Macroeconomia e mercado

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Moagem de cana-de-açúcar no Centro-sul alcança 23,12 milhões de toneladas na primeira quinzena de novembro

São Paulo, 25 de novembro de 2014 – O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul atingiu 23,12 milhões de toneladas na primeira metade de novembro, queda de 28,45% no comparativo com igual período de 2013 (32,31 milhões de toneladas). No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 15 de novembro, a moagem alcançou 538,38 milhões de toneladas, apresentando queda em relação ao valor observado na mesma data da safra 2014/2015. Para o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “a quebra de safra começa a ficar evidente a partir dessa quinzena, pois é a primeira vez que a quantidade acumulada de cana-de-açúcar processada ficou aquém do valor observado na safra passada”. Essa tendência também se confirma quando a análise remete ao número de unidades com safra encerrada até o final da primeira quinzena de novembro: são 82 unidades em 2014, contra apenas 31 plantas em igual data no último ano.
Produtividade agrícola
De acordo com o levantamento realizado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade agrícola dos canaviais colhidos no Centro-Sul em outubro totalizou 67,0 toneladas por hectare, contra 73,6 toneladas por hectare verificadas no mesmo período de 2013 (queda de 9,00%). No acumulado desde o início da safra até o final de outubro, a produtividade alcançou 74,9 toneladas por hectare, com retração acumulada de 7,75% em relação às 81,2 toneladas por hectare observadas até a mesma data do ano anterior. No Estado de São Paulo, a quebra agrícola registrada é superior ao valor agregado observado para o Centro-sul. No acumulado desde o início da safra até o final de outubro, a queda de rendimento agrícola no Estado totalizou 12,11% (74,7 hectares por tonelada neste ano, frente às 85,0 toneladas em 2013/2014).
Qualidade da matéria-prima
A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 135,87 kg na primeira quinzena de novembro, ante 146,12 kg observados na quinzena anterior e 133,81 kg por tonelada verificados na mesma quinzena da safra anterior. No acumulado desde o início da moagem em 2014/2015 até 15 de novembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 137,07 kg por tonelada, contra 133,67 kg por tonelada registrados em igual período de 2013.
Produção de açúcar e de etanol
Seguindo a tendência observada nas últimas quinzenas, a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar nos primeiros quinze dias de novembro (40,33%) manteve-se consideravelmente abaixo do nível observado na mesma data da safra passada (47.94%). Com isso, a produção de açúcar nos primeiros quinze dias do mês atingiu 1,21 milhão de toneladas, retração de 38,88% sobre o valor verificado em 2013 (1,97 milhão de toneladas). A produção de etanol, por sua vez, alcançou 1,10 bilhão de litros, sendo 438,54 milhões de litros de etanol anidro e 660,79 milhões de litros de etanol hidratado. No acumulado desde o início da safra até 15 de novembro, a produção de açúcar atingiu 30,71 milhões de toneladas (queda de 3,08% em relação ao índice registrado na safra passada) e a de etanol 24,38 bilhões de litros (crescimento de 5,11% no comparativo com 2013). Para Rodrigues, “os números desta quinzena deixam claro que a safra deste ano vai ser mais alcooleira, até o momento a retração na produção de açúcar atinge quase 1 milhão de toneladas”.
Vendas de etanol
As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul na primeira quinzena de novembro somaram 1,07 bilhão de litros, com 1,00 bilhão de litros direcionados ao mercado interno e apenas 67,58 milhões de litros à exportação. Especificamente em relação ao volume comercializado de etanol hidratado no mercado doméstico, este somou 609,97 milhões de litros na primeira metade de novembro, frente a 564,80 milhões de litros registrados nos primeiros quinze dias de novembro em 2013.
As vendas internas de etanol anidro, por sua vez, totalizaram 390,90 milhões de litros na primeira quinzena de novembro, contra 368,56 milhões de litros apurados no mesmo período de 2013.
O Diretor da UNICA esclarece que “os dados reportados pelas unidades produtoras referem-se ao volume retirado pelas distribuidoras e esse indicador é influenciado pelo número de dias úteis na quinzena”. Quando a comparação é realizada em termos de vendas de etanol hidratado por dia útil, é possível concluir que as vendas nos primeiros quinze dias de novembro cresceram 7,42% em comparação com a última quinzena de outubro deste ano, acrescentou o executivo. No acumulado de abril até 15 de novembro, as vendas de etanol alcançaram 15,34 bilhões de litros. Deste montante, 14,45 bilhões de litros direcionaram-se ao abastecimento do mercado interno e apenas 891,17 milhões de litros à exportação. (UNICADATA - 25/11/2014)

 

Campo fértil

O Tide Group, um dos grandes fabricantes de defensivos agrícolas da China, está se espalhando pelas lavouras brasileiras.

Após comprar a paranaense Prentiss, deverá investir cerca de US$ 200 milhões para ampliar sua produção. (Jornal Relatório Reservado 25/11/2014)

 

Saiba como a Usinas Itamarati tem trabalhado para se recuperar financeiramente

Ações a curto prazo foram implementadas; moagem será maior do que o previsto inicialmente;

A Usinas Itamarati, localizada no sudoeste do Mato Grosso, na cidade de Nova Olímpia, deve fechar a safra 2014/15 com moagem superior ao previsto inicialmente. As chuvas que se ausentaram em diversas regiões do país, foram benéficas naquela localidade, tornando possível o esmagamento de 4,7 milhões de toneladas de cana, 500 mil a mais do que o estimado.

Antonio Carlos Christiano, presidente da empresa, diz que tem trabalhado para recuperar as finanças da usina. Há cerca de um ano a frente da companhia, conta detalhes do plano estabelecido. “Fizemos uma completa reestruturação da companhia, diminuindo as despesas significativamente. Temos contado também com uma grande ajuda dos fornecedores e estamos tentando alongar a dívida passada. Devemos terminar a entressafra em 30 de março com todos os fornecedores deste ano pagos, coisa que não vinha acontecendo”, afirma.

Um fato que chama a atenção é o trabalho de escambo promovido pela usina. A prática, utilizada durante os primórdios da colonização portuguesa do Brasil, se caracteriza pela troca ou permuta entre produtos. “Voltamos ao passado neste quesito. Hoje, recebemos herbicida e óleo diesel, por exemplo, e trocamos por etanol. Com isso, mantemos as contas em dia”, diz Christiano.

A usina conta com capacidade de moagem de 6,3 milhões de toneladas de cana por safra, sendo capaz de produzir diariamente 1.500 m³ de etanol e 2 mil toneladas de açúcar. A unidade é autossuficiente em energia elétrica, com capacidade de produção de 36 MW a partir do bagaço da cana. (Jornal Cana 25/11/2014)

 

Africanos iniciam produção de cana para atender Açucareira de Moçambique

A associação de camponeses de Nhamatanda acaba de lançar um projeto de produção de cana-de-açúcar numa área de 60 hectares que terá como destino a fábrica de Mafambisse da Açucareira de Moçambique, província de Sofala. A iniciativa conta com o apoio do governo central por meio do Projeto de Desenvolvimento de Irrigação Sustentável (Proirri), e prevê uma produção de 95 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, sendo que a primeira colheita de cana está prevista para Novembro de 2015.

Segundo Rui Vicente, presidente da associação local de camponeses, a concretização deste projeto é uma realização para a comunidade.

O diretor fabril da Açucareira de Moçambique, Pascoal Macule, afirma que a participação do grupo sul africano Tongaat Hulett, que controla 85% do capital social da empresa, consiste na gestão, compra da produção, manutenção do sistema de irrigação e o apoio técnico. (Com informações do jornal Notícias, de Maputo). (Jornal Cana 25/11/2014)

 

Aneel deve reduzir à metade valor teto da energia no mercado à vista

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve aprovar, em votação nesta terça-feira (25), a redução, pela metade, no preço máximo a ser cobrado pela energia no chamado mercado à vista. O teto, que hoje é de R$ 822 por megawatt-hora, cairá a R$ 388 e o mínimo ficaria em R$ 30,26 por megawatt-hora. O novo valor deve valer a partir de 29 de dezembro.

Essa medida é importante porque reduz as chances de nova crise financeira no setor elétrico e de prejuízo aos consumidores. Como a que ocorre em 2014 e levou o governo a emprestar de bancos R$ 17,8 bilhões para cobrir custos extras das distribuidoras. Esse empréstimo será pago pelos consumidores entre 2015 e 2017, por meio de reajustes mais altos nas contas de luz.

Neste ano, o PLD ficou mais caro por causa da falta de chuva, que fez com que o nível dos reservatórios das hidrelétricas ficassem muito baixos. Por isso, as distribuidoras que tiveram que comprar energia no mercado livre acabaram precisando de ajuda financeira do governo.

O G1 apurou, porém, que a Aneel deve desistir da outra proposta que mexe com a energia no mercado à vista: a nova definição de quem paga eventuais custos extras gerados pela redução no valor teto dessa energia.

Hoje essa conta é rateada entre todos os consumidores de eletricidade no país, o que faz com que ela seja diluída. Mas a Aneel propôs, em outubro, que ela fosse repassada apenas aos clientes das distribuidoras que efetivamente compram energia no mercado à vista.

Durante debate em audiência pública no início de novembro, essa alteração foi duramente criticada por agentes do setor elétrico, pois pode obrigar poucos consumidores a arcarem com custos bilionários. Por isso, a decisão da agência nesta terça deve se ater à redução no valor máximo da energia.

Como funciona

A legislação brasileira obriga as distribuidoras de energia a terem sob contratos, a preços fixos, toda a energia que precisam para atender aos seus consumidores. Essa eletricidade é comprada pelas empresas em leilões realizados todos os anos pelo governo.

Em 2012, porém, o governo deixou de realizar um desses leilões. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), devido a isso algumas distribuidoras do país passaram, desde então, a comprar parte da energia que precisam no mercado à vista, onde o preço do megawatt-hora flutua.

Cabe à Aneel definir o valor máximo e mínimo da eletricidade comprada nesse mercado. E é entre esses dois patamares que ele flutua, de acordo com a situação dos reservatórios e a previsão de chuvas, por exemplo. A alteração no valor máximo é feita por meio da substituição da chamada térmica de referência, ou seja, da usina cujo preço de produção de energia serve de base.

O valor do megawatt no mercado à vista é calculado toda semana. Atualmente, está valendo o teto de R$ 822. Para se ter uma ideia, as usinas que renovaram suas concessões dentro do plano do governo para baratear a energia, em vigor desde o ano passado, vendem o megawatt-hora a cerca de R$ 30, ou seja, 27 vezes menos.

Em situações normais, a energia no mercado à vista é relativamente barata. Nos últimos meses, porém, ela encareceu muito e atingiu o teto devido à estiagem e consequente queda no nível dos principais reservatórios de hidrelétricas do país. As distribuidoras que dependem do mercado à vista, então, passaram a ter contas milionárias com a compra de energia. E pediram socorro ao governo, alegando não ter recursos suficientes para fazer frente a esse gasto extra.

Empréstimo

Por isso o governo anunciou, em março, um plano de socorro em que seriam tomados empréstimos bancários para pagar pela energia comprada no mercado à vista e também o custo extra pelo uso mais intenso das termelétricas, outra consequência da estiagem. Foram tomados dois empréstimos, no valor total de R$ 17,8 bilhões. Os consumidores vão pagá-los ao longo dos próximos 3 anos (de 2015 a 2017). Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), porém, ao final do processo os empréstimos vão custar aos brasileiros R$ 26,6 bilhões.

Simulação apresentada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aponta que, se o teto de R$ 388 para a energia no mercado à vista estivesse valendo em 2014, geraria aos consumidores uma economia de R$ 7,3 bilhões apenas entre fevereiro e agosto. (G1 25/11/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1)Japão: O presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, reiterou seu compromisso em elevar a inflação do país, mantendo a expectativa de que o nível de preços de 2% seja atingido já em meados do ano fiscal de 2015. Em discurso realizado para lideres empresarias; Kuroda ainda afirmou que um aumento da expectativa de preços precisa entrar na cabeça dos empresários.

2) Europa: O PIB da Alemanha cresceu 1,2% no terceiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013, em linha com a projeção dos economistas. Na comparação com o segundo trimestre, a economia alemã registrou expansão de 0,1%, também em linha com as expectativas.

3) Europa: O índice de confiança das empresas francesas subiu para 99 em novembro, de 98 em outubro, acima da expectativa dos analistas, que esperavam estabilidade do indicador neste mês. O resultado é o mais alto do índice desde maio deste ano, e foi impulsionado pelo aumento das encomendas e de uma perspectiva mais otimista para a produção.

4) Austrália: O vice-presidente do Banco de Reserva da Austrália (RBA), Philip Lowe, alertou que o dólar australiano permanece em níveis extremamente elevados. Para Philip, a moeda australiana precisa se desvalorizar, dada a queda nos termos do comércio e nos investimentos.

5) Europa: O presidente da Comissão Europeia, Jean-Calude Juncker, vai anunciar nesta semana um plano de 315 bilhões de euros para estimular a economia da Europa. O plano, preliminarmente chamado de Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (Fies) deverá contar com um aporte inicial de 21 bilhões de euros da União Europeia. Este capital será usado como garantia para levantar financiamento privado a ser investido em projetos de alto risco, estimados em 315 bilhões de euros.

Brasil

1) Energia Elétrica: A redução do preço máximo da eletricidade no mercado de curto prazo, se aprovada hoje pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), deve desencadear uma corrida das empresas de energia à Justiça. Segundo o Valor, o setor elétrico tem sofrido uma onda de ”judicialização”, na qual a maioria das disputas tem sido resolvida nos tribunais. A Advocacia-Geral da União (AGU) contabiliza que 53 empreendimentos do setor são alvo de contestação judicial.

2) Fiscal: A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, nesta segunda-feira, o texto principal do projeto de lei que retira o limite dos investimentos e desonerações que pode ser abatido do superávit primário. Agora, o texto seguirá para o Plenário do Congresso Nacional, último passo para a aprovação definitiva do projeto.

3) Setor externo: O déficit em transações correntes em outubro atingiu os US$ 8,1 bilhões, maior saldo negativo para o mês da série histórica. Com esse resultado, o déficit acumulado em 12 meses ficou em US$ 84,4 bilhões, ou 3,73% do PIB, maior marca desde fevereiro de 2002 (3,94%). Os últimos resultados ruins das contas externas podem frustrar a expectativa atual do Banco Central, de déficit de US$ 80 bilhões para 2014. Além disso, a estimativa do BC de US$ 63 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) também pode não ser alcançada. Até outubro, o IED totalizava apenas US$ 51,2 bilhões.

4) Fiscal: Em outubro, a arrecadação federal somou R$ 106,215 bilhões, registrando queda real de 1,33% ante o mesmo período de 2013. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, o pagamento de tributos atingiu R$ 968,725 bilhões, uma elevação real de apenas 0,45% na comparação com o ano passado. O baixo crescimento da economia e as elevadas desonerações tributárias prejudicaram a arrecadação deste ano. Nesse cenário, a Receita reduziu de 1% para zero a expectativa de crescimento real da arrecadação de 2014.

5) Preços: O Índice Nacional de Custos da Construção – Mercado  (INCC-M) ficou em 0,30% em novembro ante 0,20% em outubro, acima da mediana dos economistas, de alta de 0,19%. Até novembro, o INCC-M acumula altas de 6,46% no ano e de 6,7% em 12 meses.

6) Fiscal: Segundo o Valor, a nova equipe econômica do governo Dilma Rousseff vai discutir a possibilidade de fixação de um teto para os gastos correntes. A expectativa é que, nesta quinta-feira, a presidente anuncie os nomes da nova equipe e apresente as diretrizes da política econômica do seu segundo mandato.