Macroeconomia e mercado

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Rubens Ometto traça cenário ‘tenebroso’ para setor sucroenergético

Instado por seus sócios da Shell a analisar o impacto da reeleição de Dilma Rousseff, Rubens Ometto teria traçado um cenário tenebroso para a indústria sucroalcooleira.

A ponto de os anglo-holandeses se perguntarem por que a Raízen ainda investe no setor. (Jornal Relatório Reservado 04/11/2014)

 

As 9 metas não alcançadas da Odebrecht Agro

Das dez metas estabelecidas pela empresa, apenas uma foi alcançada. Veja onde a Odebrecht teve problemas.

A Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro), braço sucroalcooleiro da Organizações Odebrecht, está passando pelo pior período de sua história. Com uma dívida bilionária crescente, a empresa chegou até a cogitar o fechamento de algumas unidades.

O resultado da última safra colocou a empresa numa situação delicada. Das dez metas estabelecidas, apenas uma foi alcançada. Para a safra atual quase todas as metas de produção e investimentos foram reduzidos (veja infográfico abaixo).

Os resultados que intensificaram a crise da ODB Agro e como isso afetou o planejamento da empresa para os próximos três anos foram constam no relatório anual da safra 2013/14, divulgado na semana passada.

Metas não alcançadas

O documento revela que a crise foi pior do que a companhia esperava. Os investimentos não chegaram ao teto estabelecido pela empresa, a área plantada diminuiu, houve redução no quadro de funcionários, ante uma expectativa de geração de mil novos empregos, e os volumes de cana processada e produção de etanol e açúcar também caíram.

Outros indicadores, como a taxa de frequência de acidente e a rotatividade de pessoas, evidenciam como a crise deteriorou uma das maiores empresas do setor.

Entre as metas de produção de etanol, o total de 1,8 bilhão de litros que a empresa esperava para 2013/14, sendo 1,4 bilhão de litros de hidratado e 0,4 bilhão de anidro, acabou ficando 16,6% menor. No total, foram fabricados apenas 1,5 bilhão de litros, sendo 1,1 bilhão de hidratado e 0,43 bilhão de anidro.

A produção de açúcar e a geração de energia elétrica também ficaram abaixo das metas, e os custos fixos variáveis agrícolas chegaram a R$ 2 bilhões, ante uma expectativa de R$ 1,9 bilhão.

Perspectiva de “melhora” em 2014/15

Embora o mercado, em geral, esteja pessimista quanto ao desempenho das usinas na atual safra – a Canaplan chegou a classificar o ciclo atual como “trágico” – a Odebrecht espera alcançar melhores resultados no período.

A perspectiva de “melhora” é evidenciada pela expectativa de volumes de produção maiores para o etanol, o açúcar VHP, a cogeração e cana processada tanto na safra atual quanto na 2015/16. Se alcançados, os novos valores deverão ficar acima das metas estabelecidas para 2013/14.

A Odebrecht espera moer 26,8 milhões de toneladas de cana, 19% a mais que na safra anterior; fabricar 1,9 bilhão de litros de etanol, sendo 1,1 bilhão de hidratado e 0,8 bilhão de anidro, 658 mil toneladas de açúcar VHP e 2,7 mil GWh de energia elétrica.

Embora tenha estabelecido metas comedidas para a atual safra, a Odebrecht acabou reduzindo suas expectativas em outras áreas.

Os investimentos agroindustriais, por exemplo, foram reduzidos de R$ 1,3 para R$ 0,8 bilhão, assim como as áreas de cana plantada, que caíram de 109,2 mil hectares na safra 2013/14 para 74 mil hectares no atual ciclo.

Na área de recursos humanos, a empresa pretende estabilizar o número de funcionários, reduzir a rotatividade de pessoas para 15% e diminuir a taxa de frequência de acidentes, que na última safra foi maior que a esperada.

Aposta no anidro

No relatório, a Odebrecht também propõe metas para os próximos três a cinco anos.

Com uma leve melhora em quase todos os índices, a gigante do setor praticamente dobrou suas apostas no etanol anidro, produto que é considerado pela empresa como o de melhor remuneração entre os derivados de cana-de-açúcar.

A empresa espera dobrar o volume de produção do produto de 0,43 bilhão para 0,9 bilhão na safra 2016/2017.

Enquanto que em 2013/14 o anidro correspondeu a apenas 28,6% da produção total de etanol, em 2016/17 o combustível adicionado à gasolina responderá por 42,8% da sua produção total.

Ainda para este período, a moagem de cana deverá alcançar 29,5 milhões de toneladas. Já a produção total de etanol está prevista em 2,1 bilhões de litros. Deste total, 1,2 bilhão é de etanol hidratado e 0,9 bilhão de anidro.

A expectativa da empresa quanto à produção de açúcar VHP para a safra 2016/17 é de 700 mil toneladas, enquanto que a cogeração deverá atingir 3,2 mil GWh. (Matéria aberta da Nova Cana)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Estados Unidos: Com a baixa aprovação do presidente Barack Obama, o Partido Republicano é tido como favorito para manter o controle da Câmara de Deputados, nas eleições legislativas de hoje nos Estados Unidos. A perspectiva é de que a oposição republicana também ganhe a maioria no Senado, embora nesse caso a disputa deva ser mais apertada. Em Lousiana e na Geórgia há a possibilidade de segundo turno entre os senadores, levando a definição do partido que terá maioria no Senado para o dia 6 de janeiro.

2) Japão: O PMI industrial do Japão subiu para 52,4 em outubro, de 51,7 em setembro, atingindo o nível mais alto desde março deste ano. O resultado foi impulsionado por uma aceleração na demanda e aumento no emprego. Além disso, o iene mais fraco frente ao dólar tem impulsionado as exportações do país.

3) Austrália: O Banco de Reserva da Austrália (RBA) optou pela manutenção da taxa de juros em 2,5% ao ano. Em comunicado após a decisão, a autoridade monetária afirmou, mais uma vez, que a alta do dólar australiano é um dos principais entraves para o crescimento do país e que, no atual cenário, a taxa deve permanecer inalterada.

4) Europa: O Índice de Preços ao Produtor (PPI) da zona do euro subiu 0,2% em setembro ante agosto, mas recuou 1,4% em relação a igual mês de 2013. Os resultados vieram ligeiramente melhores que as expectativas, de estabilidade na comparação mensal, e queda de 1,5% no ano. A surpresa positiva do mês foi a alta de 1,0% nos preços da energia. No entanto, dada a recente queda nos preços do petróleo e do gás natural nos mercados mundiais, esta recuperação não deve ser sustentada.

5) Europa: A Comissão Europeia reduziu suas projeções de crescimento para a zona do euro, citando as tensões na Ucrânia e no Oriente Médio e a escassez de investimentos. Para a comissão, o PIB da região deve cresce 0,8% este ano, ante previsão anterior de alta de 1,2%. Para 2015, a expectativa é de crescimento de 1,1%, também menor que o aumento de 1,7% estimado anteriormente. Vale ressaltar que a revisão para baixo da atividade reflete o crescimento mais fraco que o esperado em grandes países da área, como Alemanha, França e Itália.

Brasil

1) Atividade: Em  meio a desaceleração econômica e a redução dos gastos dos brasileiros, os grandes fabricantes de produtos de consumo têm registrado queda nas vendas ou taxas modestas de crescimento. Assim, para manter as margens de lucro, estas empresas têm aumentado o preço de seus produtos. Segundo o Valor, o setor de bebidas este ano aplicou um reajuste médio de 7,04%, o maior em quatro anos. No entanto, as vendas de refrigerante da Ambev e Coca-Cola recuaram 0,6% e 1,0%, respectivamente.

2) Setor externo: No mês de outubro, a balança comercial ficou deficitária em US$ 1,17 bilhão, pior resultado para o mês dos últimos 16 anos. Com isso, no acumulado do ano, a balança atingiu o saldo negativo de US$ 1,87 bilhão. A queda do preço das commodities, as incertezas com relação à recuperação da economia americana e o ambiente interno menos favorável ao investimento, foram os principais fatores que contribuíram para o desempenho mais fraco das exportações. Ontem, pela primeira vez, o governo admitiu a possibilidade de fechar o ano com déficit comercial.

3) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou alta de 0,37% em outubro, ante avanço de 0,21% em setembro, abaixo da mediana das expectativas, de 0,40%. No mês passado, as medições para Alimentação, Vestuário e Educação ganharam força.

4) Atividade: Segundo o IBGE, a produção industrial do mês de setembro recuou 0,2% ante agosto, bem abaixo da mediana das expectativas, de alta de 0,2%. Em relação a setembro de 2013, a produção caiu 2,1%, também abaixo da previsão dos analistas, de queda de 1,60%.

5) Atividade: Em outubro, foram licenciados 306,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, alta de 3,5% em relação a setembro, mas 7% inferior ao resultado do mesmo período de 2013. Com a suspensão das atividades dos Detrans, por causa do feriado do servidor púbico, os licenciamentos do último dia útil do mês despencaram, frustrando as expectativas de fabricantes de um mês recorde no ano. Apesar da melhora dos últimos dois meses, no acumulado do ano, as vendas de veículos caíram 8,9%.