Macroeconomia e mercado

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Petrobras discute corrupção e adia decisão da gasolina

Encontro será retomado na próxima terça-feira, quando deve ser decidido se os preços da gasolina e do óleo diesel vão subir.

As denúncias de corrupção na Petrobrás e a pressão por um aprofundamento nas investigações internas causaram ontem (sexta-feira, 31) a interrupção da reunião ordinária do Conselho de Administração da estatal. O encontro será retomado na próxima terça-feira, quando, finalmente, deve ser decidido se os preços da gasolina e do óleo diesel vão subir.

O tema estava na pauta da reunião do conselho, que tem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como presidente. Mas nada foi dito sobre aumentos. A discussão no colegiado se limitou à pressão feita pela PriceWaterhouseCoopers (PwC) para ampliar as investigações internas sobre denúncias que vieram à tona com a Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF).

A indefinição sobre as auditorias expôs o clima de paralisia na petroleira, pressionada por uma situação financeira delicada e pelos escândalos que vieram a público com a investigação da PF. Auditora independente dos resultados financeiros da Petrobrás desde 2012, a empresa exigiu da estatal maior esforço para esclarecer as denúncias. Como ultimato, a PwC se recusou a aprovar as contas da estatal do terceiro trimestre deste ano, e ainda ameaçou levar o caso aos órgãos reguladores e à Justiça dos Estados Unidos.

Procurada, a PwC disse não comentar situação de seus clientes. Entre os conselheiros, imperou o silêncio após a reunião. A ordem é não comentar qualquer tópico discutido durante as seis horas em que estiveram reunidos nos escritórios da companhia, no Rio e em Brasília.

Como resposta à pressão da auditora externa, a Petrobrás anunciou na segunda-feira a contratação de dois escritórios de advocacia para apurar “natureza, extensão e impacto” das denúncias feitas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa na investigação da Lava Jato. No dia seguinte, a estatal entrou na Justiça com pedido para mais esclarecimentos de Costa, apresentando uma relação de questionamentos formulados pela auditoria interna da estatal.

Balanço. As medidas não foram suficientes para a PwC rever sua posição, e a análise dos dados financeiros foi adiada. Até o momento, não há previsão para que o balanço da estatal seja avaliado pelo conselho, como prevê o regimento interno. O prazo legal para apresentação pública dos resultados é 14 de novembro. Antes, na próxima terça-feira, uma reunião extraordinária do conselho deve selar uma decisão sobre o reajuste do preço dos combustíveis.

Ontem, a expectativa de confirmação do aumento levou as ações da companhia subirem mais de 6% na BMF&Bovespa, após o término do encontro. Apesar de auxiliar as contas da estatal, o reajuste logo depois das eleições é visto por analistas de mercado como sinal de ingerência política no comando da empresa.

O tema envolvendo os questionamentos feitos pela PwC era o primeiro item da reunião, que foi suspensa antes que se chegasse a uma conclusão. A pauta do encontro também previa uma análise sobre o andamento das auditorias internas da Petrobrás sobre a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). As três auditorias foram criadas há sete meses sem nunca ter apresentado qualquer conclusão.

Desde maio a estatal enfrenta desgastes em função dessas auditorias. O presidente do Conselho de Administração, o ministro da Fazenda Guido Mantega, decidiu destituir conselheiros independentes do Comitê de Auditoria, órgão auxiliar responsável por coordenar as apurações internas.

Os cargos foram ocupados por dois conselheiros ligados ao governo, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. A saída do conselheiro gerou reclamações e processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), questionando a ingerência política sobre as investigações. As ações foram arquivadas. (O Estado de São Paulo 03/11/2014)

 

Produção da principal região de açúcar da China deve cair 16% em 2014/15

A produção de açúcar em Guangxi, principal região de cultivo de cana na China, deverá cair 16 por cento para 7,2 milhões de toneladas no ano comercial 2014/15, disse uma associação do setor, em uma projeção bem menor que a de muitos analistas.

A forte queda na região autônoma no sul da China ocorre em um momento em que o governo planeja uma nova redução nos preços que as usinas precisam pagar pela cana, um movimento que deverá levar agricultores a plantar menos no próximo ano, reduzindo ainda mais a produção no segundo maior consumidor mundial do adoçante.

O declínio na produção doméstica pode estimular ainda mais as importações, que já estão em ascensão, com refinarias modernas comprando açúcar bruto no exterior.

Os produtores de Guangxi respondem por dois terços da cana produzida na China. No ano passado, muitos migraram para produtos como amora, milho e eucalipto, depois que o governo reduziu os preços oficias da cana, disse o presidente da Associação de Açúcar de Guangxi, Nong Guang em um relatório publicado no fim de semana.

A área plantada com cana caiu 15,6 por cento, para 900 mil hectares, disse Nong. A estimativa ficou abaixo da projeção da consultoria Kingsman, de 963 mil hectares.

A Green Pool Commodities havia estimado produção de 7,7 milhões de toneladas em Guangxi.

A Associação de Açúcar da China estimou que o país deverá produzir 12 milhões de toneladas nesta temporada, queda de 10 por cento ante os 13,3 milhões de toneladas de 2013/14. (Reuters 03/11/2014)

 

Meteorologia prevê 2 semanas de chuvas em áreas de café, cana e soja no Brasil

Chuvas isoladas que caíram sobre a região agrícola do centro-sul do Brasil no fim de semana marcaram o início de um período de duas semanas de boa umidade para importantes áreas de café, cana-de-açúcar e soja, disse a Somar Meteorologia nesta segunda-feira.

Dados publicados pela Somar mostraram que pelo menos 170 milímetros de chuvas poderão cair nas próximas duas semanas em regiões de plantio de café de Minas Gerais.

Os mercados futuros destas commodities têm reagido às previsões e aos relatos de chuvas sobre as regiões de cana e de café do Brasil, que sofreram com longos períodos de seca em 2014, com fortes danos à produção do país. (Reuters 03/11/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: O PMI industrial da China, medido pelo HSBC, subiu para 50,4 em outubro, de 50,2 em setembro, em linha com a leitura preliminar. Por outro lado, o PMI industrial oficial caiu para 50,8 no mês passado, o nível mais baixo em cinco meses.

2) China: O PMI de serviços da China recuou para 53,8 em outubro, de 54 em setembro, de acordo com os dados da Federação de Logística e Compras do país.

3) Europa: O PMI industrial da zona do euro subiu para 50,6 em outubro de 50,3 em setembro, ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, que era de avanço para 50,7. Os dados da Alemanha voltaram a decepciona. Apesar da alta do indicador alemão para 51,4 no mês passado, ante 49,9 em setembro, o resultado veio abaixo da previsão dos economistas, de alta para 51,8. Já o setor industrial da França, embora tenha recuado, registrou queda menor do que a esperada.

4) Reino Unido: O PMI industrial do Reino Unido subiu para 53,2 em outubro de 51,5 em setembro, bem acima da previsão dos analistas, de ligeira queda para 51,4.

5) Rússia: A Rússia reconheceu oficialmente as eleições organizadas por separatistas na Ucrânia, abrindo espaço para novas tensões políticas com os países ocidentais. Nesta segunda-feira, o Ministério de Relações Exteriores russo afirmou que as votações em Donetsk e Luhansk dão aos representantes eleitos a autoridade de manter a estabilidade em áreas afetadas pela insurgência separatista. Segundo resultados preliminares, em Donestk o líder rebelde deve vencer com boa margem de votos.

Brasil

1) Setor Externo: A União Europeia denunciou formalmente o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) pela concessão de subsídios que considera ilegais para vários setores da economia. Entre as principais contestações está o Inovar-Auto, com validade até 2017, que oferece redução do IPI para montadoras com planos de investimento no Brasil. Segundo o Valor, a diplomacia sabe da dificuldade de sustentação do programa na OMC, mas acredita em um desfecho favorável para o caso. Vale destacar que, a União Europeia desistiu de contestar as vantagens fiscais concedidas pelo governo brasileiro às empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, ponto que poderia deteriorar as relações entre as duas partes.

2) Petrobras: A reunião do conselho de administração da Petrobras, realizada na última sexta-feira, foi interrompida e adiada para amanhã pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A notícia surpreendeu o mercado, que estava esperando o anúncio do reajuste nos preços dos combustíveis, e as razões para o adiamento ainda não foram esclarecidas. Segundo o Valor, problemas relacionados à auditoria da PwC travaram reunião. Vale lembrar que a divulgação do balanço da estatal estava marcada para o ultimo dia útil de outubro, mas foi postergada para até dia 14 de novembro.

3) Focus: Mesmo após o resultado das eleições e a alta da taxa Selic, o mercado não fez muitas alterações nas previsões dos indicadores econômicos. Segundo o Boletim Focus, a mediana das projeções para o IPCA de 2014 ficou inalterada em 6,45%. Já para o próximo ano, houve uma ligeira elevação do IPCA de 6,30% para 6,32%. Com relação ao PIB, para 2014 a mediana das estimativas caiu de 0,27% para 0,24%, e em 2015 se manteve em 1%.

4) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) recuou para 0,43% em outubro, ante 0,49% em setembro, abaixo da mediana das previsões, de 0,45%. Vale destacar que o grupo alimentação foi o que mais contribui para a desaceleração do indicador, além do item passagens aéreas. Com esse resultado, o IPC-S acumula altas de 5,38% no ano e de 6,84% nos últimos 12 meses.

5) Governo: O atual secretario do Tesouro Nacional, Arno Augustin, deve assumir no próximo ano, o cargo de assessor especial da Presidência. Segundo a Folha, se confirmada a mudança de cargo, Arno aumentará sua influência no Planalto, o que preocupa até os próprios integrantes do governo, já que ele é apontado como um dos principais responsáveis pela recente deterioração das contas fiscais.

6) Fiscal: Com o fraco desempenho da arrecadação, o governo enfrentará dificuldades para atender à grande maioria dos pedidos do setor produtivo. Segundo o secretário da Receita Federal, Carlos Aberto Barreto, inúmeras sugestões das empresas reduzem a arrecadação e, por isso, terão de ser estudadas antes de sua implementação. A reforma do PIS/confins e o programa de renovação de máquina, são exemplos de medidas que terão de ser avaliadas melhor.