Macroeconomia e mercado

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CEO da Biosev comenta situação da dívida da empresa

Rui Chammas: “Este é um setor em que você tem que trabalhar de forma a buscar a excelência em todo o momento e em todo o conjunto de ativos que você tem. Não existe bala de prata”

Um dia depois de a agência de classificação de riscos Fitch Ratings analisar a dívida da Biosev, uma das maiores sucroalcooleiras do mundo em capacidade de moagem, o presidente da companhia, Rui Chammas, comentou a estratégia da empresa, que busca a otimização de seus ativos e o refinanciamento de suas obrigações financeiras.

Com uma dívida bruta de R$ 5,3 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões no curto e R$ 3,2 bilhões no longo prazo, a Biosev quer, já a partir desta safra, ser capaz de gerar caixa a fim de garantir a alocação de investimentos nas operações de plantio e trato da cana-de-açúcar, “numa excelente manutenção industrial” e que permita o pagamento dos juros da dívida.

A empresa, que no último trimestre acumulou um prejuízo de R$ 148,3 milhões, diz ter adotado uma política de geração de caixa neutro que vai permitir “trafegar de maneira adequada neste ciclo de baixa, que deve começar a se recuperar em breve”, afirma o CEO.

O otimismo de Chammas também é compartilhado pela Fitch, que acredita que a Biosev será capaz de melhorar sua fraca posição de liquidez a curto prazo. Nas contas da agência, em 30 de junho, o caixa e as aplicações financeiras da companhia, que somavam R$ 1,2 bilhão, cobriam 56% da dívida de curto prazo.

Para o ex-executivo da Braskem, a dívida do grupo “está perfeitamente gerenciada”.

“Temos uma política de alongamento de prazo, que começou com a emissão que fizemos recentemente de aproximadamente R$ 1 bilhão em uma operação ACC (Acordo em Controle de Concentrações), com um grupo de bancos, um ACC com revolver de três anos, ao mesmo tempo em que focamos na melhoria para a operação da companhia”, disse o executivo em entrevista ao portal novaCana, durante um dos intervalos do evento World Bio Markets Brazil, que reuniu líderes do setor sucroalcooleiro entre os dias 25 e 26 de setembro em São Paulo.

A operação está sendo gerenciada pelo banco holandês ING, e conta ainda com a participação de instituições financeiras como o ABN AMRO Bank, o Banco Latinoamericano de Comercio Exterior - Bladex, o Rabobank, o BNP Paribas e a Société Générale.

O empréstimo é visto como de “relevância estragégica” para a Biosev, que irá utilizar os recursos para alongar o perfil da dívida da companhia, dar mais flexibilidade financeira à empresa em termos de gerência do tesouro e garantir o acesso a fundos “adequados” e de “base competitiva”.

Aliás, é justamente o perfil de alongamento da dívida que a Fitch fez questão de destacar como um desafio a ser enfrentado pela empresa do grupo francês Louis Dreyfus Commodities Holdings Group (LDCH Group).

Mas não basta olhar só para um ou outro ativo, diz Chammas, é preciso pensar na melhoria da operação como um todo. “Trata-se da otimização dos ativos. Deve-se ter um foco muito grande nos ativos biológicos, pois é ali que começam as riquezas. Depois o bom uso de todos os ativos, de corte, de colheita e de transporte, e os de produção de açúcar e etanol, com toda a flexibilidade que temos”, explicou.

“É um conjunto de coisas. Este é um setor em que você tem que trabalhar de forma a buscar a excelência em todo o momento e em todo conjunto de ativos que você tem. Não existe bala de prata”, concluiu. (Biosev 02/10/2014)

 

Usinas pedem mais atenção ao etanol

Política de incentivo ao biocombustível foi abandonada, gerando grave crise no setor.

Em um universo de 435 usinas de açúcar e álcool no País, 44 foram fechadas nas últimas 5 safras e outras 12 podem encerrar a moagem de cana em 2014/2015, extinguindo 100 mil postos de trabalho. "O endividamento dessas empresas equivale ao valor da produção de uma safra. Mais de 50 estão em recuperação judicial", aponta a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) complementa, dizendo que "a dívida líquida média das empresas sucroalcooleiras supera seu faturamento bruto anual; além disso, quase 15% da receita está comprometida com o pagamento de juros". É este o panorama desde que o setor sucroalcooleiro - e seu principal produto, o etanol combustível - foi preterido nas políticas energéticas.

Sem lucro: Segundo a Unica, companhias de grande porte já sinalizam a disposição de deixar a atividade. "O que atrai o empresário é o lucro, e para que isso volte a acontecer tem que resolver a questão do etanol hidratado (aquele vendido ao consumidor nos postos de combustível)", afirma Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica. Para ele, políticas que definam e mantenham a participação do etanol hidratado na matriz nacional de combustíveis resolveriam 90% dos problemas do segmento. O caso do etanol anidro (que é misturado à gasolina); justifica Pádua, já é um mercado regulado e inserido na matriz de combustíveis do Brasil. Para resolver a questão do hidratado, o diretor comenta que "a primeira regra é transparência na formação do preço da gasolina. Sem uma regra clara de como a gasolina - que concorre diretamente com o hidratado - vai se comportar nas próximas décadas fica difícil investir nesse mercado", diz.

Imposto: A partir do conhecimento da política de preços da Petrobrás, a Unica defende um imposto que diferencie o etanol da gasolina, como foi o caso da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). O tributo, que vigorou até 2008, inseria R$ 0,28 por litro na venda da gasolina pura pela refinaria. A volta da Cide é a principal reivindicação do setor. "Esses R$ 0,28 é que fizeram com que fossem instaladas de 2004 a 2008 mais de cem usinas no País. A política de valorização do etanol hidratado foi abandonada", diz.

Segundo o diretor, tendo mais canaviais, a cogeração de energia é conseqüência, tornando a matriz energética brasileira mais renovável ainda."É muito difícil, porém, expandir a oferta de energia a partir da biomassa da cana, sem expansão de canaviais", diz Pádua. "E essa expansão só ocorrerá com incentivo ao etanol hidratado."

Biodiesel: Já o setor de biodiesel - outro biocombustível, feito a partir de óleo de soja, sebo bovino, óleo de algodão, e óleo de cozinha - propõe que a mistura do biodiesel ao diesel atinja 10%, ante 7% atualmente. "Isso reduziria enormemente o custo da saúde pública, por causa da poluição menor", defende o diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Júlio Minelli. (O Estado de São Paulo 02/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Austrália: A Austrália registrou déficit comercial de 787 milhões de dólar australianos em agosto, ante resultado negativo de 1,08 bilhão de dólares australianos em julho, acima da expectativa dos economistas, de déficit de 800 milhões. Segundo o Escritório de Estatísticas do país, as exportações recuaram 2% em agosto com relação a julho, e as importações tiveram queda de 3% na mesma base de comparação.

2) Japão: O índice de confiança do consumidor japonês recuou para -20,4 em setembro, de -10 em junho, reflexo do maior número de famílias que reportaram queda na renda. O aumento dos impostos sobre as vendas e a desvalorização do iene contribuíram para o aumento do custo de vida das famílias japonesas.

3) Europa: O número de desempregados na Espanha cresceu levemente em setembro, registrando o menor aumento para o mês desde 2007. Segundo o Ministério do Trabalho do país, o total de desempregados ficou em 4,45 milhões no mês passado, 5,9% menor do que no mesmo período de 2013.

4) Europa: O Índice de Preços ao Produtor (PPI) da zona do euro recuou 1,4% no mês de agosto em comparação com igual período do ano passado, abaixo da mediana das projeções, de queda de 1,2%. O núcleo do PPI registrou recuo de 0,2%, no confronto anual. Estes resultados levantam mais um sinal de alerta para o BCE, já que o baixo nível de preços pode ameaçar a frágil recuperação econômica da região.

5) China: A polícia de Hong Kong afirmou que deterá manifestantes que tentarem invadir prédios do governo, após alguns ativistas ameaçarem bloquear a entrada de edifícios oficiais. Organizadores do movimento Federação de Estudantes de Hong Kong reiteraram a ameaça de aumentar os protestos se o executivo-chefe de Hong Kong, Leung Chun-ying, não renunciar até o final do dia.

6) Itália: O governo italiano adiou para 2017 a sua projeção de um orçamento equilibrado, sinalizando que a perspectiva de frágil crescimento econômico nos próximos anos pode afetar a difícil situação fiscal do país. Na mesma linha, o ministro das Finanças da França divulgou que apesar dos cortes de custos, o déficit orçamentário do país não ficará dentro do limite estabelecido pela União Européia antes de 2017.

7) Europa: O Banco Central Europeu (BCE) manteve suas três principais taxas de juros inalteradas. Dessa forma, a taxa básica continua na mínima histórica de 0,05%, a taxa de empréstimo marginal permanece em 0,30%, e taxa de depósitos bancários, em -0,20%.

Brasil

1) Fiscal: Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), a Medida Provisória 579, que visava a redução do custo da energia, custará até o final deste ano R$ 61 bilhões. Neste valor estão incluídos os aportes do Tesouro e os empréstimos assumidos pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O TCU ainda aprovou por unanimidade o relatório que solicita uma audiência com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e determina a regulação dos pagamentos.  

2) Atividade: Apesar da alta de 8,7% nas vendas de veículos em setembro ante o mês de agosto, no acumulado do ano, as vendas somam 2,78 milhões de unidades, queda de 9,1% em relação ao mesmo período de 2013, segundo dados da Fenabrave. Nesse cenário, e com a perspectiva pouco favorável para o setor automotivo nos próximos meses, montadoras anunciaram nova rodada de programas de demissão voluntária (PDV) e férias coletivas.

3) Setor: Externo: A balança comercial de setembro registrou déficit de US$ 939 milhões, pior resultado para o mês em 16 anos. Com esse resultado negativo, o saldo comercial acumulado no ano voltou para o vermelho, atingindo déficit de US$ 690 milhões. O saldo do mês passado foi impactado pela queda nas exportações para a Argentina, pelo aumento das compras de petróleo e derivados e pela queda nos preços das commodities.

4) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor da cidade de São Paulo (IPC-FIPE) registrou alta de 0,21% em setembro, ante 0,30% em agosto, acima da mediana das projeções, de 0,11%. Com esse resultado, no ano, o IPC tem alta de 3,78%, e no acumulado 12 meses, de 5,44%.

5) Atividade: A produção industrial do mês de agosto cresceu 0,7% ante julho, acima da mediana das expectativas, de alta de 0,1%. Segundo dados do IBGE, em relação a agosto de 2013, a produção recuou 5,4%. No ano, o setor ainda acumula queda de 3,1%.