Macroeconomia e mercado

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Raio X das doações das usinas sucroenergéticas nas eleições 2014

17 empresas ligadas ao setor sucroenergético doaram R$ 19 milhões para candidatos e partidos nas eleições 2014 na segunda prestação de contas do TSE.

O período para doações aos candidatos das eleições 2014 ainda não acabou, mas já é possível ter uma idéia de para onde está indo o dinheiro sucroenergético. Ao contrário do esperado, a maior fatia dos recursos para a disputa presidencial não está com Aécio Neves ou Marina Silva, mas com a atual presidente Dilma Rousseff.

A segunda prestação de contas das legendas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou também que o total de doações do setor ultrapassou R$ 19 milhões. Este volume financeiro teve origem em 17 empresas ligadas a produção de açúcar e etanol.

As tradicionais empresas do setor dominaram os repasses e, juntas, Cosan, Odebrecht Agroindustrial e Copersucar responderam por 80% das contribuições da segunda fase.

 

Dilma ficou com mais da metade das doações para o cargo

Dos R$ 19 milhões doados pelo setor, R$ 7,7 milhões foram para candidatos a presidente. As doações aos candidatos a governador somaram R$ 3,3 milhões. O restante dos recursos foi para os diretórios nacional e estadual dos partidos, bem como para seus respectivos comitês financeiros.

Dilma foi a que mais recebeu apoio financeiro das usinas. A candidata ficou com R$ 4,7 milhões, mais da metade de todas as doações para o cargo.

A Cosan, que na prestação de contas anterior havia doado R$ 1 milhão diretamente à campanha do então candidato Eduardo Campos, passou a financiar também a campanha de Aécio Neves (PSDB) e de Dilma Rousseff (PT). O comitê de arrecadação de Aécio ficou com R$ 800 mil e o de Dilma ficou com R$ 2 milhões.

Situação semelhante ocorreu com a Odebrecht Agroindustrial. Diante da possibilidade cada vez maior de um segundo turno entre Marina e Dilma, o grupo doou R$ 500 mil ao PSB e R$ 2,7 milhões ao PT.

Já a Copersucar não mostrou vínculos com o PT. A cooperativa manteve seu apoio ao PSB, de Marina Silva, e contribuiu com as campanhas de Aécio e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

No dia 7 de agosto, Campos recebeu da Copersucar R$ 750 mil. Alckmin e Aécio ficaram com R$ 1 milhão, cada. O repasse ao candidato a presidente pelo PSDB ocorreu no dia 18 de agosto, data em que Aécio empatava com Marina nas pesquisas de intenção de voto do Datafolha.

 

A relação entre Rubens Ometto e Dilma Rousseff

A ocupante do cargo mais alto do poder executivo e o comandante de uma das maiores empresas de energia do Brasil têm uma relação complicada.

No ano passado uma reunião entre os dois ficou famosa após Ometto ter saído descontente e prometer ajudar Eduardo Campos na corrida presidencial, segundo a Veja.
A ajuda realmente aconteceu. Na primeira prestação de contas do TSE no início de agosto, a empresa doou R$ 2 milhões para o diretório e Comitê Nacional do PSB. O PMDB também foi beneficiado pela empresa, mas nada para o PT.

Depois, no dia 11 de agosto, a presidente Dilma Rousseff, já em campanha, teve uma reunião com o empresário no aeroporto de Congonhas. Pouco se sabe sobre o encontro, mais esta segunda parcial do TSE revela que no dia 18 de agosto a Cosan fez uma transferência eletrônica de R$ 2 milhões para a campanha da atual presidente.

 

Os apoios da Cosan

Neste período que antecede o pleito para presidente e governador em diferentes estados, a Cosan desembolsou R$ 9,3 milhões. Somando com aprimeira prestação de contas, a empresa doou no total R$ 17,2 milhões.

Diferentemente da etapa anterior, desta vez a controladora da Raízen decidiu ampliar o repasse de recursos a outros seis partidos: PSDB, PTB, PT, DEM, PPS, PR. O apoio ao PMDB e ao PSB foi mantido. As doações foram distribuídas entre os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Alagoas.

Das 16 doações feitas pela companhia, 4 foram destinadas a candidatos a governador em Minas Gerais e em São Paulo, e 2 a candidatos a presidente.

Raimundo Tarcisio Delgado, candidato a governador em Minas Gerais pelo PSB e Renan Calheiros Filho, candidato ao mesmo cargo pelo PMDB em Alagoas, receberam R$ 174 mil e R$ 750 mil, respectivamente.

Grupos de médio e pequeno porte também manifestaram seu apoio a partidos e candidatos. Nomes como Energética Serranópolis, Energética Santa Helena, Coprodia, Iaco Agrícola e Japungu Agroindustrial compõem a lista das usinas doadoras. Coruripe, Agrovale e Adecoagro também doaram. Veja tabela completa ao final do texto.

 

PT e PSDB receberam maior fatia das doações

Se na primeira fase de prestação de contas o PSB e o PMDB foram os partidos mais beneficiados, o cenário agora é inverso. PT e PSDB, que até então não haviam recebido um centavo das usinas, lideram o ranking dos partidos que mais receberam contribuições.

Nesta etapa, o PT ficou com R$ 5,9 milhões (31%) e o PSDB (31%) com R$ 5,8 milhões.

Já o PMDB ficou com uma fatia menor: R$ 3,5 milhões (18%), enquanto o PSB recebeu R$ 2,2 milhões (12%) das usinas. PR, PPS, PDT, PTB e DEM ficaram com R$ 1,6 milhão (8%).

Procurada após a primeira prestação de contas, a Cosan informou “que apoia o processo democrático brasileiro, mas não comenta as doações realizadas ou programadas”.

A Copersucar adotou postura semelhante, afirmando que “não emite opiniões sobre o processo político-eleitoral”.

 

Mais dinheiro deve ser doado

A prestação final de contas para quem não avançou ao segundo turno será 4 de novembro. O prazo final para os candidatos e partidos que foram ao segundo turno identificarem a origem dos recursos é 25 de novembro. (Nova Cana 24/09/2014)

 

Moagem de cana do centro-sul desacelera na 1ª quinzena de setembro

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul totalizou 39,89 milhões de toneladas na primeira metade de setembro. Esse resultado é 15,98% inferior às 47,48 milhões de toneladas moídas na quinzena anterior e 7,44% menor em relação ao valor observado no mesmo período de 2013 (43,10 milhões de toneladas).

No acumulado desde o início da safra até 15 de setembro, a moagem alcançou 412,68 milhões de toneladas, contra 408,54 milhões de toneladas verificadas em igual data de 2013.

Os valores apurados mostram um recuo significativo da produção de açúcar na primeira metade de setembro. A quantidade fabricada atingiu 2,50 milhões de toneladas nos 15 primeiros dias do mês, ante 3,02 milhões de toneladas apuradas na quinzena anterior (queda de 17,09%) e 2,98 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra 2013/2014 – retração de 15,92%.

Segundo o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “essa redução na produção de açúcar reflete a menor moagem na quinzena e o fato das usinas terem priorizado a fabricação de etanol”. As condições de demanda e os preços vigentes têm gerado incentivos econômicos à produção do biocombustível em detrimento ao açúcar, acrescentou.

De fato, na primeira metade de setembro a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar totalizou 43,99%, expressivo recuo em relação aos 45,22% observados na quinzena passada e aos 49,28% verificados no mesmo período de 2013.

A queda no ritmo de produção de açúcar também pode ser observada a partir do rendimento industrial mensurado em quilos de açúcar por tonelada de cana-de-açúcar processada. Na primeira quinzena de setembro, esse índice apresentou queda de 9,17% no comparativo com o valor registrado em igual período do último ano: 62,75 kg de açúcar por tonelada de cana, contra 69,08 kg contabilizados em 2013.

Com isso, a produção de etanol alcançou 1,96 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de setembro, ante 1,88 bilhão de litros apurados em igual período do último ano. Deste montante, 773,43 milhões de litros referem-se ao etanol anidro e 1,19 bilhão de litros ao etanol hidratado.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015, a produção de açúcar alcançou 23,43 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol somou 18,11 bilhões de litros, com crescimento de 4,82% sobre o volume observado no mesmo período de 2013.

Para o diretor da UNICA, “a quantidade produzida até o momento não reflete a expectativa de menor oferta de cana-de-açúcar para essa safra”. Nos próximos meses, com o término antecipado da safra em várias regiões, o impacto da seca sobre a produção ficará mais evidente, concluiu.

Qualidade da matéria-prima

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 149,71 kg na primeira quinzena de setembro, frente a 147,11 kg por tonelada observado na mesma data da safra anterior.

Para Rodrigues, “é interessante observar que a queda no mix de produção do açúcar ocorreu em um momento de alta concentração de ATR na cana, quando as fábricas operam próximo de sua capacidade produtiva”. Persistindo o cenário de preços e essa tendência na produção, devemos observar uma ampliação ainda maior da proporção de matéria-prima destinada à fabricação de etanol quando o nível de ATR começar a cair, acrescentou.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 15 de setembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 134,44 kg, contra 131,40 kg por tonelada registrado na mesma data de 2013.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul na primeira quinzena de setembro somaram 1,05 bilhão de litros, ante 1,04 bilhão de litros registrado no mesmo período do ano anterior. Deste total vendido, 990,03 milhões de litros destinaram-se ao mercado doméstico e apenas 57,36 milhões de litros à exportação.

No mercado doméstico, as vendas de etanol anidro totalizaram 422,05 milhões de litros, com alta de 15,29% em relação aos 366,07 milhões de litros observados na mesma data de 2013.

As vendas internas de hidratado, por sua vez, alcançaram 567,98 milhões de litros nos primeiros 15 dias de setembro, contra 541,84 milhões de litros computados na quinzena anterior (incremento de 4,83%) e 522,03 milhões de litros verificados em igual período da safra passada (aumento de 2,89%).

Para o executivo da UNICA, “a expectativa é de que esse aumento do consumo se acentue nas próximas quinzenas, pois o etanol hidratado tem se apresentado economicamente vantajoso em relação à gasolina nos principais estados consumidores. (UNICA 24/09/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O PMI industrial do Japão caiu para 51,7 em setembro, de 52,2 em agosto, segundo dados preliminares da Markit. Já o indicador de produção industrial registrou alta para 53,4, de 52,9 no mês passado, atingindo o nível mais alto em seis meses.

2) Austrália: O Banco de Reserva da Austrália (RBA) afirmou que está avaliando a introdução de novas regras no sistema de crédito imobiliário para reduzir a alta nos preços dos imóveis. Segundo a autoridade monetária, as possíveis restrições seriam direcionadas aos investidores e especuladores imobiliários.

3) Europa: O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que o comitê do BCE é unânime na posição de usar todos os instrumentos disponíveis para fazer a inflação retornar à meta de 2%. Draghi ainda reiterou que a política monetária continuará acomodatícia por um período prolongado, mas que também são necessários outros instrumentos, como reformas estruturais, para melhorar as condições econômicas da região.

4) Europa: O índice Ifo de sentimento das empresas alemãs caiu para 104,7 em setembro, de 106,3 em agosto, abaixo da previsão dos analistas, de queda para 105,8. Destaque negativo para o subíndice de expectativas das empresas para os próximos seis meses, que recuou para 99,3, de 101,7 no mês passado, frustrando as projeções dos economistas.

Brasil

1) Fiscal: Sem a participação da Oi no leilão de telefonia 4G, que irá ocorrer no dia 30 de setembro, o governo pode deixar de arrecadar até R$ 3 bilhões com a licitação. A estimativa inicial era de levantar pelo menos R$ 8 bilhões, o que ajudaria nas contas públicas. Ontem, apenas TIM, Claro, Telefônica/Vivo e Algar Telecom entregaram à Anatel os envelopes com as propostas.

2) Atividade: Segundo dados preliminares da FGV, o Índice de Confiança do Consumidor (ICI) subiu 0,7% em setembro com relação a agosto, atingindo 103 pontos. No mês passado, o indicador tinha registrado queda de 4,3%, e em julho, alta de 3,0%. Após um período de queda acentuada do ICI até maio, os resultados recentes se tornaram mais voláteis e, por isso, devem ser analisados com cautela. Em setembro, a alta do indicador foi resultado da melhora nas expectativas dos próximos meses, possivelmente relacionada ao fim do período eleitoral.

3) Fiscal: Com o programa de parcelamento de tributos atrasados (Refis), o governo evitou a segunda queda real consecutiva na arrecadação. Com R$ 7,1 bilhões pagos via Refis, a arrecadação de agosto atingiu R$ 94,3 bilhões, o que representada uma alta real de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2013. Entretanto, descontado o Refis, o resultado foi 2,43% inferior a julho, em termos reais.

4) Fiscal: Depois de um encontro ontem com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, empresários do setor de bebidas frias afirmaram que foi acordado uma mudança no modelo de tributação do setor, e uma eventual alta dos impostos só deverá acontecer em janeiro de 2015.

5) Mercados: A cotação do dólar subiu ontem pelo quinto dia consecutivo, e com alta de 0,54%, fechou o dia cotado a R$ 2,4080. Esse é o maior patamar de fechamento desde 12 fevereiro. Nesse cenário, o Banco Central anunciou a ampliação da oferta de contratos de swap cambial. Hoje, o BC vai ofertar em leilão até 15 mil contratos com vencimento em 3 de agosto e 1º de outubro de 2015. Até ontem, o ritmo de oferta era de até 6 mil contratos por dia.

6) Mercados: Apesar das oscilações do Ibovespa em função das pesquisas eleitorais, o fluxo externo rumo à BM&FBovespa vem crescendo e bateu novo recorde histórico. Segundo o Valor, os estrangeiros compraram mais de R$ 21 bilhões em ações de companhia brasileiras neste ano, superando o montante de R$ 20,56 bilhões registrados em 2009.

7) Eleições: Segundo Pesquisa Ibope, no primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff oscilou de 36% para 38%, enquanto Marina Silva passou de 30% para 29% e Aécio Neves se manteve com 19%. Já com relação ao segundo turno, Marina e Dilma aparecem empatadas com 41% das intenções de voto. Vale destacar que a diferença a favor de Marina que já foi de 9 pontos percentuais, estava em 3 pontos percentuais no último levantamento.

8) Eleições: De acordo com a pesquisa Vox Populi, Dilma Rousseff subiu de 36% para 40%, no primeiro turno, enquanto Marina Silva caiu de 27% para 22% e Aécio Neves oscilou de 15% para 17%. Em um eventual segundo turno, Dilma ultrapassou Marina, com 46% das intenções de voto (contra 41% na pesquisa anterior). Marina atingiu 39%, ante 42% do último levantamento.