Macroeconomia e mercado

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Alta recorde do dólar e balanço de safra fazem preços do açúcar despencarem

Nem mesmo os números do balanço de safra da cana-de-açúcar foram suficientes para sustentarem a alta de preços do açúcar nos últimos dias nas bolsas internacionais. Ontem (11), o mercado da commodity fechou com forte baixa, influenciada, principalmente, pela valorização do dólar, que atingiu a maior cotação desde 1º de abril de 2005, cotado a R$ 2,6477.

As perdas constantes nos preços das commodities, segundo analistas, são frutos de um movimento global de venda de ativos de risco, e à deterioração nas expectativas para o crescimento econômico global. No caso específico do Brasil, alia-se a estes fatores, ainda, as incertezas sobre os rumos da política econômica.

Com este cenário desfavorável, os números apresentados ontem pela Unica, que indicaram uma queda no processamento de cana na última quinzena de novembro, devido à forte estiagem e à antecipação de fim de safra de muitas unidades, "tiveram efeito limitado nas cotações da commodity na bolsa de Nova York, que reagiram ontem muito mais à valorização do dólar. Os lotes para março caíram 2,07%, ou 32 pontos, a 15,15 centavos de dólar a libra-peso", destacou analistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico.

Na bolsa de Londres os preços do açúcar também caíram em todos os vencimentos, com perdas que variaram entre 3,50 a 5,50 dólares por tonelada. No vencimento março/15, a commodity fechou em US$ 393,30, queda de US$ 5,50, na tonelada.

O mercado interno também sofreu perdas, segundo os índices do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP. A saca de 50 quilos do tipo cristal fechou cotada em São Paulo a R$ 52,31, baixa de 0,27% no comparativo com os preços praticados na véspera.

Balanço de safra

O balanço de safra divulgado ontem pela União da Indústria de Cana-de-açúcar mostra uma queda de 3% no total de cana processada pela região Centro-Sul até 1º de dezembro, no comparativo com o mesmo período de 2013. Foram 554,08 milhões de toneladas de cana processadas, contra 571,20 mi do mesmo período da safra passada.

A produção de açúcar, por sua vez, caiu quase 5%, ficando em 31,5 milhões de toneladas até 1º de dezembro, contra 33,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2013. (Agência UDOP 12/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) EUA: A Câmara de Deputados americana aprovou, por 219 votos contra 206, a lei de orçamento para 2015, que prevê gasto de US$ 1,1 trilhão. A medida agora deve passar pelo Senado. A proposta serve para financiar quase todos os gastos do governo americano até setembro do próximo ano, incluindo os recursos destinados à proteção de milhões de imigrantes ilegais, um dos principais pontos criticados pelos republicanos.

2) China: Foram divulgados novos dados sobre o desempenho da economia chinesa no mês de novembro. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, a produção industrial chinesa avançou 7,2% em novembro, ante igual período do ano passado, desacelerando em relação à alta registrada em outubro (7,7%) e abaixo da expectativa dos economistas (7,5%). Por outro lado, as vendas no varejo da China apresentaram alta de 11,7% em novembro, na comparação anual, acelerando ante o resultado de outubro (11,5%) e bem acima da previsão dos analistas (7,5%). Por fim, os investimentos em ativos fixos subiram 15,8% nos onze primeiros meses do ano, em linha com as expectativas.

3) China: Os banco chineses emitiram 852,7 bilhões de yuans em novos empréstimos em novembro, acima dos 548,3 bilhões de yuans em outubro, segundo dados do Banco do Povo da China (PBoC). O resultado foi melhor do que o projetado pelos economistas, de 650 bilhões de yuans. Já a oferta monetária do país (M2) registrou crescimento de 12,3% em novembro, na comparação anual, abaixo da alta de 12,6% em outubro, e do avanço de 12,5% esperado pelos analistas.

4) Europa: A produção industrial da zona do euro registrou alta de 0,1% em outubro ante setembro e avançou 0,7% na comparação anual, abaixo da expectativa dos economistas, que esperavam crescimento de 0,2% e 0,8%, respectivamente.

5) EUA: As vendas no comércio varejista nos EUA subiram 0,7% em novembro ante outubro, bem acima da previsão dos analistas, de alta de 0,4%, corroborando a expectativa dos economistas de que a queda do preço do petróleo estimularia o consumo das famílias americanas. Além disso, o indicador que exclui as vendas de veículos automotores avançou 0,5% em novembro, na comparação mensal, acima da mediana das projeções, de crescimento de 0,1%.

Brasil

1) Operação Lava-Jato: Segundo o Valor, a diretoria da Petrobras, inclusive a presidente da estatal, Graça Foster, foi informada das irregularidades da empresa antes da revelação do escândalo pela Operação Lava-Jato. Venina Velosa, ex-gerente executiva da diretoria de abastecimento, afirmou que alertou sobre os pagamentos de serviços que não foram prestados e sobre a escalada de aditivos que elevaram o custo da refinaria Abreu e Lima. O Ministério Público vai tomar o depoimento de Venina na próxima semana.

2) Mercado: O Banco Central anunciou ontem uma nova intervenção no mercado cambial. Hoje, além do programa diário de swap o BC fará mais dois leilões de vendas de dólares com compromisso de recompra, oferecendo até US$ 2 bilhões. Vale ressaltar que no fim do ano, o BC costuma fazer essas operações. No entanto, elas normalmente são menores, de até US$ 1 bilhão. A ampliação da oferta pode ter sido motivada pela recente valorização do dólar, que nesta quinta-feira registrou alta de 1,49%, fechando o dia cotada a R$ 2,6510, maior patamar desde abril de 2005.

3) Fiscal: A nova equipe econômica prepara um pacote de medidas, para ser anunciado no começo de 2015, que deve contar com um esforço fiscal no valor de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões. Segundo o Estado, deste montante, cerca de R$ 60 bilhões viriam do contingenciamento de despesas orçamentárias. O restante seria obtido com a alta dos impostos, como retomada da alíquota maior do IPI e aumento da Cide.

4) Petrobras: O governo articulou uma nova triangulação para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 9 bilhões da Eletrobrás com a Petrobras. Para receber o dinheiro devido, a Petrobras irá emitir títulos lastrados na promessa de pagamento da Eletrobrás, com garantia do Tesouro Nacional. Segundo o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, essa emissão deve acontecer ainda este ano.  

5) Atividade: Segundo o IBGE, as vendas no varejo restrito avançaram 1,0% em outubro ante setembro, acima da expectativa dos economistas, de alta de 0,5%. Já o indicador ampliado, registrou alta de 1,7% em outubro, na comparação mensal, também acima da previsão dos analistas, de avanço de 1,4%.