Macroeconomia e mercado

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A crise fabricada da cana

Crises são inerentes a qualquer atividade produtiva. São geradas normalmente por fatores externos, ou seja, excesso de produção derrubando preços, problemas climáticos, queda de consumo, enfim, diversos fatores. Estas são as crises de mercado. Outras são crises fabricadas, ou seja, crises desnecessárias, pois são fruto de erros grosseiros de políticas públicas, ou de gestão. Este é o caso da cana. A cana hoje está em crise, carregando a sociedade brasileira para um agravamento da crise econômica, por causa principalmente do governo federal, inerte, mesmo com todos os avisos, desde 2008.

São muitos os prejuízos à sociedade brasileira devido à crise no setor sucroenergético. Em primeiro lugar, a perda do potencial exportador de açúcar. O consumo, de acordo com a Organização Internacional do Açúcar, tem crescido 2,24% ao ano e a Tailândia tem tomado espaço do Brasil.

Na mesma linha de raciocínio, tem-se também a perda do potencial exportador de etanol, visto que o mercado americano está aberto em mais de 8 bilhões de litros/ano, e o país não se encontra em boa situação para se tornar um exportador em quantidade. O Brasil passou a realizar importações do biocombustível dos EUA. As importações atingiram volumes aproximados de 310 milhões de litros na safra 2013/14, com previsão de dobrar esse volume na safra 2014/15. A cana, que poderia dar enorme ajuda para reduzir a deficitária balança comercial do Brasil, não tem contribuído.

Com o aumento da frota no país, ocorreu uma explosão do consumo e das importações também de gasolina, afetando desnecessária e gravemente a balança comercial e a Petrobras. Pela bizarra política governamental de manutenção artificial do preço da gasolina, a Petrobras passou a importar grandes quantidades de gasolina a um preço maior que o repassado para as distribuidoras, gerando um rombo enorme no caixa da empresa. O etanol foi substituído pela gasolina, gerando um adicional de poluição, visto que a gasolina não é um combustível renovável.

A perda de participação do etanol – e também da cogeração de energia através da queima do bagaço e da palha da cana – é mais um ponto que prejudica o país no alcance das metas ambientais que se propôs a cumprir.

A cogeração de energia pela biomassa poderia gerar muito mais, mas preferiu-se ligar as termoelétricas, muito mais poluentes, e com custo de produção bem mais caro.

Com toda a crise que o setor vem enfrentando, o país perde em arrecadação de impostos atuais e potenciais, e principalmente desperdiça o potencial de geração de empregos e de geração e distribuição de renda com novas usinas. Passou-se por uma perda de 60 mil empregos diretos nos últimos dois anos no setor produtivo; nesse ano, 44 usinas fecharam na região Centro-Sul do país. Está se destruindo o setor de bens de capital na área, líder mundial em tecnologia. Em Sertãozinho (SP), uma das áreas mais importantes em metalurgia para o setor sucroenergético, em 2007 havia 15 mil metalúrgicos, com potencial para 20 mil, e hoje não passam de 10 mil metalúrgicos.

Energia é poder, soberania e imagem internacional, e a perda desses fatores pela sociedade é resultante de equivocadas políticas governamentais na área de energia. Para salvar o setor sucroenergético, retornando seus benefícios à sociedade, tem-se de partir para outra agenda, já conhecida há seis anos pelo menos, mas parcialmente ignorada pelo governo brasileiro, que, neste caso da cana, demonstra uma cegueira “como nunca antes vista na história deste país”. (A Gazeta do Povo 01/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo          

1) China -  Os indicadores da indústria chinesa apontam para uma desaceleração do setor. O PMI industrial oficial do país caiu para 50,3 em novembro, de 50,8 em outubro, abaixo da previsão dos economistas, que sugeria uma queda menor, para 50,6 pontos. O PMI industrial, medido pelo HSBC, também registrou recuo, para 50 em novembro, de 50,4 em outubro, resultado mais baixo desde maio. Os dados do mês passado apontam para um mercado de trabalho ainda enfraquecido e fortes pressões deflacionárias.

O mercado imobiliário Chinês continua dando sinais de fraqueza, principalmente nas cidades menores. Segundo pesquisa da Soufun, os preços dos imóveis em cem cidades chinesas caíram 0,38%, desacelerando do recuo de 0,40% registrado em outubro. Esta foi a sétima queda consecutiva do indicador. Entretanto, considerando apenas as dez maiores cidades do país, observa-se alta de 0,07% nos preços dos imóveis, com destaque para Pequim, onde além dos preços, as vendas cresceram 24% entre outubro e novembro.

3) Europa – O PMI industrial da zona do euro recuou para 50,1 em novembro, de 50,6 em outubro, abaixo da previsão dos analistas, de 50,4. Destaque negativo para o indicador da indústria alemã, que caiu para 49,5 em novembro, de 51,4 em outubro, abaixo da projeção do mercado, de 50, e menor patamar em 17 meses. Já a França, também apresentou queda do PMI industrial, de 48,5 para 48,1, porém o resultado foi melhor que a expectativa dos analistas, de 47,6.

4) Japão – A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating soberano do Japão de Aa3 para A1, com perspectiva estável, argumentando que aumentaram as incertezas sobre a capacidade do governo japonês de cumprir com as metas de redução do déficit fiscal e sobre a eficácia das políticas atuais em estimular a economia do país, em meio a um ambiente de pressões deflacionárias.

5) Reino Unido – O PMI industrial do Reino Unido subiu para 53,5 em novembro, de 53,3 em outubro, maior nível em quatro meses e acima da previsão dos analistas, que esperavam recuo do indicador para 52,8.

6) Commodities – Com relação ao mercado de commodities, o petróleo continua se desvalorizando. O barril de Brent opera nesta manhã em queda de 1,37%, e o de WTI tem baixa de 1,18%. Entre os metais, o cobre apresenta recuo de 0,83%, refletindo os resultados fracos do setor industrial chinês.

Brasil                          

1) Fiscal – O governo estima que, em 2015, o valor que será pago por obras já realizadas, inserido na rubrica “restos a pagar”, será superior aos novos investimentos. Segundo o Relatório da Câmara, até o dia 10 de novembro, o governo adiou para 2015 o pagamento de R$ 89,7 bilhões. Já a previsão de investimento para 2015 é de R$ 67,2 bilhões.

Segundo a Folha, governadores petistas recém eleitos começaram a articular a volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira). A presidente Dilma Rousseff não discordou da articulação, mas fez uma ressalva, afirmando que é necessário avaliar a conjuntura política para a adoção da contribuição.

3) Preços – O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) ficou em 0,65% em novembro, de 0,43% em outubro, em linha com a expectativa dos economistas. O grupo habitação foi o que mais contribuiu para a aceleração do indicador em novembro. Com esse resultado, o IPC-S acumula altas de 6,07% no ano e 6,81% em 12 meses.

4) Fiscal - Para reequilibrar as contas públicas, o governo estuda além da volta da Cide e do corte do abono salarial, o aumento da alíquota de PIS/cofins sobre produtos importados e a elevação da tributação sobre cosméticos. Estima-se que a duas medidas poderiam gerar R$ 5 bilhões de recursos extras em 2015. As propostas fazem parte de um pacote apresentado pelo Guido Mantega à Dilma Rousseff, e repassado aos futuros ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa. Segundo a Folha, a nova equipe econômica deve avaliar as medidas e finalizar um pacote fiscal ainda este ano.

5) Focus – A projeção para o IPCA do próximo ano continua pressionada, enquanto a expectativa é de expansão menor no crescimento da economia em 2014 e 2015. Segundo o Boletim Focus, o mercado manteve a projeção de alta de 6,43% para o IPCA 2014, mas subiu de 6,45% para 6,49% a previsão do IPCA para o próximo ano. Já com relação ao PIB, para 2014 a previsão recuou de 0,20% no relatório anterior, para 0,19%. Em 2015, a expectativa é que o PIB cresça 0,77%, ante previsão anterior de 0,80%.

6) Atividade – Com desaceleração da economia e queda nas vendas, 2014 registrou o recorde em lay-offs, férias coletivas e programas de demissão voluntária nas montadoras. Segundo o Estado, esses expedientes foram adotados em quase todos os meses deste ano, para tentar driblar a ociosidade das fábricas, que supera os 20%. Além disso, neste final de ano, a maioria dos trabalhadores de montadoras deverá ficar em casa. Nas autopeças, 80% das empresas também vão parar por períodos que acompanham as montadoras.