Macroeconomia e mercado

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Rubens Ometto aposta na campanha de Aécio Neves

Rubens Ometto está sempre dentro da margem de erro.

Já foi Lula e Dilma, virou Aécio, flertou com Marina e agora voltou com tudo para a campanha do tucano.

Ometto tem sido uma espécie de "ministro do etanol", participando ativamente da elaboração do programa de governo de Aécio na área de biocombustíveis.

Pane seca

Por falar em Ometto, a Petróleo Sabbá, distribuidora de combustíveis da Raízen, é hoje um dos negócios menos rentáveis do grupo. Se fosse pela vontade da Shell, a empresa já teria sido vendida há tempos.

Mas a Cosan segura a Sabbá o quanto pode. (Jornal Relatório Reservado 14/10/2014)

 

Setor sucroenergético em crise com preços e comportamentos

Enquanto o açúcar fechou a semana passada ligeiramente em alta no mercado futuro de NY, comparativamente a semana anterior (10 pontos acima do preço da sexta-feira passada), o preço do etanol continua sendo um fator desanimador para as usinas. Tanto o anidro (para mistura na gasolina) quanto o hidratado (vendido nas bombas) despencaram este mês em dólares 15%, piorando ainda mais o retorno financeiro.

Para o gestor de riscos em commodities agrícolas, Arnaldo Corrêa, especialista no setor sucroalcooleiro, talvez os preços do etanol na bomba possam ajudar o comportamento do consumidor pela escolha deste combustível. "Preços mais baixos trazem a expectativa de maior consumo do produto e, quem sabe, mudar o hábito do consumidor que resiste voltar a usar o etanol quando a paridade permanece por longo período acima dos 70% como ficou", comenta.

O governo, em divulgação do ministro Guido Mantega, sinalizou para um possível aumento da gasolina, em novembro. "Isso eleva psicologicamente o suporte de preços do açúcar brasileiro para o mercado internacional, apoiando a ideia de que deveremos ter menos cana disponível para iniciar a próxima safra", explica.

Além disso, há a possível redução do ICMS no Estado de Minas Gerais sobre o etanol, de 19% para 15% (que será votado, no legislativo, ainda este mês) poderá significar um aumento significativo do consumo no segundo maior mercado consumidor do País.

Devemos ter um consumo adicional de 1,1 bilhão de litros de etanol com a mudança da mistura de 25% para 27,5%. Com uma possível elevação de consumo de etanol em Minas Gerais, estima-se uma queda de 4,5% do preço do combustível na bomba naquele estado. Por outro lado, o dólar mais forte em relação ao real inibe a alta de NY. "Acredito que haverá uma resistência psicológica no nível de R$ 1.000,00 por tonelada FOB, atraindo muitas empresas a pensarem seus hedges", explica Arnaldo.

No açúcar, a produção mundial está estagnada há quatro anos: se pegarmos os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2014/2015 e compará-los à média das três safras anteriores, houve um acréscimo de apenas 500 mil toneladas. Por esse mesmo critério, Tailândia cresceu 450 mil toneladas, México 400 mil e o resto do mundo 900 mil toneladas. Do outro lado, houve queda do Brasil em 700 mil toneladas e na Rússia 600 mil.

Com o consumo, os números são diferentes: acréscimo de 6,8 milhões de toneladas usando o também o critério acima. China e Índia lideram com aumento de 2,1 milhões e 1,9 milhão de toneladas, respectivamente. O resto do mundo completa o crescimento.

De acordo com Arnaldo, construindo um cenário para o próximo ano, acredita-se que a safra de cana no Centro-Sul vai terminar mais cedo este ano. "Muitas empresas começam a trabalhar com o número máximo de moagem de 545 milhões de toneladas. Esse volume, se confirmado, representa uma redução de 8,71% em relação à safra 2013/2014", avalia o diretor da Archer. Embora seja um pouco cedo as previsões para o próximo ano, em volume de produção, o fato, segundo Arnaldo, é que ninguém espera expansão significativa. "Os mais otimistas indicam um crescimento de 35 milhões de toneladas, ou seja, 580 milhões de toneladas", completa (Brasil Agro 13/10/2014)

 

Cai à máscara de Kátia Abreu - Jonatan Pereira Barbosa

Jonatan Pereira Barbosa - pecuarista, advogado, ex-deputado estadual, 1º vice-presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de MS) e secretário da Fenapec (Frente Nacional da Pecuária)

Quando menos se esperava, assim como de esguelha, usando mais um ardil, logo quem se fazia de defensora dos produtores rurais e de todo o agronegócio apresentou-se subitamente no primeiro horário político do PT, no segundo turno, como se fosse tão antigo e íntimo daquela “confraria”. E, pasmem, pedindo votos para a candidata Dilma. Sim, aquela mesma que em 2010, ou desde então, como na delação premiada de agora se apresenta, e que vem se beneficiando eleitoralmente do propinoduto da Petrobras e em tantos outros escândalos acontecidos no Governo Federal que tem nos desapontados.

Kátia Abreu, eleita senadora pelo PMDB do Tocantins, usando o falso álibi de franca defensora do meio rural brasileiro, atuando como presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) crava um punhal pelas costas de todos aqueles que jamais esperavam tamanha traição.

Aqui não se busca arranjos e consolos para chorar o leite derramado. Repudiamos a figura do camaleão. O lagarto fêmea que tem cores verde e vermelha assumiu sua mutação, jogou fora o verde para inserir o 13 no vermelho que restou.

O camaleão, dentre outras características, é um individuo versátil, inconstante, que muda facilmente de opinião, é interesseiro e hipócrita.

Assim, desnudada a senhora Kátia Abreu que simulava em tantas ocasiões ser uma guerreira ao lado do agronegócio, assumiu deslavadamente a sua banda petista, antes enrustida, para todo o Brasil provar e comprovar.

Espera-se agora das entidades classistas uma reação uníssona e imediata de repulsa a essa manobra traiçoeira. É chegada a hora da nossa Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e sindicatos rurais do nosso Estado se manifestarem urgentemente contra este atentado violento e espúrio, praticado pela presidente da CNA. Com a palavra o amigo e competente presidente Eduardo Riedel e seus seguidores: Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja) e demais sindicatos rurais do Estado, repudiando veementemente tudo aquilo que a senhora Kátia Abreu fez como representante maior dos produtores rurais deste País. O que a mesma praticou foi uma máxima aberração, só conjugada por aqueles que agem nas sombras da covardia.

Cobramos pois, dessas entidades coirmãs, e ainda não cobramos até agora da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e da Fenapec (Frente Nacional da Pecuária) é porque me faço aqui também representar legitimamente seus membros, a partir do seu grande e leal companheiro presidente Francisco Maia. A Acrissul e a Fenapec já estavam elaborando uma nota para a imediata divulgação na imprensa do nosso Estado.

Saibam Senhores e Senhoras produtores rurais e demais companheiros do Mato Grosso do Sul que nós não apoiamos mais a gestão da senhora Kátia Abreu na CNA. Tomamos esta posição por coerência, bom senso e respeito aos anseios da nossa classe. Assim, estamos rompendo com a figura deste camaleão, pois a máscara dele caiu (Jonatan Pereira Barbosa - pecuarista, advogado, ex-deputado estadual, 1º vice-presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de MS) e secretário da Fenapec (Frente Nacional da Pecuária); Correio do Estado, 14/10/14)

 

Desvios na Petrobras podem ter superado os R$ 10 bi

Embora a Polícia Federal e o Ministério Público federal usem a cifra de R$ 10 bilhões ao se referir ao esquema de lavagem de dinheiro viabilizado por meio do doleiro Alberto Youssef, o desvio de recursos da Petrobras pode ter sido ainda maior do que isso.

As declarações dadas à Justiça pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa indicam que, no período em que ele estava na cúpula da empresa, de maio de 2004 a abril de 2012; havia uma comissão de 3% - que era desviada para partidos políticos - sobre todos os contratos firmados pela estatal, e não apenas sobre aqueles que estavam debaixo da área de Abastecimento, que estava sob seu comando.

Nesse intervalo de oito anos, a Petrobras investiu R$ 418,6 bilhões em suas diversas áreas de negócio, o que significa que 3% sobre esse valor representam um total de R$ 12,5 bilhões.

Cabe notar que esse é o gasto com investimento, e não engloba, portanto, despesas com outros serviços feitas pela companhia e registradas como gasto corrente de cada exercício.

O percentual de 3%, aliás, é idêntico ao mencionado na denúncia de um ex-funcionário da holandesa SBM Offshore, sobre o pagamento de subornos a funcionários da Petrobras por meio do representante comercial da SBM no Brasil, Julio Faerman. Apesar da denúncia, publicada no Valor em fevereiro, não foram encontradas provas pela SBM, por autoridades da Holanda e nem pela Petrobras no Brasil. O denunciante afirmava que "comissões" de 3% sobre os contratos eram pagos a Julio Faerman e suas empresas. Ele ficava com 1% e outros 2%, segundo a denúncia, eram pagos "a funcionários da Petrobras". Os equipamentos prestavam serviços para a diretoria de exploração e produção e eram contratados pela diretoria de serviços.

No período de maio de 2004 a abril de 2012, a diretoria da Petrobras que mais investiu foi a de exploração e produção, no valor de R$ 197 bilhões, sendo que 3% equivalem a R$ 5,9 bilhões.

A diretoria de Costa, a de Abastecimento, investiu R$ 115,8 bilhões no período, o que deixa a alegada comissão de 3% em R$ 3,4 bilhões. As áreas de gás e energia e internacional, investiram perto de R$ 38 bilhões e R$ 42 bilhões respectivamente, o que resulta num potencial desvio de R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão, respectivamente.

Os demais valores se referem aos investimentos em distribuição de combustíveis, no valor de R$ 7,2 bilhões, e outros R$ 18,1 bilhões não especificados, o que inclui gastos corporativos, rendendo comissões de R$ 218 milhões e R$ 544 milhões, pela ordem (Brasil Agro 13/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa: O governo da Alemanha reduziu as previsões de crescimento do país para 2014 e 2015. Neste ano, a expectativa é de que o PIB alemão registre alta de 1,2%, ante estimativa inicial de crescimento de 1,8%. Já para 2015, a expectativa foi revisada de alta de 2% para 1,3%.

2) Reino Unido: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do Reino Unido subiu 1,2% em setembro ante igual mês de 2013, registrando a menor alta desde setembro de 2009, de acordo com dados da ONS. O resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas, de alta de 1,4%, e foi puxado pela queda anual de 6% nos combustíveis. Na mesma linha, o núcleo do CPI registrou crescimento anual de 1,5% em setembro, menor alta desde abril de 2009.

3) Europa: A produção industrial da zona do euro registrou queda de 1,9% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado, bem abaixo da previsão dos analistas, de recuo de 0,9%. O resultado foi o pior desde setembro de 2012, puxado pelo mal desempenho de bens de capital. Esta queda reverteu o resultado positivo de julho, sinalizando que o terceiro trimestre deve ter um desempenho inferior ao visto nos três meses anteriores.

4) Europa: O índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha caiu para -3,6 em outubro, de 6,9 em setembro, registrando o décimo recuo consecutivo e o primeiro resultado negativo desde novembro de 2012. A piora do indicador, maior do que a esperada pelos economistas, é resultado da desaceleração da atividade econômica alemã e das incertezas geopolíticas causadas pela crise na Ucrânia.

5) China: O Banco do Povo da China (PBoC) reduziu em 0,10 ponto percentual, para 3,4%, o custo de empréstimos de curto prazo para os bancos comerciais. Esta é a segunda redução em menos de um mês, sinalizando que o governo chinês está sob crescente pressão para aliviar as condições monetárias de modo a combater a desaceleração da economia.

Brasil

1) Crédito: Apesar da desaceleração da economia, a concessão do crédito consignado aumentou desde o início do mês. Segundo o Valor, os desembolsos de crédito consignado cresceram 2,5 vezes para pensionistas do INSS e 5 vezes no caso de servidores públicos federais, impulsionados pelas medidas adotadas no início do mês, que estenderam o prazo de parcelamento dos empréstimos com prestações que não comprometem mais de 30% do salário. De janeiro a agosto, o crédito consignado cresceu apenas 1,4%, mas, a expetativa dos bancos é de que com essas novas medidas, o consignado encerre o ano com avanço de 10%.

2) Atividade: O déficit habitacional do país recuou 8% entre 2009 e 2012, impulsionado, em grande parte, pelo programa federal Minha Casa Minha Vida, que no período entregou cerca de 2 milhões de casas. Em 2009, o déficit habitacional do país era estimado em 5,7 milhões de domicílios e, em 2012, caiu para 5,2 milhões. Segundo a FGV, apesar dos avanços, os desafios do setor continuam crescendo com a população. Estima-se que para zerar o déficit habitacional no país, serão necessários investimentos de R$ 760 bilhões pelos próximos 10 anos.

3) Fiscal: O governo pretende anunciar até o final do ano uma reforma tributária que inclui a unificação do PIS-Cofins e mudanças no ICMS. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, só a  transformação do PIS e Cofins em um único tributo implicará em um custo total de R$ 15 bilhões ao governo. Com falta de espaço fiscal, o governo prefere anunciar as medidas apenas depois do segundo turno das eleições.

4) Eleições: A pesquisa do instituto Vox Populi divulgada ontem apontou empate técnico entre os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves no segundo turno. Dilma obteve 45% das intenções de voto e Aécio 44%. Brancos e nulos somaram 5% e indecisos, também tiveram 5%. Considerando apenas os votos válidos, a presidente tem 51% e o tucano, 49%.

5) Fiscal: A MP 651 que deverá ser votada hoje, no plenário da Câmara dos Deputados, autoriza a renegociação dos empréstimos concedidos pelo Tesouro Nacional ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o Estado, a medida, ao estender os prazos de pagamento, dará mais folga ao caixa do BNDES e reduzirá a necessidade de um novo aporte de recursos da União ainda este ano.

6) Mercado: Influenciada pelo cenário eleitoral, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou ontem a maior alta em mais de três anos. No pregão de segunda-feira, o Ibovespa subiu 4,78%, atingindo os 57.956,53 pontos. Destaques para as ações da Petrobrás PN, que subiram 10,54%, e do Banco do Brasil, que tiveram alta de 10,86%.