Macroeconomia e mercado

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Açúcar começa semana com nova queda nos preços; etanol sobe 0,50%

Os preços do açúcar iniciaram a semana em baixa nos mercados internacionais, mantendo a tendência de queda deste final de ano.

Em Nova York os preços depreciaram entre 2 e 9 pontos.

No vencimento março/15, a commodity fechou negociada em 14,96 centavos de dólar por libra-peso, pequena variação negativa de dois pontos.

Em Londres o açúcar também fechou em baixa nesta segunda-feira (15), com negócios firmados em US$ 388,70 a tonelada, queda de 1,70 dólar. Nos demais vencimentos da bolsa londrina a commodity desvalorizou entre US$ 2 e US$ 2,70.

No mercado interno, segundo os índices do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP, os preços do açúcar fecharam praticamente estáveis, com pequena variação positiva de 0,02% e contratos fechados em R$ 52,06 a saca de 50 quilos do tipo cristal, contra R$ 52,05 da última sexta-feira.

Etanol

Os preços do etanol hidratado iniciaram a semana com alta de meio ponto percentual e negócios realizados em R$ 1.208,00 o metro cúbico, contra R$ 1.2002,00 da última sexta-feira (12), ainda segundo os índices da Esalq/BVMF. (UDOP 16/12/2014)

 

Até quando Graça vai sangrar o óleo da Petrobras?

Dilma Rousseff está deixando sua fraterna amiga Maria das Graças Foster sangrar na presidência da Petrobras. Nesse martírio inglório e prolongado, a única coisa certa é que a demissão de Graça é inevitável. O propósito inicial de dar tempo à executiva para que ela limpasse a casa e saísse por cima das malfeitorias (ver RR edição nº 5.000) perdeu o sentido com as recentes denúncias.

Agora, a cada dia no cargo, mais humilhante será sua queda.

A verdade é que a Petrobras tornou-se um pelourinho no qual está exposta toda a diretoria. São cem chibatadas toda vez que a Lava Jato é mencionada.

A questão maior, porém, não é assistir ao calvário de Graça pelos jornais, mas definir o perfil do seu sucessor.

As circunstâncias exigem que o futuro presidente da Petrobras seja uma espécie de São Jorge, para que seus inimigos, tendo pés, não o alcancem; tendo mãos, não o peguem; tendo olhos, não o enxerguem; e nenhum tipo de denúncia de corrupção possa lhe fazer mal.

Para início de conversa, o sucessor de Graça Foster não deve ser oriundo dos quadros da Petrobras. Será constrangedor a qualquer um dos profissionais da empresa colocar sob desconfiança seus pares, quiçá amigos.

Subtraia-se deste baralho também qualquer carta de naipe político.

O PT e a base aliada estãosub judice quando se trata de Petrobras.

Portanto, soluções de araque como Jaques Wagner e Aloizio Mercadante surgem como balões a serem rapidamente incinerados. Imagina- se que não estejam talhados para o cargo economistas e burocratas com jeito de membros permanentede algum staff.

O lugar é para gente cascuda, peso pesado, com carapaça de rinoceronte.

O bom nome deveria ser de um renomado e experiente gestor, bem-sucedido nos seus negócios, com fama de austero e disciplinador.

Esses são predicados sob medida para o mercado, que enxerga hoje a Petrobras como uma toca de roedores.

Cortado o paletó, resta costurá-lo. Sugestões para o cargo: Paulo Cunha, Jorge Gerdau e, vá lá, Benjamin Steinbruch.

O primeiro, presidente do Conselho do Grupo Ultra, foi um dos pioneiros do Polo Petroquímico de Camaçari e já teve seu nome cotado nas hostes palacianas (ver RR nº 4.994).

Gerdau e Steinbruch foram membros do Conselho de Administração da Petrobras.

Para qualquer um deles, o convite deveria ser feito como uma missão santa.

E o mais rapidamente possível, antes que Maria das Graças seja canonizada pelo seu martírio. (Jornal Relatório Reservado 16/12/2014)

 

A contragosto, Dilma já sonda nomes para substituir Graça

Presidente resiste à ideia, mas novas revelações de ex-gerente e provável rebaixamento da nota da estatal deixam demissão cada vez mais perto.

Embora a presidente Dilma Rousseff resista à ideia, Graça Foster está cada vez mais perto de deixar o comando da Petrobras.

Reportagem desta terça-feira do jornal Folha de S. Pauloinforma que já começaram as sondagens do Planalto por nomes para assumir a presidência da estatal. Ainda que informais, as consultas já apontam para o nome de Murilo Ferreira, presidente da Vale.

A substituição, segundo o jornal, seria anunciada como parte do pacote de reformas ministeriais – ao lado de trocas nos comandos de bancos públicos e da Itaipu Binacional.

Amiga de Graça, Dilma tem poupado o quanto pode a presidente da Petrobras.

Na semana assada, o governo fez uma força-tarefa para blindar Graça Foster.

Após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter feito um pedido público pela 7demissão da cúpula da Petrobras, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se apressou para sair em defesa da atual diretoria da estatal e disse que nem a presidente da companhia nem os atuais diretores da empresa deixarão seus cargos.

Três dias depois, contudo, o jornal Valor Econômico revelou que Graça foi alertada sobre os desvios na estatal por Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento comandada por Paulo Roberto Costa.

Em nota enviada nesta terça-feira, a Petrobras afirma que Graça apenas foi avisada dos desmandos na estatal em novembro deste ano.

E que os avisos anteriores "não explicitaram irregularidades relacionadas à RNEST, à área de Comunicação do Abastecimento e à área de comercialização de combustível de navio (bunker)".

"Os temas supracitados foram apenas levados ao conhecimento da Presidente através de email recente, de 20/11/2014, quando a empregada já havia sido destituída de sua função gerencial.

Nesta data, as irregularidades na Comunicação do Abastecimento e na RNEST já haviam sido objeto de averiguação em Comissões Internas de Apuração, bem como as irregularidades da área de comercialização de combustível de navio (bunker) em Grupos de Trabalho.

A Presidente respondeu à empregada Venina Velosa Fonseca, no dia 21/11/2014, informando que estava encaminhando o assunto ao Diretor José Carlos Cosenza e ao Jurídico da Petrobras para averiguação e adoção das medidas cabíveis", diz o texto da estatal.

Além de temer novas revelações de Venina, Dilma terá dificuldade de manter Graça no cargo diante da iminente perda de grau de investimento da estatal. Define uma fonte do governo ao jornal O Globo: "O tempo de Graça já acabou e ela própria percebeu isso. A diretoria da Petrobras não tem mais credibilidade com o mercado. A presidente pode estar conseguindo mantê-la apesar dos problemas políticos, mas, com os desdobramentos econômicos que ainda virão, será difícil". (Veja.com 16/12/2014)

 

Indonésia deve importar 2,8 milhões de toneladas de açúcar

Oferta excessiva em 2014 causou desvalorização da commodity e da cana-de-açúcar; governo pretende controlar importação para proteger setor.

O governo da Indonésia deve liberar para 2015 a entrada de 2,8 milhões de toneladas de açúcar para suprir a demanda interna, originada pelas refinarias locais.

O número é resultado da estimativa de uso do tipo refinado, em 2014, pela industrial de alimentos e bebidas de aproximadamente 2,6 milhões de toneladas, divulgado nesta segunda-feira, 15, pelo diretor geral de comércio exterior do Ministério de Comércio, Partogi Pangaribuan.

Este ano fornecedores de cana-de-açúcar de 15 províncias do país foram prejudicados pela oferta excessiva de açúcar, resultando na redução da cota de importação para 3 milhões de toneladas e redução do preço da matéria-prima.

No momento o país realiza uma auditoria para obter a real demanda do produto no mercado doméstico. A preocupação do governo é controlar a entrada excessiva de açúcar e abastecer a indústria de maneira contínua. O país é o maior consumidor da commodity no Sudeste asiático. (Jornal Cana 16/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Rússia: Ontem, o rublo recuou mais de 10%, registrando a maior perda desde 1998 e atingindo o patamar recorde de baixa de 64,45 rublos por dólar. Nesse cenário, o Banco Central da Rússia realizou uma reunião de emergência e anunciou uma forte alta de 6,5 pontos percentuais na taxa de juro referencial, para 17%. Vale lembrar que este foi o sexto aumento nos juros só este ano. Além disso, a autoridade monetária divulgou previsões preocupantes com relação à economia do país. Segundo o BC russo, se os preços do petróleo continuarem em US$ 60 o barril, o PIB do país pode ter contração de 4,5% a 4,7%.

2) China: O PMI industrial da China, medido pelo HSBC, caiu a 49,5 na leitura preliminar de dezembro, de 50 em novembro, registrando o resultado mais baixo dos últimos sete meses. Destaque negativo para a desaceleração da demanda doméstica e para as crescentes pressões deflacionárias, que podem justificar a implementação de novos estímulos monetários nos próximos meses.

3) Europa: Segundo dados preliminares da Markit, o PMI composto da zona do euro subiu para 51,7 em dezembro, de 51,1 em novembro, acima da expectativa dos analistas, de alta para 51,5.  Destaque positivo para a França, onde o PMI composto subiu para 49,1 em dezembro de 47,9 em novembro, maior índice em quatro meses. Por outro lado, na Alemanha, o indicador recuou para 51,4 este mês, de 51,7 em novembro, registrando o menor nível em 18 meses.

4) Europa: O índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha subiu para 34,9 em dezembro, de 11,5 em outubro, atingindo o maior nível desde maio. Este resultado também ficou acima da projeção dos economistas, que esperavam alta do índice para 18.

5) EUA: A produção industrial dos EUA cresceu 1,3% em novembro ante outubro, acima da expectativa dos economistas, de alta de 0,8%. O resultado do mês de outubro também foi revisado para cima, de queda mensal de 0,1%, para avanço de 0,1%. Destaque positivo para a produção da indústria manufatureira, que cresceu 1,1% em novembro, ante 0,4% em outubro e para o setor de utilidades públicas, que passou de queda de 0,7% em outubro para alta de 5,1% no mês passado.

6) Petróleo: Os futuros do petróleo continuam operando em forte queda nesta manhã, pressionados pelos dados fracos de atividade da Europa e da China. Às 9 horas, o Brent para janeiro recuava 3,0%, atingindo US$ 59,22 o barril, enquanto o WTI para janeiro recuava 2,50%, cotado a US$ 54,52 o barril.

Brasil

1) Petrobrás: Com a não divulgação do balanço do terceiro trimestre e a queda do preço do petróleo, as ações da Petrobrás recuaram quase 10%, atingindo o menor nível dos últimos 10 anos. A forte queda em um único dia foi puxada principalmente pelos acionistas estrangeiros. No começo do pregão de ontem na bolsa brasileira, as ações da estatal caíram apenas 2%, mas com a abertura dos mercados nos EUA, esta queda se intensificou. Na Bolsa de Nova York, os ADRs da Petrobrás recuaram 12,1%, fechando a US$ 6,08, cotação mais baixa desde 2003. No Brasil, as ações preferenciais caíram 9,2%, chegando a R$ 9,18, cotação mínima desde janeiro de 2005, enquanto a ação ordinária fechou a R$ 8,52, queda de 9,94%, menor preço desde agosto de 2004.

2) Rating: A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) sinalizou que a saúde da Petrobrás pode influenciar a sua avaliação sobre a nota do Brasil. Segundo a agência, a principal preocupação em relação à Petrobras está ligada aos investimentos e, portanto, com os efeitos da crise da estatal sobre o crescimento da economia brasileira.

3) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou alta de 0,51% na segunda quadrissemana de dezembro, ante 0,64% na leitura imediatamente anterior, abaixo da mediana das projeções, de alta de 0,60%. Na segunda leitura do mês, os preços de Saúde e Despesas Pessoais ganharam força, enquanto os demais grupos apresentaram desaceleração. Já o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) cresceu 0,77% na segunda quadrissemana de dezembro, mesma variação registrada na leitura anterior, e em linha com as expectativas.

4) Fscal: Segundo o Valor, o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o indicado ao cargo para o próximo ano, Joaquim Levy, não se acertam com relação à qual deve ser o resultado primário deste ano. Mantega quer entregar um superávit de R$ 10 bilhões este ano, enquanto Levy espera que todos os acertos fiscais sejam feitos ainda em 2014 para que 2015 comece com o caixa menos pressionado.

5) Fiscal: O governo estuda repassar para o consumidor o rombo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Este ano, os recursos vieram por meio de empréstimos bancários, no valor de R$ 14,8 bilhões, tomados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Em 2015, estão previstos pelo Tesouro mais R$ 9 bilhões para a CDE. Entretanto, já há um consenso de que este valor não será suficiente. Neste cenário, a nova equipe econômica pretende tirar esses gastos excedentes do Tesouro Nacional e repassar para os consumidores. Estima-se que cada um bilhão gasto no setor pesa um ponto percentual nas contas de luz.

6) Setor externo: Na segunda semana de dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 380 milhões, com as exportações somando US$ 4,120 bilhões e as importações em US$ 3,740 bilhões. Mesmo com esse resultado, no acumulado do ano a balança comercial ainda está deficitária em US$ 3,445 bilhões.

7) Atividade:  A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apontou que a receita bruta nominal do setor subiu 5,2% em outubro ante igual mês de 2013, desacelerando da alta anual de 6,4% registrada em setembro. A receita bruta do setor acumula avanço de 6,5% no ano de 6,8% em 12 meses.