Macroeconomia e mercado

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Preço do gesso agrícola prejudica a safra da cana em SP

Produto ajuda a corrigir a acidez do solo, mas o preço mais que dobrou este ano.

A falta de aplicação do gesso agrícola pode comprometer a safra de cana em São Paulo.

O produto ajuda a corrigir a acidez do solo, mas a reclamação é com o preço, que mais que dobrou este ano.

Trezentos hectares de cana-de-açúcar podem não se desenvolver completamente pela falta do gesso agrícola. Roberto Bispo mostra a área onde o produto não foi aplicado por causa do preço alto. Enquanto no ano passado, ele pagou R$ 25 pela tonelada, este ano, o valor subiu para R$ 72.

Agricultores brasileiros utilizam o gesso agrícola para correção do PH do solo. No noroeste paulista, ele é usado principalmente pelos produtores de cana porque a terra na região é muito ácida.

O produto é um resíduo da fabricação do adubo, a base de fósforo. Para extrair a substância da rocha, a refinaria utiliza o ácido sulfúrico, o que sobra são pequenas pedras que se esfarelam e são ricas em cálcio, enxofre e minerais. Elas alcançam profundidades maiores que 20 centímetros e fazem com que as raízes absorvam mais água e nutrientes do solo, condições que aumentam a produtividade da lavoura.

Por causa dos benefícios, a procura pelo produto aumentou e o preço também. Com medo de perder parte da plantação deste ano, Edson Assis preferiu aplicar calcário nos 150 hectares de cana. A função é bem parecida com a do gesso e o preço é 50% mais barato, mas o mineral não alcança tanta profundidade. Como diretor da Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar da região, ele orienta outros agricultores.

Os altos custos de produção somados à seca que tem atingido todo o estado, devem resultar em uma safra pouco produtiva para muitos agricultores. "Esse ano, nós tivemos uma seca muito grande com quebra de produtividade em torno de 25%, e os preços da cana não estão compensando, então a preocupação é grande porque está difícil fechar as contas", diz Edson. (Globo Rural 13/11/2014)

 

Preços do açúcar sobem no mercado internacional e interno

Na quarta-feira (12), os preços do açúcar se mantiveram em alta no mercado internacional. Os contratos para março/15 fecharam com valorização de 13 pontos e negócios firmados em 16,36 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo os analistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico de hoje (13), essa alta ainda é reflexo da divulgação de uma previsão mais apertada para a oferta nesta temporada. A estimativa foi feita pela Organização Internacional do Açúcar, que reduziu sua projeção de superávit na safra atual de 1,3 milhão de toneladas para 473 mil toneladas.

Apesar do corte, o cenário ainda é mais otimista que o de algumas consultorias. A FCStone, por exemplo, divulga amanhã uma projeção de déficit global de 2,77 milhões de toneladas. O mercado também tem sido impulsionado por compras dos fundos e pelo mercado físico.

Em Londres, no vencimento dezembro/14, o preço do açúcar commodity também subiu novamente. Foi uma valorização de 2 dólares e negócios firmados em US$ 434,10 a tonelada.

Mercado interno

Acompanhando as bolsas de NY e Londres, o mercado interno se manteve valorizado. Segundo índices medidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), a saca de 50 quilos do tipo cristal foi vendida pelas usinas paulistas a R$ 50,86, uma alta de 0,12% comparada com a véspera.

Etanol diário

Nesta quarta-feira, os preços do etanol hidratado subiram pelo terceiro dia consecutivo. Segundo os índices medidos pela Esalq/BVMF, as usinas paulistas negociaram o biocombustível a R$ 1.158,00 o metro cúbico, alta de 0,87%. (UDOP 13/11/2014)

 

Bunge embarca volume recorde de açúcar em um único navio

Será o primeiro navio a sair do Brasil com carregamento superior a 100 mil toneladas.

Nesta quinta-feira (13), a Bunge Brasil prevê finalizar o embarque de volume recorde de açúcar pelo Porto de Santos, em São Paulo. Serão carregadas 105,5 mil toneladas de açúcar a granel brasileiro. A carga será transportada até Dubai, nos Emirados Árabes, por um navio tipo Cape Size, chamado de UBC Ottawa, de bandeira holandesa.

Com capacidade para transportar 110 mil toneladas e 260 metros de comprimento, o navio corresponde à carga de 2.640 caminhões de açúcar.

“Mais do que o recorde de volume embarcado pela Bunge, essa operação de exportação é importante porque amplia a competitividade do açúcar brasileiro internacionalmente”, afirmou em comunicado o diretor comercial de Açúcar & Bioenergia da empresa, Gabriel Carvalho.

Segundo a companhia, o último registro de carregamento recorde de açúcar no Brasil foi de pouco mais de 81 mil toneladas, em 2006.

No Brasil, a Bunge opera oito usinas com capacidade combinada para moer aproximadamente 21 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra e é uma das maiores produtoras de açúcar e bioenergia do país, além de umas das maiores tradings mundiais da commodity.

Em açúcar a empresa movimenta mais de cinco milhões de toneladas do produto, integrando áreas produtoras no Brasil, Tailândia e países da América Central a destinos como China, Canadá e Oriente Médio. (Matéria aberta Nova Cana 13/11/2014)

 

Síntese de mercado e notícias: Mundo e Brasil – Base-13-nov-14

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: A produção industrial do Japão de setembro foi revisada para uma alta de 2,9% ante agosto, acima da estimativa anterior, de crescimento de 2,7%. Os estoques da indústria também sofreram alteração, para queda de 0,7% na comparação mensal, ante recuo de 0,8%. Já os embarques subiram 4,4% em setembro, de 4,3% na leitura preliminar.

2) China: Os dados de atividade da China no mês de outubro decepcionaram, aumentando a expectativa de que o governo chinês implemente novos estímulos à economia do país. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, a produção industrial teve crescimento de 7,7% em outubro, na comparação anual, abaixo da alta registrada em setembro e da expectativa dos economistas, de elevação de 8%. Já as vendas no varejo chinês cresceram a uma taxa anual de 11,5% no mês passado, resultado ligeiramente menor do que o de setembro (11,6%) e do que a mediana das previsões (11,6%). Por fim, os investimentos na China subiram 15,9% de janeiro a outubro deste ano, desacelerando em relação ao avanço registrado nos nove primeiros meses do ano (16,1%) e abaixo da mediana das expectativas (16%).

3) Europa: Os Índices de Preços ao Consumidor (CPI) dos principais países da zona do euro vieram, em sua maioria, em linha com as expectativas dos economistas. A Alemanha registrou alta anual no CPI de 0,8% em outubro, a Itália de 0,1% e a Espanha teve recuo de 0,1% no mês passado. Todos esses resultados foram similares as previsões dos analistas. Destaque para o CPI da França que cresceu 0,5% em outubro ante o mesmo mês de 2013, acima da mediana das projeções, de alta de 0,4%.

4) China: As vendas de moradias na China recuaram em ritmo mais moderado em outubro, diante do registro de ligeiro aumento na demanda, após o governo chinês flexibilizar as regras de financiamento imobiliário para estimular o setor. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, nos primeiros dez meses do ano, as vendas de imóveis recuaram 9,9%, a 4,64 trilhões de yuans. Até setembro, a queda anual era de 10,8%. Apenas em outubro as vendas caíram 3,1% ante igual mês de 2013, após declínio de 10,3% registrado em setembro.

5) Austrália: Um dos dirigentes do Banco de Reserva da Austrália (RBA), Christopher Kent, voltou a afirmar que uma intervenção cambial para reduzir a cotação do dólar australiano, que ainda permanece em patamar desconfortavelmente alto, não foi descartada e ainda é uma opção da autoridade monetária.

Brasil

1) Fundos de Pensão: O governo propôs a alteração da meta atuarial dos fundos de pensão. A regra vigente, elaborada em 2012, prevê a redução gradual do teto de rentabilidade de 6% para 4,5% até 2015. Já a nova medida tem como objetivo reduzir a meta atuarial deste ano e estabelecer que, a partir de 2015, ela será variável, oscilando de acordo com as taxas de juros das NTN-Bs. Junto com esta mudança, o governo também pretende adotar medidas de suporte a fundos que já apresentam déficit atuarial. Estima-se que essas novas regras terão impacto sobre, pelo menos, dois terços do patrimônio dos fundos de pensão.

2) Banco Central: Em meio à forte alta na cotação do dólar, o Banco Central voltou a registrar prejuízo contábil de R$ 6,6 bilhões em suas operações de swap cambial. Vale ressaltar que, por enquanto, o prejuízo é apenas contábil, já que depende da cotação da moeda americana no dia do vencimento dos US$ 103 bilhões em swaps hoje no mercado. Entretanto, se confirmada a expectativa de que a taxa de câmbio termine 2015 em R$ 2,60, as perdas do BC serão confirmadas.

3) Fiscal: Somente hoje foi feita a solicitação formal do pedido de regime de urgência  ao projeto de lei que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014 (LDO). Segundo o Estado, o governo tinha esquecido de enviar junto com o projeto o pedido de urgência, o que pode abrir espaço para a oposição apresentar emendas e impedir a substituição da proposta.

4) Atividade: No acumulado do ano até setembro, o nível de emprego na indústria recuou 2,8%, puxado, principalmente, pelo setor automobilístico. Nos últimos 12 meses, a indústria automobilística demitiu em média mil funcionários por mês, fechando 12.637 postos de trabalho. Além disso, as perspectivas do setor para os próximos meses não são positivas. Segundo sondagem realizada pela FGV, 38,4% das empresas de material de transporte pretendem demitir pessoal até o final do ano, segundo maior percentual desde fevereiro de 2009.

5) Fiscal: O montante de R$ 4 bilhões encontrados em um subconta de um grande banco privado e que foi contabilizado como um crédito da União, ajudando a melhorar o resultado fiscal de maio, tinha como origem os repasses do INSS vinculados ao pagamento de benefícios previdenciários, segundo informou o próprio Banco Central. Entretanto, o comunicado do BC não informa o nome do banco e não dá mais detalhes sobre a investigação aberta por sua aérea de fiscalização.