Macroeconomia e mercado

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Lucro da LDC sobe 0,8% no primeiro semestre, para US$ 260 milhões

Volume de vendas no período foi 6% maior, de acordo com balanço da companhia.

A Louis Dreyfus Commodities (LDC) registrou lucro líquido de US$ 260 milhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 0,8% ante o mesmo período de 2013, informou a companhia nesta segunda-feira. A receita cresceu 15,4% na mesma comparação, para US$ 33,7 bilhões.

Segundo a companhia, o volume de vendas no primeiro semestre foi 6% maior que o do mesmo período do ano passado, refletindo a expansão de sua rede de exportações.

A LDC e outras grandes tradings de commodities estão se beneficiando de um aumento na produção global de grãos, que vem contribuindo para recompor estoques e reduzir os preços. “Os preços e os índices de volatilidade foram afetados por estoques substanciais e o rápido crescimento da oferta”, disse o diretor financeiro e CEO interino da LDC, Claude Ehlinger.

A disparada dos preços de café devido à forte estiagem no Brasil ofereceu aos traders da companhia oportunidades de realização de lucros no País. Além disso, a oferta abundante de milho resultou em melhora das margens da LDC nas operações de etanol. A trading registrou forte lucro nas operações de algodão, devido às exportações norte-americanas firmes em meio aos estoques apertados fora da China.

No caso do açúcar, a trading disse que suas margens foram mais estreitas por conta do excesso de oferta no mercado mundial. A companhia registrou também uma baixa contábil de US$ 25 milhões referente a uma processadora de laranja na Flórida. Segundo a LDC, o volume processado na unidade deverá cair significativamente a partir do próximo ano, devido ao impacto da doença greening nos pomares do Estado.

A LDC informou ainda que a venda de sua operação de óleo de palma na Indonésia terá impacto positivo de US$ 100 milhões nos resultados do segundo semestre.
A LDC pretende dobrar sua receita nos próximos quatro anos e investir US$ 4 bilhões no período. (Jornal Cana 30/10/2014)

 

Faturamento bruto de produção da cana cai 4,8%

Segundo o Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) mostra a evolução do desempenho das lavouras no interior da propriedade.

De 2013 para 2014, o valor bruto de produção (VBP) da cana caiu cerca de 4,8%, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, contabilizados até o mês de setembro.

Os números foram contabilizados ao se considerar que em 2013 o VBP foi de R$ 48.897.452.321 contra a cifra R$ 46.551.896.788 de 2014. A diferença em reais ficou em torno de R$ 2,34 bilhões, até o mês passado. Somente na região Sudeste, maior contribuidora do VBP, o índice passou de R$ 32.131.930.307 (2013) para R$ 30.264.892.203, em 2014.

O melhor desempenho do VBP no país foi verificado no ano de 2012, quando o valor atingiu R$ 49.837.346.514.

Segundo o Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento.

Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária, e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil, o valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), revela o Mapa. (Mapa 30/10/2014)

 

Síntese de mercado e notícias: Mundo e Brasil – Base-30-out-14

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Estados Unidos: Em decisão já esperada pelo mercado, o Federal Reserve anunciou ontem o fim do seu programa de compra de títulos, iniciado em setembro de 2012. No comunicado divulgado depois da reunião, o banco central americano se mostrou mais confiante com relação à perspectiva do mercado de trabalho, destacando que a subutilização dos recursos de trabalho está gradualmente diminuindo, uma mudança importante em relação aos comunicados anteriores, quando o Fed descrevia esta ociosidade como significativa. Apesar de manter sua linguagem básica em relação à taxa de juros, o tom mais otimista do comunicado sinalizou que o banco central está no caminho para levar os juros já em meados do próximo ano.

2) Europa: A taxa de desemprego da Alemanha ficou em 6,7% em outubro, mesmo patamar de setembro e em linha com a previsão dos economistas. De acordo com o Escritório de Trabalho alemão, o número de desempregados caiu 22 mil neste mês, ante alta de 9 mil em setembro. Esse resultado sinaliza que a força do mercado de trabalho alemão continua, o que diminui a probabilidade de implementação de qualquer medida de estímulo no curto prazo ou iniciativa de investimento por parte do governo.

3) Europa: O PIB da Espanha cresceu 0,5% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores, segundo estimativa preliminar. Na comparação anual, a economia espanhola registrou expansão de 1,6% entre julho e setembro.

4) China: A China registrou superávit em transações correntes de US$ 81,5 bilhões no terceiro trimestre, acima do resultado registrado no segundo trimestre, de US$ 73,4 bilhões. Destaque negativo para a conta capital e financeira, que teve déficit de US$ 81,6 bilhões nos três meses encerrados em setembro, indicando uma forte fuga de capital por parte dos fundos de investimento. Entre abril e junho, o saldo negativo desta conta foi de US$ 16 bilhões. Vale ainda destacar que, o superávit da conta de transações correntes foi ajudado pelo bom desempenho da balança comercial nos últimos meses. Entretanto, especialistas alertaram para a superestimação dos cálculos de exportação, que diferem muito dos registrados pelas contrapartes.

Brasil

1) Política Monetária: Em decisão surpreendente, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por 5 votos a 3, elevar a taxa básica de juros da economia (Selic) para 11,25% ao ano. Desde abril, a Selic estava estagnada em 11% ao ano. No comunicado após a decisão, o comitê reforçou que a intensificação dos ajustes de preços relativos, referindo-se à taxa de câmbio e administrados, tem resultado em riscos desfavoráveis para a taxa de inflação. Sendo assim, o Banco Central considerou oportuno ajustar as condições de política monetária para garantir um cenário mais favorável aos preços em 2015 e 2016.

2) Fiscal: Para retomar a confiança do mercado na política econômica, o governo deve anunciar na próxima semana um plano de recuperação fiscal, que prevê a contenção de gastos e o aumento das receitas, para que a meta de superávit primário para 2015, de 2% a 2,5% do PIB, seja cumprida. Segundo o Estado, o governo planeja diminuir os investimentos públicos através do aumento das concessões. Do lado das receitas, a ideia é recompor alguns tributos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que não deve ter seu desconto renovado no próximo ano, assim como a indústria automobilística já vem requisitando.

3) Atividade: O Senado aprovou ontem a Medida Provisória 651, que torna permanente a desoneração da folha de pagamento para 60 setores da economia. Além disso, a medida ainda amplia o programa que devolve ao exportador na forma de crédito parte do PIS/Pasep e da Cofins, o Reintegra,  e estende o prazo para a adesão das empresas no programa de renegociação de dívidas, o Refis.

4) Preços: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 0,28% em outubro, ante 0,20% em setembro, acima da mediana das expectativas, de alta de 0,20%. Destaque para a aceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) que subiu de 0,13% para 0,23%, impulsionado pela alta dos alimentos in natura. Com esse resultado, a variação acumulada do indicador no ano é de 2,05%, e de 2,96% nos 12 meses até outubro.

5) Fiscal: Mesmo decepcionando, as receitas com o Refis garantiram o crescimento real da arrecadação em setembro e no acumulado do ano. No mês passado, o recolhimento de tributos federais somou R$ 90,722 bilhões, alta real de 0,92%, com o Refis atingindo R$ 1,637 bilhão, abaixo da expectativa de arrecadação com o programa de R$ 2,2 bilhões. No acumulado do ano, a receita total atingiu R$ 862,51 bilhões, aumento real de 0,67% ante 2013. O Refis já contribui com R$ 8,767 bilhões na arrecadação de 2014.