Macroeconomia e mercado

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Raízen capta R$ 675 milhões com títulos na BM&FBovespa

O diretor financeiro da Raízen, Rafael Bergman, afirmou que a captação de R$ 675 milhões feita em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) será destinada aos programas de investimentos no setor sucroenergético e ainda para a gestão de caixa da companhia, joint venture entre a Cosan e Shell. "A Raízen tem programa de investimentos de R$ 2 bilhões só no setor sucroenergético, dívidas ao longo do tempo e ainda outras obrigações. Fazemos gestões de caixa com captações (como essa) para cobrir essas operações", disse o executivo à Agência Estado.

Bergman evitou comentar sobre operações futuras da Raízen; por conta do período de silêncio a que a companhia está submetida, mas admitiu avaliar oportunidades por meio desse tipo captação no futuro. Para ele, diante da satisfação com a operação recém-concluída, a Raízen "em algum momento" considerará uma futura captação por meio de CRAs. A maior emissão de CRAs já feita desde que o instrumento de financiamento do agronegócio começou a ser utilizado superou em R$ 175 milhões o total de R$ 500 milhões previsto na oferta inicial.

A emissão com rating local AAA foi coordenada por Itaú BBA, Citibank e J.P. Morgan e a securitizadora da operação foi a Gaia Agro. Os CRAs com repagamento em cinco anos terão remuneração pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e os de sete anos serão remunerados pela inflação, ambos com pagamentos de juros. Pelo volume recorde e pela participação de cerca de 2 mil pessoas físicas na operação, Bergman considerou a emissão em CRAs como histórica. "As pessoas físicas têm um atrativo de ter isenção fiscal nas operações com CRAs e nos leilões (dos certificados) se interessaram muito por conta da taxa mais baixa", concluiu. (Agência Estado 31/10/2014)

 

Praga ameaça os canaviais de SP e eleva os custos com agrotóxicos

Os agricultores de São Paulo estão preocupados com o avanço do bicudo da cana. A praga se espalha pelas lavouras da região e para controlar a infestação, o custo tem sido alto.

A preparação para a próxima safra de cana já começou em uma fazenda com 500 hectares em Restinga, no nordeste de São Paulo. A aplicação de agrotóxicos é direcionada para a linha da plantação e não combate apenas a cigarrinha e a broca. O veneno é para controlar mais uma ameaça nos canaviais paulistas: o bicudo da cana. Ele é parecido com o besouro que ataca as plantações de algodão, mas com o dobro de tamanho.

É debaixo da terra, na parte da raiz, que a larva se esconde e se multiplica rapidamente. A fêmea coloca de 40 a 70 ovos. A praga fica até o início da fase adulta, faz buracos e causa a morte da planta.

A broca surgiu depois que a colheita passou a ser mecanizável e já se espalhou por 40 municípios. A Associação dos Produtores de Cana calcula que 60% dos canaviais da região sofrem com a infestação do bicudo.

Marcelo Ravagnane diz que para controlar a proliferação, o custo do veneno tem significado mais da metade do gasto com o cultivo. Ele colheu 87 toneladas de cana por hectare na última safra e não está otimista para a nova produção. "A gente ainda está esperando uma solução definitiva sobre o método mais eficaz de controle”, diz.

As perdas podem chegar a 30 toneladas por hectare. Dependendo do tamanho da infestação, a recomendação é que as plantas sejam cortadas logo após a segunda colheita, com isso, o agricultor tem que renovar o canavial antes do prazo previsto, que é de cinco anos. (Globo Rural 31/10/2014)

 

‘Nunca o Brasil precisou tanto de etanol e bioeletricidade’, afirma diretor do Itaú BBA

O setor sucroenergético brasileiro é, atualmente, a cadeia do agronegócio mais envolta em problemas e que atravessa, neste momento, o ponto mais agudo de uma longa crise. Paradoxalmente, “nunca o Brasil precisou tanto de etanol e bioeletricidade como agora, o que nos faz ter certeza que só estamos neste buraco por causa da nossa total incompetência”. A afirmação é do diretor comercial de açúcar e etanol do Itaú BBA, Alexandre Figliolino.

Ele alerta para o fato de que, se persistir este cenário; “haverá uma destruição importante do parque produtivo de toda a cadeia, com um desperdício enorme de todo investimento feito até agora, além do desaparecimento de uma indústria de bens de capital voltada para o setor, que era reconhecida globalmente como referência, em um ponto tal que pode comprometer sobremaneira um previsível movimento de retomada”.

Para Figliolino, “este movimento de retomada aconteceria em breve se houvesse um mínimo de inteligência das políticas públicas. O setor tem procurado cumprir sua parte investindo fortemente na questão da redução dos custos e aumento de eficiência. São Pedro não tem feito a parte dele, já que castiga de forma impiedosa com ausência de chuvas importantes Estados produtores”.

Quanto ao governo, finaliza “torçamos para que o perde-perde em relação ao etanol e bioeletricidade, que hoje prevalece, seja substituído pelo “ganha-ganha” que propicie a retomada dos investimentos, senão a oferta futura estará comprometida de forma quase que irreversível”.

Na opinião do diretor, é necessário ter um equilíbrio macroeconômico que propicie as bases sustentáveis para um crescimento de longo prazo, como a primeira prioridade para o setor. Ele ainda enumera outras duas: o arcabouço regulatório que destrave os investimentos em infraestrutura e dê segurança jurídica aos capitais que pretendam investir no setor sucroenergético; e o início da construção de uma política agrícola equivalente ao que há de melhor no mundo.

De acordo com Figliolino, esta construção é demorada, pois está relacionada a negociações com diversas outras áreas de governo.

“Envolverá discussão de formas mais modernas de financiamento das atividades dos diversos elos das cadeias agrícolas; mecanismos de proteção da renda do agricultor por meio, principalmente, de um programa de seguros agrícolas mais abrangentes; maior inteligência na aplicação da carga fiscal com alíquotas menores e diminuição da informalidade e que leve ao aumento do nível de transparência das informações do setor com seus stakeholders, provavelmente com a pejoração de uma parte importante dos produtores”, acentua.

Segundo o diretor do Itaú BBA, o País atravessa uma fase marcada por inflação e pequeno crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), “para que possamos retomar o caminho do crescimento sustentável, fortes ajustes e correção de rumos têm de ser feitos”.

Com relação à taxa de câmbio, segundo ele, “claramente o preço hoje está errado, o que é facilmente constatado ao olharmos para nosso déficit em conta corrente já apontando para casa dos U$ 80bi, patamar insustentável no médio e longo prazo. Claramente temos problemas fortes de competitividade em vários setores da nossa economia e, sem dúvida, o câmbio errado, mantido artificialmente por fortes leilões diários de swap do BC, terá que sofrer ajustes”.

BALANÇA COMERCIAL

Ele ainda ressalta “que existe uma forte mudança de preços relativos à nossa balança comercial, ou seja, importantes itens de exportação brasileira como soja, minério de ferro, açúcar e outras comoddities têm sofrido queda de preços, o que também deve induzir a mudança de patamar”.

Figliolino chama a atenção para a questão dos fluxos financeiros e de investimento que, em sua opinião, também pode ser fonte de pressão na desvalorização do real na medida em que o Brasil sofra abalos na sua credibilidade junto aos mercados.

“Por isso, com certeza, se uma prioridade que deverá ser levada em conta logo no início do segundo mandato da presidente é um compromisso sério, irrevogável e irretratável com uma política fiscal responsável, com superávit fiscal primário em nível suficiente para que a dívida interna não tenha um crescimento explosivo”, destaca o diretor do Itau BBA.

Figliolino ainda acrescenta: “Estamos com taxas de juros elevadas, muito mais altas do que gostaríamos, mas infelizmente é a taxa necessária hoje para manutenção da inflação dentro de certos níveis. Esperamos que, em um futuro não muito distante, outras variáveis macroeconômicas abram espaço para uma redução da taxa. Dependendo da forma como os futuros ajustes forem implementados podemos ter momentaneamente taxas de juros ainda mais elevadas em relação a que temos hoje”. (SNA 31/10/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do Japão desacelerou para 1% em setembro na comparação com o mesmo período de 2013, ante alta de 1,1% em agosto. Apesar do resultado vir em linha com a projeção dos economistas, no mercado, já há a expectativa de que, em outubro, o índice reduza ainda mais seu ritmo de expansão, para 0,8%.

2) Japão: Em decisão surpreendente, o Banco do Japão (BoJ) anunciou novas medidas de estímulos à economia. Por cinco votos a quatro, a autoridade monetária decidiu aumentar seu volume anual de compras de ativos, para 80 trilhões de ienes, acima dos 60 trilhões de ienes anteriores. Além disso, a base monetária será ampliada, para 80 trilhões de ienes, com projeção de chegar ao patamar de 275 trilhões de ienes no fim do ano. Após o anúncio, o BoJ ainda divulgou a quarta redução consecutiva da sua previsão do PIB do país em 2014, para 0,5%, ante 1% na estimativa anterior.

3) Europa: A taxa de desemprego da zona do euro ficou inalterada em 11,5% em setembro, na comparação com agosto, em linha com a expectativa dos economistas. De acordo com a Eurostat, no mês passado, um total de 19 mil pessoas encontrou emprego, bem abaixo das 137 mil que haviam sido contratadas em agosto. Vale lembrar que, 18,35 milhões de pessoas continuam desempregados na região.

4) Europa: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) preliminar da zona do euro subiu 0,4% em outubro na comparação anual, ante avanço de 0,3% em setembro, em linha com as expectativas dos economistas. Já o núcleo do CPI, teve aumento de 0,7% em outubro, após subir 0,8% em setembro.

5) Estados Unidos: De acordo com estimativa preliminar do Departamento do Comércio, o PIB dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 3,5% no terceiro trimestre, acima da expectativa dos economistas, que esperavam uma alta de 3%. Impulsionaram a economia, o aumento das exportações líquidas, os gastos do governo, principalmente os relativos à defesa, e os gastos dos consumidores. Por outro lado, a queda dos estoques privados subtraiu 0,57 ponto percentual do resultado do PIB. No segundo trimestre, os estoques haviam apresentado forte alta.

6) Rússia: O Banco Central da Rússia elevou suas principais taxas de juros, destacando o aprofundamento dos custos econômicos diante das sanções contra o país e da queda dos preços do petróleo. A taxa básica de juros foi elevada para 9,5% de 8%, a taxa de depósito subiu para 8,5% de 7% e a taxa de recompra passou para 10,5% de 9%. Em reposta inicial a medida, o rublo se fortaleceu contra o dólar, mas logo voltou a cair.

Brasil

1) Governo: Segundo o Valor, o governador da Bahia, Jaques Wagner, é o nome preferido do PT para assumir a presidência da Petrobras. Graça Foster, a atual presidente da estatal, deve ser deslocada para o Ministério de Minas e Energia. Wagner, que é muito próximo da presidente Dilma Rousseff, também é lembrado para a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.

2) Mercado: Apesar de reconhecer que muito coisa ainda deve ser feita, principalmente na área fiscal, a decisão do Banco Central de aumentar a taxa Selic foi vista como um primeiro passo para o governo recuperar a credibilidade, animando o mercado financeiro. Ontem, a Bolsa de Valores, que também foi ajudada pelo bom humor do mercado americano, subiu 2,52%, aos 52.336,83 pontos. Destaque para as ações da Petrobrás que valorizaram com a expectativa de anúncio, ainda hoje, de reajuste dos preços dos combustíveis. Já o dólar à vista negociado no balcão recuou 2,11% aos R$ 2,4130, tendo acumulado três sessões de baixa seguidas.

3) Ministério: A pedido do Ministério da Fazenda, o Congresso Nacional vai incluir uma emenda na MP 656 autorizando o aporte de R$ 20 bilhões do Tesouro Nacional ao BNDES. Segundo o Estado de São Paulo, se aprovada a emeda, o BNDES pode receber uma parcela desse empréstimo ainda esse ano.

4) Crédito: Segundo relatório do Banco Central, as concessões de empréstimos em setembro cresceram 7,4%, e os níveis de inadimplência ficaram estáveis em 5%. Entretanto, esse cenário pode ser alterado com a volta do ciclo de aperto monetário. Em setembro, o juro médio cobrado no mercado chegou a 31,9% ao ano, sendo que para pessoas físicas, ficou em 42,8% ao ano.

5) Fiscal: O secretario da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, desautorizou afirmações feitas por seu secretario adjunto, Luiz Fernando Nunes, sobre a previsão de crescimento da arrecadação federal abaixo de 1% em 2014. Segundo Barreto, ainda não se pode antecipar esses números, e as arrecadações do Refis ainda podem ajudar no resultado deste ano.

6) Vale: Com a forte queda do preço do minério de ferro e o fortalecimento do dólar, a Vale divulgou prejuízo de R$ 3,381 bilhões no terceiro trimestre, revertendo o lucro de R$ 7,949 bilhões no mesmo período de 2013. Apesar de registrar recorde na produção de julho a setembro, a companhia não conseguiu vender todo o volume que saiu das minas por um problema logístico e por razões de estratégia comercial.