Macroeconomia e mercado

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Estudo avalia impacto da emissão de gases no plantio de cana-de-açúcar

Estudo aponta que o preparo convencional apresentou emissão acumulada entre 34% e 39% acima do valor encontrado no preparo semi-reduzido e preparo mínimo.

Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Esalq, avaliou o impacto ambiental a partir do preparo do solo para o plantio de cana-de-açúcar. A cultura continua em crescimento no Brasil para a fabricação do etanol, sendo que o país é o maior exportador do produto.

Segundo a agroecóloga formada pela Universidad de la Amazônia (Colombia), Adriana Silva-Olaya, hoje metade da área total de cana é colhida mecanicamente, o que evita emissões a partir da queima da biomassa vegetal e favorece o incremento no estoque de carbono do solo.

As informações fazem parte do estudo “Emissões de dióxido de carbono após diferentes sistemas de preparo do solo na cultura da cana-de-açúcar”; que fez parte da dissertação de mestrado de Adriana, pelo programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas e revela que o cultivo do solo com tecnologia de aração e outros procedimentos permite maior mineralização do carbono orgânico no solo e incrementa as emissões de CO2.

“Diante dessa situação, esse estudo se propôs quantificar as emissões de CO2 derivadas de três sistemas de preparo do solo utilizados durante a reforma dos canaviais no estado de São Paulo, assim como avaliar a influência da palha nesses processos de emissão”, explicou a pesquisadora.

Para o monitoramento das emissões foi utilizada uma câmera que coleta e analisa o fluxo de CO2, com análises no dia anterior ao preparo do solo e após a passagem dos implementos.

As conclusões apontaram que o preparo convencional apresentou emissão acumulada entre 34% e 39% acima do valor encontrado no preparo semireduzido e preparo mínimo.

“A seleção de práticas de manejo sustentáveis que permitam aumentar o sequestro de carbono, melhorar a qualidade do solo e ajudar a minimizar a emissão de CO2 dos solos agrícolas, contribui para a redução do valor da pegada de carbono do etanol (footprint), aumentando consequentemente o benefício ambiental da substituição do combustível fóssil com este biocombustível”, concluiu a pesquisadora. (Portogente 17/12/2014)

 

Safra de cana-de-açúcar ainda sofre com os problemas climáticos

Região de Catanduva tem sete usinas, sendo que somente uma ainda não encerrou atividades.

A safra da cana-de-açúcar terminou em mais de 100 usinas na região Centro-Sul. Na região de Catanduva, que tem sete usinas, somente uma ainda não encerrou as atividades. O volume de cana processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul atingiu 15,75 milhões de toneladas na segunda metade de novembro, uma queda de quase 40% em relação às 26,04 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

No acumulado desde o início da safra até 30 de novembro, a moagem totalizou 554,09 milhões de toneladas, comparado com os 571,20 milhões de toneladas processados no mesmo período do ano anterior (redução de 3,00%).

De acordo com diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, as chuvas dos últimos dias de novembro prejudicaram a operacionalização da colheita, levando muitas usinas a pouparem o término da safra para o início de dezembro. Ainda assim, a quantidade de unidades com moagem encerrada até o final de novembro é muito maior comparativamente ao último ano: são 136, contra apenas 73 empresas no mesmo período de 2013.

“Este número elevado de usinas com safra já finalizada reflete a quebra agrícola que atingiu principalmente o Estado de São Paulo”, disse Rodrigues.

Segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade dos canaviais colhidos em novembro na região Centro-Sul alcançou 63,5 toneladas por hectare, diminuição de 15% sobre o mesmo período de 2013. No acumulado da atual safra até o final do mês passado a quebra agrícola atingiu 7,8%, enquanto no Estado de São Paulo supera 11% (73,8 toneladas por hectare, contra 83,8 toneladas em 2013).

QUALIDADE

Na última quinzena de novembro a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) totalizou 137,41 quilos por tonelada de cana-de-açúcar, aumento de 4,33% quando comparado aos 131,71 quilos observados na mesma quinzena do ano passado.

No acumulado desde o início da safra até 30 de novembro, a concentração de ATR na planta alcançou 137,14 kg por tonelada de matéria-prima, 2,66% acima do valor apurado no mesmo período do ano anterior.

PRODUÇÃO

A produção de açúcar nos últimos quinze dias de novembro totalizou 762,23 mil toneladas, redução de quase 50% sobre o mesmo período de 2013 (1,43 milhão de toneladas) e de 36,55% em relação à primeira metade do mês (1,20 milhão de toneladas). No acumulado até o final de novembro, a quantidade fabricada somou 31,50 milhões de toneladas, contra 33,12 milhões de toneladas contabilizadas até a mesma data do ano passado diminuição de 4,90%.

A queda reflete a predominância do mix alcooleiro ao longo desta temporada. Da quantidade total de cana-de-açúcar moída na segunda quinzena de novembro, 63,03% destinou-se à produção de etanol, ante 56,17% em igual intervalo de 2013. No acumulado desde o início da atual safra, este percentual alcançou 56,49%.

Com mais caldo sendo destinado ao etanol, a fabricação do biocombustível caiu menos do que a de açúcar na última quinzena de novembro. Foram 803,36 milhões de litros produzidos (295,60 milhões de litros de etanol anidro e 507,76 milhões de litros de etanol hidratado), retração de 28,79% comparativamente a 2013.

Já a produção acumulada até 30 de novembro cresceu 3,54% comparativamente ao mesmo período da safra 2013/2014, totalizando 25,18 bilhões de litros. O principal avanço coube ao etanol hidratado, com 14,58 bilhões de litros fabricados – alta de 6,12% sobre 2013. A produção de etanol anidro, por sua vez, aumentou 0,18%, somando 10,60 bilhões de litros. (O Regional 17/12/2014)

 

Saúde do trabalhador garante produtividade na indústria sucroenergética

A indústria sucroenergética apresenta diversas peculiaridades que a distingue de outras atividades econômicas, como: a forma e o tempo que os produtos são executados, a produção centralizada em série e as características da mão de obra utilizada, cujas deficiências de treinamentos afetam seu desempenho tanto na produtividade como na qualidade de seus produtos. A grande questão do momento é saber como aumentar a produtividade das empresas, sem mudar o quadro funcional e alterar a qualidade dos produtos? Por isso, a receita na opinião é de Alexandre Ruy, engenheiro de segurança do trabalho do setor sucroenergético, é prevenir riscos e manter o trabalhador saudável. “Inclusive, vários acidentes poderiam ter sido evitados se não fosse a pressa e a não observação às normas de segurança”, resume.

O engenheiro de segurança adverte que é preciso implantar uma política de segurança efetiva e eficiente, garantindo que todos os funcionários tenham o conhecimento sobre ela. “Ao praticar a segurança do trabalho, a empresa motiva a permanência dos funcionários, resulta no aumento da produtividade, estabelece confiança dos investidores e clientes, reduz de custos por afastamentos e indenizações por doença ou acidentes de trabalho e gera impactos positivos na imagem da empresa. Toda perda pode e deve ser evitada. O trabalhador deve ser visto como o principal patrimônio e deve estar acima dos demais interesses da empresa”, comenta.

O impacto de um acidente é devastador para empresa, pois, irá prejudicar sua imagem e reputação, poderá ocorrer penalidades de contrato, indenizações, ações regressivas pelo INSS, gerar ações trabalhistas, civis e criminais, autuações e interdição pelo M.T.E, despertar um sentimento de revolta, absenteísmos, entre outros, segundo o gestor.

Mas para isso é preciso realizar os treinamentos obrigatórios previstos na legislação com todos os trabalhadores, inclusive os líderes e demais superiores. “O funcionário deve conhecer a dinâmica dos serviços e estar preparado para os possíveis desvios ou anormalidades que possam ocorrer. Os treinamentos ajudam a aumentar a produtividade e satisfação dos trabalhadores criando uma mão-de-obra mais qualificada, competente, mais saudável e motivadora”, diz.

Para Ruy, a Segurança do Trabalho deve participar e acompanhar todas as fases do serviço, desde o projeto, mudança de layout, processo, propondo melhorias, analisando todos os riscos, possibilidades de anomalias, enquadramento às normas de segurança e outros impactos, juntamente com os demais departamentos. “A liderança deve conhecer as normas e procedimentos, ter a consciência da responsabilidade pela segurança e saúde dos trabalhadores e impedir que as normas e procedimentos sejam ignorados mediante a uma situação de urgência ou imprevista. É necessário também eliminar o comportamento de risco e estar atento e preocupado com as atitudes, suas consequências e zelar dos trabalhadores das empresas prestadoras de serviço. Um alto índice de abstinência significa baixa produtividade”, adverte. (Jornal Cana 17/12/2014)

 

“Empresa que imprimir melhor relação preço e margem lidera o mercado”, diz especialista

Consultor admite que troca de lideranças da última década trouxeram uma série de lições que bem aplicadas alcançam a competitividade.

Com a afirmação de que a regra é ter produtividade sempre, o CEO da ABS Consultoria, Vital Balboni revela que a empresa que imprimir uma melhor relação preço e margem lidera o mercado pressionando os demais players a seguirem pelo mesmo caminho. “Isso é a “comoditização” do conhecimento. As trocas de lideranças da última década levaram e trouxeram uma série de lições que culminaram em práticas, que, quando bem aplicadas empurram a competitividade. São dois os campos de atuação para se manter competitivo. Um deles é inovar nos processos, algo que este setor já tem feito com o custo da energia, buscando fontes de reaproveitamento”, informa.

Segundo ele, o que falta no setor são as iniciativas de otimização dos recursos. “A sensação que temos é que mexer com mão-de-obra no Brasil é um tema difícil, então, a questão da produtividade fica sempre para segunda instância. Em tempos de crise é a única atividade que não precisa de investimento. É preciso coragem para mudar o status quo. Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos, vamos continuar obtendo os mesmos resultados”, lembra.

Ele adverte ainda que é preciso rever a excelência operacional. “Sem uma operação com excelência, toda cadeia de resultado é afetada. O preço passa a ser primordial e tem que ser o melhor, mas por conta disso pressiona o mercado que responde de maneira ríspida e então todo o resto fica mais difícil. Não há estratégia que resolva problemas de baixa produtividade”, finaliza o gestor da empresa especializada em Excelência Operacional em Processos, Aumento de Produtividade e Redução de Custos. (Jornal Cana 17/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) EUA: As novas construções residenciais iniciadas em novembro somaram 1,028 milhão, queda de 1,6% em relação a outubro, abaixo da expectativa dos economistas, que esperavam uma alta de 3,1%. As permissões para as novas construções também apresentaram desempenho fraco e recuaram 5,2% em novembro em relação a outubro, ante crescimento de 5,9% na leitura anterior.

2) Rússia: O Ministério de Finanças da Rússia afirmou nesta quarta-feira que vai começar a vender as reservas de moeda estrangeira no mercado, em mais uma tentativa de conter a desvalorização do rublo. Entretanto, apesar da moeda russa ter reagido positivamente após o anúncio, valorizando frente ao dólar, o rublo já perdeu força e voltou a recuar.

3) Reino Unido: Segundo a ata referente às reuniões realizadas pelo Banco da Inglaterra (BoE) nos dias 3 e 4 de dezembro, a manutenção da taxa de juros em 0,5% ao ano foi aprovado por 7 votos a 2. Os conselheiros Ian McCafferty e Martin Weale votaram por uma alta de 0,25 ponto percentual. De acordo com o documento, o conselho do BoE acredita que a queda do preço do petróleo pode estimular a economia britânica, mas ao mesmo tempo, desacelerar a inflação no curto prazo. A expectativa é de que, em dezembro, o índice de preços do consumidor fique abaixo de 1%.

4) Europa: O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da zona do euro subiu 0,3% em novembro ante igual período do ano passado, desacelerando em relação à alta de 0,4% registrada em outubro, mas em linha com a expectativa dos economistas. Na comparação mensal, o índice teve alta de 0,2% em novembro. Já o núcleo do CPI, registrou crescimento anual de 0,7%, e queda mensal de 0,1%.  

Brasil

1) Fiscal: Em conversa com parlamentares da Comissão Mista de Orçamento, o ministro indicado para a Fazenda, Joaquim Levy, reafirmou o seu compromisso de cumprir as metas fiscais para os próximos anos, porém alertou que não se deve exagerar nos impostos, pois pode acabar sufocando a economia. Segundo Levy, para atingir o superávit primário desejado, o governo vai construir mecanismos de redução de custos e despesas. O futuro ministro da Fazenda também destacou a importância para o país de aumentar a poupança interna. Nesse sentindo, ajustes de impostos precisam ser feitos para estimular a poupança.

2) Preços: A segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,65%, ante alta de 0,72% na mesma leitura do mês de novembro, levemente abaixo da mediada das projeções, de avanço de 0,67%. Na primeira prévia deste mês, o índice registrou alta de 0,63%. Até a segunda prévia de dezembro, o IGP-M acumula alta de 3,72% em 2014.

3) Mercados: Com o temor de que a crise russa atinja outros países emergentes, o dólar se valorizou contra o real em 2,64%, atingindo R$ 2,74, a maior cotação desde março de 2005. Em cinco dias, a moeda americana já registrou alta de 5,63%. O mercado de juros futuros também foi afetado, com o mercado projetando uma Selic acima de 13% ao ano em 2015.

4) Câmbio: O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em apresentação do Conselho de Assuntos Econômicos do Senado que o Banco Central definirá nos próximos dias os parâmetros do programa de intervenção cambial para o próximo ano, sendo que o leilão de swap terá no mínimo US$ 50 milhões e no máximo US$ 200 milhões por dia.

5) Petrobras: Com deterioração financeira a da Petrobras, a não apresentação dos resultados trimestrais, e as denúncias de corrupção, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a nota individual da estatal de BBB- para BB. Segunda a agência, a companhia terá acesso restrito ao crédito e precisará de um apoio extraordinário do governo em caso de piora do cenário. Já as notas globais da Petrobras foram mantidas em BBB-.