Macroeconomia e mercado

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Shree Renuka: Mão do dono

Uma comitiva de executivos da Shree Renuka, capitaneada pelo próprio CEO e acionista controlador, Narendra Murkumbi, deverá desembarcar no Brasil no início de 2015.

A viagem tem um quê de intervenção.

Os indianos vão tentar os que os dirigentes do grupo sucroalcooleiro no Brasil ainda não conseguiram: fechar um acordo com os credores, entre eles BB e Santander.

A Shree Renuka tem uma dívida de R$ 1 bilhão no país. (Jornal Relatório Reservado 10/12/2014)

 

Barbados enfrenta grave crise no setor canavieiro

Crise financeira do setor ameaça continuidade da atividade e quase 16 mil empregos diretos e indiretos.

Sem investimentos privados e estaduais, o setor canavieiro em Barbados está à deriva. Segundo o ministro da agricultura David Estwick, aproximadamente 4 mil pessoas devem perder seus empregos nas próximas semanas.

Para o ministro, a crise no setor pode provocar efeito dominó na economia do país, prejudicando outros segmentos, o que comprometeria o emprego de quase 12 mil pessoas.

O país formula um projeto para reestruturação da indústria canavieira, apresentado nas primeiras semanas de novembro para o primeiro ministro Freundel Stuart.

Até o momento o setor não obteve garantias de aplicação de recursos para reestruturação da indústria. (Jornal Cana 10/12/2014)

 

Ruralistas pressionam ALMG para votar redução do ICMS sobre o etanol

Caso a votação não aconteça ainda neste ano, a mudança no ICMS passará a valer somente em 2016.

O Sindicato Rural de Uberaba espera redução de ICMS para cana-de-açúcar ainda este ano. Está em tramitação na Assembléia Legislativa de Minas Gerais projeto de lei que visa à redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) dos atuais 19% para 14%. E para que o novo valor entre em vigor em 2015, o projeto precisa ser aprovado ainda este ano, por isso o setor está empenhado em articulações para viabilizar a votação.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural, Romeu Borges, essa é uma situação que deixa muitos produtores preocupados, pois alguns estão envolvidos de forma direta ou indiretamente e seriam beneficiados com a redução nos valores. “Estamos encerrando o ano, em breve as atividades no Poder Legislativo mineiro serão concluídas e ainda não temos um resultado deste projeto, que é do Poder Executivo. Existe um acordo entre deputados da base e da oposição para reduzir a alíquota do ICMS nas usinas. Essa medida deixaria o álcool mais atrativo”, explica Romeu.

"O PROJETO JÁ ESTÁ CONFIRMADO, EXISTEM ACORDOS PARA APROVAÇÃO, MAS DENTRO DA ASSEMBLEIA HÁ OUTROS ASSUNTOS SENDO DISCUTIDOS, E É PRECISO ALINHAMENTO PARA VOTAÇÃO DE TODOS OS PROJETOS”

Minas Gerais é o segundo Estado de maior produção de açúcar e álcool do país, por isto é compreensivo que haja justiça fiscal, para que a população possa usufruir desta produção. Hoje o consumidor mineiro não abastece o veículo com álcool porque não compensa. Em outros estados como Goiás e São Paulo o índice é menor, 16% e 12%, respectivamente, e com esse projeto, em Minas, o índice será de 14%.

“Essa medida também é importante para sobrevivência das usinas, que empregam muitas pessoas, e, desta forma, o produtor está envolvido direta ou indiretamente no setor sucroalcooleiro. O projeto já está confirmado, existem acordos para aprovação, mas dentro da Assembleia há outros assuntos sendo discutidos, e é preciso alinhamento para votação de todos os projetos”, explica Romeu, ressaltando que este projeto tem de ser votado em 2014. Caso fique para o ano que vem, o novo índice passará a valer somente em 2016.

O presidente do sindicato convocou todos os produtores rurais ligados ao setor para manter contato com deputados estaduais, pedindo para que votem o PL, que já tem um acordo. Para ele não há mais dúvidas, pois, além de proporcionar um preço mais barato no etanol, também vai desafogar o setor sucroalcooleiro, que vem passando por dificuldades econômicas.

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Europa: O governo da Grécia antecipou a eleição presidencial, que se não for conclusiva, levará a eleições gerais no país. Os investidores temem que o partido oposicionistas de esquerda, Syruza, que lidera as intenções de voto, possa vencer as eleições e não honrar com os pagamentos do programa de socorro financeiro. Nesse cenário, o índice referencial da bolsa de Atenas caiu 12,8%, o maior recuo em um único dia desde 1987.

2) China: A desaceleração dos preços começa a preocupar também as autoridades chinesas. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da China subiu 1,4% em novembro ante o mesmo período do ano passado, abaixo do resultado de outubro e da expectativa dos economistas, de alta de 1,6%. Vale destacar que esta foi a menor alta registrada nos preços desde 2009. Na mesma linha, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) do país recuou 2,7% em novembro na comparação com igual mês de 2013, abaixo do dado de outubro (-2,2%) e da previsão dos analistas (-2,4%).

3) Inglaterra: O integrante do conselho da Banco da Inglaterra (BoE), Ian McCafferty, afirmou que a autoridade monetária deve começar a elevar os juros mais cedo para garantir que os aumentos futuros nas taxas sejam suaves e graduais. McCafferty votou em agosto ao lado de Martin Weale pelo aumento da taxa de juros de referência do BoE, e manteve esse pedido pelos três meses seguintes Sua decisão na reunião de dezembro será divulgada na ata no dia 17 de dezembro.

4) Europa: A economia francesa continua dando sinais de forte desaceleração. A produção industrial do país recuou 0,8% em outubro ante setembro, contrariando a expectativa dos economistas, de alta de 0,2%. Em setembro, a produção tinha ficado estável na margem. Nesse cenário, o número de pessoas empregadas em empresas privadas da França recuou 0,3% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, abaixo da previsão dos analistas, de queda de 0,2%.

5) Rússia: O Banco Central da Rússia informou que vendeu US$ 400 milhões no mercado de câmbio ontem, em uma nota tentativa de sustentar o rublo. Nos mês passado, a autoridade monetária do país anunciou livre oscilação da moeda, mas deixou claro que faria intervenções quando necessário. Segundo dados do BC russo, as intervenções do câmbio já somam US$ 4,93 bilhões desde o começo de dezembro.

6) Estados Unidos: Os estoques no atacado dos Estados Unidos cresceram 0,4% em outubro ante setembro, acima da expectativa dos economistas, de alta de 0,1%. O resultado de setembro foi revisado de alta mensal de 0,3% para 0,4%. Já as vendas no atacado tiveram alta de 0,2% em outubro na comparação mensal, depois de registrar estabilidade em setembro. Com esses resultados, a relação estoque e vendas ficou inalterada em 1,19 mês.

Brasil

1) Fiscal: O plenário do Congresso concluiu ontem a votação do projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentários (LDO) para 2014 e flexibiliza a meta de superávit primário deste ano. A última emenda em votação, sugerida pela oposição, foi rejeitada e a proposta vai agora à sanção presidencial.

2) Fiscal: Na atualização do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o governo não incluiu repasses do Tesouro Nacional ao BNDES nos próximos três anos. Segundo o Valor, as projeções incorporam apenas as emissões já autorizadas, como os R$ 30 bilhões que serão emitidos para o BNDES ainda este ano. A partir de janeiro, o governo não projeta novos aportes.

3) Fiscal: O Refis e o 4G devem ajudar a arrecadação federal em novembro. De acordo com o Valor, no mês passado, a receita com o parcelamento do Refis superou R$ 4 bilhões, ante R$ 1,6 bilhões em outubro. A expectativa da Receita é de recolher R$ 18 bilhões com o Refis este ano mas, até outubro, haviam ingressado R$ 10,4 bilhões. Além disso, a arrecadação de novembro foi beneficiada com a entrada de R$ 5 bilhões referentes às licenças dos serviços banda larga 4G. A projeção inicial do governo era arrecadar até R$ 8 bilhões com o leilão 4G, mas com a desistência da Oi, nem todos os lotes foram comercializados.

4) Petrobras: Segundo o Estado, pelo menos dez fundos de investimento, incluindo brasileiros, vão aderir à ação coletiva contra a Petrobrás iniciada ontem pelo escritório americano Wolf Popper. Além disso, o escritório Rosen Law anunciou que também entrou com um processo similar na Justiça americana, porém não informou quantos acionistas está representando.

5) Inflação: O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o cenário para os próximos meses contempla uma taxa de inflação acima dos níveis atuais, e que a convergência para o centro da meta só deve acontecer em 2016. Com relação à política fiscal, Tombini afirmou que caso Levy cumpra a meta de superávit primário de 1,2% do PIB, a política fiscal será contracionista no próximo ano. Sobre o programo diário de swap cambial, o presidente do BC apenas acrescentou que ainda tem duas semanas para tomar uma decisão sobre a continuidade das intervenções.

6) Setor Elétrico: O pagamento do empréstimo bancário realizado este ano para socorrer as distribuidoras e a forte alta do preços da energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu, devem pressionar as contas de luz em 2015. De acordo com o Estado, estima-se que as tarifas de energia elétrica devem subir, no mínimo, 12% no ano que vem. Ontem, a Aneel aprovou uma elevação de 46,14% na tarifa de Itaipu, administrada pela Eletrobrás. A partir de 1º de janeiro, a tarifa passará de US$ 26,05 por kW para US$ 35,07 por kW.

7) Setor Elétrico: Para cobrir o custo do setor elétrico dos últimos dois meses do ano, estimado em R$ 3 bilhões, o governo deve aumentar as tarifas de energia no próximo ano. Segundo o diretor da Aneel, Romeu Rufino, a idéia é utilizar o dinheiro extra recolhido dos consumidores por meio da bandeira tarifária para pagar os gastos das distribuidoras com a compra extra de energia nos meses de novembro e dezembro.