Macroeconomia e mercado

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“O setor está quebrado”, diz ex-presidente da Unica

Eduardo Carvalho: “Dá para contar nos dedos quantos usineiros estão bem”.

O economista e ex-presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, rebateu as recomendações de jornalistas e marqueteiros para melhorar a percepção da sociedade sobre o setor com um argumento irrefutável. Na plateia do painel realizado durante a 14ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, Carvalho foi direto ao apontar o problema na aplicação das receitas sugeridas pelos comunicadores.

“Nós estamos quebrados, ponto. Dá pra contar na mão as usinas que não estão, dá pra citar os usineiros que por acaso estão bem e que são muito menos do que nós gostaríamos. Quebrou, não tem dinheiro e comunicação custa muito dinheiro e precisa ser constante [..]. Todos nós sabemos o que tem de ser feito, o que não sabemos é como salvar a indústria”, desabafou.

“NÓS ESTAMOS QUEBRADOS, PONTO. TODOS NÓS SABEMOS O QUE TEM DE SER FEITO EM COMUNICAÇÃO, O QUE NÃO SABEMOS É COMO SALVAR A INDÚSTRIA”

O economista lembrou que no passado recente o setor fez coisas “inacreditáveis e positivíssimas” em termos de divulgação. Uma delas foi ter o ex-presidente Lula como “marqueteiro” do etanol no mundo, vendendo a idéia de que o Brasil tinha a solução em combustível renovável para o mundo.

“Funcionou. Teve um momento em que nós mesmos acreditávamos que íamos abastecer de álcool o mundo porque inventamos isso. Sabe para quê? Para vender álcool e deu certo. Teve recurso, teve inteligência para isso”, recorda.

Carvalho listou iniciativas na área de comunicação como o Projeto Agora, liderado pela Unica, que oferecia premiações para jornalistas e pesquisadores com trabalhos sobre o setor sucroenergético, além da atuação regional de usinas com distribuição de cartilha e realização de visitas guiadas e a criação recente do Museu da Cana-de-Açúcar, que deve ser inaugurado em dois anos.

“ESTAMOS AQUI BANCANDO OS EDUCADINHOS BEM VESTIDOS, MAS O BANQUEIRO ESTÁ AQUI CONTANDO QUANTO DINHEIRO VAI PERDER PORQUE ELE SABE QUE VAI PERDER”

“Tudo isso existe, há uma massa de conhecimento, de experiências positivas e negativas que permitem que o setor faça, falta é grana. Falta dinheiro e aí temos que falar do setor: o setor está quebrado!”, enfatizou. A Unica prevê que o setor encerre a safra atual com uma dívida de R$ 77 bilhões, valor equivalente a 110% do faturamento no mesmo período.

Com a crise financeira o investimento em comunicação foi um dos primeiros a ser suprimido. O Projeto Agora e boa parte dos trabalhos de divulgação capitaneados pela Unica precisaram ser suspensos este ano. Para cortar gastos e manter associados, a entidade, além de reduzir a contribuição das usinas a um terço do valor original, acabou por cortar todo o departamento de comunicação.

O banqueiro vai perder

Na esteira das declarações sinceras o economista arrancou risos da platéia. “Estamos aqui bancando os educadinhos bem vestidos, mas o banqueiro está aqui contando quanto dinheiro vai perder porque ele sabe que vai perder”, disse Carvalho referindo-se ao diretor do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, também presente no evento.

Já Figliolino, que manteve o tom e se identificou como “a vítima dos calotes”, considerou que o setor tem uma grande dificuldade de divulgar as suas externalidades. O diretor do banco citou a transformações de cidades como Quirinópolis, em Goiás, onde os números de empresas formais foi multiplicado por dez após a instalação de usinas pelos grupo São Martinho e USJ. Para o executivo, o impacto positivo do setor e transformações como essa são pouco conhecidas na sociedade. (Matéria aberta Nova Cana 28/10/2014)

 

Unica quer interlocução direta com a presidente Dilma

A presidente-executiva da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, afirmou hoje que espera ter uma interlocução direta com a presidente Dilma Rousseff, cumprindo o compromisso assumido em seu primeiro pronunciamento após ser reeleita, de que será a Presidente do diálogo, da mudança e que apoiará setores produtivos e em especial a indústria.

Farina enfatizou que o diálogo direto e recorrente é uma demanda antiga do setor sucroenergético que está pronto para iniciá-lo. “Sempre tivemos interlocução com diferentes ministérios, mas o que precisamos é olhar para frente, manter um diálogo direto com a Presidente e saber o que vai mudar em relação à política energética do governo, em particular o etanol e a bioeletricidade.”

A presidente da entidade afirmou ainda que espera que a Presidente da República dê clareza para o setor sucroenergético e reforçou ser de fundamental importância a definição do papel reservado ao etanol e à bioeletricidade na matriz energética brasileira, de forma a propor ações consistentes com essa visão. “A valorização da energia limpa e renovável pode ser obtida pela taxação do combustível e energia fóssil e poluente. A CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina pode assumir esse papel”, concluiu.

Elizabeth Farina acrescentou que acredita que algumas questões relacionadas ao etanol tenham continuidade ainda nestes últimos meses do ano confiando na menção feita pela própria presidente Dilma em seu discurso de que estimulará o diálogo e a parceria com as forças produtivas do país antes mesmo do início de seu próximo governo, em 1º de janeiro 2015.

“É fundamental que o setor conheça qual será a sistemática de formação de preços na matriz de combustíveis em geral e quais regras serão estabelecidas. Essas regras deverão ser consistentes com o objetivo de participação clara do etanol na matriz energética”, disse a executiva acrescentando que o setor reage aos estímulos que recebe.

De acordo com Farina, um dos elementos que tem sido discutido é o reconhecimento das externalidades positivas do etanol. “Os combustíveis fósseis são importantes, mas trazem consequências nefastas como a emissão de gases-estufa e a poluição. Isso não está contabilizado no preço de bomba. Por isso, a CIDE sobre a gasolina precisa ser restabelecida.”

A executiva citou ainda o aumento da mistura do etanol na gasolina e as conversações com a indústria automobilística, que necessita aperfeiçoar os motores flex dos carros, como outras medidas que estão sendo estudadas pelo Governo Federal.

Segundo levantamento realizado pela Universidade de São Paulo, o valor bruto movimentado pela cadeia sucroenergética na safra 2013/2014 superou US$ 100 bilhões, com um PIB do setor sucroenergético de aproximadamente US$ 43 bilhões na última safra. De acordo com a UNICA, a geração de divisas com as exportações de açúcar e de etanol alcançou US$ 14 bilhões em 2013.

Apenas o setor produtivo emprega diretamente mais de 1 milhão de trabalhadores. O número de empregos indiretos é ainda mais expressivo, são mais de 16 mil estabelecimentos vinculados à produção de cana e etanol. Somente no Estado de São Paulo, responsável por cerca de 60% da produção nacional de cana-de-açúcar, dos 645 municípios, mais de 450 cultivam cana. (ÚNICA 28/10/2014)

 

ASSISTA AQUI O VÍDEO COM A SÍNTESE DA 2ª REUNIÃO CANAPLAN

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa: França e Itália anunciaram novas medidas para reduzir ainda mais os déficits públicos, em uma tentativa de obter a aprovação na Comissão Europeia de seus Orçamentos de 2015. O governo italiano se comprometeu com cortes adicionais de 4,5 bilhões de euros no ano que vem, se abstendo de promover cortes de impostos. Já a França anunciou corte adicional de 3,7 bilhões de euros, citando redução dos pagamentos de juros e combate à sonegação fiscal. O órgão executivo da União Europeia tem até quarta-feira para aceitar a previsão do orçamento dos dois países.

2) Japão: O presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, afirmou que a inflação pode atingir a meta de 2% já no ano fiscal de 2015. Segundo Kuroda, a melhora nos níveis de emprego e aumento dos salários podem compensar a desaceleração da demanda interna, causada pelo aumento dos impostos sobre as vendas. Entretanto, o presidente do BoJ reiterou que ainda é cedo para discutir um eventual abandono da política monetária mais flexível.

3) Japão: As vendas no varejo no Japão cresceram 2,7% em setembro na comparação com agosto, bem acima da mediana das expectativas, de alta de 0,9%. Destaque para o elevado ritmo de alta nas vendas dos últimos meses. Em agosto, o indicador apontou crescimento de 1,9%, fazendo com que o terceiro trimestre registrasse alta anualizada das vendas de 14,8%. 

4) Japão: Mais dois escândalos políticos foram divulgados no Japão. O ministro do Meio Ambiente , Yoshio Mochizuki, admitiu que havia  erros no relatório de receitas e gastos do seu gabinete. Separadamente, o Ministro da Agricultura e Pesca, Koya Nishikawa, afirmou que gastou parte do dinheiro público na compra de produtos fabricados por duas empresas que são de propriedade de seu filho.

5) China: Lucro industrial da China avançou 7,9% de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período de 2013, desacelerando em relação à alta de 10% registrada no acumulado de janeiro até agosto deste ano. Na passagem mensal, o lucro subiu 0,4% em setembro, após ter registrado queda de 0,6% no mês anterior.

6) China: O presidente da China, Xi Jinping, afirmou em uma reunião nesta segunda-feira que o governo vai promover mais reformas com o objetivo de expandir a Zona de Livre Comércio de Xangai para outras regiões, ou mesmo para todo o país.

7) Suécia: O Banco Central da Suécia surpreendeu o mercado e decidiu reduzir a taxa básica de juros de 0,25% para zero, em uma tentativa de impulsionar a inflação do país. A última vez que a autoridade monetária do país reduziu os juros foi em julho, também como parte de uma estratégia de estimular os preços, que oscilaram em torno de zero na maior parte do ano, bem abaixo da meta de 2%.

Brasil

1) Governo: Segundo o Valor, o ex-presidente Lula indicou três nomes para ocupar o cargo de ministro da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e Nelson Barbosa, ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda. Entretanto, a presidente não pretende divulgar nomes nos próximos dias, e afirmou que os anúncios serão feitos antes do final do ano, a partir de novembro.

2) Preços: Para melhorar o ânimo do mercado financeiro e atender as necessidades de caixa da Petrobrás, o governo deve anunciar, em breve, o ajuste dos preços dos combustíveis. Segundo o Estado, o reajuste deve ser ao requisitado pela presidente da estatal, Graça Foster. Além disso, a aumento de preços ainda não tem data marcada, mas o tema já está em pauta na reunião do Conselho de Administração da companhia.

3) Atividade: A indústria de construção registrou queda na atividade e no nível de emprego no mês de setembro. A sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta para uma queda no índice de atividade do setor de 43 em agosto para 42,3 no mês passado, menor nível desde 2011. O indicador de mão de obra também recuou, passando de 43,5 pontos para 43,1. Vale destacar que também houve piora com relação às expectativas futuras do setor de construção, com o índice de atividade para os próximos seis meses caindo de 48,4 para 47,3.

4) Mercado: O primeiro pregão após o resultado da eleição presidencial foi marcado por alta volatilidade nos mercados. A Bolsa de Valores fechou o dia com queda de 2,77%, depois de cair mais de 6% pela manhã, puxada pelo recuou das ações de Eletrobrás e Petrobras. O papéis preferenciais da Petrobras registraram queda de 12,33% no pregão de ontem, enquanto as ações da Eletrobrás fecharam o dia com recuo de 11,68%. Já o dólar teve alta de 2,56%, cotado a R$ 2,526, maior patamar desde abril de 2005.

5) Setor Externo: A balança comercial continua se deteriorando. Entre os dias 20 a 26 de outubro, o saldo comercial ficou negativo em US$ 602 milhões, elevando o déficit do mês para US$ 1,186 bilhão. No acumulado do ano, a balança comercial também registra saldo negativo de R$ 1,88 bilhão.  Segundo o Mdic, embora as importações estejam em queda, o desempenho das vendas externas tem sido pior, agravando o saldo comercial.

6) Rating: A agência de classificação de risco Fitch divulgou relatório sobre a perspectiva do rating do país após a reeleição de Dilma Rousseff. A agência afirmou que no curto prazo vai acompanhar o anúncio de novas medidas e a formação da equipe econômica. A Fitch ainda reiterou que a capacidade do governo de melhorar as contas fiscais e promover o crescimento econômico do país é essencial para a sua avaliação do rating soberano. Já a agência S&P, afirmou que o país está enfrentando uma estagflação (diminuição das atividades econômicas); com a população demandando cada vez mais serviços sociais eficientes. A forma com que o governo vai lidar com estas questões direcionará a avaliação de rating da agência.

7) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou alta de 0,37% na terceira quadrissemana de outubro, acelerando ante a segunda leitura do mês, quando o indicador apresentou um avanço de 0,34%. O resultado veio em linha com a expectativa dos economistas.