Macroeconomia e mercado

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Raízen: CRAs crescem 98% em um ano

O estoque de CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) atingiu R$ 1,7 bilhão no final de outubro, de acordo com a Cetip, depositária de títulos privados de renda fixa e câmara de ativos privados.

Esse valor aponta um alta de 98% em relação ao estoque observado no mesmo período de 2013 e de 53% quando comparado ao final de setembro de 2014.

Essa intensa evolução no mês passado ocorre devido à maior emissão de CRAs até então, no valor de R$ 675 milhões, captados pela Raízen em outubro (Folha de São Paulo 18/11/14)

 

CTBE desenvolve processo para baratear bioetanol

A produção de bioetanol de segunda geração, combustível gerado a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, deverá ficar cinco vezes mais barata em aproximadamente três anos. A aposta é do orientador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) de Campinas (SP), José Geraldo Pradella, que concentra esforços em quatro pesquisas sobre essa versão do etanol. O estudo que ganhou destaque utiliza fórmulas matemáticas capazes de otimizar a produção da fonte deenergia, o que a deixaria mais barata.

A produção deste tipo de bioetanol está em fase de estudo Brasil afora e por muito tempo se mostrou inviável por causa do alto custo das enzimas utilizadas na pesquisa (substâncias indispensáveis no processo de fabricação) que costumam ser importadas pelos laboratórios, segundo Pradella. No CTBE, os pesquisadores já conseguem produzir as próprias enzimas necessárias para a produção do bioetanol no laboratório.

O diferencial, agora, é a análise de um novo fungo (microorganismo necessário para a produção das enzimas) que pode ser "melhorado" com a ajuda de cálculos. O Trichoderma harzianum foi isolado na Amazônia pela pesquisadora do CTBE Priscila Delabona em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e tem apresentado maior potencial no estudo.

Para Pradella, com o desenvolvimento dessa pesquisa, em três anos seria possível gerar uma competitividade entre as enzimas produzidas no laboratório e as comercializadas no mercado. "Hoje as enzimas custam U$ 15 a U$ 20 dólares o litro. A ideia é baixar para U$ 3 a U$ 4 dólares o litro", explica o orientador.

O CTBE foi ificialmente inaugurado em 2010 e deu andamento a pesquisas iniciadas desde 2008. O laboratório, que tem como carro-chefe os estudos sobre etanol de segunda geração, recebe investimentos do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, além de instituições públicas de fomento à pesquisa e de parcerias com empresas. O orçamento previsto para este ano é de cerca de R$ 37 milhões.

Modelagem matemática

A redução prevista no custo do bioetanol de segunda geração se torna possível com a evolução do estudo sobre fórmulas matemáticas capazes de otimizar a produção das enzimas. Em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o pesquisador Lucas Gelain, de 26 anos, desenvolveu uma modelagem matemática capaz de calcular e determinar como o fungo Trichoderma harzianum pode produzir mais enzimas do que produziria em condições normais.

"As fórmulas vão descrever o crescimento desse fungo e o consumo de celulose a partir do bagaço e das enzimas que produz. Estamos modificando os meios de cultura do fungo, mutações, e com a modelagem desenvolvemos estratégias para aumentar a produção", conta o pesquisador após dois anos mergulhado no tema no mestrado em engenharia química.

Para o orientador Pradella, definir a melhor condição para a produção de enzimas é essencial. "A gente quer produzir a maior quantidade no menor tempo e com menos quantidade possível de material", afirma.

Essa pesquisa integra um grupo de quatro estudos sobre etanol de segunda geração, segundo o orientador Pradella. As outras três pesquisas estão focadas no desenvolvimento de microorganismos hiperprodutores de enzimas, na formulação de um coquetel de proteínas para o processo de fermentação que vai gerar o combustível, e trabalhos aplicados na ampliação da escala de produção, com foco nas indústrias decana.

Mais combustível com menos cana

O barateamento da produção do combustível se deve ao uso do bagaço da cana, que afasta a necessidade de aumentar as áreas de plantio, e a todo o processo de otimização na produção das enzimas desenvolvido no CTBE em parceria com a Unicamp.

"A economia acontece porque o uso do bagaço já baixa o custo, não precisa aumentar a área de plantio pra fabricar o álcool. Outro fator é aumentar a produção da enzima a partir da mesma quantidade de bagaço", explica Gelain.

Para o pesquisador, participar da viabilização de um combustível renovável significa muito para o futuro, já que reduz a dependência do petróleo e causa menos impacto no meio ambiente. "O bioetanol não se forma dependente dele [petróleo]. Além disso, a combustão do bioetanol gera menos poluentes, reduzindo os gases que provocam o efeito estufa", defende.

Dois combustíveis em uma única usina

A ideia, segundo o pesquisador, é uma mesma usina ser capaz de produzir o etanolcomum e o de segunda geração nos próximos anos com a tecnologia desenvolvida no CTBE.

"Assim que atingir a produção ideal de enzimas a gente vai experimentar numa escala maior para testar, então, numa usina de cana", diz Gelain, que pretende seguir com o desenvolvimento do projeto no doutorado. (G1 15/11/2014)

 

Síntese de mercado e notícias: Mundo e Brasil – Base-18-nov-14

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, confirmou que vai adiar em 18 meses o novo aumento de imposto sobre as vendas, para abril de 2017, argumentando que uma nova alta do imposto prejudicaria o combate à deflação. O primeiro-ministro também confirmou a convocação de eleições antecipadas no país, afirmando que dissolverá a câmara baixa do parlamento em 21 de novembro.

2) Europa: O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, voltou a reiterar que a autoridade monetária anunciará novas medidas de estímulos, se necessário. Draghi ainda afirmou que as compras de bônus soberanos são uma opção caso o BCE opte por implementar ações adicionais. O presidente do BCE, no entanto, disse que é preciso esperar para que as medidas em curso tenham efeito sobre a economia da região.

3) Estados Unidos: A produção industrial americana registrou queda de 0,1% em outubro ante setembro, abaixo da previsão dos analistas, de alta de 0,2%. Em setembro, o indicador teve forte alta de 0,8%, na comparação mensal. Destaque negativo para os setores de mineração (-0,9%) e de utilidades públicas (-0,7%).

4) Europa: O índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha voltou ao terreno positivo, atingindo 11,5 pontos em novembro, de -3,6 em outubro, acima da previsão dos analistas, de alta para 0,9. Com esse resultado o indicador interrompe uma sequência de dez meses consecutivos em queda.

5) Reino Unido: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do Reino Unido avançou 1,3% em outubro ante igual mês do ano passado, levemente acima da expectativa dos economistas, que previam alta de 1,2%. Na comparação mensal, o indicador ficou estável, em linha com as previsões. O núcleo do CPI, subiu 1,5% no confronto anual de outubro e avançou 0,2% ante setembro.

6) China: O valor médio das moradias novas em 70 cidades chinesas continua caindo. No entanto, em outubro, a queda foi menos intensa do que a registrada no mês anterior, indicando que as medidas de afrouxamento das regras de hipoteca surtiram efeito positivo no setor. Na comparação com setembro, os preços de outubro recuaram 0,8%, depois de terem registrado queda de 1% na passagem de agosto para setembro. Na base anualizada, porém, os preços caíram mais. No mês passado ante igual período de 2013, houve queda de 2,5%, depois de recuo de 1,1% em setembro, na mesma base de comparação.

Brasil

1) Petrobras: A presidente da Petrobras, Graça Foster, realizou ontem reuniões com analistas e investidores para explicar que a companhia tem adotado medidas de combate à corrupção dentro da estatal. Entre as novas medidas está a criação de uma diretoria de compliance, que deverá aprimorar mecanismos de controle e governança da empresa. Entre as providências já tomadas, destaque para a conclusão de sete comissões internas de apuração de indícios ou ocorrência de não conformidades em procedimentos da empresa. Graça ainda garantiu que onde houver identificação do prejuízo, a estatal buscará o ressarcimento. Entretanto, a presidente da Petrobras não conseguiu convencer o mercado. Ontem, as ações ON da estatal fecharam o pregão com queda de 5,08%, cotadas a R$ 12,13.

2) Petrobras: Segundo o Valor, as alterações que a Petrobras fará em seus balanços contábeis referentes aos pagamentos de propina denunciados na Operação Lava Jato não serão lançadas de uma só vez no resultado de 2014, mas sim diluídas em vários exercícios, dependendo da data em que os contratos foram assinados. Com o resultado de 2014 menos prejudicado, há a possibilidade dos detentores de ações ON da estatal receberem o pagamento normal de dividendos este ano. Outra implicação do ajuste retrospectivo é que a KPMG, que auditou os balanços da Petrobras de 2006 a 2011, deve ter de reemitir os pareceres dos anos anteriores.

3) Eletrobrás: Com o prejuízo de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, o triplo do registrado no mesmo período do ano passado, a Eletrobrás reconheceu que pode deixar de pagar dividendos aos acionistas em 2014. A estatal vem registrando resultados negativos há dois anos, pressionada pela MP 579, que antecipou a renovação das concessões de energia por preços reduzidos. Mesmo assim, a companhia vinha pagando os acionistas com base em uma reserva estatutária. Entretanto, após perdas sucessivas, esta reserva está próxima de zero. Segundo o diretor financeiro da Eletrobrás, a empresa precisaria registrar lucro no quarto trimestre para distribuir os dividendos.

4) Fiscal: A oposição tenta derrubar o projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso na semana passada, que retira o limite para abatimento de gastos com investimento e desonerações. Deputados e senadores do PSDB, DEM e do PPS apresentaram 77 sugestões de mudança no projeto. Entre as principais propostas está a fixação de um limite para os abatimentos. Entretanto, o relator da proposta, senador Romero Jucá, já indicou que deve rejeitar as alterações.

5) Fiscal: Segundo uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o governo tem que enviar um relatório até o fim desta semana com a avaliação de receitas e gastos relativo ao quinto bimestre, definindo um resultado primário para  as contas públicas de 2014.  Segundo o Valor, a tendência é de que o governo anuncie que o resultado primário deste ano será igual a zero, mas há uma corrente defendendo a produção de um pequeno superávit.

6) Atividade: A receita bruta do setor de serviços subiu 6,4% em setembro, na comparação com igual mês de 2013, ante alta anual de 4,6% em agosto. Com esse resultado, a receita bruta do setor acumula elevação de 6,6% no ano e de 7,1% em 12 meses.