Macroeconomia e mercado

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Após seis anos de total abandono, volta da Cide muda relação do governo com o setor

A volta da Cide, antigo pleito das usinas, marca uma nova fase no conturbado diálogo entre o governo e setor.

Ex-ministro da Agricultura no governo Lula, o presidente do Conselho da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), Roberto Rodrigues, acredita que a medida é uma “grande oxigenação e uma oportunidade muito boa” para o segmento de açúcar e etanol.

“O governo abre, finalmente, uma discussão concreta e positiva em relação ao setor”, disse em entrevista ao Canal Rural.

Para o ex-ministro, que chegou a dizer que “Dilma não gosta do setor sucroenergético”, a volta da Cide, somada ao aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, esperada para fevereiro, pode representar bons tempos para o setor.

“São duas medidas que o governo toma e que podem ajudar o setor depois de cinco, seis anos de total abandono pelo governo. Isso muda a relação do governo com o setor”, disse.

Mesmo mostrando otimismo na relação com o Palácio do Planalto, o ex-ministro ainda está inseguro sobre o resultado real da medida. Rodrigues fez questão de frisar que o benefício “vai depender muito do que for estabelecido como o preço da gasolina”.

“Se a gasolina não cair mais, os preços do etanol serão competitivos, e teremos novos e melhores tempos pela frente”.

Questionado se a medida sinalizaria uma melhora no horizonte do setor em 2015 em relação ao ano anterior, o presidente do Conselho da Unica disse apenas que a situação das usinas “começou a melhorar”.

Distribuidores pedem à Petrobras que 'absorva' imposto para o preço da gasolina não aumentar

Os distribuidores de combustíveis vão pedir à Petrobras que "absorva" pelo menos parte da alta dos impostos por meio de uma redução no preço da gasolina e do óleo diesel.

O principal argumento é que os preços no Brasil estão bem mais altos que no mercado internacional, que se beneficia da redução de cerca de 40% no valor do barril do petróleo desde o início do ano passado.

"O mercado entende que há uma defasagem no preço dos combustíveis no Brasil, que estão acima dos preços internacionais, e que a Petrobras pode reduzir esse valor para diminuir o impacto do aumento dos impostos. A decisão é da Petrobras", disse Alisio Vaz, presidente do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes).

Posição da Petrobras

A Petrobras enviou nota na noite de ontem afirmando que o aumento de impostos sobre combustíveis será repassado ao consumidor.

"A Petrobras informa que em decorrência da decisão do Governo Federal de elevação de tributos sobre a gasolina e diesel, os preços desses derivados nas refinarias serão acrescidos dos valores de PIS/Cofins e CIDE, ficando o preço líquido para a Petrobrás inalterado", informa o documento.

IOF

Segundo Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito), o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) terá impacto marginal na demanda por crédito, que enfraqueceu desde o ano passado.

"O crédito desacelera por causa do comprometimento da renda. Claro, que o IOF maior eleva o custo, como já ocorre com a alta dos juros. É torcer para que esse ajuste dê certo o mais rápido possível e reverta como aumento de confiança na economia", afirmou. (Folha de São Paulo 20/01/2015)

 

MS: Produtores de cana e pecuaristas migram para soja e área cresce 30%

Muitos produtores de cana e pecuaristas estão migrando para a soja e a área destinada a cultura cresceu 30% nos últimos cinco anos em Mato Grosso do Sul. Na safra 2014/2015, a produção já alcançou 2,3 milhões de hectares e a expectativa é de 6,8 milhões de toneladas até o fim do ciclo, segundo a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja).

A tecnologia também influencia no desenvolvimento da oleaginosa, de acordo com o técnico da Aprosoja, Leonardo Carlotto. “Pesquisas desenvolvidas na última década confirmam as vantagens da utilização de novas técnicas no campo e é cada vez maior o número de produtores que optam pela agricultura de precisão, desde a semeadura, com a escolha da semente, até a colheita com novas técnicas de manejo”, explica.

Os agricultores, que chegaram a suspender o plantio por determinado tempo em função da estiagem, iniciam a colheita nas próximas semanas. As boas condições de dezembro normalizaram as condições e o clima tem favorecido a baixa incidência de doenças e pragas, segundo o técnico.

Tecnologias

Dentre as tecnologias se destaca o SPD (Sistema de Plantio Direto), técnica utilizada por 95% dos produtores de grãos no Estado. Os produtores plantam diretamente sobre as palhas e restos de culturas deixadas na superfície do solo, sem arar a terra, o que aumenta a retenção de água e reduz a degradação do solo.

Plantar variedades transgênicas da semente é outra escolha que facilita o cultivo e tem aumentado a produção. “A semente modificada apresenta maior resistência aos defensivos agrícolas utilizados para combater pragas. Sendo assim é possível manter a saúde da planta enquanto é realizado o manejo”, detalha Leonardo.

O monitoramento da lavoura também ganhou facilitadores importantes nos últimos anos. O Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado), também conhecido como drone percorre em apenas 30 minutos a lavoura e detecta falhas ou pragas. O diagnóstico é feito a partir de fotos de alta resolução em equipamento instalado no veículo controlado remotamente. (Campo Grande News 18/01/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mundo

1) China: O PIB da China cresceu 7,3% no quarto trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, acima da expectativa dos economistas, de alta de 7,2%. Com este resultado, no acumulado de 2014, o PIB chinês registrou alta de 7,4%, desacelerando ante o crescimento de 7,7% em 2013, mas ligeiramente acima da previsão dos analistas, de avanço de 7,3%. Vale destacar que o crescimento da economia chinesa em 2014 foi o menor dos últimos 24 anos.

2) China: A produção industrial da China teve crescimento de 7,9% em dezembro, na comparação com igual mês de 2013, acima da expectativa dos economistas, de alta de 7,5%. As vendas no varejo do país também surpreenderam positivamente, registrando alta de 11,9% em dezembro, na comparação anual, ante crescimento de 11,7% projetado pelos analistas. Por fim, os investimentos em ativos fixos subiram 15,7% em 2014, em linha com as estimativas.

3) China: As vendas de imóveis da China recuaram 7,8% em 2014, totalizando 6,24 trilhões de yuans, de acordo o Escritório Nacional de Estatísticas do país. Nesse cenário, o mercado imobiliário continua sendo uma das principais preocupações do governo chinês. A expectativa de preços dos imóveis cada vez mais baixos e a elevação nos estoques têm enfraquecido a confiança dos consumidores chineses.

4) FMI: O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 3,8% para 3,5% a previsão de crescimento da economia mundial para este ano. Já para 2016, o Fundo revisou a alta do PIB global de 4% para 3,7%, argumentando que a desaceleração da economia chinesa, o desempenho pior da atividade na zona do euro e no Japão, e a contração da economia russa, devem compensar parte do impacto positivo da queda do preço do petróleo no consumo das famílias.  

5) Europa: O Índice de Preços ao Produtor (PPI) da Alemanha recuou 1,7% em dezembro, na comparação anual, queda maior do que a projetada pelos analistas, de 1,4%. Só o preço de energia recuou 4,9% em 12 meses. Com isso, o núcleo do PPI apresentou queda de 0,4% no ano de 2014.

6) Europa: O índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha subiu para 48,4 em janeiro, de 34,9 em dezembro, acima da previsão dos analistas, de avanço para 40,3. Esta foi a terceira alta consecutiva do indicador. O índice de condições atuais, por sua vez, avançou para 22,4 neste mês, de 10,0 em dezembro, superando a expectativa de aumento para 15,0.

7) Europa: O déficit orçamentário da zona do euro caiu para 2,3% do PIB no terceiro trimestre, ante 2,5% no segundo trimestre, registrando o menor nível em seis anos. O resultado favorável foi obtido através de um leve aumento das receitas, para 46,7% do PIB, enquanto os gastos permaneceram em 49,1% do PIB.

Brasil

1) Fiscal: O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou ontem quatro medidas de aumento de impostos, em mais uma etapa do trabalho de equilíbrio fiscal. Entre as medidas está a elevação de 1,5% para 3%, do IOF incidente sobre operações de crédito pessoa física. Além disso, as alíquotas de PIS-Cofins e da Cide sobre combustíveis aumentaram, provocando um acréscimo na gasolina de R$ 0,22 por litro e, no óleo diesel, de R$ 0,15. Outra medida foi a elevação de 9,25% para 11,75% da alíquota do PIS-Cofins incidente sobre importados. Por fim, foi anunciado à equiparação entre atacadistas e industriais na incidência de IPI sobre cosméticos. Segundo o próprio Levy, estas iniciativas devem gerar uma receita adicional de R$ 20,63 bilhões este ano.

2) Petrobrás: A Petrobrás divulgou ontem à noite em nota que o aumento do imposto sobre combustíveis será repassado ao consumidor. De acordo com a estatal, os preços da gasolina e do diesel nas refinarias serão acrescidos dos valores do PIS-Cofins e CIDE, ficando o preço líquido para a Petrobrás inalterado.  

3) FMI: O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento da economia brasileira nos próximos anos. Para 2015, a expectativa é que o PIB cresça 0,3%, abaixo da alta de 1,4% prevista no último relatório. Já para 2016, a estimativa foi reduzida de 2,2% para 1,5%. Com exceção dos países exportadores de petróleo, o Brasil foi o que teve maior corte nas projeções de crescimento em relação ao relatório anterior.

4) Setor elétrico: Um apagão atingiu ontem pelo menos dez Estados e o Distrito Federal. Em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que o problema foi provocado por restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico. Ainda de acordo com o ONS, o pico de consumo ontem gerou instabilidade na rede elétrica nacional e derrubou a geração de 11 usinas em operação no país. Assim, para reestabelecer o abastecimento e evitar um blecaute geral, o operador optou por reduzir a carga de distribuidores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

5) Preços: O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou alta de 0,87% na segunda quadrissemana de janeiro, ante 0,49% na primeira leitura do mês, acima da previsão dos analistas, de alta de 0,71%. Nesta medição ganharam força os itens Alimentação, Transportes, Despesas Pessoais e Educação.