Macroeconomia e mercado

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Tendência no futuro é não ter gasolina barata, diz Miriam Leitão

A gasolina, de repente, ficou mais cara no Brasil do que no mercado internacional. O motivo? É que o preço do petróleo despencou. Mesmo assim, o governo não descartou um aumento dos combustíveis este ano.

Qual vai ser o impacto disso no bolso do consumidor? O preço do petróleo caiu agora mas já vem subindo há muito tempo.

O governo fica em uma situação complicada porque agora o petróleo está caindo. Isso diminui o prejuízo da Petrobras e até na verdade dá um pequeno ganho. Mas, durante muitos anos, a Petrobras pagou mais caro do que pode comprar na distribuidora. A gasolina acaba chegando cara no bolso do consumidor mas para a Petrobras isso foi um prejuízo. E como aumentou muito o consumo, por incentivo do governo, esse prejuízo ficou muito grande.

Então, agora, como vai ser feito, agora que inverteu a curva? O que o ministro disse; que a Petrobras que decide, todo mundo sabe que não é a Petrobras que decide. A empresa tem pedido aumento durante todos esses anos, explicitamente, publicamente, sem fazer segredo e o governo não deu. E esse ano adiou para novembro.

Com o aumento das preocupações com as mudanças climáticas, a tendência é novas fontes alternativas e mais limpas. Então a tendência é ter um imposto sobre o carbono emitido na gasolina. E isso é uma visão tanto da Petrobras quanto especialistas de outros países. A tendência no futuro é não ter gasolina barata porque a gasolina emite gases de efeito estufa.

Esse outro problema de prejudicar os investimentos, a Petrobras nos seus planejamentos de longo prazo trabalha com um petróleo mais baixo, portanto isso não prejudicaria os investimentos. (Bom Dia Brasil 16/10/2014)

 

Mantega não descarta aumento da gasolina, mas diz que decisão cabe à Petrobras

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje (15) que, embora o preço da gasolina no Brasil esteja, atualmente, maior do que nos Estados Unidos, ainda pode haver reajuste do combustível. Ele destacou que a decisão cabe à Petrobras.

"Havia defasagem e agora não há. O preço da gasolina está mais alto, então a Petrobras está ganhando com isso. Mas isso não significa que não haverá aumento. Isso é uma decisão da empresa", disse o ministro, ao ser perguntado por jornalistas, na chegada ao Ministério da Fazenda.

Nas últimas semanas, o ministro, que é presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tem sinalizado que pode haver aumento da gasolina ainda este ano. (Agência Brasil 16/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: A concessão de novos empréstimos na China subiu para 857,2 bilhões de yuans em setembro, frente aos 702,5 bilhões de yuans em agosto, de acordo com o Banco do Povo da China (PBoC). O montante de crédito concedido no mês passado foi superior a expectativa dos economistas, que previam uma cifra de 745 bilhões de yuans. Já a medida mais ampla de oferta de dinheiro na economia (M2) subiu 12,9% em setembro, na comparação anual, acima do resultado de agosto e da previsão dos analistas, de alta de 12,8%.

2) Europa: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da zona do euro registrou alta anual de 0,3% em setembro, ante 0,4% em agosto, em linha com a previsão dos analistas. Vale destacar que esta é a menor alta do indicador desde outubro de 2009. Já o núcleo do CPI avançou 0,8% na comparação anual de setembro, resultado ligeiramente superior ao esperado, de 0,7%.

3) Europa: A atividade na zona do euro continua dando fortes indícios de desaceleração e o comércio externo não parece estar ajudando a economia da região. Em agosto, as exportações caíram pelo terceiro mês consecutivo, mostrando queda de 0,9% ante julho, enquanto as importação registaram um recuo ainda mais acentuado de 3,1%. Nesse cenário, a zona do euro registrou superávit comercial de 9,2 bilhões de euros em agosto, ante 7,3 bilhões no mesmo mês do ano passado.

4) EUA: Em uma reunião a portas fechadas em Washington na semana passada, a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, expressou confiança na sustentabilidade do crescimento econômico americano, mesmo em meio a desaceleração do crescimento mundial e da volatilidade dos mercados financeiros.

Brasil

1) Mercados: Em meio aos dados decepcionantes das economias externas e dos rumores em relação a eleição presidencial, a Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o movimento das principais bolsas globais e fechou em queda de 3,24%, aos 56.135 pontos. Destaque para as ações da Petrobras que lideraram as perdas, com a PN caindo 6,93% e a ON recuando 6,86%. Já o dólar, teve uma trajetória distinta da do mercado internacional, registrando queda de 1,5%, e fechando o dia cotado a R$ 2,4380.

2) Eleições: A dez dias das eleições presidenciais, as pesquisas eleitorais mostram empate técnico entre os dois candidatos no segundo turno. Tanto na pesquisa Ibope quanto na Datafolha, Dilma Rousseff e Aécio Neves oscilaram um ponto percentual para baixo, atingindo 43% e 45% das intenções de voto, respectivamente. Entretanto, no Ibope, o número de brancos e nulos subiu de 6% para 7%, e de indecisos de 4% para 5%. Já na Datafolha, brancos e nulos saíram de 4% para 6%, e os indecisos permaneceram em 6%. Com relação aos votos válidos, as pesquisas apontaram Aécio com 51% e Dilma com 49%.

3) Atividade: Segundo o Caged, em setembro, foram criadas 123,7 mil novas vagas formais de trabalho, pior resultado para o mês desde 2001. De janeiro a setembro,  a criação de empregos acumula um saldo de 904,9 mil vagas. Segundo o Ministro do Trabalho, Manoel Dias, a expectativa do governo é que, em 2004, é que seja criado 1 milhão de vagas.

4) Crédito: O Banco Central anunciou ontem que as instituições financeiras poderão usar parte do depósito compulsório mantido no próprio BC para financiar capital de giro das companhias. Com a medida, o BC estimula o financiamento às empresas, tornando mais atrativas as operações de capital de giro. Até então este beneficio estava restrito ao segmento de veículos, no entanto, o governo entendeu que era necessário estende-lo ao segmento empresarial.

5) Petrobrás: O recuo dos preços do petróleo pode inviabilizar os investimentos da Petrobrás. Segundo o Valor, no plano de negócio da estatal para os próximos quatro anos era estimado um preço médio para o barril entre US$ 95 e US$ 100. Ontem, o petróleo Brent era negociado a US$ 85. Fontes revelam que a produção no pré-sal estaria assegurada mesmo que o preço caísse para US$ 55. Entretanto, relatório divulgado pelo Citibank, afirmou que com preço do barril a US$ 90, a estatal teria dificuldades para cumprir a meta de US$ 28 bilhões por ano em investimentos.

6) Atividade: O Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,27% no mês de agosto, antes do resultado revisado de 1,52% em julho, em linha com as expectativas dos economistas. Os últimos dados positivos do indicador sinalizam que, depois de dois trimestres de queda, o PIB deve registrar leve crescimento de julho a setembro.