Macroeconomia e mercado

Notícias

Usinas podem produzir mais de 100 toneladas de cana por hectare

É preciso romper paradigmas na cultura da cana nacional para atingir novos patamares produtivos. A escolha das variedades certas, manejando-as conforme os diferentes cenários de produção, tem papel fundamental nesta quebra de paradigmas.

Este foi um dos pontos defendidos pelo pesquisador do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio da Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), Marcos Landell, em dezembro, em Maringá, durante o 4º Syntegração de 2014, reunião técnica promovida pela Alcopar e Syngenta.

Segundo o pesquisador, há vários casos de produtores que ousaram romper paradigmas e estão produzindo mais de 100 toneladas por hectare no quinto corte e nem sempre em condições ideais de produção, como no norte de Goiás.

“Temos que resgatar antigas e buscar novas práticas que levem o setor a obter produtividades superiores à casa aos três dígitos, com longevidade e sustentabilidade econômica”, afirmou Landell. Ele disse que houve uma evolução importante na produção de cana no Paraná, mas que esta deve crescer muito mais. “O potencial é muito maior”.

O pesquisador comentou que com a mecanização da cana, os índices de produtividade tiveram uma redução média de 15% no primeiro corte, ou 22 toneladas. “Se o produtor quer fechar com uma boa média, tem que começar bem, com boa produtividade no primeiro ciclo”, citou ressaltando que com as estiagens sucessivas, a crescente mecanização e outros problemas, se o produtor continuar com a visão antiga, não conseguirá recuperar os níveis de produtividade.

“A mecanização não tem volta. Então tem que fazer a coisa funcionar utilizando técnicas e equipamentos adequados. Com a mecanização criou-se um novo ambiente para a cana”, afirmou ressaltando a importância de construir e preservar o patrimônio biológico, que é o canavial. Também lembrou que todo o trabalho tem início no preparo do solo, que deve ser feito como para o plantio de grãos.

Cuidar dos detalhes

No plantio é preciso atentar para detalhes como profundidade de sulcação do solo, cobertura, uso de fungicida, irrigação e composto orgânico no sulco, além de considerar a idade da muda e os cuidados na colheita da mesma.

Também é preciso garantir uma boa distribui- ção e o estabelecimento de populações não competitivas. Outros cuidados importantes citados por Marcos Landell são a adoção de práticas de baixo impacto no cultivo mecanizado e na colheita, evitar o pisoteio ou arranquio de touceiras que possam impactar na longevidade do canavial.

No Paraná, a chuva mais constante, mesmo no inverno, aumenta o risco de compactação com a mecanização, fator que compromete a longevidade do canavial.

“Uma das principais coisas a investir é na disciplina do tráfego de caminhões e máquinas, especialmente onde solo é mais argiloso”, alertou.

A ESCOLHA DE VARIEDADES DEVE SEGUIR CRITÉRIOS ESPECÍFICOS, ALÉM DE EVITAR AS FALHAS NO PLANTIO OU O EXCESSO DE PLANTAS QUE COMPETEM ENTRE SI

Gerir a população para colher mais

Investir na gestão da população de cana é um dos principais pontos necessários para obter produtividades maiores, segundo o pesquisador do IAC, Marcos Landell. Para ele, tem que se buscar outros “modelos de cana”, mudando até mesmo a preferência pelas canas grossas, optando por variedades que permitam uma maior população. “O grande segredo é trabalhar canavial com alta população e evitar o pisoteio da cana soca, o que aumenta a longevidade e reduz a infestação de plantas daninhas”.

O pesquisador afirmou que é necessário construir um novo perfil varietal com características adaptadas às condições atuais, como capacidade de brotação, perfilhamento, repovoamento de espaços no canavial, fechamento das entrelinhas para reduzir a mato-competição, além de ser ereto e rico em açúcar.

“Há novas variedades com ganhos de produtividade acima de 11% em relação as mais antigas, além de serem adaptadas à nova condição criada com a mecanização do canavial e os extremos climáticos que tem se tornando comuns. Mas muitas usinas ainda continuam plantando as mesmas variedades desenvolvidas para outra condição de manejo. Este é um dos motivos das baixas produtividades”, disse.

Segundo Landell, tem que ter critérios para escolher a variedade. “Esta pode ser altamente produtiva, mas se não for facilitadora, pode comprometer os resultados”. O pesquisador citou que há variedades que do primeiro ao terceiro corte não produzem tanto quanto as canas mais produtivas, mas a partir do quarto se mantém competitiva e ganha pela longevidade. “Tem que estruturar a produção em cima de números, fazer as contas, construir uma nova visão do perfil varietal se quiser um canavial diferenciado”.

Também comentou que ao contrário do que se pensa, a principal causa de redução da produtividade no primeiro corte não é a falha no plantio mecânico ou na brotação, apesar desta ser significativa. “Muitos materiais compensam parcialmente a falha. O maior problema que impacta na redução da produtividade no primeiro corte é a intracompetição”.

De 12 toneladas de cana muda por hectare passou-se a utilizar 20 a 22 toneladas, visando evitar falhas na brotação, mas isso acabou provocando um problema ainda maior com a competição entre as plantas, citou. Considerando que há 20 mil gemas em uma tonelada de cana, o pesquisador calculou que são usadas 400 mil gemas por hectare.

“Isso dá 50 gemas por metro linear. Se nascer 50%, serão 25 touceiras por metro enquanto que para se ter alta produtividade o ideal são duas. São plantas competindo por água, luz e nutrientes.Isso esgota o solo e na hora que a planta precisa dos nutrientes para crescer, não vai ter”.

CANAVIAL NÃO PODE MAIS SER ESTABELECIDO DE FORMA ALEATÓRIA E É PRECISO ATENTAR PARA AS CONDIÇÕES E LOCALIZAÇÃO DAS MUDAS

Qualidade no plantio é prioridade

Outro ponto defendido como fundamental pelo pesquisador do IAC, Marcos Landell é a qualidade do plantio, além da boa nutrição, proteção e uso de variedades facilitadoras. “Não podemos correr riscos ou termos 20% de falhas em uma operação que é cara. Mais importante do que cumprir metas de plantio é ter excelência no plantio. Caso contrário, corre-se o risco de produzir 80 toneladas no primeiro corte, como muitos têm obtido”, afirmou.

O pesquisador lembrou que em plena era da Agricultura de Precisão, quando tantos cultivos anuais como perenes - café, soja, milho, laranja - são todos estabelecidos com espaçamentos determinados, o canavial ainda continua sendo estabelecido de forma aleatória, apesar de tudo ser mapeado. “Ninguém sabe quantas gemas ou touceiras são plantadas por metro quadrado”.

Ele ressaltou ainda a importância da Agricultura de Precisão na implantação e condução do canavial, fazendo a sulcação com piloto automático, obtendo aumento da capacidade operacional e paralelismo, fazendo correção do solo e aplicação de herbicida com taxa variada, trabalhando com tráfego controlado, redução do pisoteio, operações mais homogêneas, mapas de recomendação, relatórios de aplicação e estimativa de produção.

“Temos que quebrar paradigmas e repensarmos a cultura da cana”, afirmou Landell, destacando novas tecnologias como o plantio de mudas pré-brotadas, que pensa também a gestão espacial. “Canaviais com a mesma variedade plantados lado a lado e no mesmo dia, tendo como diferencial apenas a tecnologia, obtiveram produtividade 30% maiores. A uniformidade de colmos, perfilhamento final, tudo melhorou, dando uma média de 19 colmos finais a mais”, ressaltou.

Outro ponto que precisa ser resgatado é o cuidado com a qualidade das mudas, comentou. “Paramos de planejar os viveiros. A mistura de variedades é um problema sério, assim como o raquitismo da soqueira. Não se faz mais roguing”, lamentou. O pesquisador citou ainda que os viveiros precisam ser estabelecidos ao lado das áreas de plantio para reduzir custos.“A economia em transporte de mudas com a adoção de viveiros satélites pode chegar a R$ 465 mil”, disse.

Soluções integradas para reverter o cenário

Há diversos fatores que tem influenciado negativamente nas produtividades do canavial, segundo o engenheiro agrônomo Victor Hugo Silveira, do Desenvolvimento Técnico de Mercado de Cana de Açúcar da Syngenta. “Conhecer estes é fundamental para reverter o cenário atual”, ressaltou, citando a contribuição da empresa para o aumento de produtividade com o projeto de soluções integradas da Syngenta.

O agrônomo citou que, considerando um potencial médio de produtividade de 140 toneladas de cana por hectare, as perdas com qualidade de muda podem chegar a 7%, com pragas de solo, 9%, com pragas aéreas e doenças do solo, 7% cada, com doenças foliares, 4%, e com plantas daninhas, 11%. “O uso integrado de tecnologias modernas pode eliminar esses problemas, reduzindo as perdas de forma sustentável”.

Para Victor, um ponto fundamental é a qualidade da muda, que impacta na produtividade em 15% a 20%. “Cuidar dos viveiros é garantia de qualidade, vigor, melhor genética, rastreabilidade e sanidade do canavial”. Por isso sempre recomenda a tecnologia Syngenta - Plene Evolve e Plene PB – de mudas pré-brotadas.

Nos 114 campos demonstrativos montados em áreas comerciais de usinas que representam 65% da moagem brasileira, onde foram empregadas as Soluções Integradas Syngenta (produtos e pacote tecnológico), Victor citou que foram obtidos 24% de redução nas falhas, 9% de aumento em toneladas de cana e 10% de redução de custos por tonelada.

Isso, além de melhor estabelecimento em plantio e controle de pragas e doenças, obtenção de mudas com maior vigor e qualidade, maior longevidade de soqueira, seletividade e qualidade na colheita. “A cada R$ 1 investido, retornam R$ 6, com custos 75% menores que outros”, citou.

Victor também comentou sobre o Novo Plene, que deve ser lançado em 2017. “Com a tecnologia será possível reduzir o uso médio de 20 toneladas de cana por hectare como muda para apenas 250 kg, facilitando a logística operacional, reduzindo custos e o impacto ambiental”, completou.

HÁ MATERIAIS ESPECÍFICOS PARA CADA AMBIENTE. TER MAIS DE 15% DA ÁREA COM UMA ÚNICA VARIEDADE É UM RISCO ENORME

Ganhos podem chegar a 40% com manejo varietal

“Por melhor que seja a variedade, nenhuma usina pode chegar a ter 60% de sua área de plantio com apenas uma delas.Ter mais de 15% já é um risco enorme.Tem que avaliar a condição de cada variedade nos vários ambientes de produção, vendo qual a melhor para cada situação e explorar os ganhos dessa interação”, afirmou o pesquisador do IAC, Marcos Landell, ressaltando que planejamento e manejo varietal também são estratégicos.

“É preciso determinar a matriz de ambientes, quais os solos e ambientes na usina, estabelecer metas e escalar variedades específicas. Para isso é importante ter uma pessoa específica para planejamento, que conheça a responsividade de cada material nos vários ambientes da usina”, disse o pesquisador.

Segundo Landell, há materiais responsivos que posicionados no melhor ambiente elevam consideravelmente a média agrícola da empresa e o uso de uma cultivar rústica pode viabilizar ambientes desfavoráveis como os com elevado déficit hídrico. “A alocação conforme o perfil de resposta das variedades pode resultar em ganhos estimados em 15% a 40%. É preciso estar sempre avaliando e planejando quais materiais precisam ser substituídos e por qual”.

Além da mudança das variedades multiuso para as específicas, outro conceito antigo que mudou foi o de que materiais precoces deveriam ser plantados em ambientes favorá- veis e os tardios em ambientes mais restritivos. “A antecipação da safra nos ambientes piores atenua os problemas com déficit hídrico. A produtividade pode ser menor, mas há ganhos na maturação”, destacou.

Também, citou, deve-se priorizar a colheita da cana planta no primeiro terço da safra, com aumento significativo de produtividade agroindustrial nos primeiro e segundo cortes.“Estas têm o sistema radicular menor que a soqueira, estando mais sujeito ao déficit hí- drico”, finalizou Landell. (Jornal do Paraná 02/02/2015)

 

Reduzir inibidores de açúcares é desafio, dizem pesquisadores

Alerta é de especialistas na área de produção de enzimas para a degradação do bagaço de cana e de outras matérias-primas.

É preciso redobrar os esforços para se diminuir a ação de inibidores durante os processos de hidrólise e fermentação de açúcares da biomassa. O alerta foi dado pelos participantes do Workshop on Second Generation Bioethanol 2014, promovido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Segundo o CTBE, há um amadurecimento da comunidade de pesquisa ligada à conversão de biomassa em combustíveis e outros produtos.

Tal evolução científica ocorre em áreas como a produção de enzimas para a degradação do bagaço de cana-de-açúcar e outras matérias-primas.

Há alguns anos, conforme a instituição, boa parcela dos estudos científicos nessa temática se restringiam à identificação e testes com enzimas capazes de converter apenas a celulose da biomassa em açúcares que pudessem ser posteriormente transformados em etanol.

Haviam poucos trabalhos sobre outros tipos de enzimas e o nível de sucesso das iniciativas era medido, basicamente, pelo rendimento de açúcar no processo de hidrólise. (Jornal Cana 02/02/2015)

 

Exposição a setores com risco de calote impacta Banco Pine

Conceder empréstimos para empresas do setor de construção e produtoras de açúcar e álcool costumava ser um grande negócio para o Banco Pine SA.

Agora, exposição a tais setores está prejudicando a capacidade do banco de se financiar no mercado de bonds.

Os custos de captação do banco mais que dobraram em relação aqueles de mercados emergentes depois que a Moody’s Investors Service reduziu seu rating para um nível abaixo do grau especulativo.

A 13 por cento, os bonds do Pine hoje são considerados na categoria conhecida como “distressed”.

Investidores estão perdendo a confiança no Pine à medida que avança a maior investigação de todos os tempos no Brasil envolvendo o setor de construção, enquanto a queda do preço do açúcar leva mais produtores ao calote.

Os dois setores combinados respondem por um quarto dos empréstimos do Pine e a preocupação é de que a inadimplência poderá subir e reduzir gradualmente seu capital, segundo a Fator Corretora.

“Construtoras e as empresas de etanol estão enfrentando dificuldades grandes, e as coisas não devem melhorar muito no curto prazo”, disse Samuel Torres, analista da Fator, corretora com sede em São Paulo. “Nós estimamos provisões mais elevadas e que custos de captação deverão subir para o Pine”.

A assessoria de imprensa do Pine disse em um comunicado enviado por e-mail que o banco reitera sua política conservadora na administração de sua carteira de crédito, e que a maior parte dos empréstimos concedidos ao setor de construção se refere a desenvolvedores de projetos residencias e comerciais.

Apenas cerca da 3% de sua carteira são empréstimos a companhias que, de alguma forma, estão sob a investigação, disse o banco.

As notas subordinadas do Pine tiveram um declínio de 3,8 centavos, para 91,95 centavos de dólar, desde que a Moody’s reduziu seu rating em um nível, para Ba2, no dia 26 de janeiro.

Os bonds caíram 8,3 centavos em janeiro, pior desempenho para um único mês desde sua emissão em 2010.

Bancos semelhantes

As empresas dos setores de construção, açúcar e álcool responderam por 26 por cento dos empréstimos do banco em setembro, maior fatia no Brasil, segundo a Moody’s. Esse percentual se compara com 14,5 por cento no Banco Industrial e Comercial SA, conhecido como Bicbanco, e a menos de 6,5 por cento no Banco Daycoval SA.

O nível de capital de Tier 1 do Pine, uma medida da força financeira em bancos, caiu para 12,4 por cento no terceiro trimestre, contra 13,7 por cento um ano antes.

Algumas das maiores empresas de construção do país estão sendo investigadas porque teriam subornado funcionários da Petrobras para conseguir contratos de infraestrutura.

Duas produtoras de açúcar e etanol deram calote nos últimos 12 meses em meio a uma queda no preço do açúcar e de uma política do governo que torna o combustível menos competitivo no mercado.

Investidores têm demonstrado cautela em relação aos bancos brasileiros de médio porte desde ao menos setembro de 2012, quando o Banco Central anunciou que liquidaria o Banco Cruzeiro do Sul SA, desencadeando o maior calote do mercado latino-americano de bonds em mais de 10 anos e aumentando a preocupação de que mais instituições de médio porte estavam em risco.

Um mês depois, a autoridade assumiu o controle do Banco BVA SA em meio à piora de sua situação financeira.

Diferentemente de outros bancos brasileiros de médio porte, o Pine não fez parcerias com instituições financeiras maiores para melhorar as suas condições de competição no mercado interno.

Enquanto a falta de parcerias e a exposição a setores considerados de risco levaram geram precaução quanto à perspectiva da instituição financeira, o banco tem adotado uma postura mais cautelosa em relação aos novos empréstimos, segundo Gilberto Tonello, analista do setor bancário na GBM Grupo Bursátil Mexicano.

A taxa de contratos em atraso acima de 90 dias do Pine caiu para 0,1 por cento no fim do terceiro trimestre, contra 0,2 por cento nos três meses anteriores. Dois anos antes, era de 0,4 por cento.

A desaceleração da maior economia da América Latina pode representar mais desafios às perspectivas para o Pine, segundo Alexandre Albuquerque, analista da Moody’s.

Desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em outubro, o Banco Central do país elevou as taxas de juros três vezes para conter a inflação.

Economistas reduziram a projeção para o crescimento do produto interno bruto neste ano de 0,38 por cento para 0,13 por cento, segundo uma pesquisa do BC com cerca de 100 analistas publicada no dia 26 de janeiro.

“Vai ser difícil”, disse Albuquerque, de São Paulo. “O banco deverá enfrentar dificuldades com o Brasil crescendo menos no curto prazo e os bancos de médio porte enfrentando dificuldades para crescer ao mesmo tempo em que apresentam provisões mais elevadas”. (Bloomber 02/02/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados Hoje

No Brasil: Aumento do risco de racionamento (água e energia) e piora fiscal são temas que seguem no radar. Além disso, serão divulgados os números de Itaú e Santander.

O mercado revisou para baixo o crescimento do PIB nos próximos anos, e está longe de projetar alívio da inflação. Segundo o Focus desta semana, neste ano, o PIB deve ficar próximo de zero e o IPCA acima de 7%. Falta de energia e água ainda não estão completamente na conta: caminhamos para a recessão. Do lado das contas do governo: rombo de 2014 foi maior que o esperado, e a tarefa de Joaquim Levy se mostra ainda mais árdua. Em suma, aumenta a percepção de risco e deve aumentar a necessidade de apoio explícito do governo Dilma aos ajustes. Em suma, vemos ainda um quadro desfavorável em bolsa e tendência de alta do dólar e dos juros futuros.

No exterior: China desacelera, e Grécia segue no radar dos investidores.

Após dados de desaceleração da indústria chinesa, as bolsas terminaram majoritariamente em abaixa na Ásia. Os dados mantém o viés de baixa sobre diversas commodities, como o cobre e o petróleo. Para muitos países emergentes, a semana começa com bolsas em baixa e moedas depreciadas.

Na Europa, a maioria das bolsas abriu em alta, mas já operam sem direção única. Destaca-se, no entanto, a queda mais expressiva do índice da Espanha, o IBEX 35. Na agenda macro, saíram os índices gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês): confirmou-se o número preliminar na zona do euro, e as economias seguem mostrando fragilidade. Investidores também seguem atentos aos desdobramentos entre Grécia e Bruxelas.

Nos EUA, dia de indicadores sobre a indústria. Lembramos: na última sexta, foi divulgada uma desaceleração do PIB no 4º tri, frente ao 3º. Natural, principalmente por conta da redução dos investimentos, afetados pela queda do petróleo. De qualquer forma, o consumo interno se mostra forte. Para hoje, investidores seguem de olho nos balanços das empresas: entre outras, divulgam Exxon Mobil, Walt Disney e Merck & Co. – todas listadas no Dow Jones.

Brasil

O noticiário não mudou muito, e continua no radar o possível (e cada vez mais provável) racionamento de energia e água, além da deterioração do fiscal de 2014. A percepção de risco aumenta, e não fosse a nova equipe econômica – visando alterar os rumos da economia –, a situação poderia estar pior.

Boletim Focus: mais IPCA, puxado por preços administrados, e menos PIB

Não nos surpreendem as direções de inflação e PIB desta semana. O mercado elevou – ainda que de forma muito marginal – a projeção do IPCA para o final deste ano, de 6,99% para 7,01%. Para 2016, segue em 5,60%. Os preços administrados para 2015 foram dos 8,70% projetados há uma semana, para 9,00%. Enquanto isso, o mercado cortou a projeção de PIB, para 2015 e 2016: espera-se 0,03% e 1,50%, respectivamente. Há uma semana, estes números eram de 0,13% e 1,54%.

Se vierem os racionamentos, PIB deve contrair ainda mais em 2015

Como falamos acima, o mercado já projeta estagnação em 2015, mas se vier o racionamento de água e energia — cenário cada vez mais provável —, o PIB registrará contração. No Estadão, matéria comenta que contração pode ser de até 2%. Registre-se: as indústrias de SP e RJ representam 7,5% do PIB do país, e o racionamento de água pode afetar 60% delas, segundo contas da Fiesp e Firjan. Ao contrário do racionamento de energia, o de água será inédito e, portanto, é de mensuração mais complicada.

Estamos no início de um ciclo de alta do dólar

Para o economista Affonso Pastore, o dólar deve continuar em alta nos próximos meses. Concordamos com ele e, ainda que o real tenha se valorizado nas primeiras semanas do ano, diante das mudanças propostas por Joaquim Levy, acreditamos estar ainda no início de um ciclo de fortalecimento do dólar. Dois motivos para isso, segundo Pastore: (1) EUA crescem em ritmo acelerado e são uma exceção no cenário atual; e (2) elevado déficit em transações correntes aqui no Brasil. Veja matéria do Estadão aqui.

Operações de “Carry-Trade”: dólar valorizado dificulta ganhos

Diante da valorização recente do dólar ao redor do mundo, investidores começam a olhar para outras divisas, como o iene ou o euro, para comprar moedas de emergentes, como a rúpia indiana, a lira turca ou o peso mexicano. Operações de “Carry-Trade” são aquelas que se beneficiam das taxas de juros elevadas em outros países, e lucram com o diferencial de juros. No Valor de hoje, comentário sobre o futuro destas operações. 

Ajuste fiscal: a tarefa ficou mais difícil

Depois dos dados da semana passada, percebemos que conseguir atingir o prometido superávit de 1,2% do PIB neste ano será uma tarefa ainda mais difícil. Afinal, partiremos de um déficit de 0,6% do PIB em 2014 (R$32,5 bi) e, com isso, o ajuste deverá ser de 1,8% do PIB. Dito de outra forma, aumentar o superávit primário para R$66 bi demandará um ajuste de aproximadamente R$100 bi. Pela frente, vale lembrar, perspectivas de ritmo da economia não são nada favoráveis para a arrecadação. [veja no Valor de hoje]

“O governo precisa assumir o ajuste”

Segundo Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005, Dilma precisa assumir que apoiará os ajustes na economia. Segundo ele, em entrevista ao Estadão, “há uma política de ambiguidade”. Foi algo que ressaltamos na semana passada: depois de período de otimismo com as mudanças propostas por Joaquim Levy, o mercado precisa ver sinais concretos de apoio ao ajuste, principalmente por parte da presidente Dilma. Afinal, dificuldades têm vindo à tona.

“Chegou a hora”: FHC pede mudanças de gestão econômica, para não “sermos engolfados por uma crise que se mostrará maior do que nós"

FHC publicou matéria no Estadão que aborda alguns pontos importantes e que estão em discussão nos mercados. Sobre a “elite governante”, FHC diz que eles “Exageraram, por exemplo, ao forçar o 'conteúdo nacional' na indústria petrolífera, excederam-se na fabricação de campeões nacionais’ à custa do Tesouro. Os resultados estão à vista: quebram-se empresas beneficiárias do BNDES, […]”. Também aborda as investigações de corrupção na Petrobras: em referência à Justiça, pede “Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, aos delegados ou à mídia”. 

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa sexta-feira tivemos um dia de forte queda, com isso o suporte em 47.500 foi perdido, chegamos a fechar um pouco abaixo do suporte de 47.000, mas ainda não podemos dizer que ele foi perdido. Se for confirmada a perda do suporte em 47.000 abriremos espaço aberto para uma queda até 45.000, onde temos os fundos de 2013 e 2014. Se voltarmos a subir 47.500 agora é resistência, seu rompimento deixaria a situação menos negativa. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário Externo: a desaceleração chinesa dá o tom nos mercados neste início da semana, e investidores estarão à espera de dados da indústria americana, balanços corporativos por lá, além de desdobramentos da situação política na Grécia. Depois de ganhos expressivos nas bolsas europeias em janeiro, vemos com cautela os próximos movimentos. Ao longo da semana, dados dos EUA devem continuar favorecendo o fortalecimento do dólar.

China: indústria desacelera

O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou desaceleração em janeiro do setor industrial. Enquanto o PMI oficial recuou, o medido pelo HSBC apresentou leve melhora.  O primeiro passou de 50,5 em dezembro para 49,8, em janeiro; enquanto o segundo foi de 49,6 para 49,7, mas abaixo do número preliminar, de 49,8. Percebe-se que o quadro piorou para as empresas maiores – mais dependentes do crescimento global. Diante do atual cenário, a melhora do ritmo de atividade que vimos no final de 2014 parece menos provável de continuar, e a autoridade monetária pode se juntar ao recente grupo de bancos centrais mais expansionistas ao redor do mundo.

EUA: crescimento do 4º tri é puxado pelo forte consumo interno

O PIB do 4º tri cresceu, segundo a 1ª leitura oficial, 2,6% frente ao 3º tri. Em suma, ficou abaixo dos esperados 3%, após forte expansão de 5% no trimestre anterior. Do lado positivo: o consumo das famílias se mostrou forte, corroborando a perspectiva de demanda doméstica sólida: cresceu 4,3%, após 3,2% no 3º tri. Como já falamos em outras ocasiões, esperamos um aumento do poder de compra das famílias à frente, impulsionado pela queda das cotações do petróleo e melhora do mercado de trabalho. Um ponto de atenção: Visa e MasterCard, empresas que divulgaram números na semana passada, argumentaram que os americanos ainda estão valor reticentes em gastar mais, e economias com queda da gasolina estão sendo usadas para poupar mais.

Empresas

Petrobras: O tema Petrobras segue vivo no noticiário. Na sexta-feira, após rebaixamento da Moody's, as ações da companhia voltaram a ser pressionadas. O tempo está correndo contra a empresa. A agência de classificação de risco cobrou clareza e um anúncio público sobre a metodologia que será adotada para registrar as perdas com a corrupção. A Moody's deixou a porta aberta para um novo rebaixamento, o que coloca em dúvida se o rating da Petrobras não poderá ser classificado como junk.

Nesse contexto, o risco aumenta, com a possibilidade dos credores da companhia entrarem com ações judiciais para antecipar a cobrança de dívidas, diante do atraso na publicação auditada. Se a Petrobras não divulgar o balanço auditado de 2014 até junho, os credores podem exigir US$ 56,7 bilhões. O balanço de 2014 está sendo aguardado para 25 de fevereiro. O resultado do 3T14 auditado ainda não tem uma data mas, de acordo com a imprensa, deve sair em maio.

Os dividendos da companhia também estão sendo colocados em dúvida. O ajuste contábil, o qual ainda não se conhece a magnitude (varia de R$ 4 a 88,6 bilhões), levará a empresa a não distribuir proventos. A necessidade de capital também poderá forçá-la a distribuir o mínimo requerido. A empresa afirmou que a discussão sobre dividendos de 2014 é prematura. O resultado do ano ainda não foi concluído, justificou a companhia. A Petro ainda admitiu que, mesmo se registrar lucro, pode não compensar no curto prazo seus investidores.

O problema de liquidez deverá levar a empresa a estudar alternativas para se capitalizar. Sem janela para captação de recursos no exterior, a estatal poderá recorrer a emissão de debênture no segundo semestre, de acordo com a Agência Estado. A empresa não recorre a esta alternativa há mais de uma década, no entanto a alternativa passou a ser considerada após a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

Outra alternativa, que não é descartada pelo mercado, seria a emissão de ações. Nesse caso, os investidores poderiam exigir mais. O desconto das ações poderia aumentar.

Vale: Conforme esperávamos, a Vale submeterá à deliberação do conselho de administração a proposta para pagamento de remuneração mínima aos acionistas para 2015 no valor de US$ 2 bilhões. O montante corresponde a US$ 0,39 por ação ordinária ou preferencial em circulação, a ser distribuído aos acionistas em duas parcelas iguais nos dias 30 de abril e 30 de outubro de 2015. A remuneração ficou 52% inferior ao anunciado em janeiro de 2014, ficou em linha com nossa expectativa e 24,8% abaixo das estimativas dos analistas consultados pelo Broadcast. Conforme antecipamos, em um momento de queda de preços de minério e baixo nível de investimentos, o montante mínimo seria o mais prudente. Não vemos a proposta como negativa, mas os dados fracos divulgados na China devem pressionar os ativos da companhia.

Racionamento: A ONS reduziu o nível de chuvas para fevereiro de 75% para 56% da média histórica. A projeção para os reservatórios no final de fevereiro ficou em 23,4%, melhor que a projeção anterior de 20,8%. No SE/CO, a projeção é que feche fevereiro com 20,1% da capacidade (de 16,8%), hoje a situação é de 16,79%.

Setor de Telecomunicações: O presidente mundial da Tim, Marco Patuano, afirmou que a empresa vai investir mais no Brasil com foco na qualidade e tamanho da rede, aquisições por enquanto tendem a acontecer na Europa onde o mercado é muito pulverizado e está acontecendo uma guerra de preços. Ele não descartou o interesse em participar do processo de consolidação de no Brasil, mas não agora. Patuano afirmou ainda que o grupo está saindo da Argentina para se concentrar no Brasil. Existem especulações de que a OI e TIM possam fundir-se e ainda que a Tim possa ser comprada em conjunto por OI, VIVO e CLARO, o Banco Pactual já foi contratado para costurar essa proposta. Falando agora de OI, a CVM sinaliza dar aval ao acordo entre a companhia e a Portugal Telecom, o novo acerto, feito em julho perde a validade se não for aprovado pelo órgão regulador até março.