Macroeconomia e mercado

Notícias

Novozymes lidera projetos de etanol celulósico em todo o mundo

Das quatro principais usinas de etanol celulósico do mundo, incluindo a recém-inaugurada Bioflex, da GranBio, 3 utilizam enzimas da Novozymes.

Quando há 14 anos atrás a dinamarquesa Novozymes imaginou pela primeira vez como suas enzimas feitas a partir da biomassa poderiam ser usadas para produzir combustíveis avançados, não havia uma indústria. Após o etanol celulósico ser classificado durante anos como um “combustível imaginário”, só agora os frutos de seu trabalho estão aparecendo.

Mas a medida em que a produção do combustível usado no transporte a partir de resíduos de plantas começa nos Estados Unidos, no Brasil e na Europa, a Novozymes já está olhando para outros mercados, como o de bioplásticos e até fraldas.

Com o setor de biocombustíveis travando uma batalha regulatória prolongada com as “gigantes do petróleo” sobre cortes que seriam potencialmente prejudiciais aos mandatos de biocombustíveis dos Estados Unidos, a Novozymes dizer ter planos de contingência.

Além de combustível, a irmã mais nova do grupo farmacêutico dinamarquês Novo Nordisk visualiza a conversão do resíduo de plantas em outros produtos derivados do petróleo, como plásticos e ácido acrílico, o super absorvente que faz as fraldas funcionarem.

Como a maior fabricante de enzimas do mundo, a Novozymes produz proteínas catalisadoras que aceleram a velocidade das reações químicas numa grande variedade de aplicações, que vão desde a melhoria na eficiência do sabão em pó ao pré-tratamento de alimentos processados, passando também pela produção de cervejas ou rações animais mais nutritivas.

No contexto do setor de energia, que representa 17% de sua receita anual de U$ 2 bilhões, as enzimas aceleram o processo de transformação da matéria-prima na maior quantidade possível de açúcar, que uma vez fermentado com as leveduras, transforma-se em etanol.

Avanço

Embora não seja tecnicamente impossível obter combustível a partir do milho, da cana-de-açúcar e de resíduos de plantas sem as enzimas, estas proteínas são essenciais para o processo ser comercialmente viável.

A dificuldade tem sido o etanol celulósico de segunda geração feito a partir de resíduos de plantas indesejáveis – um processo considerado complicado em função da resistência e da complexidade química da matéria-prima.

“Este é provavelmente o maior projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que nós já tivemos”, Thomas Videbaek, presidente executivo e head de desenvolvimento de negócios da Novozymes, disse de seu extenso complexo de laboratórios e escritórios próximos a Copenhague.

“Entramos num caminho muito longo, quando não podíamos revidar o que as pessoas diziam, quando chamavam [o etanol celulósico] de combustível imaginário. Agora chegamos no ponto em que ele está aqui – nós temos uma planta na Itália”.

A Novozymes firmou uma parceria com a Beta Renewables, do grupo italiano Mossi Ghisolfi, para inaugurar a primeira planta comercial em Crescentino em outubro do ano passado, com capacidade anual de 71 milhões de litros por ano.

Desde então, outros projetos de etanol celulósico tiveram início. A companhia de biocombustíveis POET inaugurou uma planta com capacidade para produzir 75 milhões de litros e a empresa de biotecnologia GranBio começou a operar a sua, no último mês, com uma capacidade de 83 milhões de litros.

A Abengoa Bioenergy e a Royal Dutch Shell estão liderando uma joint venture que produzirá 113 milhões de litros. A unidade deve entrar em operação até o final do ano. Com exceção da Abengoa, todas estas plantas usam enzimas da Novozymes.

Dos 52,9 bilhões de litros de etanol tradicional produzidos a partir do milho na América do Norte, 60% usam as enzimas da Novozymes, enquanto o restante da participação de mercado pertence à rival DuPont, estima a companhia dinamarquesa.

A Novozymes e a Novo Nordisk, a maior empresa nórdica em valor de mercado, equivalente a U$ 124 bilhões, foram divididas em 2000, depois de uma história de 80 anos como Novo Nordisk.

Nova Novozymes?

Menor, a Novozymes, com um valor de mercado de quase U$ 13 bilhões, estabelece uma distinção entre os longos anos do processo de trazer um único remédio ao mercado, com potencial de venda que chega a casa dos bilhões de dólares, e o seu próprio modelo de negócios, que depende, em média, de uma dúzia de produtos lançados a cada ano.

O CEO Peder Holk Nielsen destacou a estratégia da Novozymes de lançar novos produtos para conduzir o crescimento da empresa depois que a venda de enzimas para detergentes, sua maior área de negócios, caiu 2% no segundo semestre, diminuindo o preço das ações.

A companhia quer fornecer enzimas a 15 plantas de etanol celulósico até 2017, o que resultará numa receita de U$170 milhões naquele ano – quase metade da receita atual da Novozymes com biocombustíveis.

A empresa diz que está em conversas com donos de projetos de biocombustível celulósico na Indonésia e na Malásia, e poderá fazer anúncios ao mercado no próximo ano.

A ligação da empresa com o grupo italiano Mossi Ghisolfi, conhecido por ter feito o plástico para as garrafas da Pepsi e Coca-Cola, poderá ser estendida à operação da M&G Chemicals na China, que produzirá plásticos a partir de resíduos de plantas, ao invés de usar o petróleo.

O projeto está na fase de planejamento avançado ao mesmo tempo em que a M&G busca permissões e organiza sua estrutura no país.

Um segundo projeto, com a alemã BASF e a Cargill, quer utilizar o ácido acrílico na produção de fraldas.

“Quando olhamos para as oportunidades nesta área, e o etanol para transporte é uma parte importante disso, e depois acrescenta-se todas as coisas que você pode estar produzindo – muitos componentes de plásticos, fibras e super absorventes – podemos ver uma Novozymes completamente nova”, disse Videbaek. (Reuters 09/10/2014)

 

Queda nas exportações de etanol agrava crise do setor no Brasil

As exportações de etanol caíram mais de 50% neste ano. A queda do preço do milho diminuiu o custo do etanol de milho nos Estados Unidos e tirou a competitividade do produto brasileiro. A redução das vendas externas é mais um fator que colabora com a crise que o setor enfrenta em 2014.

A produção de etanol já ultrapassou os 18 bilhões de litros, aumento de quase 5% em relação ao mesmo período de 2013. Enquanto as vendas no mercado interno têm ligeira queda, as exportações despencaram em 2014. No acumulado da safra, que teve início em abril, foram exportados 700 mil metros cúbicos de combustível, principalmente etanol anidro que é misturado à gasolina. O principal motivo para a redução das exportações é a produção de etanol de milho nos Estados Unidos.

– Estamos diante de uma safra muito boa de milho. Os preços do milho também caíram a quase metade do que eram há dois, três anos. Então o etanol americano se tornou extremamente competitivo e praticamente inviabilizou a entrada no metanol brasileiro no mercado norte americano – explica o diretor executivo da Bioagência, Tarsilo Rodrigues.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio e especialista no setor sucroenergético, Caio Carvalho, afirma que a queda das exportações colaborou para aumentar a crise do setor.

– O preço da gasolina é definido pelo governo e ele coloca uma tampa na minha panela. Mesmo que eu estivesse exportando os preços estariam sufocados pela gasolina. Esta é a realidade da pressão que o setor sofre – afirma.

O setor sucroenergético aguarda por duas medidas do governo que podem aumentar a demanda por etanol: o aumento da mistura de álcool anidro na gasolina de 25% para 27,5% e o reajuste do preço da gasolina que deixaria o etanol mais competitivo.

– Hoje, na média, você não tem margem nenhuma. É muito desagradável para qualquer setor da economia e também para o setor produtor de etanol – diz Carvalho. (Canal Rural 09/10/2014)

 

Rabobank corta estimativa nos estoques de açúcar

Rabobank corta em mais de 3 milhões de toneladas sua estimativa para o abastecimento de açúcar no mercado internacional, mas manteve-se cauteloso sobre os aumentos de preços, apesar da redução nos estoques, de acordo com a Agrimoney.

E para a recém-iniciada safra de 2014/15, houve um aumento para 3,2 milhões de toneladas, de 900 mil toneladas, sua previsão para o déficit da produção mundial, principalmente devido às expectativas mais baixas de produção no Brasil, China e Tailândia.

Além disso, a eleição presidencial no país pode ter grande impacto no que diz respeito aospreços da gasolina, que tem ditado os valores do etanol e uma queda na produção de açúcar no país. (Jornal Cana 09/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, afirmou que a taxa de crescimento do PIB do país entre os meses de julho e setembro vai voltar a ser positiva. Kuroda ainda reforçou que um aumento de preços é desejável mesmo quando o potencial de crescimento é baixo, argumentando que superar a deflação é um pré requisito importante para estimular à economia do país.

2) Inglaterra: O Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros na mínima histórica de 0,5% e o programa de compra de ativos em 375 bilhões de libras, conforme esperado pelos analistas.

3) Estados Unidos: Em ata da última reunião do FOMC,  os membros do comitê evidenciaram a preocupação com o impacto do fraco crescimento exterior e do fortalecimento do dólar na economia americana. Alguns integrantes pontuaram que o crescimento decepcionante da Europa, Japão e China pode desacelerar as exportações dos Estados Unidos. Além disso, dois membros destacaram que um dólar mais valorizado pode segurar a inflação americana abaixo da meta de 2% por algum tempo.

4) Alemanha: O saldo comercial da Alemanha recuou em agosto para 14,5 bilhões de euros, de 22,2 bilhões de euros em julho. O recuo foi maior do que as expectativas dos analistas, que previam superávit de 18,6 bilhões de euros. As exportações caíram 5,8% em agosto, na comparação mensal, e as importações tiveram queda de 1,3% na mesma base de comparação.

Brasil

1) Fiscal: Após mais de 15 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 7 votos a 3, que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não compõe a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Embora este resultado seja válido para apenas um contribuinte, a Auto Americano S/A Distribuidora de Peças, esta decisão pode estimular novas ações de outras empresas do país. Caso isso ocorra, o governo estima um impacto negativo nas contas públicas de cerca de R$ 250 bilhões, considerando as receitas do período de 2003 a 2014 e as previsões de arrecadação até 2015.

2) Preços: O preço da energia no mercado spot pode cair pela metade em 2015, mesmo com a falta de chuva e o baixo nível dos reservatórios. Segundo o Valor, está em discussão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a mudança na metodologia de cálculo do valor máximo para o preço spot da energia. A maioria dos agentes do setor defende a redução do valor máximo de R$ 822 por MW/h para cerca de R$ 400.

3) Fluxo Cambial: Mesmo com a valorização do dólar e as incertezas com relação ao desfecho político, o fluxo cambial do país continua positivo em 2014, atingindo até o dia 3 de outubro US$ 1,8 bilhão. Já no mesmo período do ano passado, o saldo era negativo em US$ 1,6 bilhão. Destaque no período para a área comercial, que registrou resultado positivo de US$ 3,711 bilhões. Já no segmento financeiro, o saldo está negativo em US$ 1,863 bilhão.

4) Fiscal: O governo aprovou ontem  a MP 656, que estende para até 2018 os benefícios tributários concedidos a alguns setores nos últimos anos para estimular à economia. Com essa medida o governo cria custo adicional de R$ 30,2 bilhões para o próximo mandato. O maior impacto para as contas do Tesouro é a prorrogação do Programa de Inclusão Digital, que reduz as alíquotas de PIS/Cofins para uma lista de eletrônicos. Segundo estimativas, esse programa implicará renúncia de R$ 7,9 bilhões a R$ 25,9 bilhões em 2015.

5) Preços: A primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de outubro caiu 0,07%, ante avanço de 0,26% na mesma leitura do mês de setembro, abaixo da mediana das expectativas, de alta de 0,05%. Segundo a FGV, a queda no preços da soja e do café no atacado contribuiu para a volta do indicador ao terreno negativo.