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Setor da cana pode perder até nove usinas em 2015

Em crise por conta do clima e do baixo preço interno do petróleo (sem perspectivas de recuperação no médio prazo), o setor sucroalcooleiro pode perder até nove usinas no ano que vem, segundo um balanço divulgado nesta quinta-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

"Não dá para dizer quem é (que vai quebrar) e nem para afirmar se vai ser mais ou menos que nove (usinas). Essa é uma avaliação nossa, interna, em função da grande redução da moagem e da dificuldade para a próxima safra", destacou o diretor técnico da UNICA, Antônio de Padua Rodrigues.

De acordo com Padua, para próxima safra o setor conta com apenas uma usina em condições de realizar a moagem da cana, localizada em Minas Gerais e resultado de investimentos feitos ainda em 2008.

Em relação às demais, Padua lembra que "são usinas que tiveram uma forte redução de moagem, que pararam a safra muito cedo, que não têm produto de entressafra", o que refletiu em dificuldades financeiras para estes produtores.

Apenas na região centro-sul, a UNICA estima que cerca de 80 usinas já fecharam as portas por conta de dificuldades financeiras e outras 67 seguem em recuperação judicial em todo o país.

Por conta deste cenário extremamente pessimista, a safra de 2015 deverá ser ainda menor que a deste ano, sendo 12,1% menor em São Paulo, principal estado produtor, e de 7,8% em toda a região centro-sul.

"A falta de chuva, a falta do desenvolvimento das mudas, foi provavelmente a principal razão para a queda na área plantada. Mas com certeza tem também alguma razão financeira que pode ter levado a isso", avaliou Padua ao analisar os dados de 2014, quando a área plantada reduziu 14,8% em relação ao ano anterior.

Mesmo assim, o setor conta com as medidas governamentais de aumento da mistura de etanol anidro na gasolina previstas para 2015 para dar fôlego ao setor, que deve diminuir o processamento de açúcar para focar na produção de biocombustível.

Segundos dados apresentados pela UNICA, a queda da safra observada este ano não impactou na produção de etanol, cujas vendas aumentaram 12,2% no período no caso do etanol anidro carburante, usado como aditivo na gasolina.

A pedra no sapato, porém, tem sido o preço da gasolina, que vem despencando no mercado internacional sem perspectivas de recuperação para o ano que vem de acordo com alguns economistas.

De acordo com a presidente da UNICA, Elisabeth Farina, o desafio é "para todas as energias renováveis", e será preciso "vontade política" para priorizar outras fontes de energia em detrimento do petróleo.

"Depende muito de como o Brasil vai reagir perante essa queda do preço do petróleo. O preço estava lá em cima e aqui mantivemos ele baixo, subsidiamos, mas o que vamos fazer agora? Temos ainda as questões das perdas acumuladas da Petrobras... São todas questões a serem respondidas", avaliou Farina.

Já para Padua, o setor alcooleiro deverá ter um bom desempenho independente do que possa acontecer com o preço da gasolina, sobretudo por conta dos inúmeros incentivos fiscais dados ao setor.

"No curto prazo eu não vejo muito impacto na formação de preço da gasolina na bomba. Se o preço do petróleo cair nas bombas para o consumidor, a gasolina vai continuar pagando 29% de ICMS e o álcool 14%. Isso é uma realidade independentemente do preço do petróleo", destacou. (EFE 19/12/2014)

 

Estiagem pressiona produtividade no Centro-Sul

Baixos índices pluviométricos influenciaram na produtividade agrícola da região, que está 12,1% menor em relação a 2013.

A redução de cana-de-açúcar processada nesta safra 2014/15 está fortemente ligada aos baixos índices pluviométricos que pressionaram a produtividade agrícola da cultura. Foram 30 milhões de toneladas a menos em relação a 2013/14. Até o final de novembro a queda acumulada da produtividade foi de 12,1% no Estado de São Paulo, a região Centro-Sul apresentou queda de 7,8%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, “O impacto da estiagem sobre a safra de cana só não foi maior porque houve aumento de área e produtividade em algumas regiões que não foram atingidas pela falta de chuva”, afirmou. Os estados de Mato Grosso e Goiás tiveram produtividades positivas; de 10,3% e 5,4%, respectivamente, favorecidos pela boa pluviosidade. (Jornal Cana 19/12/2014)

 

Novo levantamento da Conab mostra safra de cana no Brasil alcançando 642 milhões de toneladas

A cana-de-açúcar da safra 2014/2015 produzida no país deve chegar a 642 milhões de toneladas. É o que aponta o 3º levantamento, divulgado nesta sexta-feira (19) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse valor é 2,5% inferior quando comparada as 658 milhões de toneladas da safra anterior.

O estudo mostra que, apesar da elevação da área de colheita, que passou de 8,8 milhões de hectares para 9 milhões de hectares, um acréscimo de 2,2%, houve uma queda na produção. As questões climáticas, como a falta de chuvas principalmente na região Sudeste, afetaram a produtividade da cultura de maneira negativa, o que resultou numa colheita menor do que a registrada na safra 2013/2014.

A maior parte da cana-de-açúcar colhida deverá ser destinada para a fabricação de etanol, representando 56,28% da produção. O etanol total deverá apresentar um aumento de 2,5%, passando de 27,9 para 28,6 bilhões de litros. O etanol hidratado, utilizado nos veículos "flex-fuel", deve subir 4,57% e sai da marca de 16,1 bilhões para 16,8 bilhões. Enquanto isso, o anidro, destinado à mistura com a gasolina, apresenta ligeira queda de 0,25%.

Já para a produção de açúcar, é prevista uma queda de 4%, devendo passar das 37,8 milhões para 36,3 milhões de toneladas. (CONAB 19/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Estados Unidos: O índice do Fed da Filadélfia recuou no mês de dezembro para 24,5 pontos, abaixo dos 40,8 pontos registrados em novembro, mas em linha com a expectativa dos economistas. A queda do índice é resultado da piora nos novos pedidos e dos estoques, apesar desses indicadores ainda serem os mais altos entre os pesquisados.

2) Europa: O índice GfK de confiança do consumidor da Alemanha subiu para 9 pontos em janeiro, ante 8,7 pontos em dezembro, acima da expectativa dos economistas, de alta para 8,8 pontos. Este é o maior nível dos últimos oito anos.

3) Europa: O superávit em conta corrente da zona do euro caiu para 20,5 bilhões de euros em outubro, de um superávit revisado de 32 bilhões de euros em setembro. Segundo dados do Banco Central Europeu (BCE), o saldo positivo da balança comercial caiu para 19,3 bilhões de euros em outubro, de 21,6 bilhões de euros em setembro, enquanto superávit de serviços diminuiu para 5,5 bilhões de euros, ante 10,4 bilhões de euros.

4) Japão: O Banco do Japão (BoJ) decidiu manter a politica monetária inalterada, por 8 votos a 1, optando por avaliar os efeitos da expansão do seu programa de estímulos.  Após a decisão, o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, afirmou que a queda do preço do petróleo vai estimular a economia japonesa, e consequentemente , elevar a inflação no longo prazo. No entanto, no curto prazo, Kuroda tem uma visão mais pessimista, afirmando que com aqueda do preço da commodity, dificilmente os preços vão acelerar no primeiro semestre do próximo ano.

Brasil

1) Fundos de Pensão: Os planos de previdência de estatais são responsáveis por pelo menos metade do déficit dos fundos de pensão. Segundo o Valor, as fundações dos funcionários da Caixa, Petrobras, BNDES e Correios tinham um saldo negativo de R$ 14,6 bilhões em setembro. Para equacionar este déficit, algumas destas empresas, como Caixa Econômica e Correios, terão de fazer aportes em seus fundos, gerando uma pressão extra nas contas públicas.

2) Fiscal: A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) terminou ontem sem nenhuma decisão sobre a mudança da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). De acordo com o Ministério da Fazenda, a TJLP que vigorará já no primeiro trimestre de 2015 será anunciada até o final do ano, juntamente com as condições do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para o próximo ano.

3) São Paulo: O governo de São Paulo anunciou que as famílias que excederem o consumo de água no Estado terão de pagar uma sobretaxa na conta a partir de 2015. Pela regra, quem tiver aumento de consumo igual ou menor que 20%, em relação à média do ano passado, terá sobretaxa de 20% na conta. Já o ônus para quem tiver expansão do consumo acima de 20% será de 50%.

4) Caged: O saldo de empregos formais em novembro foi de apenas 8.381 vagas, pior resultado para o mês desde 2008. Na comparação anual, foi registrada queda de 87,925 na geração de empregos formais. No acumulado do ano até novembro, foram criados 938.043 novos postos, menor resultado nos primeiros onze meses do ano desde 2003.

5) Política Monetária: Em entrevista ontem à Globo News, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que entre setembro e outubro, a desvalorização do real foi de 10%, o que deve ter um impacto de 5% ou 6% nos preços domésticos no horizonte de doze meses.  Tombini mais uma vez se mostrou mais otimista com relação às contas fiscais, afirmando que os ministros recém indicados estão falando de politicas, que se implementadas, facilitariam o processo de convergência da inflação para a meta.

6) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrou alta de 0,79% em dezembro, ante 0,38% em novembro, acima da mediana das expectativas, de alta de 0,75%. Com este resultado, o índice acumulou avanço de 6,46% em 2014.

7) Emprego: Segundo dados do IBGE,  taxa de desemprego ficou em 4,8% em novembro, de 4,7% em outubro, acima da mediana das projeções, de 4,5%. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou alta de 0,7% em novembro ante outubro, e aumento de 2,7% na comparação anual.