Macroeconomia e mercado

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Biocombustíveis precisam de ajuda governamental para avançar

Estudo da consultoria Bain & Company identificou que os biocombustíveis ainda precisam de suporte dos governos para avançar nos próximos anos. E que esses estímulos são mais eficientes na forma de mandatos do que por meio de subsídios à produção.

O sócio da consultoria, Fernando Martins, responsável pelas áreas de agricultura e energia renovável, diz que os mandatos permitem que o custo adicional da adoção de políticas energéticas seja repassado aos que usufruem dos biocombustíveis, e não a toda a sociedade, como ocorre com os subsídios. "No caso da mistura do etanol na gasolina, por exemplo, quem paga o custo é quem tem carro. Não é justo aos que usam transporte público também pagarem a conta".

Martins constata que os biocombustíveis ainda são mais caros que os combustíveis fósseis, o que reforça a tese da necessidade de políticas públicas para alavancar o consumo. "Até mesmo no Brasil, onde a produção é a mais eficiente na primeira geração, a indústria sofre quando o governo retira créditos tributários. Atualmente, o etanol é mais competitivo que a gasolina somente no Estado de São Paulo, onde os custos de produção e os impostos são mais baixos", afirmou o sócio da Bain & Company.

Na sua visão, a indústria de biocombustível é extremamente sensível a mudanças em políticas, portanto, a estabilidade é importante para o crescimento mais do que a escolha dos atuais instrumentos de política pública. "Na Alemanha, por exemplo, a retirada de subsídios criou excesso de capacidade de produção e puxou alguns produtores à insolvência. Nos Estados Unidos, muitos produtores estão hesitantes em investir em comercialização e ampliação dos biocombustíveis celulósicos sem a garantia de que o governo vai manter os mandatos até e depois de 2022", afirma.

Os biocombustíveis de segunda geração, diz ele, terão os mesmos desafios da primeira geração, como acesso a terra, alta dos custos trabalhistas e dificuldades logísticas (Brasil Agro 19/11/14)

 

Setor sucroenergético ganha cartilha para evitar furtos e roubos

Lançamento acontecerá durante o 10º Congresso Anual Gatua, no dia 25 de novembro, em Ribeirão Preto.

Caixa eletrônico é alvo de ladrões no interior de uma usina.

O alto investimento em máquinas e equipamentos, aliado ao fato de que as usinas estão localizadas em áreas afastadas, tornam essas empresas vulneráveis e alvos freqüentes dos criminosos. O setor sucroenergético tem sido vítima constante de ocorrências como furtos e roubos, causando prejuízos que são impactantes em sua sobrevivência, principalmente devido ao atual momento econômico. Pensando nisso, o Gatua (Grupo das Áreas de Tecnologia das Usinas de Açúcar, Etanol e Energia) convidou o especialista em segurança, com certificação internacional CPP (Certified Protection Professional – somente 29 no Brasil), David Fernandes da Silva, para palestrar durante o seu 10º Congresso Anual 2014, que acontece em Ribeirão Preto nos dias 25, 26 e 27 de novembro. Na ocasião, o consultor lançará uma cartilha de orientação denominada “Proteção de Usinas: Conceitos de Segurança Patrimonial para o Setor Sucroenergético”, para melhorar a segurança e evitar perdas que afetam a lucratividade.

O Coordenador Nacional da Gatua, Carlos Barros, afirma que a segurança é um ponto de grande preocupação neste segmento, pois as possibilidades de furtos e sinistros são grandes. “Existe grande preocupação em melhorar sempre os controles e processos de todas as áreas, principalmente o almoxarifado da área agrícola, onde existem insumos de alto valor financeiro, e também na área automotiva. Hoje a palavra ‘segurança’ está sempre em qualquer pauta de reuniões de diretoria, sem nenhuma dúvida”.

O Congresso Anual do GATUA, já em sua 10ª edição, traz conteúdo voltado para as áreas Agrícola e Industrial, além das áreas administrativas e financeiras. “O lançamento da cartilha vai colaborar com o setor expondo situações de risco que podem ser encontradas em muitas usinas de açúcar e, a cada situação dessa, oferecendo formas de melhorar a segurança e criar controles que permitam tornar a empresa mais segura. Vemos até que essa cartilha poderá se transformar em algo que evolua com o tempo, sendo revisada e enriquecida ano após ano, tornando-se referência sobre o assunto no setor”, afirma.

Durante o evento, haverá a distribuição gratuita da cartilha e tarde de autógrafos com o autor, inclusive para seus outros três livros publicados. (Jornal Cana 19/11/2014)

 

Índia e Fiji firmam acordo para cogeração

Fiji terá linha de crédito de 75 milhões de dólares para implantação de usina para cogeração e aprimoramento da indústria açucareira.

Em visita realizada nesta quarta-feira, 19, à Fiji, o primeiro ministro da Índia, Narendra Damodardas Modi, anunciou linha de crédito de 75 milhões de dólares para a implantação de uma usina de cogeração através do bagaço da cana-de-açúcar

Incluso neste montante está uma quantia, não divulgada, para o fortalecimento da indústria açucareira do país, que poderá usar o dinheiro em novas tecnologias para produção do açúcar.

O anúncio integra uma série de parcerias dos países para o fortalecimento das duas economias. (Jornal Cana 19/11/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O Banco do Japão (BoJ) decidiu, por oito votos a um, manter inalterada sua política de estímulos à economia do país. Com isso, a instituição financeira permanece com volume anual de compra de ativos no valor de 80 trilhões de ienes. Em pronunciamento após a decisão, o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, afirmou que o banco central não deverá adotar novas medidas de estímulos por causa do adiamento no aumento do imposto sobre vendas. Haruhiko também alertou para a possibilidade do núcleo de inflação ficar abaixo de 1,0%, já nos próximos meses.

2) Europa: A zona do euro registrou superávit em conta corrente de 30 bilhões de euros em setembro, maior do que o saldo positivo de 22,8 bilhões de euros alcançado em agosto. Segundo o Banco Central Europeu (BCE), apenas no segmento de bens, o superávit subiu para 20,7 bilhões de euros em setembro, de 18,1 bilhões de euros em agosto.

3) Inglaterra: Segundo ata da última reunião, dois dirigentes do Banco da Inglaterra (BoE) votaram a favor da elevação da taxa de referência, dos atuais 0,5% para 0,75%, enquanto os outros sete integrantes concordaram em manter a taxa inalterada. Os dois dissidentes, que apoiaram um aperto monetário pelo quarto mês consecutivo, mostraram alguma preocupação com relação ao cenário inflacionário, destacando a possibilidade de a inflação ultrapassar o teta da meta. Por outro lado, os demais integrantes destacaram a desaceleração da economia global e seu efeito negativo na economia do país.

4) Europa: Os investimentos no setor de construção da zona de euro recuaram em setembro, sinalizando a relutância das empreiteiras em desenvolver novos projetos dado o crescimento econômico mais fraco da região. De acordo com a Eurostat, os investimentos no setor caíram 1,8% em setembro ante agosto. A queda foi generalizada na região, mas a Itália teve o maior recuo.

5) Estados Unidos: O Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos registrou alta de 0,2% em outubro ante setembro, acima da projeção dos analistas, que esperavam queda de 0,1%. O núcleo do PPI também surpreendeu positivamente, avançando 0,4% em outubro, na mesma base de comparação, ante expectativa do mercado de alta de 0,1%.

Brasil

1) Petrobras: Segundo o Valor, nos últimos três meses, a Petrobras interrompeu a análise e os pagamentos de aditivos contratuais relacionados a obras de refinarias. A paralisação coincide, de acordo com as empresas fornecedoras da estatal, com o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato. Em nota, a Petrobras afirmou que está em dia com as suas obrigações contratuais.

2) Preços: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 0,72% na segunda prévia de novembro, frente avanço de 0,13% na mesma leitura do mês passado. O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa dos economistas, que projetavam alta de 0,73%. Até a segunda prévia de novembro, o índice acumula altas de 2,79% no ano e de 3,40% em doze meses.

3) Petrobras: Com os desvios citados na Operação Lava a Jato, a Petrobras poderá registrar perdas de até R$ 21 bilhões de reais, segundo o Morgan Stanley. Usando as informações dadas pelo ex-diretor da Petrobras, de que as propinas correspondiam a 3% do que era investido pela empresa, e adotando uma margem de erro, o banco considerou perdas de 1% a 5%, o geraria baixas contábeis entre R$ 5 bilhões e  R$ 21 bilhões.

4) Setor Elétrico: O leilão de linhas de transmissão realizado ontem pela Aneel teve pouca disputa, com a compra de apenas quatro dos nove lotes ofertados. O deságio médio do leilão foi de apenas 12,88%. A disputa ainda foi marcada pela forte presença das estatais. O diretor da Aneel, José Jurhisa Junior, afirmou que para aumentar a atratividade de futuros leilões de transmissão, a agência deve agregar mais projetos em um único lote.   

5) Política Monetária: Em apresentação sobre o Boletim Regional, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, sinalizou que a alta dos juros em outubro foi apenas o inicio de um novo ciclo de aperto monetário. Segundo Hamilton, o BC não será complacente com a inflação e, se for necessário, poderá recalibrar suas ações de política monetária.

6) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrou alta de 0,38% em novembro, ante 0,48% em novembro, bem abaixo da mediana das expectativas, de alta de 0,49%. No acumulado 12 meses, o indicador teve avanço de 6,42%.

7) Atividade: De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), elaborada pelo IBGE, a taxa de desemprego em outubro caiu para 4,7%, ante 4,9% em setembro, abaixo da mediana das expectativas, de 4,9%.