Macroeconomia e mercado

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GVO busca aporte de capital para conter crise

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), uma das companhias sucroalcooleiras mais tradicionais do País, está em negociações para tentar levantar cerca de US$ 100 milhões para conter a crise financeira pela qual passa, segundo apurou o 'Estado'. A família Ruete Oliveira, controladora das quatro usinas do GVO, contratou o banco americano Moelis para assessorá-la na reestruturação do grupo, processo que já está em andamento.

Endividado, o grupo passa por um forte aperto de liquidez neste momento. Boa parte dos fornecedores de cana que abastecem as usinas do GVO está com pagamento atrasado. O Estado apurou que alguns desses fornecedores querem reaver as terras arrendadas para companhia. Procurado, o grupo não comenta.

Há duas semanas, o GVO anunciou ao mercado a contratação do banco americano para promover a reestruturação financeira e dos escritórios Santos Neto Advogados e Kirkland & Ellis LLP para assessoria jurídica.

A situação financeira do grupo não é das melhores. A companhia está em pleno processo de renegociação de seus bonds (títulos de dívida externa), estimados em US$ 735 milhões. Uma parte deles tem vencimento em 2018 e a outra em 2022. A companhia ainda deve cerca de US$ 200 milhões para bancos brasileiros, entre eles, Bradesco, Itaú, Santander, Pine e Votorantim. No mês passado, as agências de classificação de risco Moody´s, Fitch e S&P rebaixaram a nota da empresa por conta da deterioração da liquidez do grupo.

Fontes a par do assunto afirmaram ao Estado que as renegociações com os credores seguem firmes, mas o grupo precisa de mais uma injeção de capital para fazer frente aos problemas financeiros de curto prazo.

Esse aporte estaria sendo negociado com os próprios "bondholders" (detentores da dívida externa). Alguns deles, contudo, não estariam dispostos a colocar mais dinheiro na companhia, segundo fontes de mercado. Pessoas familiarizadas com o assunto informaram que há expectativa de que novos investidores entrem com capital novo na companhia, no qual pode haver também novo rearranjo societário. Mas não há nada fechado até o momento.

Um dos mais tradicionais grupos do setor, o GVO é a maior companhia associada à Copersucar e também um dos seus maiores acionistas, com 10% de participação. A Copersucar é a empresa responsável por 100% da comercialização de açúcar e etanol de suas usinas associadas - 45 unidades produtoras no total, representando 25 grupos.

A Copersucar tem como política pagar antecipadamente a produção de açúcar e álcool para parte de seus associados, dentro de um limite estipulado. O GVO é um dos que se financiam com a Copersucar.

"Quando a usina Aralco (que pertencia à Copersucar antes de entrar em recuperação judicial em maio deste ano) entrou em crise, a fiança bancária concedida às usinas associadas ficou muito mais limitada. Além disso, a restrição de crédito para o setor, de modo geral, está mais difícil", afirmou uma fonte ao Estado.

Com quatro usinas no Estado de São Paulo, com capacidade de moagem total de 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, o GVO está entre os dez maiores grupos do País. A receita líquida na safra passada, a 2013/14, ficou em torno de R$ 1,2 bilhão. A seca deste ano prejudicou a safra do grupo.

Turbulência. Uma das fortes lideranças do passado, o GVO faz parte de um grande contingente de usinas abatidas pela crise financeira global de 2008. Altamente endividadas por causa de projetos de expansão de novas unidades, a turbulência do setor se agravou em 2009, levando muitas companhias a entrar em recuperação judicial e outras serem vendidas.

Com os preços do etanol atrelados à gasolina, as usinas também perderam competitividade nos últimos anos por causa dos poucos reajustes da Petrobrás ao combustível. (Agência Estado 10/11/2014)

 

Quênia quer proteger setor contra cartel na importação de açúcar

Para fortalecer a indústria local, país estuda proteger suas fronteiras conta a entrada de açúcar mais barato.

O Quênia estuda ações para impedir a instalação de cartel na importação de açúcar. Anuncio acontece há quatro meses da abertura do livre comércio do país com Mercado Comum da África Oriental e Austral (Comesa).

Em discurso realizado na usina Butali, no Quênia, o deputado William Ruto assegurou aos fornecedores de cana-de-açúcar da região que medidas contra formação de cartel serão aplicadas para proteger a agroindústria canavieira local.

Ruto afirmou que o governo negocia com o Comesa o prolongamento da proteção contra a entrada deste açúcar mais barato no país. A garantia terminará em fevereiro de 2015 e sua continuidade possibilitaria maior tempo para reestruturação do setor antes de abrir suas fronteiras para o livre comércio.

O anúncio foi realizado durante a inauguração de uma rodovia para facilitar a logística de cana-de-açúcar e seus produtos no entorno da usina, a obra tem 170 quilômetros. (Jornal Cana 10/11/2014)

 

Governo vai analisar estudo sobre nova mistura de etanol

O estudo técnico sobre o impacto do aumento de 25% para 27,5% de etanol na mistura com a gasolina será discutido, em breve, pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), informou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor do Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Cid Caldas.

O Cima é formado pelos ministros da Agricultura, Neri Geller; da Fazenda, Guido Mantega; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges; e de Minas e Energia, Edison Lobão.

Em um primeiro momento, o Cima deve ratificar o aumento da parcela de álcool na gasolina e comunicar essa decisão à presidente Dilma Rousseff.

Só depois do aval da presidente, entretanto, é que será publicada uma portaria regulamentando a alteração.

Cid Caldas, entretanto, não precisou data para a mudança entrar em vigor.

"É uma decisão de governo (o aumento)", afirmou. Ou seja, a palavra final será dada por Dilma.

O passo decisivo para embasar a mudança do porcentual de adição de álcool na gasolina já foi concluído, que é o estudo para avaliar o impacto da nova mistura nos motores da frota nacional.

O governo contratou em junho o Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para a realização de análises, verificando se a alteração na mistura prejudicaria os motores de carros e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) havia levantado questionamento sobre esse risco.

Caldas disse que o estudo apontou que não há impacto negativo do aumento do porcentual de álcool no combustível utilizado em carros e motos com motores movidos apenas a gasolina.

"O estudo está fechado, mostrando que tecnicamente não há nenhum problema em elevar a mistura", observou.

O Mapa está, neste momento, quantificando os estoques de etanol hidratado no país e a previsão de produção para safra de 2015 para embasar a decisão.

Esses dados ajudarão o governo a definir o período de vigência da nova mistura.

A proporção de etanol atualmente é de 25% e o aumento de 2,5 pontos porcentuais é reivindicado pelo setor sucroalcooleiro para reaquecer o segmento.

A elevação da mistura de álcool na gasolina seria uma forma de compensar perdas acumuladas pelos produtores por causa do preço controlado da gasolina pelo governo.

A decisão de aplicar a nova mistura pode melhorar o relacionamento do Palácio do Planalto com o setor sucroalcooleiro.

O setor se afastou de Dilma durante as eleições, dividindo-se entre os candidatos de oposição Aécio Neves e Marina Silva (PSB). (Agência Estado 10/11/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: Líderes chineses e sul-coreanos devem anunciar nos próximos dias os detalhes sobre um acordo comercial bilateral, que deve dar às empresas da Coréia do Sul mais acesso ao mercado consumidor da China. O acordo é considerado uma vitória para o presidente chinês, Xi Jinping, que tem se esforçado para melhorar as condições comerciais do seu país. Já para a Coréia do Sul o acordo vem em bom momento, pois o país passa por um período de desaceleração econômica.

2) China: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da China subiu 1,6% em outubro na comparação com igual período do ano passado, mesma alta registrada em setembro, em linha com a projeção dos economistas. O núcleo de indicador registrou alta de 1,2%. Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI) do país caiu 2,2% em outubro na comparação anual, abaixa da mediana das expectativas, de queda de 2,1%. Em setembro, o PPI registrou deflação de 1,8%, na mesma base de comparação.

3) Moody’s: Em relatório sobre a perspectiva econômica mundial, a agência de classificação de risco Moody’s avaliou que o crescimento do PIB global não deve se recuperar de forma significativa nos próximos dois anos, já que a maioria dos fatores que têm pesado no crescimento do PIB global em 2014, como a desaceleração da economia chinesa e as deficiências estruturais na zona do euro, Brasil e África da Sul., devem continuar nos próximos dois anos.

4) Europa: Os dados de atividade da Itália surpreenderam negativamente. A produção industrial do país recuou 0,9% em setembro, ante agosto, bem abaixo da previsão dos economistas, de queda de 0,2%. Na comparação com setembro de 2013, a produção registrou queda de 2,9%, ante projeção de perda de 0,8%.

5) Rússia: O Banco do Rússia disse nesta segunda-feira que permitiu livre flutuação do rublo ao eliminar o corredor de negociações da moeda e intervenções regulares do câmbio. A autoridade, no entanto, reiterou o direito de intervir, se necessário, para garantir a estabilidade financeira. A presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, disse ainda que a partir de agora irá intervir em qualquer momento e com qualquer volume necessário para acabar com a demanda especulativa por moedas estrangeiras.

6) China: Rússia e China fecharam um segundo grande acordo de suprimento de gás, com valor ligeiramente inferior aos US$ 400 bilhões do acordo firmado no início do ano. O pacto prevê que a Rússia abasteça o território chinês com mais 30 milhões de metros cúbicos de gás por ano, nas próximas três décadas.

Brasil

1) Petrobrás: O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Securities and Exchange Commission (SEC) estão investigando a participação da Petrobrás em um suposto esquema de propinas. Segundo o Financial Times, as investigações tentam apurar se a estatal e seus funcionários violaram a Lei de Práticas Corruptas no Exterior. O jornal ainda publicou que o Departamento de Justiça e a SEC não quiseram comentar o assunto e que a Petrobrás não respondeu ao pedido de entrevista.

2) Atividade: Destacadas como os principais estímulos aos investimentos do país, as novas concessões em infraestrutura podem demorar para sair do papel e devem ter pouco impacto em 2015. De acordo com o Estado, rodovias e ferrovias selecionadas para um nova rodada de oferta à iniciativa privada ainda estão em fase de estudo. A única concessão pronta á a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste. Ainda assim, a obra vive um impasse com relação à estimativa de investimento fixada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e o custo mínimo estimado pelas empresas.

3) Focus: As projeções para o crescimento econômico deste e do próximo ano foram revisadas para baixo. Segundo o Boletim Focus, a mediana da expectativa para expansão do PIB em 2014 passou de 0,24% para 0,20%, e para 2015 saiu de 1% para 0,80%. Já com relação à taxa de inflação, a mediana das estimativas para o IPCA 2014 passou de 6,45% para 6,39%. No entanto, a projeção para o IPCA 2015 subiu para 6,40% de 6,32% na estimativa anterior.

4) Mercado: A primeira estimativa de novembro para o Índice Geral de Preços, o mercado apontou para alta de 0,51%, ante recuou de 0,07% na mesma leitura de outubro, abaixo da mediana das expectativas, de alta de 0,55%. Até a primeira prévia de novembro, o índice acumula aumentos de 2,57% no ano e de 3,18% em 12 meses.

5) O Índice de Preços ao Consumidor: Semanal (IPC-S) acelerou para 0,49% na primeira quadrissemana de novembro, ante alta de 0,43% na leitura imediatamente anterior. Das oito classes de despesas analisadas, quatro apresentaram acréscimo em suas taxas de variação, são elas: Alimentação (0,49% para 0,65%), Educação, Leitura e Recreação (0,09% para 0,35%); Habitação (0,48% para 0,51%), e Transportes (0,16% para 0,19%).