Macroeconomia e mercado

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Indústria de base do setor sucroenergético demite 2500 em 2014

As indústrias de base, aquelas que fornecem equipamentos e manutenção para as usinas de cana-de-açúcar, demitiram cerca de 2500 trabalhadores entre janeiro e outubro deste ano. O setor, que vive um dos piores momentos de sua história, espera por medidas de apoio do governo federal.

Em Sertãozinho, interior de São Paulo, as indústrias de base tiveram quase 50% do orçamento reduzido por conta da grave crise do setor. As empresas esperam que as medidas do governo federal possam amenizar a situação nos próximos meses.

– No momento em que essa concorrência desleal acabar de existir (com o subsídio da gasolina), isso irá ajudar o setor. Porém, somente isso não resolve, pois o problema é macro. Nós temos problemas de preço de energia, custo de produção, tanto das usinas quanto das indústrias. Então apenas isso não resolve o problema, mas ajuda – comenta o diretor do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-BR) Gilson Rodriguez.

A entressafra é o período quando, geralmente, as indústrias investem em infraestrutura e contratações. Mas, para este ano, o setor calcula uma redução de, pelo menos, 30% na mão-de-obra.

O Sindicato dos Trabalhadores da região não quis se pronunciar sobre o assunto, mas disse contabilizar cerca de 2500 demissões no setor de janeiro a outubro deste ano. A situação é tão delicada que algumas empresas ainda não fizeram o acerto de contas com os funcionários desligados.

A cadeia produtiva da caldeira, por exemplo, é muito grande e envolve desde a indústria de automação, instrumentação, controle, tratamento de água, turbina geradores. É necessário envolver grandes empresas. Nós fizemos o máximo de esforço para reduzir custos e buscar eficiência. Agora é preciso das ações do goveno. Tudo que era possível de fazer já foi feito – completa o diretor do Ceise-BR.

Um dos exemplos é a indústria Zanini tem mais de 60 anos no setor sucroenergético na produção de caldeiras e tanques para usinas. Para enfrentar a crise, a empresa precisou diversificar a produção, passando a atender outros mercados, como papel de celulose, gás, óleo e serviços de manutenção.

A área de óleo e gás nós sabemos que há uma demanda mais forte do ponto de vista de exigências. Você tem várias documentações e vários tipos de treinamentos necessários para atender o setor. Mas nós não podemos nos esquecer de que o próprio setor sucroenergético caminha para elevação de nível de exigência, para nós esse ensaio do petróleo e gás também serve para atender as usinas do futuro – afirma o presidente da empresa, Dario Costa Gaeta. (Cana rural 27/11/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Estados Unidos: As encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos no mês de outubro cresceram 0,4% ante setembro, acima da expectativa dos economistas, de queda de 0,5%. Entretanto, os dados abertos não mostram um cenário tão positivo. O aumento das encomendas no mês de outubro refletiu, em grande parte, a forte alta na demanda por aeronaves e peças de defesa, compensando a fraca demanda por outros bens. Excluindo o grupo de transportes, as encomendas recuaram 0,9% na comparação mensal de outubro. Sem bens do setor de defesa, as encomendas caíram 0,6%.

2) Europa: O PIB da Espanha avançou 0,5% no terceiro trimestre ante o segundo e cresceu 1,6% na comparação anual, em linha com as estimativas preliminares. No entanto, a taxa de inflação continua preocupando os países da zona do euro. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) harmonizado da Espanha teve queda de 0,5% na comparação anual em novembro, após recuar a um ritmo mais lento de 0,2% em outubro.

3) China: O lucro industrial na China avançou 6,7% de janeiro a outubro, na comparação com o mesmo período de 2013, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. O resultado representa uma desaceleração frente a alta de 7,9% registrada no acumulado dos nove primeiros meses do ano. Só no mês de outubro, o lucro recuou 2,1%, na comparação anual, depois de ter crescido 0,4% em setembro. O desempenho pior do lucro industrial no mês passado é resultado de uma demanda mais fraca, sinalizando que a economia chinesa está desacelerando.

4) Europa: A taxa de desemprego da Alemanha permaneceu em 6,6% em novembro, levemente abaixo da projeção dos analistas, de 6,7%. O número de desempregados no país caiu 14 mil neste mês, acima da expectativa dos economistas, que previam recuo de mil trabalhadores em busca de emprego.

5) Europa: A base monetária da zona do euro (M3) subiu 2,5% em outubro ante igual período do ano passado, abaixo da previsão dos analistas, de alta de 2,6%. Em setembro, o M3 também cresceu 2,5% na comparação anual. Na média móvel de três meses, a oferta monetária teve alta de 2,3%, acelerando em relação ao aumento de 2,1% auferido na leitura imediatamente anterior. Por outro lado, os empréstimos ao setor privado caíram 1,1% em outubro ante mesmo período de 2013. Além disso, o mês de setembro já tinha registrado queda de 1,2% nos empréstimos.

Brasil

1) Fiscal: O governo não conseguiu o quórum necessário no Congresso para a votação do projeto que flexibiliza a meta de superávit primário. Uma nova tentativa de votação será realizada na próxima terça-feira, 2 de dezembro.

2) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) subiu 0,58% na terceira quadrissemana de novembro, ante 0,53% na leitura imediatamente anterior. Destaque para a aceleração dos itens Despesas Pessoais e Alimentação. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções, de 0,61%.

3) Atividade: Com excesso de estoques, queda nas vendas para o mercado interno e recuo das exportações, a indústria automobilística está programando férias coletivas mais longas no fim deste ano, de acordo com o Valor. Embora o mercado esteja confirmando o tradicional aquecimento das vendas de final de ano, o objetivo do setor neste momento é diminuir os estoques, que superavam 413 mil veículos no fim de outubro, suficiente para 40 dias de vendas. A meta é reduzir esse volume para algo entre 30 e 35 dias.

4) Preços: O IGP-M – o índice geral de preços do mercado (IGP-M) apresentou alta de 0,98% em relação a outubro, acima das expectativas de alta de 0,95%, acelerando em relação ao mês anterior que apresentou alta de 0,28%. Na comparação anual,  o índice apresentou alta de 3,66% ante outubro, acima das expectativas do mercado de 3,6%, acelerando em relação ao mês anterior que apresentou alta de 2,96%.  Os subitens do índice também apresentaram aceleração: o Índice de Preços ao Produto Amplo (IPA) subiu 1,26% ante o mês anterior (0,23%), o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC)  subiu 0,30% ante o mês anterior (0,20%) e o Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,53% ante o mês anterior (0,46%)

5) Fiscal: O governo central registrou em outubro superávit primário de R$ 4,1 bilhões, após cinco meses consecutivos de resultado negativo. No acumulado do ano, o governo central te, déficit de R$ 11,6 bilhões, o que significa que terá de fazer um superávit primário de R$ 21,7 bilhões nos últimos dois meses do ano, para cumprir a meta estabelecida no último relatório de receitas e despesas, de R$ 10, 1 bilhões.