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Dilma e Lula sabiam de tudo, diz Alberto Youssef à PF

Em depoimento prestado na última terça-feira, o doleiro que atuava como banco clandestino do petrolão implica a presidente e seu antecessor no esquema de corrupção.

Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada.

Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, pôs os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se colocou à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais.

A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado desde março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, o cabelo raspado e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras.

Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:

— O Planalto sabia de tudo.

— Mas quem no Planalto? Perguntou o delegado.

— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.

(Prévia de VEJA 24/10/2014)

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa: O índice de confiança do consumidor alemão, calculado pelo instituto GFK, avançou para 8,5 no mês de novembro, ante 8,4 em outubro, acima da expectativa dos economistas, que esperavam um recuou para 8 pontos no indicador do próximo mês.

2) Reino Unido: Segundo dados preliminares da ONS, o PIB do Reino Unido cresceu 0,7% no terceiro trimestre ante o segundo e avançou 3% na comparação anual, confirmando as expectativas de uma leve desaceleração da economia entre os meses de julho e setembro. No segundo trimestre, o PIB britânico tinha expandido em ritmo mais forte de 0,9% ante os três meses anteriores e de 3,2% no confronto anual.

3) Rússia: O rublo caiu para mais uma mínima histórica em relação ao dólar e o euro diante de preocupações sobre possível rebaixamento no rating de crédito do país pela Standard & Poor’s, previsto para esta sexta-feira. Vale lembrar que qualquer rebaixamento realizado pela S&P tiraria os títulos do governo do país do grau de investimento.

4) Europa: O índice de confiança do consumidor da Itália caiu para 101,4 em outubro, ante 101,9 em setembro, de acordo com o instituto de estatísticas do país. O resultado superou a média das previsões dos analistas, de queda para 101.

5) Argentina: O juiz Thomas Griesa fará uma nova audiência sobre a dívida Argentina no próximo dia 2 de dezembro. O encontro será realizado a pedido do Citibank, que quer autorização para fazer um pagamento de juros aos credores do pais com vencimento em 31 de dezembro. O Citi já pediu a mesma autorização em outros dois momentos, em julho e setembro deste ano, quando Griesa decidiu pela liberação do pagamento de juros de uma única vez.

Brasil

1) Eleições: A pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada ontem mostrou que a presidente Dilma Rousseff abriu oito pontos de vantagem sobre Aécio Neves. Considerando os votos válidos, Dilma ficou com 54% das intenções de voto, ante 49% na pesquisa anterior, e Aécio teve 46%, ante 44%. Em votos totais, a petista ganhou 6 p.p. e atingiu 49% das intenções, o tucano perdeu 4 p.p e ficou com 41%, os indecisos caíram de 5% para 3% e os votos brancos e nulos se mantiveram em 7%.

2) Eleições: Segundo pesquisa Datafolha, divulgada ontem, Dilma Rousseff abriu seis pontos de diferença sobre Aécio Neves. A petista saiu de 52% para 53%, enquanto Aécio Neves oscilou de 48% para 47%, considerando apenas os votos válidos. Em um intervalo de 14 dias, Dilma cresceu 6 p.p. entre as mulheres. Além disso, a rejeição da presidente se manteve em 36%, mas a de Aécio passou de 33% para 40%.

3) Eleições: A pesquisa Istoé/Sensus reafirmou a liderança de Aécio Neves sobre Dilma Rousseff. Segundo o levantamento o tucano somou 54,6% dos votos válidos, contra 45,4% obtidos pela presidente Dilma Rousseff. A pesquisa anterior, realizada entre os dias 18 e 19 de outubro, mostrava Aécio com 56,5% dos votos válidos e Dilma com 43,5%.

4) Fiscal: Em meio a forte deterioração das contas públicas, os gastos com o seguro desemprego e com o abono salarial (PIS/Pasep) tem registado forte alta. Os dois beneficios em 2013 somaram R$ 46,5 bilhões, e neste ano, devem atingir R$ 51,9 bilhões, segundo projeção oficial do governo. O boletim de informações financeiras do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) mostra que se nenhuma alteração nas regras dos benefícios for feita pelo governo, os gastos chegarão a R$ 70,1 bilhões em 2017.

5) Credito: Segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), no mês de outubro, as famílias brasileiras ficaram menos endividadas e inadimplentes. O percentual de famílias que declaram ter dívidas recuou para 60,2% em outubro de 63,1% no mês passado. Com a renda real ainda em ascensão, as famílias estão conseguindo pagar as suas contas e não contrair novos empréstimos. Além disso os consumidores estão mais cauteloso com o consumo, diante de um cenário de incertezas econômicas.

6) Mercado: Em meio aos rumores sobre a corrida eleitoral, o dólar atingiu a maior cotação desde 4 de dezembro de 2008 e a Bolsa de Valores  entrou em terreno negativo no acumulado do ano. No fim do dia de ontem, a moeda americana fechou em alta de 0,84%, a R$ 2,5090. Já o Ibovespa encerrou o dia em baixa de 3,24%, marcando 50.713 pontos, menor pontuação desde abril de 2015.