acentuada no nível de água nos reservatórios dos últimos meses, pelo menos oito hidrelétricas próximas a grandes centros do Sudeste e Nordeste estão impossibilitadas de produzir a capacidade máxima de energia.

Segundo a publicação, mesmo com um volume regular de precipitações até o fim da próxima temporada de chuvas, dificilmente será possível recolocar o volume de água necessário para atender a demanda por energia nos horários de pico de dezembro e janeiro. O período de chuvas recomeça em dezembro e vai até maio.