Macroeconomia e mercado

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Ciclo de baixa do preço do açúcar deve 'virar', prevê Biosev

O diretor-presidente da Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), Rui Chammas, disse há pouco que o ciclo de baixa dos preços do açúcar, iniciado em 2010, está "no momento da virada".

Conforme ele, a relação entre estoques e consumo está atualmente em torno de 46%, mas deve cair para 35% até a safra 2016/17 e para 21% até 2018/19. "Toda vez que a relação está em 30%, ocorre uma melhora de preço", comentou durante reunião com analistas em São Paulo.

A relação entre estoques e consumo é aquela que mostra quanto da demanda mundial é atendida apenas pelas reservas de açúcar. Hoje, por exemplo, a demanda global está em cerca de 180 milhões de toneladas, sendo que 46% desse volume pode ser preenchido apenas pelos estoques mundo afora.

Na safra do ano que vem, essa relação deve cair para 41%, segundo Chammas. "O preço atual (do açúcar) não justifica novos investimentos", comentou o executivo.

Atualmente, a commodity é negociada entre 15 centavos e 16 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, referência mundial para o mercado.

A Biosev nasceu em 2009, a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, uma das maiores companhias nacionais na produção e processamento de cana-de-açúcar. Ela é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades industriais estrategicamente localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil.

 

Camargo Corrêa e China Railway são trens em rota de colisão

Enquanto a Operação Lava Jato avança, os planos da Camargo Corrêa para o segmento de concessões ferroviárias retrocedem.

A associação com a China Railway Construction Corp (CRCC) para a próxima rodada de leilões da ANTT, que já era tratada pelo altocomando da construtora como favas contadas, está descarrilando. Em julho, na esteira da visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil, as duas empresas assinaram um termo de acordo para estudos de viabilidade de investimentos em logística.

A ideia original era formalizar a parceria ainda neste ano, mas, segundo fontes que acompanham as negociações, dificilmente este prazo será cumprido. Há um impasse em relação à composição societária do consórcio. Os chineses, que, a princípio, teriam uma fatia minoritária no negócio, subitamente mudaram de direção. A CRCC teria condicionado o acordo à garantia de uma participação superior a 51%.

O grupo asiático alega que a maior parte do funding virá da sua lavra - leia-se as operações de financiamento já engatilhadas com um pool de instituições de seu país, a começar pelo China Development Bank.

Como instrumento de pressão, os chineses já sinalizaram aos dirigentes da Camargo Corrêa que, na paralela, abriram conversações com a OHL e a Isolux, que substituiriam a construtora brasileira no consórcio. Procurada pelo RR, a Camargo Corrêa limitou-se a informar que não integra qualquer consórcio com a CRCC.

Perguntada se o termo de acordo firmado em julho foi desfeito e se as conversações com os chineses estão definitivamente interrompidas, a empresa não se pronunciou. De acordo com as mesmas fontes, a abrupta mudança no posicionamento da CRCC pode ter ligações com o recente caso protagonizado pela companhia no México.

Há cerca de duas semanas, o governo mexicano cancelou uma licitação vencida pelos chineses para a construção de uma linha férrea entre a Cidade do México e Querétaro, na região central do país.

Além da perda do negócio, o grupo ainda viu escorrer pelo ralo algumas dezenas de milhões de dólares que desembolsou em estudos técnicos de viabilidade.

É possível que o episódio tenha descarregado na corrente sanguínea dos asiáticos uma boa dose de desconfiança em relação à América Latina.

No entanto, diante das circunstâncias, línguas mais ferinas destilam a tese de que a CRCC teria deliberadamente criado uma situação de impasse para forçar o fim das negociações e manter prudente distância da Camargo Corrêa. (Jornal Relatório Reservado 03/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: O setor de serviços chinês presenciou um melhora marginal no mês de novembro. O PMI de serviços, medido pelo HSBC, subiu para 53 em novembro, de 52,9 em outubro. Com esse resultado, o PMI composto caiu para 51,1 em novembro, de 51,7 em outubro, reflexo do fraco desempenho da atividade do setor manufatureiro nos últimos meses.

2) Austrália: O PIB da Austrália cresceu 0,3% no terceiro trimestre frente ao segundo, abaixo da expectativa dos economistas, de alta de 0,7%. Na comparação anual, o crescimento da economia também ficou abaixo do esperado. O mercado projetava alta de 3,1% do PIB, mas o avanço foi de 2,7%. Este crescimento foi o mais fraco desde o primeiro trimestre de 2013, e foi impactado pela desaceleração dos investimentos no setor de mineração, queda dos preços das matérias-primas e recuo dos gastos públicos.

3) Europa: O ministro das Finanças da França confirmou que o déficit orçamentário de 2015 será inferior ao previsto no orçamento inicial devido às medidas extras apresentadas pela França, depois que a União Europeia criticou os planos fiscais do país.  Segundo o governo francês, o déficit orçamentário para o próximo ano cairá para 4,1% do PIB, ante 4,4% este ano. No plano inicial, o país havia projetado déficit de 4,3% do PIB.

4) Europa: O PMI de serviços da zona do euro recuou para 51,1 em novembro, de 52,3 em outubro. Com dados mais fracos tanto na atividade industrial como no setor de serviços, o PMI composto da região registrou queda para 51,1 em novembro, de 52,1 em outubro, abaixo da estimativa dos economistas, de 51,4 pontos. Este resultado marcou o menor nível do indicador em 16 meses.

5) Europa: As vendas no varejo da zona do euro subiram 0,4% em outubro ante setembro, levemente abaixo da projeção dos analistas, de alta de 0,5%. Na comparação anual, as vendas cresceram 1,4%.

Brasil

1) Fiscal: Diante da necessidade de conter as despesas públicas, o governo estuda elevar as exigências e estabelecer tempo mínimo de casamento para dar direito à pensão por morte. Além disso, em caso de beneficiários de alta renda, será avaliada a necessidade de pagamento integral do benefício. Com essas medidas, o governo pretende barrar a expansão desses gastos, que têm crescido cerca de R$ 8 bilhões por ano, realizando uma economia de R$ 100 bilhões até 2030.

2) Setor Elétrico: Os recursos do empréstimo de R$ 17,8 bilhões para socorrer as distribuidoras de energia acabaram antes do previsto. Segundo o Valor, em outubro, a conta está negativa R$ 266 milhões, e não há dinheiro para cobrir os meses de novembro e dezembro. Esta situação pressiona ainda mais as contas públicas de 2015, já que o rombo de R$ 3 bilhões estimado para os últimos dois meses do ano deverá ser pago em janeiro e fevereiro do ano que vem. Quanto ao saldo negativo de outubro, o mais provável é que o dinheiro saia do caixa das distribuidoras.

3) Fiscal: Em carta enviada ontem para ser lida em um evento do JP Morgan, Dilma Rousseff assumiu compromissos importantes com o ajuste fiscal e o controle rigoroso da inflação. De acordo com a presidente, as medidas em análise envolvem tanto reformas fiscais, para adequar a taxa de investimento do setor público ao crescimento econômico, quanto maior desenvolvimento financeiro. Em linha com o discurso de Joaquim Levy na semana passada, Dilma também afirmou que a nova equipe econômica irá elevar, de forma gradual, o resultado primário, de modo a estabilizar e depois reduzir a dívida bruta do setor público em relação ao PIB.

4) Fiscal: Um grade tumulto entre seguranças do Senado e manifestantes levou à suspensão da sessão que analisaria o projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e flexibiliza o ajuste fiscal, realizada nesta terça-feira à noite. Com a confusão, o presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou que a sessão será reaberta hoje, às 10 horas.  

5) Fiscal: O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o indicado para o Planejamento, Nelson Barbosa, devem se encontrar hoje com os ministros da Micro e Pequena Empresa e da Casa Civil para analisar o projeto de lei que reformula a tabela do Simples. Indo de encontro com as atuais propostas de aumento de impostos, esta medida dará alivio na carga tributárias das micro e pequenas empresas. O objetivo do governo é reativar o crescimento econômico. Estima-se que, se as empresas que integram o Simples aumentarem seu faturamento em 4,2%, o que elas recolherem a mais em tributos empatará com o corte tributário.