Macroeconomia e mercado

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Piracicaba: Museu da cana-de-açúcar será o 1º do mundo sobre o ciclo da cana

Com previsão para ser inaugurado no início de 2016, o Museu da Cana-de-Açúcar, que é construído em três barracões do Engenho Central, em Piracicaba (SP), será o primeiro no mundo sobre o ciclo econômico canavieiro, de acordo com os responsáveis pelo projeto. A iniciativa foi aprovada em 2010, mas as obras de restauro dos espaço iniciaram este ano.

Engenho CentralDe acordo com o diretor do Instituto Brasil Leitor (IBL), William Nacked, um dos responsáveis pelo museu, o espaço irá resgatar a origem da cana-de-açúcar no país. "Vamos atrás da primeira semente, mostrar como tudo começou para podermos projetar qual será o futuro deste setor", afirmou o diretor. "Nosso norte é a teoria do arco e flecha, que representa que, quanto mais para trás nós formos, mais longe poderemos chegar", disse Nacked.

"Não existia lugar melhor para fazer o museu do que o Engenho Central, que foi onde a produção canavieira deu um salto em questões de tecnologia e de mão de obra, já que foi a primeira a ter trabalhadores assalariados", afirmou o diretor sobre a escolha do local. Segundo ele, a intenção é transformar o museu em uma referência internacional sobre o assunto e promover eventos.

História e público-alvo

Segundo Nacked, a intenção do museu de Piracicaba é reunir todas as histórias espalhadas pelo Brasil, de todas as famílias. "Existem vários memoriais de famílias que trabalhavam com a cana, mas nós vamos reunir todas essas histórias, todos estes atores responsáveis pelo desenvolvimento do ciclo econômico", explicou.

"Aliado à história dessas família, contaremos a história do Brasil sob a ótima do ciclo da cana. Precisamos alertar a sociedade para o resgate de todos os ciclos econômicos, não só da cana", afirmou Nacked, que acredita ainda que as gerações atuais precisam conhecer a história da cana-de-açúcar de maneira aprofundada, além do que a escola ensina.

Também segundo o diretor, os principais públicos que o museu busca atrair são os estudantes, os profissionais da área para conferências e, principalmente, o público internacional, além dos turistas da cidade. (G1 07/10/2014)

 

Índia terá déficit de 2 milhões de toneladas de açúcar

O açúcar excedente da Índia, que pressionou os preços do produto no mercado, agora pode se transformar em um déficit de 2 milhões de toneladas nos próximos meses com bancos negando empréstimos para usinas em Uttar Pradesh.

A produção indiana é dificultada pela política de manutenção dos preços da cana-de-açúcar, que segura os preços em um patamar elevado, enquanto a commodity passa por desvalorização nos mercados internacionais. Aproximadamente 70 das 95 usinas da região suspenderam as atividades e não estão aptas a produzir em novembro, quando a colheita é iniciada no país. 

Segundo a ISMA – Associação de Usinas de Açúcar Indianas, a produção nestas unidades totalizou 4,7 milhões de toneladas na safra 2013/14 e a suspensão das atividades após dezembro irão não somente demandar o superávit de 2 milhões do produto, como também resultar em déficit de outros 2 milhões de toneladas de açúcar para próxima safra.

Segundo fontes ligadas a bancos públicos indianos, a indústria de açúcar indiano possui um classificação desfavorável no no setor de crédito, especialmente a região de Uttar Pradesh. O que significa que dificilmente as usinas desta região conseguirão recursos para iniciar a próxima colheita. (JornalCana 07/10/2014)

 

Bielorrússia com boas perspectivas para setor de açúcar

Dados do setor de açúcar na Bielorrússia afirmam que esta pode ser a melhor safra em anos no país. As beterrabas sacarinas são cultivadas em 16 distritos, de acordo com a Bielorrússia Belteleradio Company. 

Os líderesde produção são as regiões de Slutsky e Nesvizhsky. Com um plantio tardio no mês deagosto, agricultores acreidtavam ter que reduzir suas expectativas de colheita devido a um calor intenso inesperado, o que não aconteceu afinal. A beterraba sacarina chegou à esta região de Gorodeya há mais de 15 anos e este ano,  o plantio ocupou um território de cerca de quinhentos hectares. 

As beterrabas sacarinas são cultivadas em 100 de 330 fazendas da região central. Metade delas envia suas colheitas para a usina de açúcar em Gorodeya. Hoje, a planta recebeu mais de 200.000 toneladas de matéria-prima.

A usina processa mais de 9.000 toneladas de beterraba por dia, o que resulta em 1.300 toneladas de açúcar. Este ano, a empresa planeja produzir mais de 150 mil toneladas de açúcar. A colheita de beterraba açucareira está prevista para ser concluída até o início de novembro.Uma terceira parte do rendimento já foi enviado para processamento. (JornalCana 07/10/2014)

 

Unica não desistiu do sonho de transformar o etanol em commodity global

“Mesmo que pareça estranho dizer isso, eu gostaria de ter mais competidores. O fato é que, para termos um mercado de etanol commodity, nós precisamos ter outras fontes produtoras para o biocombustível, além do Brasil e Estados Unidos”, diz a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) parece não ter desistido do sonho de transformar o etanol numa commodity mundial.

Mesmo depois de a Associação Internacional do Etanol (Ietha, na sigla em inglês), fechar suas portas neste ano por não conseguir “abrir o mercado” – a entidade foi criada em 2006 e tentou, sem sucesso, estabelecer regras e padrões globais para a negociação do biocombustível – a Unica quer agora levar o etanol a economias emergentes como a da China.

Num evento que reuniu líderes do setor sucroenergético em São Paulo no mês passado, a presidente da Unica, Elizabeth Farina, falou sobre a idéia de promover o combustível de cana no país asiático.

O projeto, que ainda está em fase embrionária, conta com a participação da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), e busca o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a Apex.

“Estamos no início das conversas. Ainda não assinamos um memorando de entendimento, mas pretendemos fazer isso. Os Estados Unidos estão avançando. Eles já foram em missão à China, e o USDA [Departamento de Agricultura norte-americano] está ministrando cursos [de capacitação]”, disse a executiva durante um dos intervalos do World Bio Markets Brazil, que ocorreu em São Paulo entre os dias 25 e 26 de setembro.

Elizabeth é cautelosa ao falar sobre o projeto e diz que a proposta “ainda é bem incipiente”. Contudo, há uma movimentação por parte da Unica e da RFA para que a iniciativa possa, de fato, sair do papel.

“Estamos conversando com a Apex a fim de prospectar novos mercados. Também conversamos com a embaixada brasileira na China. Estamos dando os primeiros passos”, informa.

Segunda maior economia do mundo, de 2000 para cá, a China aprovou a construção de quatro plantas de etanol, e deve, em breve, abrigar a maior usina de etanol celulósico do mundo.

O potencial de consumo do país asiático, que tem uma das maiores frotas automotivas do mundo, é grande. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o país conta apenas com cinco usinas de etanol, que produzem o combustível a partir do milho, trigo e mandioca. Em 2012, a produção do país foi de 2,1 bilhões de litros, quantidade inferior ao volume total de etanol exportado pelo Brasil no ano passado, que foi de 2,6 bilhões de litros. Em 2012, as vendas externas do renovável de cana à China foram de apenas 772 mil litros.

“Para o etanol virar uma commodity internacional é preciso haver demanda e produção em vários países”, argumenta Elizabeth.

“Mesmo que pareça estranho dizer isso, eu gostaria de ter mais competidores. O fato é que, para termos um mercado de etanol commodity, nós precisamos ter outras fontes produtoras para o biocombustível, além do Brasil e Estados Unidos”, reitera.

Elizabeth diz ainda que a criação de um mercado global daria mais segurança à matriz energética do planeta, que teria “mais segurança” para adotar uma mistura de etanol na gasolina. “Todos países misturam o etanol na gasolina. Então, seria uma oportunidade. Daria mais segurança para adotar uma mistura mandatória”, completa. (UNICA 07/10/2014)

 

Mesmo com alta doméstica do açúcar, exportação mantém vantagem

No decorrer da última semana, representantes das usinas elevaram os valores da saca de 50 kg do açúcar cristal no mercado spot.

No geral, o ritmo de negócios diminuiu um pouco, mas bons volumes ainda foram fechados, sustentando a liquidez.

Na segunda-feira, 6, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 46,43/saca de 50 kg, alta de 2,11% em relação à segunda anterior.

Segundo pesquisadores do Cepea, a postura mais firme das usinas foi motivada pelas evoluções do dólar e do preço internacional do açúcar no período. Esse cenário, inclusive, manteve a vantagem das exportações frente ao mercado paulista por mais uma semana. (CEPEA/ESALQ 07/10/2014)

 

Com retração compradora, preços do etanol seguem em queda

Com distribuidoras abastecidas e retraídas, os preços dos etanóis tiveram novas quedas na última semana no mercado paulista.

Entre 29 de setembro e 3 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) teve média de R$ 1,1457/litro (sem impostos), baixa de 2% em relação ao período anterior. Foi a quinta variação negativa seguida para este combustível.

No caso do Indicador Cepea/Esalq do anidro (estado de SP), foi a terceira queda semanal consecutiva, com recuo de 1,4% comparando-se as duas últimas semanas, para R$ 1,3181/l (PIS/Cofins zerados).

Do lado das usinas, segundo pesquisadores do Cepea, poucas unidades estiveram no mercado nos últimos dias, e as ativas acabaram cedendo a valores menores. (CEPEA/ESALQ 07/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, afirmou que os movimentos do mercado de câmbio estão refletindo os fundamentos econômicos e as diferenças de política monetária entre os bancos centrais. Kuroda ainda destacou que não acredita que a desvalorização do iene esteja causando problemas ou seja prejudicial para a economia japonesa, diferentemente do primeiro ministro, Shinzo Abe, que alertou para os efeitos negativos de um iene fraco sobre as famílias e nas pequenas e médias empresas do país.

2) Estados Unidos: A dirigente do Federal Reserve de Kansas City, Esther George, afirmou que com o crescimento da economia americana, o Fed deveria começar o processo de normalização da politica monetária o quanto antes. George argumenta que se a autoridade monetária ficar esperando o pleno emprego ou a inflação acima da meta, pode correr o risco de tomar decisões de forma mais rápida, desestabilizando a economia no longo prazo. Esther George só votará em 2016.

3) Austrália: O Banco de Reserva da Austrália (RBA) decidiu manter a taxa básica de juros em 2,50% e reiterou sua perspectiva de estabilidade da taxa de juros para promover o crescimento econômico sustentável. Destaque para as declarações sobre a taxa de câmbio. Segundo o RBA, o dólar australiano ainda segue em uma alta histórica, sobretudo levando em conta o recuo nos preços das commodities nos últimos meses. Esta taxa de câmbio elevada está oferecendo menos apoio do que o esperado para a economia alcançar um crescimento equilibrado.

4) Europa: A produção industrial da Alemanha caiu 4% em agosto em relação a julho, bem abaixo da expectativa dos economistas, de queda de 1,5%. Além disso, o indicador industrial do mês de julho foi revisado de alta de 1,9% na comparação mensal, para avanço de 1,6%.

5) Japão: O Banco do Japão (BoJ) decidiu, por unanimidade, manter sua política de aceleração da base monetária em 60 trilhões a 70 trilhões de ienes por ano, mas sinalizou mais pessimismo com relação à economia do país. A autoridade destacou que o processo de recuperação moderada da economia continua, mas que a produção industrial tem dado sinas de fraqueza, reflexo dos ajustes nos estoques e da queda na demanda. Apesar disso, o banco central garantiu que irá alcançar a meta de inflação de 2% no tempo determinado e sem estímulos adicionais.

Brasil

1) Atividade: Os indicadores de solvência financeira estão piorando, com destaque negativo para o setor industrial. Segundo levantamento realizado pela Serasa Experian, nos primeiros nove meses do ano, os pedidos de falência de empresas do setor industrial subiram 8,8% em relação ao mesmo período de 2013. Por outro lado, considerando todos os setores, as requisições de falência caíram 4,75%. Só no terceiro trimestre, os pedidos de falência aumentaram 6,8%, puxados pela alta de 32,9% na indústria e 6,6% no comércio.

2) Atividade: O número de consultas para venda a prazo recuou 0,10% em setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado, depois de subir 0,43% no mês de agosto. Contribuíram para este resultado negativo os juros altos e a inflação elevada. Entretanto, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) espera que com as contratações temporárias de final de ano, as vendas apresentem uma leve recuperação nos próximos meses.

3) Preços: O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,02% em setembro, ante 0,06% em agosto, abaixo da mediana das projeções, de 0,14%. Vale destacar o retorno dos preços no atacado para o terreno negativo, influenciados pela soja e o café que ficaram mais baratos e compensaram a aceleração nos bovinos, aves e suínos. Com esse resultado, o IGP-DI acumula altas de 1,62% no ano e de 3,24% nos últimos 12 meses.

4) Eleições: Segundo o Estado de São Paulo, Marina Silva vai apoiar Aécio Neves no segundo turno. Ainda de acordo com a publicação, o anuncio deverá ser feito até quinta-feira. Falta apenas decidir se o apoio será com ou sem o PSB, já que o partido está dividido entre o que quer o seu presidente, Roberto Amaral, apoiar Dilma Rousseff, e o que desejam pessebistas próximos à Marina, que defendem o tucano.

5) Mercado: O mercado reagiu com força ao resultado do primeiro turno das eleições, com Aécio Neves ficando em segundo lugar e recebendo um número maior de votos do que o projetado pelas pesquisas. Logo após o começo da sessão, a Bolsa de Valores chegou a subir 8%, com as ações da Petrobrás avançando 17%, e o dólar caindo mais de 4%. Ao longo do dia, o clima de euforia arrefeceu um pouco e as cotações recuaram. Mesmo assim, o Bovespa fechou com alta de 4,72%, aos 57.115,90 pontos, maior ganho percentual desde agosto de 2001. O dólar terminou o dia a R$ 2,4290, com queda de 1,78%.

6) Atividade: O estoque das montadoras superou a produção em setembro, atingindo 404,5 mil veículos, maior estoque dos últimos dez meses. Com esse excesso e vendas abaixo do previsto para o mês, as empresas seguem adotando medidas de contenção como férias coletivas e programas de demissão voluntária.