Macroeconomia e mercado

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Títulos do agronegócio da Raízen atraem pessoa física

Produtora de açúcar e etanol soube capitalizar o suporte que tem de seus proprietários para atrair investidores individuais.

A primeira venda de certificados de dívida garantidos por ativos da história da Raízen Energia mostrou que a produtora de açúcar e etanol soube capitalizar o suporte que tem de seus proprietários para atrair investidores individuais a financiar um setor que está em apuros.

A companhia, um joint-venture da Royal Dutch Shell e da Cosan, vendeu a mais de 2.000 investidores no mês passado o equivalente a R$ 675 milhões (US$ 270,5 milhões) em certificados de recebíveis do agronegócio com vencimento em cinco e em sete anos e lastreados em produção agrícola.

Os certificados com vencimento em 2019 foram emitidos com uma taxa igual ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), a taxa de juros de referência brasileira, que é de 11,06 por cento, e cerca de 0,45 ponto porcentual a menos do que a média paga por empresas no mercado de dívida local este ano.

Embora a derrubada dos preços do açúcar já tenha levado uma produtora concorrente a um pedido de recuperação judicial neste ano, a emissão da Raízen Energia atraiu um número recorde de compradores e contou com suporte da Shell, a maior petroleira da Europa, e da Cosan, a maior produtora de etanol do mundo.

A oferta também foi a maior desde que os certificados de recebíveis do agronegócio foram criados no Brasil em 2004.

“Essa é uma alternativa mais barata do que outras do mercado local devido à sua própria estrutura”, disse Fernando Freitas, gerente executivo da Gaia Agro Securitizadora SA, empresa responsável pelo empacotamento dos títulos, em entrevista por telefone.

“Há preocupações quanto à indústria em si, mas trata-se de uma empresa bem estabelecida que conseguiu mostrar isso aos investidores”.

Vantagem fiscal

Freitas disse que quase todos os compradores das notas da Raízen Energia eram pessoas físicas, que não terão que pagar imposto de renda de pelo menos 15 por cento sobre a se mantiverem os títulos até o vencimento.

“O primeiro grande objetivo é diversificar a base de credores,” disse Rafael Bergman, diretor financeiro da Raízen, em entrevista por telefone, de São Paulo.

“O beneficio da isenção é dividido entre emissor e investidor. Saiu mais barato do que a taxa da debênture que a gente emitiu, por exemplo.”

A Raízen Energia, com sede em São Paulo, tem rating Baa3 pela Moody’s Investors Service e BBB pela Standard Poor’s e da Fitch Ratings.

A Shell e a Cosan formaram a Raízen Energia, que é responsável por cerca de 15 por cento da produção de açúcar do Brasil, em 2010.

Excedente global

Um excedente de produção global fez com que os preços de referência do açúcar despencassem 13 por cento durante os últimos 12 meses. Em setembro, eles atingiram o menor valor em cinco anos.

No Brasil, 12 usinas de produção de açúcar interromperam suas operações neste ano e outras 65 operaram sob recuperação judicial até o final de agosto, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Em março, a Aralco SA Açúcar e Álcool entrou com pedido de recuperação judicial, enquanto investidores da Grupo Virgolino de Oliveira SA estão cada vez mais preocupados de que a empresa não conseguirá honrar suas obrigações.

Fábio Oliveira, diretor de investimento da GPS Investimentos Financeiros, que administra R$ 17 bilhões (US$ 6,8 bilhões) em ativos, disse que preferiu não comprar papéis da Raízen Energia em parte devido aos problemas do setor.

“Achamos que a combinação entre o setor, o ciclo de produção e a maturidade não eram compatíveis” com o prêmio oferecido aos investidores, disse Oliveira por e-mail.

A Raízen Energia aumentou em US$ 175 milhões o tamanho da venda de papéis devido à demanda dos investidores individuais, disse Freitas, da Gaia Agro.

“Essa é uma empresa boa que conseguiu definir uma estrutura para mitigar os custos em termos de financiamento e atrair os investidores”, disse Carlos Ratto, diretor comercial e de produtos da Cetip SA, a maior câmara de registro e depósito de títulos do Brasil. (Bloomberg 06/11/2014)

 

Safra na Índia começa com poucas usinas em operação

Apenas 26 usinas iniciaram a produção, dificuldade de diálogo com governo atrapalha o setor.

A safra 2014/15 na Índia completou um mês esta semana e já soma mais de 75 mil toneladas de cana-de-açúcar processadas. Mesmo com incertezas nas políticas públicas de auxílio à exportação de açúcar e pressões para redução do preço cana, uma parcela das usinas já produz normalmente.

Iniciada em outubro, 26 usinas estão moendo, 15 em Maharashtra e 13 em Karnataka. Número pequeno para o cenário açucareiro indiano, composto por 518 usinas. No maior Estado produtor de cana-de-açúcar, Uttar Pradesh, as usinas adiaram o início da moagem como protesto pelos altos preços fixados pelo governo para pagamento de fornecedores. Representantes da indústria afirmam que o valor não é compatível com a atual desvalorização do açúcar.

Com produção estimada em 25,5 milhões de toneladas de açúcar pela Indian Sugar Mills Association (ISMA), a expectativa é que apenas em dezembro todas as usinas indianas operem normalmente. (Jornal Cana 06/11/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Austrália: A taxa de desemprego da Austrália ficou em 6,2% em outubro, ligeiramente acima das expectativas, de 6,1%. O resultado ficou estável em relação ao nível de setembro, que foi revisado para 6,2%, de 6,1% na estimativa inicial. Além disso, a taxa de participação na força de trabalho subiu para 64,6% em outubro, de 64,5% em setembro, enquanto o mercado esperava estabilidade da taxa.

2) Europa: As encomendas à indústria da Alemanha avançaram 0,8% em setembro, na comparação mensal, abaixo da previsão do analistas, de alta de 2%. Já o dado de agosto, em comparação com julho, foi revisado para queda de 4,2%, ante recuo de 5,7% na leitura original.

3) Reino Unido: A produção industrial do Reino Unido subiu 0,6% em setembro, ante agosto, acima da projeção dos analistas, de alta de 0,4%. Na comparação anual, a alta foi de 1,5% em setembro, ante a previsão de ganho de 1,6%. No trimestre, a produção industrial teve alta de 0,2%, ante os três meses anteriores, e a produção manufatureira avançou 0,4%.

4) China: O governo chinês anunciou um pacote de medidas para estimular as importações do país, em uma tentativa de recuperar a fraca demanda interna. As ações do governo incluem crédito bancário e ainda incentivos fiscais. Além disso, o Pequim planeja acelerar o programa experimental da zona de livre comércio de Xangai.

Brasil

1) Fiscal: A queda nos preços do petróleo no mercado internacional deve diminuir os repasses à União, Estados e municípios de parte da receita adicional esperada com o aumento da produção de petróleo no país. Rio de Janeiro e Espírito Santo devem ser os Estados mais afetados pelo recuo dos preços. Segundo o Valor, se a cotação do barril no próximo ano ficar entre US$ 80 e US$ 84, calcula-se que a Petrobrás pagará 20% a menos de royalties aos governos em 2015.

2) Fiscal: O projeto de lei que altera o indexador da dívida de Estados e municípios renegociadas com a União foi aprovado pelo Senado e agora depende de sanção da presidente Dilma Rousseff. A medida, além de estabelecer um novo indexador, IPCA mais 4% ao ano, também contempla um desconto caso o saldo devedor das dívidas renegociadas for superior ao saldo corrigido pela Selic. Estima-se que esta decisão terá impacto de R$ 59 bilhões sobre o estoque da dívida pública, sendo a cidade de São Paulo, a maior beneficiada com o desconto.

3) Petrobrás: A Petrobrás informou ontem, em comunicado à CVM, que, até o momento, a orientação é de manutenção dos preços da gasolina e do diesel e que não há data ou percentual definidos para um ajuste. A estatal ainda afirmou que está agendada uma reunião do conselho de administração para o próximo dia 14 de novembro, cuja pauta é a apresentação das demonstrações financeiras do terceiro trimestre.

4) Fluxo Cambial: O fluxo cambial do mês de outubro teve saldo positivo de US$ 6,9 bilhões, maior saldo desde maio do ano passado e melhor resultado para o mês desde 2009.  No mês passado, os negócios financeiros tiveram entrada líquida de US$ 5,4 bilhões e o comércio exterior registrou saldo positivo de US$ 1,5 bilhão. Com isso, no acumulado do ano, o fluxo cambial atingiu o saldo positivo de US$ 8,3 bilhões, ante R$ 6 bilhões no mesmo período de 2013.

5) Setor Elétrico: A AES Eletropaulo e a AES Sul entraram na Justiça e conseguiram uma decisão liminar para deixar de pagar encargos setoriais ao governo até a regularização das transferências. O Tesouro Nacional deve R$ 1,75 bilhão às distribuidoras do País, sendo R$ 100 milhões apenas às empresas do grupo AES. Segundo o Estado, outras distribuidoras já se movimentam para pedir solução semelhante à Justiça.  

6) Preços: O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,59% em outubro, após subir 0,02% em setembro, bem acima da mediana das expectativas, de 0,47%. Destaque para a alta dos preços de alimentos in natura. Com esse resultado, o IGP-DI acumula altas de 2,22% ao ano e de 3,21% nos últimos 12 meses.

7) Atividade: Segundo a Pnad Continua, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,8% no segundo trimestre de 2014. O resultado é menor do que o verificado em igual trimestre de 2013, quando a taxa de desemprego foi de 7,4%. No primeiro trimestre deste ano, a taxa tinha sido de 7,1%.