Macroeconomia e mercado

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Cosan pretende reduzir número de empresas na Bolsa para três companhia

Com a reorganização, a Cosan Limited (CZZ) vai controlar as três empresas de negócios do grupo: gás, energia e logística.

A Cosan pretende reduzir o número de companhias abertas listadas na bolsa brasileira com o término do processo de reorganização de sua estrutura para três empresas, disse o diretor vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores (CFO) da empresa, Marcelo Eduardo Martins, em uma apresentação para investidores e analistas estrangeiros nesta sexta-feira.

"É nosso objetivo, nosso foco, reduzir o número de companhias listadas no Brasil, pois pode haver sobreposições", disse Martins. O executivo destacou, porém, que não é uma estratégia "que deve ocorrer do dia para noite". No final do processo de reorganização, a Cosan vai ter três negócios, distribuição de gás, logística e energia, com uma única ação listada em bolsa em cada um, disse Martins.

No caso dos negócios de gás, o objetivo é abrir o capital da empresa de distribuição no Novo Mercado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Assim, a Cosan passaria a ter duas companhias listadas na bolsa no segmento, a Companhia de Distribuição de Gás e a Comgás. "A ideia é em algum momento discutir a migração dos acionistas da Comgás para a Companhia de Distribuição", disse Martins.

Pela estrutura apresentada no encontro, a Cosan Limited (CZZ) vai controlar as três empresas de negócios do grupo, gás, energia e logística, mas deve ser mais que uma administradora e pode fazer negócios e buscar parcerias. "A CZZ vai ter a habilidade de identificar oportunidades, guiar e investir", afirmou o diretor-presidente (CEO), Marcos Marinho Lutz.

Lutz ressaltou que a CZZ não será um private equity, como são chamados os fundos especializados em comprar participação em empresas. Mas ele disse que a CZZ tem como objetivo fazer negócios no futuro, incluindo buscar parcerias, como a que a Cosan fez no passado com a Shell, que criou a Raízen. "A CZZ vai ser o lugar onde os investidores podem esperar novos negócios", disse em sua apresentação.

"A nova infraestrutura vai nos permitir ser mais focados e mais eficientes", afirmou ele. Lutz avalia que apesar de 2015 prometer ser um ano cheio de desafios para o Brasil, as perspectivas para os próximos anos são positivas. No setor de gás natural, ele destacou a expectativa de a produção dobrar até 2020 (Agência Estado, 21/11/14

 

Produtores de cana em SP dizem que 2014 é para ser 'esquecido'

A estiagem que atinge todo o estado de São Paulo não tem prejudicado apenas o abastecimento de água em algumas cidades, mas também a produção de uma das principais culturas paulistas: a cana-de-açúcar. Na região noroeste, produtores lamentam o prejuízo na safra deste ano. De acordo com a Associação dos Plantadores de Cana (Aplacana), a queda na produção da região de São José do Rio Preto (SP) está entre 20% e 25%, em média – o balanço só será fechado no término da safra, ao fim de novembro. A Aplacana tem na região mais de 500 produtores associados e 300 fornecedores, abrangendo uma área de 40 municípios.

"Há muitos anos estávamos tendo uma produção crescente na região e mesmo neste ano, com uma área maior de plantio, a produção foi menor do que o esperado", afirma Donaldo Luís Paiola, presidente da associação. Donaldo afirma que a estiagem pegou a maioria dos produtores de surpresa e afetou não apenas a safra de 2014. "O prejuízo é visível. A cana não teve a brotação adequada e a próxima safra também fica comprometida”, diz.

“TENTAMOS RENEGOCIAR PARA IR PAGANDO AOS POUCOS, MAS RENEGOCIAR COM BANCOS É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL”

O produtor Juliano Maset tem uma propriedade em Monte Aprazível (SP), região de Rio Preto. Ele sente o castigo imposto pela longa duração da estiagem no estado. Apesar de a média de quebra de produção ser de 20%, ele, particularmente, terá uma quebra de 40%. “A minha produtividade será ainda menor porque tenho uma plantação antiga, e isso afeta também. A estiagem não ajudou muito no crescimento da cana”, diz.

Na última safra, Juliano colheu 12 mil toneladas e agora conseguiu colher 8 mil. Ele afirma que este ano foi um dos mais difíceis que já enfrentou. O produtor disse que não há uma técnica diferente no plantio para evitar o prejuízo, e que a expectativa é de que volte a chover para ajudar na próxima safra. “Esse ano foi muito complicado. Em março de 2015 vou começar a plantar para colher em 2016. A gente espera que a chuva volte e nos ajude para esta safra, pelo menos para conseguirmos pagar o prejuízo que tivemos agora por causa da seca”, afirma.

Na plantação do produtor Roberto Bispo, na região de Araçatuba (SP), a quebra na produção deste ano chega a 30%. A intenção dele para a safra de 2014 era colher 20 mil toneladas de cana, mas acabou produzindo 14 mil. “Foi bem abaixo do esperado realmente, ninguém esperava uma seca tão rigorosa como esta, afetou várias culturas”, afirma.

Com a baixa produção da cana, o prejuízo é sentido no bolso do produtor. Por isso, ele afirma que tenta equilibrar as contas tentando renegociar os valores com cooperativas e fornecedores de material. “Tentamos renegociar para ir pagando aos poucos, mas renegociar com bancos é praticamente impossível”, diz o produtor.

Tecnologias

Alguns produtores conseguiram diminuir, mas não evitar o prejuízo. Uma propriedade em Altair (SP) conseguiu evitar que a queda na produção fosse maior adotando algumas técnicas. Lá, as perdas ficaram abaixo de 10%.

“Diminuir o impacto com a seca está muito ligado aos bons tratos culturais e evitar a compactação de solo, para quando tiver a chuva, ela seja absorvida e a umidade dure mais tempo. Com uma adubação especial e colheitas com piloto automático, a qualidade do plantio é melhor. Com isso, temos conseguido no momento de crise como este um resultado razoável”, afirma o produtor Fábio César Campanelli.

Ele reveza o plantio de cana com o de milho e afirma que a estiagem começou a prejudicar também a colheita do grão deste ano, em meados de março. Já em relação à cana, segundo Fábio, para o plantio de 2013 a chuva foi suficiente, mas a seca deste ano prejudicou o desenvolvimento da plantação.

"Terminamos a safra no final de outubro, o ciclo foi reduzido porque sempre terminamos em meados de novembro. Como reduziu a produção, nós encurtamos o clico. Neste ano aconteceu até um fato raro, porque as máquinas não tiveram interrupção durante a colheita por causa da chuva”, afirma.

No ano passado, a produção na propriedade de Fábio foi de 98 toneladas por hectare, enquanto neste ano chegou a 91 toneladas. Apesar de estar otimista com a volta da chuva, ele acredita que a safra do ano que vem também ficará prejudicada. “O ano de 2014 é para ser esquecido. É muito cedo para falar em números, de qual será o impacto, até porque a cana consegue reverter parte do prejuízo com momentos de clima favorável, diferente de outras culturas. Mas vejo que muitas socas brotaram mal e fica a expectativa de um ano de baixa produção em 2015”, afirma. (G1 24/11/2014)

 

O salto tecnológico do cultivo canavieiro já começou

Na última década, observamos o paradoxal desenvolvimento de tecnologias inovadoras em cereais, resultando em expressivo ganho de produtividade e rentabilidade nessas culturas. A comparação imediata com o nível de adoção tecnológica na cultura canavieira parece desleal nesse espaço de tempo. Por se tratar de uma cultura regional, o desenvolvimento de tecnologias por parte da iniciativa privada sempre nos pareceu, erroneamente, destinado a não ser uma prioridade na agenda.

Felizmente as aparências enganam e a percepção de que inovações em cana-de-açúcar não são prioritárias são tão equivocadas quanto a condução das políticas macroeconômicas atuais destinadas ao setor. A cultura da cana-de-açúcar no Brasil está passando por uma revolução silenciosa com a disponibilização de novas tecnologias específicas para esse cultivo. O portfólio de tecnologias desenvolvidas para a cultura nunca foi tão extenso, de alto impacto e inovador em sua concepção. Arrisco-me a afirmar que estamos à frente da maior mudança tecnológica que a cultura já viu desde a mecanização, movimento este que é capaz de interromper o nefasto ciclo de baixa produtividade responsável, em parte, pela desesperança observada no setor.

A força motriz da inovação não está nos laboratórios de pesquisa das empresas, muito menos nos corredores da capital federal. Ela está no dia a dia do agricultor, na usina em sua inexorável necessidade por matéria prima de qualidade, no acionista em seu monólogo de retorno sobre o capital empregado. A necessidade é a mãe da inovação e foi dessa necessidade da cadeia de valor canavieira que muitas das inovações recém-lançadas nasceram. Enfim, a inovação já se faz presente no campo e o que era futuro já se concretiza no presente.

Foco esse artigo em um tema que tem consumido boa parte dos esforços das empresas e institutos pioneiros em pesquisa. Os sistemas de propagação e plantio, especialmente por meio de mudas sadias pré-brotadas, que são capazes de habilitar o agricultor a retomar uma antiga prática há muito esquecida no setor: a construção de bons viveiros. O viveiro saudável e com boas variedades é a base de um canavial de alta rentabilidade. Porém, manejar viveiros requer planejamento varietal sério, equipe qualificada, equipamentos de ponta e cálculo de risco-retorno sobre o investimento para suportar o projeto. E sua construção não é algo trivial e não pode ser tratada como tal.

A boa notícia vem dos próprios agricultores que já adotaram uma nova gama tecnológica. O custo de formação do canavial é reduzido quanto maior a adoção tecnológica e maior o planejamento. Sim, esse é um tema de custo. Vale lembrar que o custo é uma função de decisões e não uma consequência geográfica do setor.

Vale um exemplo: um bom viveiro, planejado para ser construído com alguns meses de antecedência, formado a partir de mudas sadias de variedades nobres, adaptadas ao solo e ao clima do local, que utilize equipamentos específicos para o plantio de mudas de cana pré-brotadas, tratados com fungicidas, inseticidas e herbicidas de ponta, geo-referenciado e irrigado é capaz de prover em média 40% mais gemas viáveis para o plantio do canavial. A unidade de medida não é mais a mesma. Viveiros não produzem cana, produzem gemas viáveis. Qualquer semelhança com o índice de fertilidade de cereais não é mera coincidência. O plantio mecanizado requer cerca de 20 toneladas de cana por hectare e uma operação complexa que envolve frentes de trabalho extensas. Com mudas sadias, o mesmo cultivo, mais produtivo e de melhor qualidade, requer cerca de duas mudas por metro. Simples assim. A tecnologia liberou a agrícola para focar naquilo que ela faz de melhor, planejamento.

A matéria prima de qualidade é somente o passo inicial dessa revolução que inicia um ciclo de maior produtividade nas lavouras de cana. Uma nova classe de defensivos agrícolas, capaz de prover efeitos fisiológicos positivos cria o ambiente de produtividade elevada que vai além da proteção de cultivos. Novos fertilizantes e micronutrientes, específicos para as demandas da cultura, vão gradativamente construindo o cenário do canavial que produz mais de 120 toneladas ao ano, ano após ano, com elevados teores de Açúcar Total Recuperável (ATR). Além disso, a tecnologia também propiciou para que o agricultor identifique rapidamente pontos de baixa biomassa e de falhas de stand, sendo possível a correção que visa unicamente elevar a longevidade desse canavial. Que tal manter um canavial altamente produtivo por 6 ou 7 cortes e ainda constatar que ele pode ir além disso?

Não se trata de futuro, mas de tecnologias que já estão disponíveis e em uso pelos pioneiros do setor. A adoção gradativa dessas tecnologias, longe de ser um sonho, já nos é realidade e o principal fator que nos faz acreditar no futuro promissor que a cana de açúcar tem no Brasil (Brasil Agro 21/11/14)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Alemanha: O índice de sentimento das empresas da Alemanha subiu de 104,7 em novembro, de 103,2 em outubro, ficando acima das expectativas dos analistas de 103. O índice que contempla as expectativas das empresas para os próximos 6 meses também surpreendeu positivamente atingindo 99,7 em novembro, de 108,4 em outubro, surpreendendo as estimativas do mercado de 98,5.

2) China: O conselho do Estado da China anunciou hoje diversas medidas para eliminar a burocracia e acelerar as aprovações de projetos de construção, operações de fabricação, comércio e varejo. O órgão do governo informou que as aprovações do governo central não serão mais necessárias ou entregues a autoridades provinciais.

3) China: Novos cortes de juros devem ocorrer para ativar a economia. A surpreendente redução nos juros anunciados mostrou uma mudança na estratégia do governo chinês que vinham insistindo com modestas medidas de estimulo.

4) Japão: A apenas três semanas das eleições parlamentares no Japão, o Partido Liberal Democrata, do primeiro ministro Shinzo Abe, aparece com ampla vantagem nas pesquisas que apontam que mais de um terço dos japoneses devem votar no grupo de Abe. Esse numero é três vezes maior que o apoio recebido pelo principal partido de oposição (Partido Democrático do Japão).

Brasil

1) Emprego: A criação de vagas com carteira de trabalho na economia brasileira esta no ritmo mais fraco desde 2002. No mês de outubro o pais fechou 30 mil vagas de trabalho. Dessa forma, em 2014, até outubro, foram abertas 912,2 mil empregos formais, sendo o pior resultado desde 2002.

2) Imposto de Renda: Caso a tabela progressiva do Imposto de Renda (IR) não seja reajustada, o contribuinte poderá pagar mais imposto em 2015. A medida provisória que corrigia os valores das faixas em 4,5% no próximo ano caducou no fim de agosto e ainda não foi enviado ao Congresso um novo texto propondo a atualização. O tempo para a aprovação da medida provisória é curto porque os parlamentares entram em recesso no dia 23 de dezembro.

3) Superfaturamento: De acordo com o jornal o Estado de São Paulo, auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que as empresas envolvidas no escândalo da Petrobras também são suspeitas de promover superfaturamento de preços em outros empreendimentos do governo federal. Os valores podem ter sido inflados em ao menos R$ 1,1 bilhão segundos os relatórios do TCU.

4) Contas Públicas: O governo federal tem pronto um pacote de medidas de corte de gastos para ajudar a cumprir a meta de superávit primário em 2015. A expectativa é que o anuncio seja realizado ainda nesta semana, mas a decisão depende do aval da presidente Dilma Rousseff e de sua nova equipe econômica.

5) Inflação: O IPC-S registrou alta de 0,58% na ultima semana, surpreendendo a expectativa dos analistas que esperavam alta de 0,50% e acelerando em relação a semana anterior que apresentou alta de 0,50%.