Macroeconomia e mercado

Notícias

Açúcar: EUA suspendem taxas, mas limitam volume comprado do México

Associação critica decisão, alegando que fere acordo de livre comércio.

Os Estados Unidos irão suspender as taxas que incidem sobre o açúcar importado do México. Uma cotação mínima, contudo, será estabelecida para “proteger” o produto norte-americano de eventuais oscilações de preço, informou o Departamento de Comércio dos EUA na última sexta-feira (19/12).

A medida, contudo, inclui também um limite para a quantidade de açúcar que o México pode enviar ao seu vizinho. “Com uma canetada, esse acordo desmantela o livre comércio de açúcar que havia entre Estados Unidos e México e mina os fundamentos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)”, criticou a Associação dos Consumidores de Açúcar, em comunicado.

As taxas sobre importações foram aplicadas em agosto, depois que produtores norte-americanos alegaram que o açúcar mexicano, mais barato, havia “inundado” o mercado e afetado os preços das cotações internas. Os Estados Unidos são o quarto maior consumidor mundial de açúcar, sendo que 25% de toda demanda doméstica é proveniente de importações. (Jornal Cana 23/12/2014)

 

Obras no terminal da Copersucar em Santos terminam em março

As obras de reconstrução e modernização do Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), no Porto de Santos (SP), atingidas por incêndio em 2013, devem ser concluídas em março, e não mais em fevereiro de 2015, como estava previsto.

Segundo a empresa, não há atraso, já que o objetivo é ter o terminal operando 100% de sua capacidade antes da safra 2015/16, que começa em abril. Atualmente, as instalações operam com 60% de sua capacidade, movimentando 6 milhões de toneladas por safra. Quando estiver totalmente pronto, o TAC poderá movimentar 10 milhões de toneladas por ciclo.

O TAC foi quase destruído em outubro do ano passado por um incêndio, que também resultou na perda de mais de 150 mil toneladas de açúcar. As obras de reconstrução começaram ainda em 2013. A companhia disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que a partir da safra 2015/16 o TAC passará a contar também com "novos sistemas e processos de segurança, ampliando os atuais sistemas de prevenção e combate a incêndios, com a incorporação dos mais modernos procedimentos e tecnologias".

Devem ser instalados válvulas dilúvio, canhões monitores, ampliação dos "sprinklers" e utilização de materiais mais resistentes nas instalações e equipamentos.

A companhia estuda também alterar as especificações do açúcar estocado, para que tenha mais umidade e seja menos inflamável. "As medidas visam o aprimoramento contínuo dos processos de segurança das pessoas e instalações e de controle ambiental", afirmou o diretor de Logística e Planejamento, Alexandre Mattos Setten, em nota. (Agência Estado 23/12/2014)

 

Bunge embarca açúcar cetificado para o exterior

A Bunge Brasil, empresa produtoras de açúcar e bioenergia, uma das maiores tradings mundiais de açúcar, embarcou mais de 17 mil toneladas de açúcar bruto a granel, com certificação Bonsucro, para o Canadá.

A Bonsucro é uma organização internacional que estabelece princípios e critérios socioambientais para cultivo da cana em todo o mundo, permitindo a certificação de seus produtos derivados. Foi a primeira vez no mundo que uma carga de açúcar certificado pela Bonsucro é exportada no comércio internacional.

Segundo Gabriel Carvalho, diretor comercial de Açúcar & Bioenergia da Bunge, a empresa já havia comercializado etanol com o selo Bonsucro, no entanto, essas transações foram realizadas apenas aqui no País. "Além disso, é importante ressaltar que essa operação só foi possível por conta da integração de diversas áreas da empresa, desde a produção até a parceria com clientes estratégicos, passando por nosso escritório na Europa que também se certificou a fim de garantir rastreabilidade para levar o produto brasileiro a qualquer parte do mundo”, diz.

Essa primeira venda global de açúcar certificado demonstra, claramente, a preocupação da Bunge em estar presente em um mercado crescente e promissor, com matérias-primas selecionadas. “A certificação já é muito forte na Europa, onde as exigências com relação à sustentabilidade são maiores. Com a certificação Bonsucro, garantimos o controle de toda a cadeia relacionada à produção sustentável de cana-de-açúcar e seus derivados, permitindo um diferencial aos clientes que valorizam esse tipo de gestão de impactos e responsabilidade socioambiental”, informa Michel Santos, gerente de Sustentabilidade da Bunge Brasil.

O comprador final é uma das maiores fabricantes globais de doces. A Bunge movimenta mais de cinco milhões de toneladas do produto, integrando produtores no Brasil, Tailândia e países da América Central a destinos como China, Canadá e Oriente Médio. (Diário Rural 23/12/2014)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: O governo chinês anunciou a aprovação de mais seis projetos de infraestrutura, que no total exigirão investimentos de 25,3 bilhões de yuans, a serem executados, principalmente, nas regiões menos desenvolvidas do oeste do país. A expectativa é que os projetos estimulem os investimentos na China e impulsionem a economia do país.

2) Europa: Um integrante do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Ardo Hansson, afirmou que uma eventual compra de bônus soberanos pelo BCE, como parte de mais uma medida de estímulos à economia da zona do euro, estaria no limite da legalidade. Segundo Hansson, estas compras permitiriam a governos tomar fundos emprestados a custos menores, levantando a questão se o BCE estaria ou não fornecendo financiamento ilícito aos Estados.

3) Europa: O PIB da França cresceu 0,3% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores, confirmando a estimativa preliminar e em linha com a expectativa dos analistas. Na comparação anual, o PIB francês teve expansão de 0,4% entre julho e setembro.

4) Europa: O índice Eurocoin, que mede o nível de atividade da zona do euro, avançou para 0,11 em dezembro, de 0,06 em novembro, interrompendo uma sequência de cinco meses em queda. Segundo o Centro de Pesquisa em Política Econômica, a recuperação do indicador reflete sinais favoráveis vindos de pesquisas sobre negócios e a redução das taxas de juros de longo prazo.

5) Reino Unido: O PIB do Reino Unido cresceu 2,6% no terceiro trimestre ante igual período de 2013, abaixo da estimativa preliminar que apontava para alta de 3,0%. Na comparação com o segundo trimestre, a economia do Reino Unido teve aumento de 0,7% entre julho e setembro, confirmando a leitura preliminar.

6) Europa: O Parlamento da Grécia voltou a rejeitar hoje o candidato do governo à Presidência do país, Stavros Dimas, na segunda das três possíveis votações. Dimas recebeu 168 votos favoráveis, contra 131 parlamentares que não aceitaram sua nomeação e uma abstenção. A lei grega exige pelo menos 200 votos a favor em uma das duas primeiras votações. A terceira votação está marcada para o dia 29 de dezembro, e exigirá uma maioria de 180 votos para eleição do novo presidente grego.

Brasil

1) Caixa: A abertura de capital (IPO) da Caixa Econômica Federal, anunciada ontem pela presidente Dilma Rousseff, pode render ao Tesouro Nacional de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões. Segundo o Valor, a idéia é vender entre 20% e 25% do capital do banco. Atualmente, o Tesouro tem 100% do capital e pretende manter o controle da Caixa. No entanto, ainda não está definida uma data para o IPO. Existe uma possibilidade de abertura de capital no final de 2015, mas esta decisão dependerá do desemprenho do mercado acionário nos próximos meses.

2) Fiscal: A arrecadação federal de novembro atingiu R$ 104,5 bilhões, registrando queda real de 12,86% em relação a novembro de 2013. Já no acumulado do ano, as receitas somaram R$ 1,073 trilhão, valor 0,99% inferior ao mesmo período do ano passado. Com a sequência de fracos resultados de arrecadação, a Receita Federal admitiu, pela primeira vez, que o pagamento de tributos este ano pode ficar igual ou um pouco abaixo do registrado em 2013. Se confirmada a previsão, esta será a primeira queda real na arrecadação desde 2009.

3) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) registrou alta de 0,76% na terceira quadrissemana de dezembro, ante avanço de 0,77% na leitura imediatamente anterior.

4) Atividade: A confiança do consumidor subiu 0,9% em dezembro na comparação mensal, ante queda de 6,1% em novembro. Com esse resultado, o indicador fechou 2014 com 96,2 pontos. Segundo a FGV, apesar da alta pontual, as famílias ainda estão cautelosas em relação ao orçamento doméstico. Por outro lado, o índice de confiança do comércio recuou 1,5% em dezembro ante novembro, atingindo 108,9 pontos. Este resultado é o segundo menor nível de toda a série histórica, iniciada em março de 2010. O pior resultado foi registrado em setembro deste ano (108,5 pontos).

5) Setor externo: Balança comercial da terceira semana de dezembro ficou deficitária em US$ 1,339 bilhões, resultado das exportações que somaram US$ 4,131 bilhões e das importações de US$ 5,470 bilhões. A média das exportações da terceira semana recuou 3,8% na comparação com a  segunda semana, reflexo da queda nas vendas de produtos manufaturados e básicos. Com esse resultado, no ano, a balança comercial registra déficit de US$ 4,784 bilhões, sendo US$ 220,329 bilhões em exportações e US$ 225,113 bilhões em importações.