Macroeconomia e mercado

Notícias

Unica: Demissões teriam mais ressonância se setor fosse melhor organizado

O presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Roberto Rodrigues; avalia que as demissões no setor sucroalcooleiro, decorrentes da crise das usinas e do encerramento antecipado da moagem da safra 2014/15, não provocam na opinião pública o mesmo impacto dos desligamentos que têm sido registrados na indústria automobilística porque o segmento não tem "expressão organizacional" que lhe dê maior representatividade.

Segundo ele, as 800 demissões na Volkswagen e as 260 na Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) nos primeiros dias de 2015 tiveram mais repercussão por conta da organização dos sindicatos do que "os 50 mil empregos perdidos nos últimos três anos" na cadeia produtiva de açúcar e etanol. "Falta à cadeia como um todo se organizar melhor", disse ao Broadcast. "Não é um problema só das usinas, só da Unica, é muito maior, mais amplo. É um problema de todos", enfatizou.

Reportagem publicada pelo Broadcast em dezembro mostrou que o setor sucroernegético encerrou 2014 com o pior saldo de empregos desde a crise do final da década de 1990. Até novembro, as demissões superavam as admissões em 11.674 postos, de acordo com os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A parcial é inferior ao saldo de todo 2013, que ficou negativo em 10.475 postos.

Rodrigues, que foi ministro da Agricultura no governo Luiz Inácio Lula da Silva, disse acreditar que a nova titular da pasta, Kátia Abreu, será uma aliada do segmento sucroenergético. "Ela conhece muito bem o assunto. Fez uma referência ao setor no discurso de posse. Acredito que ela será uma aliada nesse debate", afirmou. Ele também considerou positiva a nomeação de Armando Monteiro, senador e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Sobre a saída de Arnaldo Jardim (PPS-SP) do Congresso para assumir a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Rodrigues disse não acreditar que isso enfraqueça as bandeiras do Movimento Pró-Etanol, do qual o deputado federal era um dos líderes na Casa legislativa. Para ele, Jardim poderá atuar em São Paulo para resolver questões relacionadas às diferentes alíquotas de ICMS incidentes sobre o etanol, que fazem o preço do biocombustível variar tanto de um Estado para outro. (Agência Estado 12/01/2015)

 

Executivos da Unica prestigiam novos ministros do governo federal

Elizabeth Farina acredita que a interlocução entre o setor e o Governo Federal é um fator decisivo para iniciar a recuperação da indústria sucroenergética.

O ano de 2015 começou agitado no cenário político do Brasil, principalmente por conta da composição do novo governo da presidente Dilma Rousseff, que iniciou o seu segundo mandato. Importantes ministérios, que de alguma forma estão mais próximos do dia a dia do setor sucroenergético, sofreram trocas no comando de suas pastas, como é o caso do Ministério da Fazenda, da Agricultura, de Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tomou posse oficialmente na tarde da segunda-feira (05/01) em cerimônia na sede do Banco Central (Brasília). Levy, que assumiu o lugar de Guido Mantega, defendeu o fim do patrimonialismo – uma política de favorecimento por subsídios a alguns setores específicos – no país e sinalizou que sua gestão será marcada pela racionalidade econômica, algo que deve gerar condições positivas para a retomada da competitividade de diversos setores, inclusive o sucroenergético.

No mesmo dia, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) tomou posse como nova ministra da Agricultura, assumindo o cargo deixado por Neri Geller (PMDB-MT). Kátia anunciou que entre suas principais metas está a desburocratização do setor e a criação de uma rede de assistência da classe rural. A senadora também reconheceu que o setor sucroenergético é um dos que mais vem sofrendo com a crise dos últimos anos e deu sinais claros da necessidade do trabalho em conjunto do governo para superar os problemas existentes.

O novo ministro de Minas e Energia, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), assumiu oficialmente o cargo na sexta-feira (2) em cerimônia que contou com a presença do ex-ministro da pasta, Edison Lobão, senador pelo PMDB do Maranhão. Em seu discurso de posse, Braga falou da importância do etanol na matriz energética brasileira, principalmente por conta da colaboração do combustível limpo e renovável na redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.

Na quarta-feira (07/01) foi a vez do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) conhecer seu novo comandante, o senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) chegou para substituir Mauro Borges. Monteiro Neto também disse que o setor do etanol foi muito penalizado nos últimos anos e vive um momento difícil. “Acho que temos que ter um olhar sobre esse setor”, afirmou.

“Considero que o etanol foi uma construção importante. Esse setor está construído, temos investimento feito, é um capital que está aí disponível. Em função de algumas questões associadas à política energética, à política de preços, esse setor foi muito penalizado nos últimos anos e vive um momento difícil”, afirmou. “Acho que temos que ter um olhar sobre esse setor. Não é possível imaginar que vamos desmontar esse parque que foi construído,” finalizou o novo ministro do MDIC.

Presente na maioria das cerimônias de transmissão de cargos dos ministérios, a presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, acredita que a interlocução entre o setor e o Governo Federal é um fator decisivo para iniciar a recuperação da indústria sucroenergética.

“A proximidade com o Governo Federal é fundamental, pois temos uma importante agenda para cumprir. O setor precisa se reerguer e depende muito de políticas públicas claras e de longo prazo dedicadas às energias renováveis, como o etanol e a bioeletricidade. Temos muito trabalho pela frente” concluiu Farina. (Unica 12/01/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) Japão: O PIB japonês deve apresentar crescimento real de 1,5% no ano fiscal de 2015, segundo estimativas do governo apresentadas no último relatório de projeções. Além disso, o documento apontou para uma inflação de 1,4% no ano fiscal de 2015, que começa em abril. Já para o ano fiscal de 2014, o governo prevê recuo de 0,5% no PIB, reflexo do impacto negativo prolongado do aumento de impostos sobre vendas, condições climáticas desfavoráveis e recuperação lenta das exportações.

2) Europa: O PIB da França deve crescer 0,1% no quarto trimestre de 2014, em comparação ao terceiro trimestre, segundo estimativa do Banco da França. A projeção é resultado de pesquisa mensal da instituição financeira com empresários, que também mede o índice de confiança para negócios. Entre os representantes da indústria, o índice caiu de 97, em novembro, para 96 em dezembro. Em serviços, houve queda de 93 para 91, na mesma base de comparação.

3) Europa: A marcha contra o terrorismo reuniu ontem cerca de 3,7 milhões de manifestantes na França, além de chefes de Estado de 50 países. Segundo o ministro do Interior da França, esta foi a maior manifestação da historia do país. Além disso, os oficiais de segurança de diversos países, que também participaram da marcha, se comprometeram em reforçar a segurança no combate a atos terroristas. Os países devem trabalhar para reforçar os controles de fronteira, melhorar a cooperação na vigilância de combatentes internacionais a caminho da Síria e do Iraque e combater propaganda e esforços de recrutamento na internet por grupos terroristas.

4) Europa: Instituições financeiras europeias estão fazendo testes de estresse para possível saída da Grécia da zona do euro. Os planos das instituições incluem verificações detalhadas sobre contrapartes que seriam mais afetadas com a saída da Grécia, avaliações sobre exposições de crédito e testes de como elas iriam fornecer financiamentos para as operações locais. Segundo o Estado, algumas empresas também estão se preparando e realizando testes de plataformas de comércio de moeda para ver como lidariam com a adição de uma nova moeda grega e com potenciais controles de capital.

5) China: A China anunciou que vai elevar os impostos sobre o consumo de derivados do petróleo pela terceira vez em menos de dois meses. Ao mesmo tempo, o governo cortará os preços da gasolina e do diesel no varejo. O ministério da Fazenda da China afirmou que essas medidas fazem parte de um politica de conservação de energia e corte de poluição e que as receitas extras obtidas serão revertidas em ações que visam limpar o ar e as fontes hídricas.

Brasil

1) Petrobras: A Petrobras já começou a chamar fornecedores estrangeiros para substituir os 23 grupos empresariais citados na Operação Lava-Jato. Segundo o Valor, a estatal abriu licitação para recontratar os serviços de construção dos módulos de compressão de gás antes contratados da Iesa Óleo e Gás. A Petrobras já admitiu, em nota, que poderia recorrer a fornecedores externos para dar sequência em seu plano de investimento.

2) Fiscal: O custo das desonerações fiscais, subsídios e programas sociais subiu 2,8% do PIB (R$ 140 bilhões) entre 2010 e 2014, pressionado pela desoneração da folha de pagamento, que não existia em 2010 e custou ao governo cerca de R$ 21 bilhões, ou 0,4% do PIB, no ano passado. De acordo com o Valor, em um momento de ajuste fiscal, a revisão dessas renuncias e gastos com subsídios parece uma boa alternativa. As medidas até agora propostas devem ter um impacto potencial de apenas 0,7% do PIB, ainda abaixo da meta estipulada para este ano, de 1,2% do PIB.

3) Fiscal: O economista especialista em finanças públicas, Mansueto Almeida, afirmou que o corte de 33% nas despesas de custeio é impossível. Ainda segundo Mansueto, o corte nos gastos de custeio não garantirá o superávit primário de 1,2% do PIB este ano, já que esses gastos equivalem a um pouco mais de 1% do PIB e o corte de alguns deles, embora importante, terá impacto fiscal pequeno. Mansueto afirmou que se o governo quiser economizar terá de cortar investimentos.

4) Preços: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,29% na primeira prévia de janeiro, ante alta de 0,63% na mesma leitura de dezembro, acima da expectativa dos economistas, de avanço de 0,27%. Até a primeira prévia de janeiro, o índice acumula aumento de 3,48% em 12 meses.

5) Focus: Os economistas continuam projetando um desempenho fraco da economia e uma alta taxa de inflação para este ano. Segundo o último Boletim Focus, divulgado esta manhã pelo Banco Central, à mediana das projeções para o PIB 2015 recuaram de 0,50% para 0,40%. No entanto, para o IPCA deste ano, a mediana das previsões subiu de 6,56% para 6,60%, acima do teto da meta de inflação.

6) Petrobras: Segundo o Estado, a Petrobras deve atrasar o pagamento da primeira parcela da participação nos lucros (PRL), que tradicionalmente é repassada ao funcionários em janeiro, por conta do atraso na divulgação dos resultados financeiros da companhia referentes ao terceiro trimestre do ano. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo no Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) confirmou o impasse nas negociações com a empresa.