Macroeconomia e mercado

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Unica espera mais diálogo com Dilma reeleita e políticas mais claras para etanol

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) espera que a presidente Dilma Vana Rousseff mostre-se mais aberta ao diálogo, conforme prometeu em seu primeiro pronunciamento após ser reeleita no domingo, e apresente políticas mais claras para o setor de combustíveis que possam beneficiar os produtores de etanol, afirmou nesta segunda-feira a entidade.

"O diálogo sempre é melhor do que o não dialogo. Não podemos saber se o dialogo será positivo ou não, mas é importante que a presidente demonstre com clareza qual o papel ela espera da agroenergia na matriz de energia brasileira, se é um papel protagonista ou se é secundário", afirmou a presidente da Unica, Elizabeth Farina, em teleconferência com jornalistas.

Segundo a presidente da Unica, políticas mais claras para setor de combustíveis poderiam ajudar a usinas de etanol a lidar com o elevado endividamento, em parte fruto do controle de preços de gasolina pelo governo nos últimos anos.

O preço controlado da gasolina limita repasses de custos das usinas ao preço do etanol, impactando as contas das indústrias.

A Unica avalia ainda que investimentos no setor de etanol só serão feitos considerando as "novas regras do jogo". (Reuters 27/10/2014)

 

Grupo busca alternativas para pagar dívida bilionária

Quatro usinas do Grupo Virgolino de Oliveira, fundado há quase 100 anos na região, e presente em outros municípios do Estado de São Paulo, correm o risco de fechar devido a dívidas não confirmadas que podem atingir US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões).

O Diário esteve em uma das usinas do grupo, em Ariranha, mas não conseguiu falar com os responsáveis. O departamento de relações com investidores do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) rebateu as notícias divulgadas pela revista Exame e pelo jornal O Estado de S. Paulo de que as empresas poderiam anunciar calote, nos próximos dias, de parte da dívida do grupo, referente a US$ 600 milhões (R$ 1,4 bilhão) que estaria sendo negociada pelo Banco Internacional Moelis.

Em comunicado oficial, o grupo informa que "há vencimentos em atraso e um aperto de liquidez, sendo dívidas que vencem nos anos de 2018, 2020 e 2022. A situação é reversível. Trata-se de uma companhia grande, que está operando e tomando medidas pró-ativas para reverter a situação". O grupo informa ainda que a crise pela qual passa "é consequência da grave situação em que se encontra o setor sucroalcooleiro brasileiro, impulsionada, principalmente, pela queda dos preços do açúcar no mercado internacional, pelas baixas cotações do etanol e, ainda, pela representativa quebra da safra da cana-de-açúcar devido à seca histórica que atinge a região Centro-Sul do país".

O GVO também informa que está tomando medidas para reforçar sua estrutura de capital. As medidas estariam relacionadas à diminuição da disponibilidade de crédito associada ao momento de crise setorial, contando com a assessoria financeira da Moelis & Company e da assistência jurídica de Santos Neto Advogados e Kirkland & Ellis LLP. A empresa reitera que o comunicado não deve ser entendido como compromisso de qualquer natureza, já que " performances futuras são incertas porque envolvem riscos como flutuações relacionadas às taxas de câmbio, resultados futuros de operações, liquidez e fluxo de caixa futuros e investimento de capital.

“O impacto de quaisquer dos riscos mencionados no serviço da dívida do Grupo ou de quaisquer das empresas, a ele pertencentes, à habilidade do GVO ou de quaisquer de suas entidades em operar seus negócios e a garantia de manutenção de obrigações relacionadas a dívidas ou pagamentos". No comunicado oficial, não informações sobre eventuais demissões de funcionários ou redução de atividades para conter custos.

Etanol

O Grupo Virgolino é comandado pela família Ruette Oliveira, que por anos teve direção d a Coopersucar. Parte da crise pela qual passa a GVO é creditada à queda dos preços do açúcar no mercado internacional e às baixas cotações do etanol, cujo preço ficou congelado, não correspondendo às expectativas iniciais do grupo, quando investimentos foram feitos. O GVO possui unidades produtoras em Catanduva, Itapira, Monções e José Bonifácio e tem capacidade para moer 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, figurando entre os dez maiores grupos do setor sucroalcooleiro do País.

Impacto na região

A reportagem do Diário entrou em contato com as prefeituras de Ariranha e Palmares Paulista, dois dos municípios da região que serão mais afetados, caso as usinas fechem, devido principalmente ao repasse de ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) aos municípios e aos empregos gerados. Os prefeitos de Ariranha, Fausto Estopa Silva, e o de Palmares Paulista, Júnior Bugança, não responderam e nem explicaram os motivos de não se manifestarem.

Quase centenário

O Grupo Virgolino de Oliveira iniciou suas atividades em 1921, fundando a primeira unidade industrial que foi chamada Usina Nossa Senhora Aparecida, em Itapira, segundo o site oficial do grupo. Em 1954, a usina foi considerada a mais moderna do mundo pela revista Sugar. Em 1959, a empresa, juntamente a outros empresários do setor, idealizou estratégia de comercialização centralizada, que deu origem à Coopersucar.

Em 1970, o grupo adquiriu a Usina Catanduva, em Ariranha. A terceira unidade foi adquirida em 2004, em José Bonifácio. Nesta época, o mercado se mostrava em ascensão, diante de comprovações científicas sobre os benefícios do etanol, tido como energia limpa e renovável. Com perspectivas de crescimento, em 2008, o Grupo expandiu a unidade de José Bonifácio, dobrando sua capacidade de produção, ao mesmo tempo em que construiu sua quarta unidade em Monções, operacionalizada em 2008.  (Diário Web 27/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa: A base monetária do zona do euro (M3) avançou 2,5% em setembro na comparação com o mesmo período de 2013, acima da expectativa dos economistas, que esperavam uma alta de 2,3%. Em agosto, a base havia registrado crescimento de 2,1%, na comparação anual. Já na média móvel três meses, o M3 acelerou de 1,8% para 2,1%. Na contramão destes dados, os empréstimos do setor privado caíram 1,2% na comparação anual de setembro, ante queda de 1,5% em agosto.

2) Europa: O índice de sentimento das empresas da Alemanha, medido pelo instituto IFO, caiu para 103,2 em outubro, de 104,7 em setembro, abaixo da mediana das projeções, de recuo para 104,5. O sub-índice sobre as expectativas para os próximos seis meses teve queda de 99,3 em setembro para 98,3 em outubro, enquanto o indicador de condições atuais caiu para 108,4 de 110,4 no mês passado.  

3) Europa: O Banco Central Europeu (BCE) divulgou ontem que dos 130 bancos da região que passaram pelo teste de stress, 25 foram reprovados, totalizando um rombo nas contas destas instituições de 24,3 bilhões de euros. Das instituições que não passaram no teste de solvência, nove são da Itália, três da Grécia, três do Chipre, e pelo menos uma em cada um dos seguintes países: Bélgica, Alemanha, Áustria, França, Irlanda e Portugal. Entretanto, como teste foi realizado considerando as contas de 2013, alguns bancos indicaram que já reforçaram o seu capital e que, na realidade, apenas 9,5 bilhões de euros estariam faltando.

4) Japão: Após a renúncia de duas ministras de destaque na semana passada, a aprovação pública do governo do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, caiu de 62% para 53% em menos de um mês. Entre os questionados, 37% desaprovam o governo, acima do índice de 30% de desaprovação na última pesquisa do dia 10 de outubro. A insatisfação dos japoneses com o atual governo, só coloca mais dificuldades para Abe, que tenta estimular a economia do país.

Brasil

1) Eleições: Na disputa mais apertada pela Presidência no pós-1945, Dilma Rousseff foi reeleita com 54,5 milhões de votos (51,64%), contra 51 milhões de votos (48,36%) obtidos por Aécio Neves. A presidente foi à preferida em 15 Estados: todos os nove do Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro, e em quatro dos sete Estados do Norte. Já o tucano venceu nos três do Sul, nos quatro do Centro-Oeste, Espírito Santo, Acre, Rondônia, Roraima e São Paulo. Em seu discurso de vitória, em Brasília, Dilma afirmou que está disposta ao diálogo, e que este será o primeiro compromisso de seu segundo mandato.

2) Atividade: O Índice de Confiança de Serviços (ICS) avançou 1,2% na passagem de setembro para outubro, saindo de 100,7 pontos, para 101,9. Apesar desta ser primeira alta do indicador no ano, o índice ainda se mantém bem abaixo da média histórica, de 112,3 pontos. Segundo a FGV, o resultado deste mês indica que as expectativas para os próximos meses melhoraram um pouco em outubro, mas a visão das empresas sobre o presente continua se deteriorando.

3) Atividade: O Índice de Confiança do Comércio (Icom), medido pela FGV, recuou 10,3% no trimestre encerrado em outubro na comparação com igual período de 2013. Em setembro, a queda havia sido menos intensa, de 8,7%. Este resultado sinaliza que o empresários do setor ainda não estão muito otimistas com as vendas de final de ano, a percepção sobre o nível atual de demanda evoluiu de forma ligeiramente favorável, mas as expectativas não deram nenhuma evidência de melhora.

4) Focus: No último Relatório Focus antes do resultado da eleição presidencial, as previsões para inflação e taxa de crescimento ficaram inalteradas. A mediana da projeção para o IPCA de 2014 se manteve em 6,45% e para o crescimento do PIB ficou inalterada em 0,27%.

5) Mercado: Após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, os mercados abriram com grandes variações. O índice futuro do Ibovespa cai 7,10% (9h30) e chegou a cair mais de 8%. Além disso, o dólar já registrou avanço de 2,6%, atingido 2,54, maior cotação desde 2009.