Macroeconomia e mercado

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TJLP

Em reunião extraordinária na última sexta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu elevar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 5% para 5,5% ao ano.

Como a taxa é definida trimestralmente, esta TJLP vai referenciar os empréstimos do BNDES entre janeiro e março de 2015.

Nesta mesma reunião o CMN ampliou até 2015 o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que no próximo ano contará com R$ 50 bilhões. (Banco Central do Brasil 22/12/2014)

 

Queda do petróleo pode afetar açúcar, avalia Archer Consulting

Perda de competitividade do etanol seria sinal de maior volume da commodity no mercado internacional.

A queda dos preços internacionais do petróleo pode refletir de forma negativa nas cotações do açúcar no mercado internacional. A avaliação foi feita por Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting. Para ele, a commodity sofreria um efeito da perda de competitividade do mercado de combustíveis.

“Se o mercado (de petróleo) continuar com essa toada de derretimento nos preços; o etanol (cujo custo de produção equivale hoje a US$ 70 o barril) perderá sua competitividade, sinalizando ao mercado internacional que mais açúcar será produzido, o que fará com que a curva de preços da commodity, lá adiante, se deteriore”, diz Corrêa, em comentário sobre o desempenho desta semana do mercado de açúcar em Nova York.

Nesta sexta-feira (19/12), o contrato de março de 2015, o primeiro da tela de Nova York, fechou próximo da estabilidade, apontando baixa de um ponto a US$ 0,1498 por libra-peso. Maio de 2015 caiu dois pontos e fechou a US$ 0,1533.

Apesar da pressão negativa, na avaliação de Arnaldo Corrêa, o desempenho do açúcar em Nova York “não foi tão ruim este ano”. De acordo com ele, as cotações operaram em média a US$ 878 por tonelada. Em 2013, o valor foi de US$ 864.

“A dispersão deste ano foi menor do que a do ano passado, ou seja, tivemos um mercado com volatilidade mais contida”, avalia Corrêa, para quem o mercado já está em ritmo de festas e os últimos pregões do ano tendem a ser de liquidez bastante reduzida.

De acordo com ele, setembro foi o pior mês desde 2010, com a média mensal de R$ 783 por tonelada. Nos últimos cinco anos, a média mais baixa ocorreu em maio de 2010 com R$ 608 por tonelada e a mais alta em janeiro de 2011 com R$ 1.236. A média dos últimos cinco anos é de R$ 929, nas contas do consultor. (Globo Rural 22/12/2014)

 

Etanol fica mais barato em 12 Estados

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação subiu 0,21% nesta semana.

A pouco mais de um mês da reunião que deve confirmar o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, governo, setor sucroenergético e indústria automobilística ainda não chegaram a um acordo sobre o porcentual a ser aplicado. A expectativa inicial era de que a proporção subisse de 25% para 27,5%, mas dificuldades quanto à medição desse 0,5 ponto porcentual podem limitar o incremento a 27%.

A questão foi debatida na última sexta-feira (12/12) durante a Mesa Tripartite, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e que reúne integrantes do governo, de distribuidores de combustíveis e da cadeia produtiva de açúcar e álcool. “O problema existe, porque as provetas atuais não medem o 0,5 ponto porcentual. Teria de se administrar muito bem o nível de mistura. Assim, por comodidade, surgiu a ideia dos 27%”, contou o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues.

Pela lei atual, o governo pode aplicar um porcentual entre 18% e 27,5% para a mistura de anidro na gasolina. A banda consta da Medida Provisória 647, aprovada pelo Congresso em setembro e sancionada pela presidente Dilma Rousseff no mesmo mês. A efetivação do novo porcentual depende, no entanto, de autorização do Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool (Cima).

Na última terça-feira, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, disse no Rio que o porcentual deve ser de 27% por conta de dificuldades no controle e medição das frações para os centros de distribuição. Segundo ele, a previsão é de que a mudança seja adotada a partir de 1º de fevereiro.

Se confirmada, a aplicação do novo porcentual se daria antes da reunião do setor sucroenergético e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, marcada para 2 de fevereiro. De acordo com Rodrigues, da Unica, isso não está descartado, já que os testes de durabilidade de peças e em automóveis importados devem ser concluídos em janeiro.

Fontes do segmento sucroalcooleiro se mantêm confiantes ainda na aplicação do porcentual de 27,5% de mistura. “Recentemente surgiu uma alternativa, que é utilizar provetas maiores e que ‘pegam’ o 0,5 ponto porcentual”, disse um importante representante do setor, que não quis se identificar. Já o líder de uma associação frisou que os testes conduzidos pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) foram positivos para o porcentual de 27,5% e para outros ainda mais elevados, como 30%. Em razão disso, afirmou ele, são grandes as chances de o governo optar mesmo pelos 27,5%. (Jornal Cana 22/12/2014)

 

John Deere faz acordo para vender negócio de seguro agrícola à FMH

A multinacional americana fabricante de máquinas agrícolas e de construção anunciou ontem que entrou em acordo definitivo para vender seu negócio de seguro agrícola para a Farmers Mutual Hail Insurance Company of Iowa (FMH), com sede em Des Moines, capital do Estado americano de Iowa.

O negócio ainda está sujeito à aprovação regulatória e deverá ser concluído no primeiro trimestre de 2015, conforme comunicado da John Deere.

A ação é resultado de uma revisão de opções estratégicas para o negócio de seguro agrícola, já anunciado anteriormente pela Deere. O acordo vai resultar na venda da John Deere Insurance Company e da John Deere Risk Protection. As duas empresas eram responsáveis pelo setor de seguros da companhia, que pertencia à unidade da John Deere Financial.

A John Deere teve atuação na área de seguros por nove anos.

A FMH foi fundada em 1893 e é um fornecedor de soluções de gerenciamento de risco nas Américas, incluindo seguros privados e federais, produtos e serviços de resseguro, bem como seguro agrícola, de automóveis e imóveis.

Fonte: Valor Econômico (19/12/14

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: O governo chinês vai facilitar a abertura de filiais e operações de bancos estrangeiros no país, de acordo com a agência de notícias Xinhua. As novas regras retiram as exigências para que os bancos estrangeiros tenham que injetar ao menos 100 milhões de yuans em ativos circulantes na abertura de uma filial no país e reduzem de três para um ano o tempo de espera para início das operações em yuan, eliminando a obrigatoriedade de apresentação de lucro em dois anos.

2) Petróleo: O ministro do petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, afirmou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não deverá reduzir sua produção, mesmo que venha a ser abordada sobre o assunto por países que não fazem parte do grupo. Segundo Al- Naimi, mesmo se as nações de fora do cartel oferecessem cortar a produção, Agora seria muito tarde para isso.

3) Petróleo: Ministros do petróleo que participam da conferência sobre energia em Abu Dabi previram que os preços da commodity deverão se estabilizar. O representante do Iraque, Adel Abdul-Mehdi, estima que os preços vão se estabilizar em torno de US$ 60 por barril, já que essa é a média do custo de produção de outras fontes.

4) Europa: O vice presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vitor Constancio, afirmou que sua expectativa é de que a taxa de inflação da zona do euro fique negativa nos próximos meses, mas que este é um fenômeno temporário e, por isso, não vê risco de deflação.  Os comentários do vice presidente aumentaram a expectativa do mercado de que o BCE implemente um novo programa de estímulos já em janeiro.

Brasil

1) TJLP: Em reunião extraordinária na última sexta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu elevar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 5% para 5,5% ao ano. Como a taxa é definida trimestralmente, esta TJLP vai referenciar os empréstimos do BNDES entre janeiro e março de 2015. Nesta mesma reunião o CMN ampliou até 2015 o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que no próximo ano contará com R$ 50 bilhões.

2) Atividade: A decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que retirou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre a revenda de produtos importados pode prejudicar a indústria doméstica. Segundo um estudo realizado pela Fiesp, a retirada do tributo possibilita a redução de 4,2% no preço do produto importado ao consumidor final. Nesse cenário,  1,1% do consumo de produtos nacionais seria substituído por importados, gerando uma perda anual de R$ 19,8 bilhões em vendas e de 68 mil empregos para a indústria de transformação.

3) Atividade: O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da sondagem de dezembro recuou 0,8%, atingindo 84,9 pontos, ante 85,6 pontos em novembro. No mês passado, o ICI subiu 3,6%. Segundo a FGV, o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 1,5%, para 84,6 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,2%, para 85,2 pontos.

4) Focus: As projeções para o crescimento econômico voltaram a recuar enquanto a expectativa é de forte pressão inflacionária em 2015. Segundo o último Boletim Focus, a mediana das projeções para o PIB este ano recuou para 0,13%, ante 0,16% no documento anterior. Para 2015, a previsão passou de 0,69% para 0,55%. Já com relação à inflação, o IPCA 2014 se manteve em 6,38%, enquanto para o próximo ano, a mediana das previsões subiu de 6,50% para 6,54%.

5) Preços: O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) ficou em 0,25% em dezembro, desacelerando ante alta de 0,30%, registrada em novembro, e abaixo da mediana das expectativas, de alta de 0,29%. Com esse resultado, o INCC-M fechou o ano com alta acumulada de 6,74%.

6) Mercado: As empresas brasileiras captaram US$ 6,6256 bilhões no segundo semestre deste ano com emissões de títulos no exterior, valor 77,4% menor do que o registrado no primeiro semestre de 2014. Ainda vale ressaltar que esta queda é quase três vezes superior aos recuos verificados em outros países emergentes. De acordo com o Globo, as investigações de corrupção na Petrobras podem ter agravado o cenário econômico do país e dificultado as emissões.