Macroeconomia e mercado

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Kátia Abreu começa a se reunir com usineiros

Katia Abreu não é Joaquim Levy, mas também antecipou sua posse no Ministério da Agricultura. Está agendando uma série de encontros com usineiros até o fim do ano, a começar por Rubens Ometto, um dos maiores críticos no setor ao governo Dilma Rousseff (Relatório Reservado, 9/12/14)

Etanol sobe com maior demanda, expectativa sobre mistura e Cide Etanol LOGO CEPEA

Os preços do etanol subiram 2,6 por cento na última semana nas usinas paulistas, com o impulso da maior demanda de distribuidoras e expectativas sobre um aumento percentual da mistura do biocombustível na gasolina, além da eventual retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), apontou análise do Cepea nesta segunda-feira.

"O número de negócios efetivados nos últimos dias foi expressivo, com usinas se mantendo firmes quanto aos valores pedidos", afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em análise.

Entre 1º e 5 de dezembro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi de 1,2638 real/litro (sem impostos). O preço do anidro (misturado à gasolina) fechou a 1,3897 real/litro (PIS/Cofins zerados).

Fonte do governo consultada pela Reuters recentemente disse que está em análise o aumento da alíquota da Cide sobre combustíveis, zerada desde 2012.

De acordo com a fonte, além de gerar receita anual superior a 10 bilhões de reais, o tributo vai melhorar a competitividade do etanol no mercado brasileiro.

O governo ainda está em fase final de estudos de viabilidade sobre os efeitos da mistura maior do etanol anidro na gasolina, que poderia subir ao limite máximo de 27,5 por cento, ante o teto atual em vigor de 25 por cento. (Reuters 08/12/2014)

 

Petrobras: Uma vaca nada sagrada – Por Valdo Cruz

Transformada numa espécie de vaca sagrada pelos petistas nas campanhas eleitorais, a Petrobras virou, na vida real, o centro de um esquema de corrupção para todos aqueles que queriam mamar fartamente nas tetas do governo.

Não por acaso a nova pesquisa Datafolha mostra que a estatal tornou-se num dos principais fatores de desgaste da presidente Dilma. Sete de cada dez brasileiros acham que ela tem alguma responsabilidade no escândalo da petropropina.

O fato é que, hoje, fica no ar a pergunta se a campanha petista contra a privatização da Petrobras, que deixou tucanos na defensiva, só tinha motivações nacionalistas. Se tinha, ganhou outra$ rapidamente.

O PT conseguiu transformar o debate sobre a privatização da estatal num sacrilégio, um atentado contra o país ""perderíamos o controle sobre a maior empresa brasileira, destinada a explorar nosso passaporte para o futuro, o petróleo do pré-sal.

Pois bem, deu-se o contrário do que o PT pregava. O país perdeu o controle sobre a Petrobras, entregue a grupos políticos que estavam violando nossa vaca sagrada. Petistas dizem que sempre foi assim. Era, mas não em tal dimensão. E com eles a empresa deveria ser preservada, não sugada a tal ponto.

Não bastasse isso, o intervencionismo do governo Dilma fragilizou a estatal. Reduziu seus lucros e elevou irresponsavelmente sua dívida. Resultado: ela ficou sem caixa para bancar seu plano de investimentos.

Tudo vindo à tona num cenário internacional adverso. O preço do petróleo está despencando. Se voltar à casa dos US$ 30 o barril, a exploração do pré-sal perde competitividade, num momento de mudanças na matriz energética mundial.

Talvez seja a hora de rediscutir o papel da Petrobras no modelo de exploração do pré-sal. Hoje, ela não dá conta do recado de ser a operadora única dos campos do nosso passaporte para o futuro. Sob o risco de perdermos nosso bilhete premiado. (Folha de São Paulo 08/12/2014)

 

Bradesco alcança o valor da Petrobras

O ranking das empresas mais valiosas do Brasil ganhou novos contornos na última sexta-feira, 5. O Bradesco, segundo maior banco privado do País, alcançou a Petrobras em valor de mercado.

Segundo levantamento da empresa de informação financeira Economatica para o jornal O Estado de S. Paulo, a petroleira encerrou o último pregão na terceira posição da lista, atrás de Ambev e Itaú Unibanco, e empatada com o Bradesco - ambas valendo R$ 153,9 bilhões.

As ações da estatal ensaiaram uma recuperação neste ano, impulsionadas pelas especulações sobre a corrida presidencial, mas devolveram todos os ganhos em um período de apenas três meses.

Após o pico de alta no início de setembro - puxado pela euforia do mercado com o avanço da então candidata Marina Silva -, a empresa iniciou um movimento de forte desvalorização, perdendo metade do seu valor de mercado.

Escândalo

Para os analistas, essa queda livre se deve às inúmeras incertezas que cercam o futuro financeiro da estatal.

No centro de um escândalo de corrupção, a empresa ainda não divulgou o balanço do terceiro trimestre auditado e corre o risco de perder o grau de investimento - o que dificultaria o acesso ao capital estrangeiro em um momento de forte investimento e alavancagem já elevada.

Além disso, a companhia sofre com a queda de quase 40% no preço internacional do petróleo, o que lança dúvidas sobre a viabilidade do pré-sal.

"A Petrobras tem um programa de investimento audacioso em uma área com riscos operacionais muito grandes", destaca o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

O atual plano de negócios da estatal prevê desembolsos de US$ 221 bilhões entre 2014 e 2018. O objetivo é se tornar uma das maiores companhias de energia do mundo.

No outro extremo, em um setor que vive uma prolongada fase de bonança no País - com os juros elevados e a expansão do crédito - está o Bradesco.

O lucro líquido da instituição financeira cresceu 26,5% no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2013, somando R$ 3,9 bilhões.

Na avaliação do economista e presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, os bancos conseguiram se adaptar ao novo Brasil.

"Enxugaram os quadros, emprestaram mais dinheiro e ganharam eficiência", resume. Ele também ressalta o fato de o País ter a maior taxa de juro real do mundo: "Os bancos ganham dinheiro com isso e a Selic deve subir ainda mais em 2015".

Projeções

Os investidores que saíram da Petrobras encontraram no Bradesco um papel seguro e mais conservador, avalia o economista-chefe da Tov Corretora, Pedro Paulo Silveira.

Ele acredita, porém, que esse é um retrato momentâneo, que deve se inverter nos próximos anos com a recuperação do preço do barril. "O petróleo é um recurso finito, que vai sofrer um ajuste quando a economia global voltar a crescer", prevê Silveira.

Também é otimista a perspectiva do consultor de investimentos Richard Rytenband, que acompanha as ações da estatal desde os anos 1980.

"A companhia atingiu um valor de mercado recorde em 2008 com análises eufóricas sobre seus resultados futuros, porém muitos dos fatores que deterioraram sua situação já estavam presentes. Agora, o quadro é inverso", explica Rytenband.

O analista argumenta que a petroleira passará por um duro processo de correção mirando recuperar a credibilidade. "A Petrobras não pode mais errar. A crise foi positiva por isso, para expurgar o que está errado."

Ele também traça um cenário otimista para o petróleo e emenda: "Quem aposta no fim do ciclo de alta das commodities pode ter uma surpresa nos próximos semestres". (O Estado de S. Paulo 08/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, afirmou que a economia japonesa não está em recessão, apesar dos dados divulgados ontem, que apontam para dois trimestres consecutivos de queda do PIB. Aso se recusou a fazer comentários sobre os atuais níveis do iene, mas confirmou que mantém estreita vigilância sobre as taxas de câmbio.

2) China: O ministério da Indústria e Tecnologia da Informação está trabalhando com outras agências do governo chinês para reduzir os impostos cobrados de exploradoras de minério de ferro. Segundo o China Securities Journal, para tornar as mineradoras de ferro chinesas mais competitivas no mercado internacional, o governo pretende cortar o imposto, que hoje é de 20% a 30%, bem acima do nível cobrado no exterior, para algo perto dos 10%.

3) Europa: A Alemanha registrou superávit comercial de 20,6 bilhões de euros em outubro, alta de 1,3% em relação ao saldo de 18,5 bilhões de euros observados em setembro, e acima da expectativa do analistas, de 19 bilhões de euros. Na leitura ajustada, as exportações recuaram 0,5% em outubro ante setembro, enquanto as importações caíram 3,1%, na mesma base de comparação.

4) Europa: A França registrou déficit comercial de 4,61 bilhões de euros, ante saldo negativo de 4,72 bilhões de euros em setembro. O volume exportado subiu para 36,93 bilhões de euros, alta de 0,5% em relação a setembro. As importações, por sua vez, tiveram alta de 0,1%, na mesma base de comparação.  Além da melhora nas contas externas, o governo francês reduziu o seu déficit orçamentário para 84,7 bilhões de euros em outubro, de 86 bilhões de euros no mesmo período do ano passado.

5) Austrália: O dólar australiano atingiu, nesta terça-feira, o menor nível em quatro anos, em meio a especulações de que o Banco de Reserva da Austrália (RBA) vai contar as taxas de juros no próximo ano, para evitar um enfraquecimento ainda maior da economia do país.

Brasil

1) Petrobras: O escritório de advocacia americano, Wolf Popper, entrou ontem com uma ação coletiva contra a Petrobrás, alegando que a estatal violou artigos da “Securities Exchange Act”. Segundo o Valor, no processo, a Petrobras é acusada de emitir material falso, não revelar o esquema interno multibilionário de corrupção e lavagem de dinheiro e de superfaturar o valor de propriedades e equipamentos em seu balanço. O escritório de advocacia ainda cita que, após as denúncias, os ADRs da estatal recuaram 46%, de US$ 19,38 em 5 de setembro de 2014 para US$ 10,50 em 24 de novembro.

2) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou alta de 0,64% na primeira quadrissemana de dezembro, ante alta de 0,69% na última leitura do mês de novembro, abaixo da expectativa dos economistas, de alta de 0,70%.

3) Preços: O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu 0,63% na primeira prévia de dezembro, ante alta de 0,51% na mesma leitura do mês de novembro, abaixo da mediana das expectativas, de alta de 0,63%. Com esse resultado, o índice acumula alta de 3,69% no ano e em doze meses.

4) Eletrobrás: Desde 2012, quando teve início o processo de renovação das concessões de geração e transmissão de energia, as receitas da Eletrobrás caíram 48%, o caixa recuou 30% e os prejuízos somaram R$ 15 bilhões, até o terceiro trimestre deste ano. Apesar disso, nos próximos três anos a empresa terá de desembolsar R$ 32 bilhões para investir em projetos já contratados. Além disso, a estatal tem previsão de outros R$ 20 bilhões referentes a projetos vencidos que ainda não foram recontratados. A posição agressiva de investimentos da empresa corrobora a expectativa dos analistas de que, se a situação não melhorar nos próximos meses, haverá a necessidade de aporte do Tesouro Nacional.

5) Natal: Segundo pesquisa da Fecomércio –RJ, os brasileiros devem gastar em média R$ 290,61 no Natal, valor 4,48% menor do que o registrado no ano passado, de R$ 304,26. Ainda de acordo com o levantamento, a forma de pagamento mais utilizada será o dinheiro em espécie (86,2%), seguida pelo cartão de crédito (10,7%). Apesar disso, estima-se que as compras de Natal injetem na economia nacional aproximadamente R$ 22,6 bilhões.

6) Setor elétrico: O sistema de bandeiras tarifárias, que entra em vigor no início do próximo anos, dará um reforço ao caixa das distribuidoras. Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, a estimativa é de que as receitas extras alcancem  cerca de R$ 800 milhões por mês para as companhias. Esta conta extra, deve ser paga pelos consumidores nas contas de luz, em períodos de uso intenso da energia térmica.