Macroeconomia e mercado

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Crédito para financiar o giro do setor sucroalcooleiro está escasso

As perspectivas para 2015 das empresas do setor de açúcar e álcool não são as melhores. Altamente endividadas, com fluxo de caixa comprometido por causa dos baixos preços do açúcar e do etanol e tendo de lidar com o clima adverso e aumento de custos, a situação deve ficar ainda mais delicada com a escassez de crédito para financiamento das safras.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings, em recente relatório sobre o setor, foi taxativa: "A expectativa é que o risco sistêmico do setor no Brasil cresça e reduza a disponibilidade de financiamento de capital de giro em consequência do enfraquecimento financeiro de importantes players domésticos".

Dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que as usinas de açúcar e etanol devem encerrar a safra do próximo ano devendo 110% do seu faturamento, que hoje é de R$ 70 bilhões. O banco Itaú-BBA, que faz um acompanhamento de 65 empresas que representam dois terços de todo o setor, mostra que em dez anos o endividamento destas companhias cresceu 19 vezes.

O grande salto da dívida das usinas de açúcar e álcool se deu entre os anos de 2008 e 2009, quando houve um investimento maciço para aproveitar a onda de carros bicombustíveis e também os investimentos em cogeração de energia do bagaço de cana. Mas a demanda acabou frustrada. Os leilões de energia para a cogeração deixaram de ocorrer e, apesar de os carros flex continuarem em grande produção, a concorrência com o preço da gasolina tem dificultado a vida do setor.

De acordo com Plínio Nastari, da Datagro, mais de 30 empresas entraram em recuperação judicial nos últimos anos. Além dos subsídios da gasolina, Nastari diz que a indústria sofreu com o clima adverso e, no caso das usinas paulistas, também pelos investimentos no processo de mecanização, que foram antecipados por causa de um acordo com o governo do Estado para reduzir a queimada da palha antes da colheita.

Um outro ponto que também ajudou a piorar o cenário para o setor foi a queda dos preços do açúcar no mercado internacional. O relatório da Fitch Ratings intitulado "Perspectiva 2015: Açúcar e Etanol na América Latina" diz que a recuperação está demorando mais do que o previsto em razão dos elevados níveis de estoque do produto e da desvalorização das moedas dos países exportadores que estão forçando os preços para baixo.

Para o etanol, a situação deve ter alguma melhora depois do anúncio do reajuste do preço da gasolina pela Petrobrás, mas para a Fitch isso vai significar apenas uma "modesta alta".

"Se os preços do açúcar e do etanol não se recuperarem rápida e substancialmente, o atual nível de queima de caixa e a fraca posição de liquidez resultarão em rebaixamentos (de nota de risco das empresas) no curto prazo", diz a Fitch. (O Estado de São Paulo 08//12/2014)

 

Sistematização da área exige a adoção de novas estratégias

Práticas de conservação do solo e da água deverão ser feitas em função dos aspectos ambientais e socioeconômicos de cada propriedade e região.

O aumento das operações mecanizadas também exige novas estratégias na sistematização da área quando se pensa em práticas conservacionistas. Devem ser consideradas nessas estratégias – explica o professor da Unesp – a redução da mobilização e da desestruturação do solo, o aumento da capacidade operacional das máquinas agrícolas e a melhoria da conservação do solo e da água nos canaviais.

Na sistematização da área, existe uma tendência em áreas de expansão e renovação de canaviais da eliminação parcial ou total de terraços e ainda da adoção da sulcação de maior comprimento para facilitar e aumentar a capacidade operacional das máquinas; comenta.

Marcílio Martins Filho lembra que há atualmente um grande interesse pela canteirização do canavial, ou seja, a realização de um preparo conservacionista localizado para o qual é indispensável o uso de piloto automático, “Os rodados sempre deverão trafegar, nesse caso, numa mesma posição evitando-se o pisoteio da cultura de cana-de-açúcar”, afirma.

Preparo do solo e plantio em contorno, cultivo mínimo, plantio direto, distribuição adequada dos caminhos (estradas e carreadores), terraceamento, subsolagem, bacias de retenção, bigodes estão entre as práticas mecânicas que fazem parte de um planejamento conservacionista – detalha.

De maneira geral, as práticas de conservação do solo e da água deverão ser feitas em função dos aspectos ambientais e socioeconômicos de cada propriedade e região, diz o professor da Unesp. Florestamento e reflorestamento, rotação de culturas, cobertura morta, manutenção da palha na superfície do solo, faixa de bordadura, cultura em faixa, adubação verde, química e orgânica, manejo do mato estão entre os procedimentos que devem ser considerados – exemplifica.

A matéria completa você acompanha na edição 251 do Jornal Cana. (Jornal Cana 08/12/2014)

 

Baixa oferta prove quinta semana de alta do etanol

Retenção do biocombustível pelas usinas é responsável pela valorização do litro em São Paulo, que subiam aproximadamente 2,55%.

Os valores dos etanóis continuam ascensão no mercado spot no Estado de São Paulo, esta é a quinta semana de alta em ambos os tipos do biocombustível. Durante a semana dos dias 1 a 5 de dezembro o hidratado e anidro apresentaram valorizações em relação à semana passada parecidas, fechando em 2,56% e 2,55%, respectivamente. O litro do hidratado ficou em R$ 1,2638 enquanto o anidro fechou em R$ 1,3897.

A alta ocorre devido à baixa oferta do biocombustível, reflexo do movimento de retenção destes produtos pelas usinas, que pretendem comercializá-los nos próximos meses com a a expectativa de maior valorização com a aprovação da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

Segundo informou o Cepea, apenas alguns compradores abasteceram seus estoques, a maioria aguarda as resoluções políticas para o setor, assim a compra tem ocorrido apenas para suprimentos pontuais, de curto prazo. (Jornal Cana 08/12/214)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O PIB do Japão recuou 1,9% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, abaixo da estimativa anterior, que tinha apontado para queda de 1,6%. Entre os meses de abril a junho, a economia japonesa recuou 6,7%, também na comparação anual. Com dois trimestres consecutivos de contração da atividade, a economia japonesa entrou em recessão técnica.

2) China: A balança comercial da China registrou superávit de US$ 54,47 bilhões em novembro, uma alta de 20% frente ao saldo de outubro, de US$ 45,4 bilhões, e acima da expectativa dos economistas, de superávit de US$ 45,1 bilhões. No entanto, em novembro, as exportações avançaram 4,7% na comparação anual, abaixo da alta de 8,0% esperada pelo mercado, e as importações recuaram 6,7%, também abaixo da mediana das projeções, de alta de 4,9%.

3) Europa: A produção industrial da Alemanha registrou alta de 0,2% em outubro ante setembro, abaixo da expectativa dos analistas, de alta de 0,3%. Na comparação anual, a produção teve alta de 0,8%.

4) Inglaterra: Um estudo conduzido pela NMG Consulting em nome do Banco da Inglaterra (BoE) sugere que um aumento gradual nas taxas de juros do país não teria grandes impactos sobre os gastos das famílias e a recuperação da economia. Segundo a pesquisa, atualmente, cerca de 360 mil famílias, ou 1% do total, estão vulneráveis a um aperto monetário. Com um aumento da taxa básica de juros de 0,5% para 2%, o número de famílias britânicas vulneráveis subiria para apenas 480 mil. Além disso, um aperto monetário será benéfico aos poupadores, que com taxas mais altas poderiam aumentar os gastos. Estimou-se que uma alta de um ponto percentual na taxa básica de juros diminuíra em apenas 0,5% o consumo da população do Reino Unido.

5) EUA: No mês de novembro, foram criadas 321 mil novas vagas de emprego nos Estados Unidos, acima do esperado pelos economistas, de criação de 230 mil novos postos. Os dados anteriores também foram revisados significativamente para cima. O resultado de outubro passou de 214 mil para 243 mil, e o de setembro, de 256 mil para 271 mil. Já a taxa de desemprego se manteve em 5,8% em novembro, em linha com as expectativas.

Brasil

1) Fiscal: O novo Anexo de Metas Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aponta para um ajuste fiscal no próximo ano baseado no aumento de impostos. Apesar do governo ter reduzido a sua estimativa de receita primária para 2015 em R$ 30,7 bilhões, como proporção do PIB, a arrecadação subiu de 25,46% para 25,99%. Vale destacar que a previsão de crescimento da economia para 2015 foi revisada de 3,0% para 0,8%. Já as despesas primárias, se mantiveram em R$ 1,379 bilhões, o que levou a um aumento em proporção do PIB de 23,96% para 24,98%.

2) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) cresceu 0,77% na primeira quadrissemana de dezembro, acelerando ante a alta de 0,65% registrada na última leitura de novembro. Todas as oito classes de despesas analisadas apresentaram acréscimo nas suas taxas de variação, com destaque para o grupo Alimentação, pressionado pelos preços de hortaliças e legumes.

3) Crédito: Com a escassez de chuvas nos últimos meses, os bancos passaram a incluir a falta de água em suas análises de crédito para empresas de diversos segmentos. Para bancos como ABC Brasil, Indusval, Itaú BBA e Votorantim, a meteorologia passou a ser parte da análise de crédito, assim como, endividamento, liquidez e geração de caixa. Segundo o Valor, entre os setores mais afetados estão aquelas que mais dependem da água, como elétrico, sucroalcooleiro, têxtil, químico, farmacêutico, de papel e celulose e de bebidas.

4) Atividade: Em meio a um cenário de desaquecimento da economia, crédito mais restrito e desaceleração da renda, as famílias têm reduzido os gastos com reforma da casa. Entre 2010 e 2013, o faturamento real das vendas no setor de material de construção cresceu em média 7% ao ano. A expectativa para esse ano era de um avanço entre 5% e 6%, no entanto, especialistas no setor já trabalham com uma queda de 1% no faturamento. Se as previsões forem confirmadas, está será a primeira queda anual desde 2009.

5) Focus: Foram revisadas para baixo as projeções para a taxa de inflação e crescimento econômico deste ano. Segundo o Boletim Focus, os economistas esperam uma alta de 6,38% no IPCA de 2014, ante 6,43% no relatório anterior. Já para 2015, a mediana das previsões subiu de 6,49% para 6,50%, atingindo o teto da meta. Com relação à atividade, a expectativa para 2014 é de crescimento do PIB de 0,18%, ante 0,19% na semana passada. Para 2015, a mediana das previsões recuou de 0,77% para 0,73%.