Macroeconomia e mercado

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Eleições americanas influenciam açúcar em NY

Vitória de Republicanos impulsiona dólar e pressiona lotes de açúcar em NY. Mercado doméstico tem semana com valorização da saca.

Durante a primeira semana de novembro os contratos de açúcar negociados na Bolsa de Nova York recuaram, pressionados pela alta do dólar, impulsionada pela vitória dos Republicanos na Câmara e Senado americanos.

Os lotes para março de 2015 iniciaram a semana, dia 3, em 16,04 centavos de dólar por libra-peso, com variação negativa de 0,7% estes lotes terminaram a segunda-feira em 15,93 centavos de dólar por libra-peso. O comportamento durante a semana para todos os contratos foi de queda. A maior redução ocorreu nos lotes de março (-2,82%) que fechou a quinta-feira em 15,48 centavos de dólar a libra-peso, seguido pelos lotes de maio (-2,09%) que terminaram em 15,89 centavos de dólar a libra-peso.

O mercado doméstico vive movimento contrário, embora investidores internacionais olhem com receio para o atual momento político do Brasil. Com variação positiva de 1% nos dias 3 a 6 de novembro, a saca de 50 quilos comercializada em São Paulo acumula quinta alta consecutiva, segundo Indicador Cepea. (Jornal Cana 07/11/2014)

 

Setor do agronegócio está desconfiado dos planos do novo governo

No último dia 26 de outubro, Dilma Rousseff (PT) venceu o pleito à reeleição presidencial contra o candidato Aécio Neves (PSDB). Após o aumento da taxa básica de juros apenas três dias depois do pleito, bem como os anúncios do aumento da gasolina e da energia elétrica, demonstram que a vida da presidente não será fácil. Na cidade e no campo.

Tratando-se de um protagonista na geração de renda, emprego e riqueza, com relevantes ganhos socioeconômicos para o Brasil, o agronegócio merece tratamento e atenção especial.

O setor já se preparou para o ano de 2015. Os insumos e máquinas já foram adquiridos à espera de quem se consagrasse vencedor no 2º turno. Analisando os números divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), percebe-se claramente que tanto nas regiões Sul, Centro-Oeste, assim como nos Estados do Acre, Rondônia e Roraima, a candidata Dilma Rousseff foi derrotada, mesmo se levarmos em consideração a estreita margem em relação ao candidato da oposição.

As regiões comentadas representam um grande peso no cálculo da produção agrícola nacional, não restando dúvidas quanto à desconfiança do setor na reeleição da candidata.

Durante a corrida presidencial, algumas associações de produtores já haviam demonstrado claramente a sua insatisfação com a política implementada tanto no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (2010-2014) quanto nos governos anteriores, vide exemplo da Unica - União da Indústria de Cana-de-açúcar - e da Abramilho - Associação Brasileira dos Produtores de Milho.

A Unica propõe a volta da Cide - Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico - na composição do preço da gasolina, no valor de R$ 0,28 por litro. A presidente desta associação acredita que o aumento do preço da gasolina fará com que o preço do etanol volte a ser competitivo, aumentando a rentabilidade do produto e o retorno dos investimentos para manter a competividade da cana-de-açúcar.

Já a Abramilho expõe a preocupação no repasse dos valores relativos ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Ministério da Agricultura. De acordo com informações levantadas e divulgadas no site da entidade, o projeto de lei do orçamento fiscal da União para o ano de 2014 previa um crédito orçamentário de R$ 400 milhões para este programa.

Ocorre que, no orçamento de 2013, o mesmo programa tinha um crédito de R$ 700 milhões, ou seja, o orçamento do ano de 2014 é quase a metade daquele previsto no ano fiscal anterior. Ainda de acordo com o site da instituição, o programa PSR funcionou de maneira bem satisfatória até o ano de 2009. Mas, a partir do primeiro ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, houve falta de recursos e de repasse, inclusive para aqueles agricultores assegurados.

Ainda na esteira das promessas feitas durante a campanha, a candidata do PT prometeu aumento de recursos para programas do setor como: Programa de Modernização de Frota (Modefrota); Programa de Sustentação do Investimento (PSI); InovaAgro; Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro); Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), entre outros. Contudo, mesmo assim, isso não foi suficiente para vencer nos maiores estados produtores agrícolas.

Ademais, Dilma Rousseff teve um apoio de peso de figuras importantes do agronegócio durante a corrida presidencial. O primeiro empresário do setor a anunciar apoio foi Eraí Maggi, que já foi o maior produtor individual de soja do mundo, bem como é primo do ex-governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi. Outra personalidade do meio que apoiou Dilma foi a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e senadora pelo Estado do Tocantins, Kátia Abreu (PMDB).

Ainda assim, finalizada a votação e aberta a contagem dos votos, os dados demonstram que o setor do agronegócio ainda está desconfiado dos planos de Dilma Rousseff para o setor a partir de 2015.

Seja qual for o rumo da política adotada pela presidente reeleita, eventuais reformas são necessárias e urgentes. Facilitar o ambiente de negócios com foco na geração de riqueza e na livre iniciativa através do oferecimento de condições para que os setores produtivos fortaleçam a sua competitividade seria um bom começo (Bernardo Mattei de Cabane Oliveira e João Pedro Perondi D’Agostini são advogados da divisão de agronegócios do AAG - A. Augusto Grellert Advogados Associados.

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Estados Unidos: A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, afirmou que gostaria de ter retirado o termo “tempo considerável” da ata da última reunião do FOMC, divulgada na semana passada. Mester tem se mostrado uma das dirigentes mais otimistas com relação à recuperação da economia americana, e tem argumentado que a expressão pode levar os agentes econômicos a prestar mais atenção no calendário do que nos indicadores econômicos. Para a presidente do Fed de Cleveland, se a economia corresponder às expectativas da autoridade monetária, a taxa de juros pode subir mais cedo.

2) Europa: A produção industrial da Alemanha subiu 1,4% em setembro ante agosto, abaixo da previsão dos analistas, de alta de 2,0%. Na comparação anual, o indicador registrou recuo de 0,1%. Já na França, a produção industrial ficou estável em setembro, na comparação mensal, acima da expectativa dos analistas, de recuo de 0,2%.

3) Europa: A balança comercial da Alemanha registrou superávit de 18,5 bilhões de euros em setembro, de 17,5 bilhões de euros em agosto, acima das expectativas, de saldo positivo de 18,3 bilhões de euros. Vale destacar que as exportações alemãs subiram 5,5% em setembro, na comparação mensal, e as importações tiveram alta de 5,4%. Na França, o saldo comercial de setembro foi negativo em 4,7 bilhões de euros, ante déficit de 5 bilhões de euros em agosto.

4) Japão: O presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, afirmou que o governo japonês tem realizado ajustes ficais, mas que as reformas estruturais, apesar de algum progresso, estão atrasadas. Além disso, Kuroda reiterou que as atuais políticas de estímulos visam atingir a meta de inflação de 2%.

5) Austrália: O Banco de Reserva da Austrália (RBA) afirmou que a economia do país continua fraca e alertou que as atuais políticas de estímulos monetários do Japão poderiam estimular a entrada de capitais para o país, deixando o dólar australiano em um nível mais elevado. O RBA tem mantido, por quinze meses consecutivos, a taxa de juros na mínima histórica de 2,5% ao ano. O banco ainda sinaliza que manterá esta política para estimular o crescimento.

Brasil

1) Governo: Em entrevista concedida ontem, a presidente Dilma Rousseff afirmou que seu governo fará o seu dever de casa, controlando a inflação e ajustando as contas públicas. A presidente evitou indicar quais serão os cortes na aérea fiscal, mas destacou reajustes do seguro desemprego e da pensão por morte. No entanto, Dilma fez questão de ressaltar que as políticas de reajuste que serão feitas não vão aumentar o desemprego no país. Já com relação ao novo Ministro da Fazenda, Dilma confirmou que só anunciará sua decisão depois do G-20 e que, por enquanto, ninguém foi convidado ao cargo.

2) Petrobras: A Petrobras anunciou ontem o reajuste de 3% no preço da gasolina e de 5% para o óleo diesel em suas refinarias. O aumento, válido a partir de hoje, deverá ter impacto menor nas bombas. Estima-se uma alta de 2% da gasolina e de 3,5% do diesel para o consumidor. Mesmo com as expectativas de inflação para este ano perto dos 6,5%, este reajuste modesto nos preços dos combustíveis pode evitar que o IPCA supere o teto da meta estabelecida pelo governo.

3) Atividade: Segundo a Anfavea, em outubro, a produção de veículos recuou 2,5% na comparação mensal e caiu 9% ante igual período de 2013. No acumulado do ano, a queda nas vendas chega a 16%. O impacto do desempenho negativo do setor este ano, já pode ser sentido no mercado de trabalho. Só em 2014, foram fechadas 10 mil vagas de trabalho no setor. Nesse cenário, a indústria tenta manter o corte do IPI  e estender o prazo de afastamento dos empregados para até dois anos, para estimular a atividade em 2015.

4) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,42% no mês de outubro, ante alta de 0,57% em setembro, abaixo da mediana das previsões, de alta de 0,28%. Destaque para os preços das carnes, que embora tenham desacelerado, ainda registraram o maior impacto no IPCA do mês passado. Com esse resultado, o indicador acumula alta de 5,05% no ano e de 6,59% em 12 meses.

5) Fiscal: A arrecadação do mês de outubro continuou fraca, apesar de ter aumentado na comparação mensal, por causa dos recolhimentos do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao terceiro trimestre. Segundo o Estado, na comparação com o mesmo período de 2013, a melhora é pequena e ainda há possibilidade de uma queda real nos tributos recolhidos pela Receita Federal. Os dados oficiais ainda estão sendo coletados e devem ser divulgados depois do dia 20.