Macroeconomia e mercado

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Queda livre: preços do açúcar rompem barreira de 15 cents

Os preços do açúcar despencaram na última sexta-feira (12), fechando a semana rompendo a barreira dos 15 cents na bolsa de Nova York. Para os analistas de mercado, a queda livre se deu mais uma vez por influência da alta do dólar perante o real, o que favorece a maior oferta da commodity por parte das usinas brasileiras e ainda a baixa vertiginosa das cotações do petróleo.

Todos os vencimentos da bolsa de Nova York fecharam em baixa na última sexta, que variaram entre 6 e 17 pontos. Na tela de março/15, o açúcar fechou em 14,98 centavos de dólar por libra-peso, desvalorização de 17 pontos no comparativo com a véspera.

Em Londres a commodity também depreciou em todos os vencimentos. A maior perda foi na tela de março/15, com negócios firmados em US$ 390,40 a tonelada, queda de US$ 2,90 no comparativo com os preços de quinta-feira. Nos demais vencimentos as desvalorizações oscilaram entre 1,90 e 2,60 dólares.

Segundo analistas de mercado ouvidos pelo jornal Valor Econômico de hoje, outro fator que pode estar influenciando os preços do açúcar é a expectativa de que a Índia aprove o subsídio à exportação. "O apoio pode garantir uma rentabilidade aos indianos de 18 centavos de dólar a libra-peso, segundo Bruno Lima, da FCSTone".

O mercado interno o açúcar cristal também fechou em baixa de meio ponto percentual, com negócios firmados, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP, em R$ 52,05 a saca de 50 quilos.

Análise

O consultor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, destacou em seu artigo semanal, que o "o mercado futuro de açúcar em NY parece um poço sem fundo. A cada nova semana atingimos níveis mais baixos. Esta seguiu a rotina e fechou a sexta-feira a 14.98 centavos de dólar por libra-peso uma queda de quase quatro dólares por tonelada na semana. Todos os meses de vencimento, que se estendem até outubro de 2017, fecharam com variações negativas entre 2 e 23 pontos, ou entre 0.50 e 5.00 dólares por tonelada. Onde estará o chão desse mercado? Um analista técnico do mercado acha que o mercado pode cair até 14.50 centavos de dólar por libra-peso. Estamos perto do fundo? Ninguém sabe".

 

Demanda se retrai e desembolso do BNDES ao setor de cana deve fechar ano em queda

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda não fechou o volume desembolsado ao setor sucroenergético em 2014, mas representantes das usinas e analistas de mercado acreditam que o total ficará abaixo dos R$ 6,9 bilhões de 2013. O endividamento das usinas por conta da crise e o fato de a produção em 2014/15 ter sidmenor devido à estiagem fizeram com que a demanda por recursos diminuísse. De janeiro a novembro, a instituição liberou R$ 5,7 bilhões a áreas agrícola, industrial e de cogeração de energia via linhas de financiamento, como a do Prorenova, para renovação de canaviais, e a de estocagem de etanol. O montante representa uma retração de 10% ante os R$ 6,3 bilhões observados nos 11 meses do ano passado. Como em dezembro a maior parte das unidades produtoras já encerra a safra, a perspectiva é de que esse possa ser o porcentual de queda dos desembolsos do BNDES para o ano de 2014, ou um muito próximo.

"O crédito do BNDES passa por bancos intermediários e acaba não liberado, pois todo mundo sabe que a situação das usinas é crítica, com endividamento grande"; disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Tarcilo Rodrigues, diretor-executivo da comercializadora de etanol Bioagência, em referência aos vários requisitos que as empresas precisam cumprir para conseguir o dinheiro.

Em dificuldades desde a crise do crédito de 2008, as unidades produtoras viram os problemas se agravarem neste ano em virtude da seca que reduziu a disponibilidade de matéria-prima para processamento, impactando nos rendimentos de todo o setor. O endividamento estimado para as usinas e destilarias do Centro-Sul, a região mais afetada pela seca, é de R$ 65 bilhões na atual safra, R$ 10 bilhões superior ao total de dívidas do ciclo passado, que terminou em março.

Para o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool/MT), Jorge dos Santos, o desembolso neste ano também reflete a maturação de investimentos feito por usinas em anos anteriores. "Aquelas que tinham competência já concluíram seus projetos e agora não conseguem mais, para não elevar o endividamento", explicou.

O desembolso do BNDES em 2013, de R$ 6,9 bilhões, foi o maior desde 2010, quando o banco financiou R$ 7,6 bilhões. Em outubro último, durante evento em São Paulo, o chefe do Departamento de Biocombustíveis da instituição, Carlos Eduardo Cavalcanti, disse que os recursos deveriam superar os R$ 7 bilhões em 2014. Procurada pelo Broadcast, a assessoria de imprensa do banco disse que não havia porta-voz no momento para comentar o assunto. Os dados fechados deste ano serão apresentados pelo BNDES em janeiro, mas ainda sem data definida. (Agência Estado 15/12/2014)

 

MS registra alta de 10% no ATR

O índice que mede a qualidade da matéria prima, o ATR/TC (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) do estado do Mato Grosso do Sul atingiu 127,58 kg na quinzena, ou seja, volume 10% maior que o da safra passada e no acumulado atingiu 130,14 kg, também maior em dois pontos percentuais que o ano anterior. As informações são da Biosul – Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, referente a moagem até 30 de novembro. “O ATR está em recuperação, com o acumulado já acima do previsto e a quinzena foi bem melhor que a passada. A novidade é que nesse dezembro teremos mais unidades moendo. Na primeira quinzena serão 21 unidades contra 18 que estavam operando ano passado e na segunda serão 21 contra 11”, revela Roberto Hollanda, presidente da Biosul.

A safra de cana-de-açúcar no estado começou em abril de 2014 e deve seguir até janeiro de 2015. Na segunda quinzena de novembro foram processadas 1,862 milhão de toneladas de cana, volume praticamente igual ao do mesmo período na safra passada. O volume acumulado de cana-de-açúcar processada até o momento é de 38,75 milhões de toneladas, 1,92% menor em relação ao ano passado.

Até agora foram produzidas 1,24 milhão de toneladas de açúcar, quantidade 6% menor que a produção registrada anteriormente, que foi de 1,32 milhão de toneladas. Já no etanol, o acumulado até a segunda quinzena de novembro foi de 566 milhões de litros de anidro e 1,63 bilhão de litros de etanol hidratado, resultando 2,20 bilhões de litros de biocombustível produzido, volume 4,33% maior que na safra 2013/2014.

Segundo o presidente da Biosul, a chuva tem atrapalhado um pouco as operações, o que já era esperado nesta época do ano. (Jornal Cana 15/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: Neste domingo, o Partido Liberal Democrata (PLD), de Shinzo Abe, venceu as eleições parlamentares no Japão, elegendo mais de 280 parlamentares, de um total de 475 assentos. Considerando os votos obtidos pelo partido Komei, a coalizão conquistou mais de 310 cadeiras no Parlamento. Após a vitória, o primeiro-ministro Shinzo Abe prometeu que fará um esforço para que os salários aumentem no país. Além disso, Abe afirmou que vai elaborar até o final deste ano um projeto de estímulos à economia japonesa.

2) EUA: O Índice de Confiança do Consumidor, medido pela Universidade de Michigan, subiu para 93,8 pontos em dezembro, de 88,8 pontos em novembro, puxado pela alta no índice de expectativas para os próximos meses. O otimismo dos consumidores é resultado da queda do preço da gasolina e do mercado de trabalho mais aquecido.

3) EUA: O Índice de Preços ao Produtos (PPI) dos EUA recuou 0,2% em novembro na comparação mensal, ante alta de 0,2% em outubro, abaixo da expectativa dos economistas de queda de 0,1%. No acumulado 12 meses, o PPI desacelerou de 1,5% em outubro para 1,4% em novembro. Já o núcleo do indicador ficou estável em novembro na comparação mensal, abaixo do resultado do mês anterior, de alta de 0,4%, e da expectativa dos economistas, de crescimento de 0,1%.

4) Europa: O integrante do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Ewald Nowoty, afirmou que a autoridade pode comprar bônus soberano sob determinadas circunstâncias, como parte das medidas para estimular à economia da região. O dirigente acredita que a inflação deve diminuir ao longo do primeiro trimestre de 2015.

Brasil

1) Petrobras: Na última sexta-feira, a Petrobras divulgou apenas indicadores operacionais e informações financeiras que não serão afetadas por potenciais ajustes recorrentes da Operação Lava-Jato, adiando mais uma vez a publicação das demonstrações contábeis. Para impedir que as dívidas tenham suas cobranças antecipadas, a estatal negociou com investidores o adiamento dos prazos de divulgação. Com o acordo, o balanço do terceiro trimestre, auditado por consultoria externa, será divulgado no dia 31 de janeiro de 2015, evitando a cobrança antecipada de US$ 7 bilhões. Segundo o Valor, se até 180 dias após o fim de 2014 não ocorrer a publicação do balanço anual auditado, a Petrobras pode entrar tecnicamente em default, permitindo a cobrança antecipada de US$ 56,7 bilhões.

2) Eletrobrás: Mesmo com papel estratégico em projetos de geração e transmissão de energia, a Eletrobrás investiu até outubro apenas 44,3% do previsto para 2014. No mesmo caminho, as distribuidoras sob administração da Eletrobrás não investiram nem um terço dos valores aprovados para este ano.  Nos primeiros dez meses do ano, o Grupo Eletrobrás executou R$ 4,37 bilhões em investimentos, frente a um montante de R$ 9,87 bilhões autorizado.

3) Preços: O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) avançou 0,98% em dezembro, ante 0,82% em novembro, ligeiramente acima da mediana das previsões, de alta de 0,97%. Vale destacar que os três indicadores que compõem o índice tiveram aceleração do ritmo de alta neste mês. Com esse resultado, o IGP-10 encerra o ano de 2014 com alta de 3,88%.

4) Focus: As previsões para a taxa de inflação deste e do próximo ano foram mantidas, enquanto as expectativas para o crescimento da economia diminuíram. Segundo o Boletim Focus, a estimativa para o PIB 2014 passou de 0,18% para 0,16%. Para 2015, a previsão é de crescimento de 0,69%, ante 0,73% projetado na semana anterior. Já a projeção para o IPCA deste ano de manteve em 6,38% e para 2015 ficou estável em 6,50%.

5) Atividade: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou queda de 0,26% em outubro ante o mês anterior, bem abaixo da expectativa dos analistas, de alta de 0,3%. Na comparação anual, o indicador recuou 1,18%. Além disso, os resultados dos meses anteriores foram revisados para baixo. Em setembro, a alta mensal do IBC-Br foi revisada para 0,26%, de alta de 0,40%. Em agosto ante julho, o indicador cresceu 0,14%, ante alta de 0,20% registrada nas estimativas anteriores.

6) Petrobras: A queda dos preços do petróleo e as dificuldades financeiras da Petrobras podem levar o governo a repensar o modelo de partilha do pré sal, que exige que a Petrobras seja a operadora única dos campos, com no mínimo 30% de participação. Segundo o Globo, se a mudança passar pelo governo, ainda precisará da aprovação do Congresso.