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Standard & Poor's avalia situação da Jalles Machado

A agência de classificação de riscos Standard & Poor's emitiu o primeiro rating (nota) de crédito corporativo para o grupo goiano Jalles Machado. A agência atribuiu na segunda-feira (15) as notas BB-, na escala global, e brA, na escala nacional, com perspectiva “estável” para a companhia sucroenergética que possui duas usinas em Goianésia (GO).

“Esperamos que a processadora brasileira de cana-de-açúcar Jalles apresente fluxo de caixa operacional livre positivo no exercício fiscal de 2015 [relativo à safra 2014/15], apesar dos baixos preços de açúcar e etanol”, informou a S&P em comunicado. O perfil de risco de negócios da empresa é considerado “regular”.

A perspectiva estável reflete a aposta da agência de que o grupo melhore gradualmente sua estrutura de capital ao alongar o prazo dos vencimentos de dívida. Avaliação é justificada pela geração de fluxo de caixa mais forte e constante refinanciamentos de dívida.

A análise otimista da S&P tem três bases. Primeiro o portfólio de produtos premium da Jalles, que oferecem maior valor agregado. Conforme a análise, a produção de açúcar cristal com marca, etanol anidro e, principalmente, açúcar orgânico, tem garantido à empresa margens EBITDA consistentemente acima dos pares – superior a 60%.

Para a safra 2014/15 da Jalles, a geração interna de caixa projetada pela agência é de mais de R$ 280 milhões e para a próxima temporada (2015/16) de R$320 milhões, mantendo assim margens EBITDA acima de 65%.

Outro fator positivo, de acordo com a agência, é a utilização total da capacidade de processamento das usinas, de 4,3 milhões de toneladas por safra. O aproveitamento reflete os adequados níveis de investimentos no canavial nos últimos anos e condições climáticas favoráveis na região das usinas. Assim, a expectativa é de que a produção de cana-de-açúcar seja suficiente para atingir a capacidade total de moagem na safra atual e para manter esses níveis de produção posteriormente.

Por último, a S&P considera que a eficiência operacional da Jalles, classificada como acima da média, “reflete sua estrutura com 100% de cana própria, menor competição por área cultivável visto que mais de 50% das terras de plantações de cana são de seus acionistas, a sua capacidade para gerar energia excedente de suas caldeiras de cogeração, e a sua capacidade de irrigação que mitiga os efeitos climáticos voláteis sobre a produtividade das colheitas”.

Segundo a análise, os pontos fortes da sucroalcooleira mitigam sua limitada escala de capacidade de moagem e a localização de suas operações. Com as duas unidades em Goiás, a empresa tem custos de embarques marítimos mais altos do que os de outros estados produtores de cana-de-açúcar, além das condições de solo e clima da região serem normalmente menos favoráveis do que em São Paulo.

Risco “significativo”

Avaliação classifica ainda o perfil de risco financeiro da Jalles como “significativo”. A empresa tem mantido sua alavancagem (dívida líquida sobre EBITDA) em torno de 3x e a geração interna de caixa sobre dívida na faixa de 25%, “visto que seus fluxos de caixa se recuperaram durante a safra 2013/2014 em relação às safras mais fracas de 2010/2011 e 2012/2013”.

A agência acredita que o fluxo de caixa operacional livre deve passar de negativo em R$ 3,9 milhões, conforme registrado na safra passada, para tornar-se positivo em de cerca de R$ 40 milhões na safra atual e, na seguinte, superior a R$ 80 milhões.

“Também estimamos os preços do açúcar NY11 a 18 centavos por libra-dólar em 2015 e em 19 centavos por libra-dólar em 2016, mas considerando um prêmio conservador para o açúcar branco e para o açúcar orgânico da Jalles, que compõem cerca de 70% e 24% do total de açúcar produzido, respectivamente. Como a segunda usina da empresa, Otávio Lage, apenas produz etanol, acreditamos que a Jalles manterá seu mix de vendas de aproximadamente 40% de açúcar e 60% de etanol”, detalha o comunicado.

Liquidez “menos que adequada”

Na avaliação de liquidez a posição da empresa foi considerada “menos que adequada”. A previsão é de que a relação entre fontes e usos de liquidez fique em torno de 1x na safra atual e de aproximadamente 0,7x na próxima safra, sem assumir nenhum refinanciamento exceto o ocorrido entre abril e julho. Nesse período foram tomados empréstimos de R$ 150 milhões, usados para refinanciar a dívida de curto prazo, que em 31 de março era de R$ 246 milhões.

“Graças ao sólido relacionamento da Jalles com bancos, acreditamos que a empresa continuará rolando seus vencimentos de dívida de curto prazo. A empresa descumpriu algumas de suas cláusulas contratuais restritivas (covenants), tais como dívida líquida sobre capital, mas tem obtido waivers e é esperado estar em cumprimento no futuro”, pondera a S&P.

Sobre a nota na escala global, a agencia explica que o perfil de risco de negócios “regular” da Jalles e seu perfil de risco financeiro “significativo” resultam em uma âncora ‘bb’, já a liquidez “menos que adequada” reduz a âncora em um degrau. (Standard & Poor's 18/09/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa 1: O Banco Central Europeu (BCE) informou que na primeira operação de refinanciamento  de longo prazo (LTROs), 255 bancos tomaram 82,6 bilhões de euros em créditos. Esta foi a primeira operação, que oferece recursos com juros baixos e de longo prazo, das oito programadas das oito programadas para serem realizadas ate junho de 2016.

2) Europa 2: A inflação de agosto da Zona do Euro atingiu 0,1% em relação a julho, ficando em linha com as expectativas dos analistas e acelerando em relação ao mês anterior que registrou queda de 0,7%. Na comparação anual, a inflação em agosto apresentou alta de 0,4%, um pouco acima da expectativa dos analistas que esperavam 0,3% e levemente acima da inflação de julho que havia registrado alta de 0,3%.

3) Reino Unido: Hoje acontecerá o referendo que definirá sobre a independência da Escócia. As últimas pesquisam apontam uma ligeira vantagem para o “não”, indicando que a Escócia permanecerá no Reino Unido.

4) China: O preço dos imóveis na China caíram 1,2% em agosto em relação a julho que havia registrado queda de 1,1% em relação ao mês anterior. Esta foi a quarta queda seguida. Na comparação anual, os preços dos imóveis subiram apenas 0,8% em agosto em relação ao acumulado de julho, quando registrou alta de 2,9%, atingindo a nona queda consecutiva.

5) Japão: Os dados da balança comercial da China surpreenderam positivamente, atingindo um déficit de 948,5 bilhões de ienes contra 1028,9 bilhões esperados pelo mercado. O destaque ficou por conta das exportações, que caíram apenas 1,3% em agosto ante o mesmo mês do anterior e superou a expectativas dos analistas de queda de 2,6%. As importações caíram 1,5% em agosto em relação a agosto de 2013 e ficaram abaixo das expectativa do mercado de queda de 1,2%.

Brasil

1) Inflação: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,17% na segunda leitura de setembro, desacelerando da alta de 0,24% na primeira previa do mês. O resultado ficou levemente abaixo das expectativas de 0,18%.

2) Arrecadação: De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, dados preliminares indicam que em agosto, quando a arrecadação deveria ser forte, as receitas podem ter caído perto de 4,5% em termos nominais, sem descontar a inflação, em comparação a julho. O mês de agosto já considera as receitas extraordinárias do Refis, programa de renegociação de débitos tributários.

3) Minha Casa Minha Vida (MCMV): O governo prorrogou os benefícios tributários por mais quatro anos e ampliou o programa em 350 mil unidades a serem contratadas a partir do primeiro semestre de 2015.

4) Bandeiras tarifárias: O sistema de bandeiras tarifárias, modelo que aumenta o custo da energia quando o custo da geração subir, foi confirmado para 1º de janeiro de 2015.

5) PIS/COFINS: Segundo o jornal Valor Econômico, o governo planeja medidas para ampliar e simplificar a possibilidade de abatimento de tributos federais, como PIS e COFINS, incidentes sobre insumos. No novo sistema, qualquer compra de mercadoria permitirá a geração de crédito tributário e não apenas os insumos incorporados ao produto final, como é feito atualmente. De acordo com a reportagem, o governo ainda estuda as definições de alíquotas e os limites de faturamento para o novo regime para que as perdas fiscais decorrentes da mudança possam ser absorvidas adequadamente.