Macroeconomia e mercado

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Empresários paulistas estão interessados em comprar usina no Ceará

Mesmo com a boa expectativa de negociação da Usina Manoel Costa Filho, em Barbalha, por um grupo de empresários paulistas, ainda não se sabe o futuro do empreendimento. Essa é a fase mais avançada para se bater o martelo em relação à venda do empreendimento pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece).
A possível compra da usina pegou de surpresa os produtores, a maioria deles desesperançados quanto à reativação do setor. A negociação com os novos empreendedores e a Adece leva em conta a recuperação da agroindústria e revitalização do setor produtivo, incluindo a matéria-prima, com investimentos em torno de R$ 170 milhões.
Mesmo com um largo potencial de terras produtivas; cerca de 8.500 hectares, conforme levantamento feito pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) em diversas cidades da região; principalmente em Crato, Barbalha e Missão Velha, muitos produtores desistiram dos plantios, prova disso é que a própria área no entorno da usina, já foi ocupada com o plantio de bananas, a cultura irrigada mais promissora nos últimos anos na região.
Desde empresários norte-americanos aos paulistas e até mesmo do Estado cearense, já houve perspectivas de negociação por parte da agência. A compra da usina foi efetuada pelo Governo do Estado, por meio da Adece, por um valor de R$ 15,4 milhões, em junho do ano passado. Uma das propostas iniciais era de que fosse formada uma cooperativa com os novos empreendedores e produtores. Outra alternativa seria negociar com empresas produtoras de aguardente. Não houve resposta dos possíveis empreendedores que alegavam até as condições do aquífero.

Falhas

O presidente da Adece, Roberto Smith, disse que neste momento a agência está em plena negociação com os paulistas. Segundo ele, os possíveis compradores acreditam que a usina fechou por falhas no processo de gestão da empresa. Outra perspectiva que anima os empresários seria o Cinturão das Águas, que irá receber as águas do Rio São Francisco. Ele disse que são vários empreendedores do setor que estão interessados em constituir uma empresa para administrar a Manoel Costa Filho. Inclusive já estiveram no local por três vezes, a última delas há oito dias.
Do montante a ser investido inicialmente com a negociação, R$ 35 milhões deverão ser aplicados na recuperação do maquinário parado desde 2004, quando a usina realizou sua última produção, já com um baixo potencial, em relação aos anos 80 e início dos 90, no auge da produção. O presidente do Sindicato dos Agricultores de Barbalha, Francisco Sérgio Pereira, disse que mesmo sem saber do que realmente vem sendo negociado, essa possibilidade já reacende a esperança de centenas de pequenos produtores.
Esses, todos os anos, têm se deslocado para outras regiões do País, para trabalhar no cultivo da cana. Normalmente vão para a agricultura canavieira no interior de São Paulo e em outras culturas no Paraná e em Minas Gerais, entre outros estados. Sérgio Pereira acredita que isso ocorre com cerca de 2 mil trabalhadores. Grande parte deles agricultores sai de localidades como o distrito de Arajara, em Barbalha, e outros municípios.
O prefeito de Barbalha, José Leite, ressalta a importância da reativação da Usina de açúcar Manoel Costa Filho para toda a região do Cariri. Ele informou que houve a apresentação do projeto de reforma das instalações e a garantia do início do funcionamento das atividades já para 2015 pelos que assumirão a usina. "O que foi passado é que os trabalhos já se iniciarão no próximo ano, porém de forma reduzida, para que em 2016 as atividades estejam a todo vapor", antecipa.

Avaliação

Segundo o prefeito, os técnicos estão avaliando a situação e fazendo um planejamento de curto, médio e longo prazo. "É um grupo bastante experiente e com certeza vão conseguir alavancar essa produção o mais rápido possível. E isso é muito importante para nós e para nossos produtores. É mais uma alternativa, pois sabemos que na hora que tiver comprador e preço, os nossos agricultores vão estar produzindo cana, porque as nossas terras são adequadas para isso. E, agora vamos ter água suficiente para as atividades com o Cinturão das Águas", ressalta o prefeito.
A proposta inicial é produzir açúcar, com cerca de 600 toneladas por ano, mas estará destinada também à produção dos outros derivados, como o álcool. Além disso, investir na tecnologia de reaproveitamento do bagaço da cana, com o uso de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), para a transformação em carvão vegetal.
O produto seria utilizado na adubação do solo, para otimizar a produtividade da cana e comercialização para outras agroindústrias do segmento. Para o secretário de Agricultura de Barbalha, Elismar Vasconcelos, o setor, como um todo, desde a produtividade da cana, teve uma queda significativa nos últimos anos. "Não tenho acompanhado de perto esse processo, mas o que tenho ouvido é animador em relação à retomada do seu funcionamento", disse. (Diário do Nordeste 22//10/2014)
 

Milho é aposta para o setor de etanol

Para auxiliar no escoamento da produção de grãos, principalmente do Mato Grosso, o etanol de milho deve expandir como uma oportunidade para o setor de biocombustíveis. A constatação foi feita durante a 14ª Conferência Datagro para açúcar e etanol, em São Paulo.
Porém, lideranças sindicais da região destacam a falta de competitividade nos valores do produto, que tem a logística a preços muito baixos em mercados pouco promissores e ainda não garante retorno aos custos de produção.
De acordo com os representantes sindicais do segmento, dentre eles o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho; "o Mato Grosso só não é o maior produtor de biocombustíveis do Brasil porque é o estado mais a oeste do País, fato que dificulta o transporte aos grandes polos do Sudeste e limita a comercialização a estados da região Centro-Oeste e Norte".
Nestas regiões, o biocombustível chega a ser vendido entre R$ 0,18 e R$ 0,22 por litro, enquanto o custo de produção chega a R$ 1.
Para o ex-ministro da Agricultura e coordenador da Fundação Getúlio Vargas no segmento de Agronegócios (GV Agro), Roberto Rodrigues, falta clareza sobre a rota que esta tecnologia deve seguir e sua viabilidade comercial.
O diretor da Tereos, Jacyr Costa Filho, destaca que 40% do milho americano vão para a produção de etanol. "Se houvesse uma política de biocombustíveis no Brasil, viabilizaríamos esta produção aqui, considerando que exportamos cerca de 22 milhões de toneladas do grão", enfatiza. Nesta safra, devem ser produzidos cerca de 70 milhões de litros de etanol de milho.

Potencial

A estimativa de aumento nos custos de extração de petróleo é o principal consenso entre as lideranças setor sucroenergético, fator que abre espaço para ganhos de competitividade no etanol. Desta forma, o biocombustível de segunda geração e a produção a partir de cereais, como o milho, ganham destaque entre as discussões.
"A expectativa é de aumento de produtividade e competitividade, principalmente em relação a inovações do mercado", estima a presidente da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina.
Uma das vantagens do milho é que sua área plantada é muito superior a da cana, além das maiores possibilidades de armazenamento.
Para a executiva, a cadeia do grão é mais organizada, com instrumentos financeiros estruturados, fatores que favorecem o desenvolvimento. (DCI 22/10/2014)
 

Dívidas de usinas de cana em Minas Gerais ultrapassam os R$ 5 bilhões

A indústria sucroalcooleira de Minas Gerais acumula uma dívida em torno de R$ 5,5 bilhões, valor equivalente a um ano de faturamento, segundo a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig). Oito das 46 usinas instaladas em território mineiro fecharam as portas nas últimas cinco safras e cinco das 38 que operam já encerraram as atividades de moagem, porque a safra foi mais curta em função do longo período de estiagem.
As dívidas das usinas; como explica o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, são resultado dos investimentos feitos em ampliação da produção e em novas unidades entre 2005 e 2010, quando o consumo de etanol no mercado interno foi impulsionado pelas vendas de carros flex, que funcionam a etanol ou gasolina. Neste mesmo período, o processamento de cana-de-açúcar no Estado saltou de 15 milhões de toneladas por ano para 60 milhões de toneladas anuais.
No entanto, a política federal de manutenção dos preços dos combustíveis derivados de petróleo, em especial da gasolina, derrubou o consumo do etanol hidratado no Estado e deixou as usinas sem condições de pagar as dívidas feitas para aumentar a produção. "Isso prejudicou a indústria sucroalcooleira. Não temos condições de competir com a gasolina nesta situação", destaca.
Só para se ter uma idéia, em 2009, para cada 100 litros de gasolina vendidos nos postos de combustíveis do Estado, eram comercializados 40 litros de etanol. Hoje, a relação caiu drasticamente. Para cada 100 litros de gasolina comercializados, apenas 15 litros de etanol saem das bombas.

Compensação

Apesar do endividamento e do fechamento de usinas, as que estão em funcionamento operam praticamente a plena carga, em uma tentativa de compensar a perda de competitividade, de vendas e de lucratividade, com maior volume. Em Minas, o setor produz atualmente 1,5 bilhão de litros de etanol hidratado por ano contra um consumo de 750 milhões de litros anuais, a metade.
A alternativa encontrada pelos produtores foi vender o combustível em outras praças, como São Paulo, pagando custos adicionais de transporte e perdendo ainda mais lucratividade sob risco de também não perder produção ou vendas. Mas a situação é ainda pior porque enquanto em Minas a alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o etanol hidratado é de 19%, em São Paulo é 12%.
A solução para reverter o quadro no Estado, na avaliação de Campos, passa basicamente pela redução da alíquota do ICMS sobre etanol hidratado. "Esse ICMS de 19% é insuficiente para dar competitividade ao etanol. Fizemos um trabalho junto ao governo atual e ao governador eleito para mostrar que o Estado precisa fazer algo para ter competitividade", afirma.
Nesse sentido, Campos lembra que já existe um projeto de lei (PL) em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o PL 5494, que reduz a alíquota do ICMS do etanol de 19% para 14%. "Com isso, nossa expectativa é que o etanol volte a ser competitivo e a produção possa ser comercializada dentro de Minas", ressalta. "Acredito que o governo atual e o próximo serão sensíveis ao assunto e teremos um 2015 melhor", acrescenta.

Nacional

Nas contas da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas de açúcar e etanol brasileiras devem encerrar esta safra (2014/2015) devendo 110% de seu faturamento. A receita para o ciclo é estimado em cerca de R$ 70 bilhões e a dívida é da ordem de R$ 77 bilhões.
Conforme a entidade, há cerca de 375 usinas em operação neste ano e 30 unidades correm o risco de não voltar a moer em 2015 por causa do alto endividamento. Quase 70 usinas pararam suas atividades desde 2008 e cerca de 70 estão em recuperação judicial. (Diário do Comercio 22/10/2014)
 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Austrália: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Austrália registrou alta de 0,5% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, levemente acima da expectativa dos economistas, de alta de 0,4%. Na comparação anual, o índice avançou 2,3%, ante 3% no trimestre passado. Vale destacar que o Banco de Reserva da Austrália (RBA) tem como objetivo uma inflação anual de 2% a 3%. Segundo especialistas, a desaceleração dos preços foi resultado do fim da taxa sobre emissão de carbono e o recuo dos salários diante do enfraquecimento da economia.
2) Inglaterra: O Banco da Inglaterra (BoE) ficou novamente dividido com relação à política monetária. Segundo ata da última reunião, sete integrantes do comitê votaram a favor da manutenção da taxa básica de juros na mínima histórica de 0,5%, enquanto dois defenderam a alta dos juros. Em tom mais “dovish”, o BoE  ainda ressaltou no documento que o fraco desempenho dos salário, a baixa taxa de inflação e o enfraquecimento da atividade na zona do euro, devem impactar negativamente na economia do país.
3) Europa: A agência de notícias espanhola Efe divulgou que 11 dos 130 bancos avaliados devem ser reprovados no teste de estresse do Banco Central Europeu (BCE), sendo estas instituições de seis países distintos da região. Segundo a publicação, 3 são gregos, 3 italianos, 2 austríacos, 1 cipriota, 1 belga e 1 português.  Os resultados do teste devem ser divulgados pela autoridade monetária a partir de domingo.

Brasil

1) Eleições: Os resultados do Datafolha divulgados ontem são similares aos da pesquisa de segunda-feira, apontando empate técnico entre os dois candidatos. Nos votos totais, Dilma oscilou de 46% para 47%, Aécio manteve os 43%, brancos e nulos foram de 5% para 6% e indecisos de 6% para 4%. Com isso, considerando apenas os votos válidos, a petista registrou 52% e o tucano 48%. Ainda segundo a pesquisa, o que pode ter ajudado a candidata Dilma Rousseff foi a melhora da percepção dos eleitores com relação à economia. Em abril, 64% dos eleitores acreditavam que a inflação iria aumentar, já nesta pesquisa, apenas 31% dos entrevistados tinham essa expectativa. Também foi relatado maior otimismo com relação ao desemprego, poder de compra e a própria situação econômica.
2) Petrobrás: A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da Petrobrás de Baa1 para Baa2, e colocou a avaliação em perspectiva negativa. Mesmo com esta alteração, a estatal ainda tem mais dois degraus para perder o grau de investimento. De acordo com a agência, o motivo do rebaixamento foi o alto grau de endividamento da companhia, que somado á queda do preço do petróleo, piorou os indicadores financeiros da estatal.
3) Atividade: A presidente do cone sul da Standard & Poor’s (S&P), Regina Nunes, afirmou que o principal problema do Brasil é a dinâmica crescente da dívida pública. Ainda segundo Nunes, é difícil o Brasil voltar a ser BBB sem melhora real da dinâmica da divida pública. Pela S&P, atualmente a nota soberana do país é BBB-, com perspectiva estável.
4) Preços: A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem novos reajustes na tarifa de energia para três distribuidoras (CPFL Piratininga, Bandeirante Energia, e DME Distribuição), levando a um aumento médio de 17,63% na conta de luz de 68,7 milhões de unidades consumidoras em todo o país este ano. A alta média aprovada pela Aneel já ultrapassou a projeção do Banco Central, de aumento de 16,8% nas tarifas de energia deste ano. Além disso, até dezembro, outras oito distribuidoras terão o processo de reajuste tarifário analisado pela Aneel.
 
5) Atividade: Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE, a receita bruta nominal do setor subiu 4,5% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2013, registrando o menor crescimento do indicador desde o início da serie histórica, em janeiro de 2011. Com esse resultado, a receita bruta do setor acumula alta de 6,7% no ano e elevação de 7,4% em 12 meses.