Macroeconomia e mercado

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Açúcar na Índia não terá incentivos à exportação

Mesmo com forte mobilização do setor, governo descontinua subsídios às exportações para próxima safra.

Iniciado em fevereiro deste ano, os subsídios fornecidos à indústria açucareira para facilitar a exportação do segundo maior produtor de açúcar do mundo não serão continuados na safra 2014/15.

Em declaração esta semana, dia 12, o ministro para alimentação Ram Vilas Paswan afirmou que mesmo com articulação do setor, a medida não acontecerá para a próxima safra. “Até o momento não temos planos de prover qualquer subsídio para o açúcar exportado”, afirmou o ministro em Nova Deli.

Ao final da safra 2013/14, encerrada em setembro deste ano, a Índia exportou 1,2 milhões de toneladas, sendo 700 mil viabilizadas através de incentivos do governo. Para cada tonelada exportada, as usinas receberam 55 dólares, utilizados para assegurar o pagamento de fornecedores de cana-de-açúcar e fortalecer o setor frente ao instável mercado internacional. (Jornal Cana 14/11/2014)

 

Petrobras estuda etanol a partir de resíduos de palma

A Petrobras informou nesta quinta-feira, 13, que paralelamente às pesquisas para a produção de etanol celulósico, ou de segunda geração, a partir do bagaço de cana-de-açúcar, pesquisadores da estatal avaliam o uso de resíduos na produção do óleo de palma (dendê) para obtenção do combustível.

Segundo a companhia, o projeto identificou que um cacho vazio de palma tem 40% de celulose e 20% de hemicelulose - indicativos da concentração de açúcares -, teores bem similares aos do bagaço da cana.

A nova alternativa para produção de etanol a partir de celulose pesquisada pela companhia utiliza processo similar ao aplicado com o bagaço de cana e já foi testada nos laboratórios no Rio de Janeiro.

De acordo com a Petrobras, até novembro deste ano estão programados novos ensaios laboratoriais no processo de pré-tratamento do cacho de palma para potencializar a obtenção de açúcares da matéria-prima. Os testes em escala piloto estão previstos para 2015.

O projeto está sendo desenvolvido no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), com participação da Petrobras Biocombustível e da Belém Bioenergia Brasil, joint venture da Petrobras Biocombustível com a Galp. (Agência Estado 14/11/2014)

 

Usinas no Paquistão atrasam a moagem

Elevados estoques de açúcar da safra passada e altas taxas impostas pelo governo para exportação seguram produção.

Representantes da Associação das Usinas de Açúcar do Paquistão sinalizam a possibilidade de atraso no início da moagem desta nova safra devido aos elevados estoques da commodity no mercado interno e os baixos incentivos do governo às exportações.

Para Iskander Khan, representante da associação, as usinas não estão aptas a iniciarem as atividades sem auxílio do governo para a exportação e revisão do preço fixado para o quilo da cana-de-açúcar, muito elevado para a indústria.

A associação propôs ao governo um subsídio às exportações do açúcar como auxilio financeiro, a proposta fora similar ao cenário indiano, pagamento de 55 dólares pela tonelada exportada, porém não há sinalização de acordo.  “Não podemos exportar um único contêiner sem negociar incentivos, os preços internacionais do açúcar estão muito abaixo de nossos custos de produção”, explica Khan.

Com esta gestão o governo paquistanês beneficia outros países, como a Índia, que comercializou 1,5 milhões de toneladas no mercado internacional. A safra no Paquistão começou na última semana de outubro com estoque de igual número, para a safra 2014/15 são estimadas 5,7 milhões e consumo doméstico de 4,2 milhões, oportunidade para negociar o excedente caso as elevadas taxas fossem retiradas. (Jornal Cana 14/11/2014)

 

Síntese de mercado e notícias: Mundo e Brasil – Base-14-nov-14

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa: A zona do euro divulgou resultados de atividade econômica levemente melhores do que o esperado. Segundo a Eurostat, o PIB da zona do euro teve alta de 0,2% no terceiro trimestre em relação ao período de três meses anterior, e avançou 0,8% na comparação anual, marginalmente acima das previsões dos economistas, de alta de 0,1% ante o segundo trimestre e o ganho de 0,7% no ano. Com relação aos principais países da região, destaque positivo para a França que teve alta do PIB de 0,3% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores, bem acima da expectativa de 0,1%, e para a Alemanha, com crescimento trimestral de 1,2%, melhor do que o projetado (1,1%). Já a Itália, registrou recuo de 0,1% no PIB do terceiro trimestre, em linha com as expectativas.

2) Europa: A taxa de inflação da zona de euro veio em linha com a expectativa dos economistas, mas ainda está bem abaixo da meta estipulada pelo Banco Central Europeu (BCE). O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da região subiu 0,4% em outubro, ante igual mês do ano passado, como era esperado. O núcleo do CPI teve alta anual de 0,7% no mês passado.

3) China: Os bancos chineses emitiram 548,3 bilhões de yuans em novos empréstimos em outubro, volume bem menor que o de 587,2 bilhões liberado em setembro, e abaixo da expectativa dos economistas, de 626 bilhões de yuans. Já a base monetária da China (M2) cresceu 12,6% no fim de outubro, ante igual período do ano passado, após alta anual de 12,9% em setembro, e em linha com a previsão dos economistas.

4) Japão: Em meio às especulações sobre um possível adiamento do novo aumento de impostos sobre as vendas, o ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, afirmou que este atraso na alta de impostos deve dificultar o cumprimento do plano do governo de redução do déficit em 2015.

Brasil

1) Petrobrás: A auditoria Pricewaterhouse-Coopers (PwC) decidiu que não vai assinar nenhuma  demonstração contábil da Petrobrás até que a companhia conclua as investigações internas da Operação Lava Jato. Depois da declaração da auditoria, a Petrobrás anunciou ontem que vai adiar a divulgação de suas demonstrações financeiras referentes ao terceiro trimestre. O prazo oficial termina hoje, mas a estatal informou que estima divulgar seu balanço apenas no dia 12 de dezembro, mesmo assim, sem o parecer de revisão dos auditores da PwC.

2) Atividade: Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, grandes companhias abertas, como Vale, Gerdau, Paranapanema, Duratex, Klabin e Gerdau, anunciaram que não devem atingir as metas de investimento para esse ano, resultado da desaceleração da economia. Para estas empresas a manutenção do ritmo de investimento pode aumentar de forma demasiada a produção, criando ociosidade. Além disso, para 2015, sem a perspectiva de melhora na atividade econômica, espera-se mais uma revisão para baixo nos planos de investimento.

3) Mercado: Em meio às especulações sobre o nome do próximo ministro da Fazenda, a moeda americana atingiu o maior valor em nove anos, chegando a romper a barreira dos R$ 2,60 ao longo do dia. O dólar à vista, fechou ontem em alta de 1,39%, a R$ 2,595, maior cotação desde 18 de abril de 2005.  Ao longo do dia, a moeda americana chegou a ser vendida por R$ 2,602.

4) Atividade: Segundo o IBGE, as vendas do varejo restrito no mês de setembro cresceram 0,4% ante agosto, em linha com as expectativas dos economistas. Já o conceito ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção, registrou alta nas vendas de 0,5%, acima da mediana das projeções, de crescimento de 0,3%.

5) Fiscal: Os Estados acusam o Tesouro Nacional de atrasar em um mês algumas transferências constitucionais, para tentar ajudar as contas públicas do governo central. Em nota técnica divulgada ontem, secretários de Fazenda afirmaram que essa prática deve gerar uma perda de R$ 2,026 bilhões aos cofres estaduais este ano, que só serão recebidos no início de 2015. No documento, os governos estaduais ainda solicitam à União a regularização das transferências.